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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Engenhos de Abaetetuba e Igarapé-Miry

Engenhos de Abaetetuba e Igarapé-Miry

I - MEMÓRIA E HISTÓRIA DOS ENGENHOS DE ABAETÉ/ABAETETUBA/PA
Adenaldo dos Santos Cardoso
O ÚLTIMO DOS MOICANAS

Lembro a cana, o alambique
O Engenho a resistir
O último dos moicanas
O Guerreiro Jurandir

Sítio Santa Terezinha
Pacheco com muita fé
O último dos moicanas
Da Cidade de Abaeté


No Engenho Santa Rosa
“Alvorada” se servia
No Engenho São João
“Milagrosa” se bebia
São José “Vista Alegre”
Da Paz “Maués” sorria
“Paraíso”, “Amazônia”
“Santa Cruz” de todo dia


“São Jerónimo”, “São Pedro”
“K te espero” outro dia
“Borboleta”, “Papagaio”
“Feliz”, “Nazaré” se via
A preciosa cachaça
Dona da nossa alegria
Pacheco que resgatava
Num porre de teimosia

(Adenaldo)
Foto de Angelo Paganelli.

ABAETETUBA E SUAS VIAS FLUVIAIS NAVEGÁVEIS
Abaetetuba é um município pequeno medindo apenas 1.090km2, situado no Nordeste do Estado do Pará, no estuário dos rios Pará e Tocantins, onde esses dois rios formam a baía de Marapatá, na Zona Tocantina. 
No entanto possui uma topografia bastante acidentada quanto a presença de ilhas, rios, igarapés, furos, baías, praias e costas que constituem a Zona Ribeirinha ou a Região das Ilhas de Abaetetuba, que vem se juntar a Região das Ilhas do Pará.
Rio é uma corrente natural de água que flui com continuidade (curso de água), que desemboca no mar, num lago ou em outro rio e, em tal caso, denomina-se afluente. Por seu curso podem navegar, dependendo do tamanho, navios, barcos, barcaças e outras embarcações menores.
Os afluentes são rios menores que deságuam em rios principais 
Confluência é o termo que define a junção de dois ou mais rios. 
Foz é o local onde deságua um rio, podendo dar-se em outro rio, ou em um lago ou no oceano.
Igarapé é um termo amazônico que vem do nheengatu, língua originária do tupi-guarani. Nheengatu=língua boa, língua fácil de ser entendida. 
Igarapés são braços estreitos de rios pequenos, médios ou grandes, onde a maioria possui águas escuras e são navegáveis por pequenas embarcações e canoas. São como canais existentes na bacia amazônica, caracterizados por pouca profundidade e por correrem quase no interior das matas que os recobrem como túneis vegetais.
Os igarapés desempenham um importante papel como vias de transporte e comunicação. São como ruas fluviais no meio das matas amazônicas.
Igarapé, palavra tupi=caminho de canoa. Ou significa=pequeno rio, riacho.
Furo é um termo genuinamente amazônico. Furo=pequeno canal estreito de um rio. 
Furos são córregos ou riachos que unem rios maiores entre si ou adentram as matas de várzeas e igapós amazônicos. 
Igapó, palavra tupi=floresta pantanosa, terreno encharcado. Assemelha-se à várzea. 
Os furos da Zona Ribeirinha de Abaetetuba/Pa geralmente são navegáveis por pequenas embarcações que transportam pessoas ou mercadorias, diminuindo as distâncias entre as comunidades das ilhas/comunidade ribeirinha e as cidades. Antigamente as embarcações mais utilizadas nos rios, igarapés e furos eram as chamadas canoas à remo, estas de porte pequeno e para pequenas distâncias, e as canoas à vela, que eram de porte pequeno, médio ou grande e, ainda os reboques, de porte pequeno ou médio, exigindo os chamados remadores. A expressão “canoa grande” se popularizou quando ainda não havia transporte rodoviário no município e o único meio para se fazer comércio e transporte de pessoas eram as canoas grandes à vela. Outras embarcações menores eram usadas no transporte de mercadorias e pessoas pelas vias fluviais do município/rede hidrográfica como os reboques, montarias, batelões, canoas à remo e cascos. Com o advento dos motores à óleo diesel as embarcações existentes foram adaptadas ao uso de motores movidos a óleo diesel e outros tipos de embarcações foram surgindo como pequenos, médios e grandes barcos motorizados, iates, lanchas voadeiras e outros tipos. 
Vale salientar que atualmente um pequeno tipo de embarcação é largamente utilizado para o deslocamento rápido de estudantes e moradores das ilhas de Abaetetuba, que é uma pequena canoa motorizada chamada “rabeta” que é o táxi fluvial da rede hidrográfica de Abaetetuba/Pa e região do Baixo Tocantins.
Os rios e igarapés existem em grande quantidade e que se juntam aos furos e baías que vão constituir uma grande massa de água doce que cerca totalmente a parte continental do município e constituem o caminho natural para os habitantes da Zona Ribeirinha em seus deslocamentos diários à Abaetetuba ou municípios vizinhos com as mais variadas finalidades. 
Antes das estradas de rodagem, essas vias aquáticas constituíam o único caminho para se chegar a cidade de Abaetetuba, Belém, Cametá, Ilha do Marajó, Igarapé-Miri, Moju, Barcarena ou qualquer outra localidade vizinha do município de Abaeté.
Pelas águas dos rios também se chega a outros estados e até países vizinhos, através do Oceano Atlântico que se encontra ali, às proximidades do grande Rio Tocantins. 
Essas vias eram as rotas por onde passavam os navegadores portugueses na época da colonização do Pará, a partir do século XVI em diante. 
Essas vias escoaram muitos produtos extraídos das águas e matas da região na forma das chamadas “drogas do sertão”, madeira, borracha, produtos dos engenhos e olarias, peixes, caças, frutas, sementes e plantas de todos os tipos, como também eram rota de distribuição de índios e negros vindos da Guiné e outros países africanos próximos ao Pará, que trabalhavam como escravos para esses colonizadores, distribuídos por todos os locais do Baixo Tocantins, da Ilha do Marajó, de Belém, Cametá e outros municípios vizinhos à Abaetetuba. 
Como também eram os caminhos dos milhares de nativos que habitavam as matas, margens e costas dos rios e baías da região, como também os nativos da Ilha do Marajó que por aqui chegavam através de suas velozes canoas à remo, antes da chegada dos colonizadores. 
Aliás os índios dessas regiões, por sua grande habilidade na arte de remar, caçar, pescar e na arte de conservar e acondicionar alimentos e na arte das guerras, foram usados pelos colonizadores nesses propósitos e também na milícia provincial e da própria elite dos povoados que começavam a surgir na forma de freguesias, vilas, cidades e outras formas de povoamento das regiões ocupadas. 
As chamadas ilhas do Baixo Tocantins e especialmente as de Abaetetuba são trechos de terra formadas por matas de várzeas, igapós e floresta de terra firme cercadas por uma densa rede hidrográfica de rios, igarapés e furos. 
As ilhas do município de Abaeté somam um total de 72 ilhas espalhadas, desde a frente da cidade, até os limites com os municípios vizinhos. 
A mata existente na região de Abaetetuba era formada por uma cobertura vegetal original, representada pela Floresta Hileiana de Grande Porte/Floresta Densa de Terra Firme que recobria a maior parte do município, que deu origem a uma Floresta Secundária, devido a introdução do cultivo agrícola e extrativismo vegetal intensos.
As áreas de várzeas apresentam sua vegetação característica com espécies de folhas largas, intercaladas com muitos tipos de palmeiras, dentre as quais, despontam o açaizeiro e o miritizeiro.

Dentre os inúmeros rios, igarapés, furos, baías, costas e ilhas de Abaetetuba, alguns são históricos e habitados desde os primórdios da história do município. 

ANTIGOS ENGENHOS E DONOS DE ENGENHOS NO MUNICÍPIO DE ABAETÉ/ABAETETUBA/PA

Observação: 
Estas pesquisas foram realizadas, em sua maioria, nos arquivos da Fundação Cultural de Abaetetuba, arquivos particulares e nos livros dos historiadores paraenses e da historiadora abaetetubense Maria de Nazaré Carvalho Lobato, em seu livro “Ecos da Terra” – SECULT – 1993. Brevemente publicaremos postagens com os engenhos de outras localidades do Pará.

Sobre os Engenhos 
1. A fornalha utiliza como combustível a lenha extraída da região e o próprio bagaço da cana-de-açúcar.
2. A queima da lenha e do bagaço aquece um reservatório de água até que esta entre em ebulição produzindo vapor que é canalizado por tubulações de ferro até o cilindro que contém o pistão.
3. Através da expansão e compressão do vapor, o pistão se movimenta dentro do cilindro num movimento constante de entra e sai.
4. O movimento do pistão faz girar uma alavanca que está acoplada às engrenagens e o movimento é transmitido até os cilindros que esmagam a cana.





5. Assim que a cana é esmagada, seu caldo escorre por canaletas até um reservatório chamado paiol de onde um mecanismo de sucção utilizando o movimento gerado pelo vapor d’água consegue deslocá-lo até grandes tanques de fermentação.
6. Dentro dos tanques, já existe uma espécie de melaço, que faz com que o caldo sofra fermentação alcoólica por um período de 4 dias(nos engenhos modernos que usam fermentos químicos ocorre fermentação em até 30 minutos).
7. Após o período de fermentação, o caldo é transportado por tubulações de pvc até uma bomba que utilizando a força gerada pelo vapor consegue ejetá-lo até um compartimento mais acima onde ocorrerá a destilação(equipamento denominado alambique).
8. A etapa final da produção consiste em avaliar o nível de álcool na cachaça. Então, utilizando-se um funil(vasos comunicantes) e um instrumento denominado alcoômetro de Gay-lussac e Cártier que flutuando na cachaça colocada dentro do funil avalia através de uma escala a porcentagem de álcool.
10. Verificado o nível de álcool na cachaça, esta é engarrafada e colocada em embalagens artesanais produzidas no próprio local. 

ANTIGOS ENGENHOS NA CIDADE DE ABAETÉ/PA
DONA DA NOSSA CABEÇA

Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”

Mas a “mardita” cheia de graça!
Límpida, ardente de danar
Vivia na sociedade
Em Abaeté do Grão Pará

Dona da nossa cabeça
Prostituta dos Abaetés
Bailarina pé-de-cana
A beira de rios e igarapés

Parida no alambique
Do Engenho São José
Joaquim engarrafava
“Vista Alegre” pra Alenquer

No Engenho Nazaré
Duca Costa rezava
Vendo a cana convertida
Sua fé só aumentava

No Engenho da Paz
Paz Maués alegrava
“Maués”, timbrada em sonho
O Amazonas regatava

No Engenho São Jerônimo
Noé Guimarães embarcava
O liquido precioso
Até o santo se embriagava

No Engenho Santa Cruz
Murilo resplandecia!
Com o clarão de tanta luz
Que a branquinha exibia

No Engenho Papagaio
Claudionor tranquilizava
Pois, a água que era ardente
Passarinho não bicava

No Engenho Feliz
Aprigio felicitava
A água vinda da raiz
Em seu porto abundava

No Engenho Paraíso
Francisco imaginava
O céu de cada boca
Quando a pura adentrava

No Engenho São João
Duca Ferreira festejava
Era grande a devoção
Pela cachaça que exportava

No Engenho São Pedro
Álvaro Matos festejava
Espinhos e pedras no caminho
Ele nunca se importava

No Engenho Borboleta
Delclécio flutuava
Nas asas mágicas da paixão
Do verde que transformava

No Engenho do Nazareno
Nazareno encantava!
“Amazônia” era seu leito
Onde ele divagava

No Engenho Santa Rosa
Raimundo orgulhava
“Alvorada” servia de prosa
No lugar onde morava

No Engenho “Cá te espero”
Kemil nunca desviava
De ser um grande anfitrião
Do povo que convidava

Saudosos engenhos de canas
Autores da nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam a nossa história

Sepulcros caiados na lama
Saudades eternas demais!
Abaetetuba de outrora
Lembranças da puta do cais

(Adenaldo)
Rosália Maués: Que legal, meu avô Joaquim Maués ou seu "Quincas", tinha um engenho que se chamava São José, as margens do Rio Tucumanduba, não sei se é o mesmo citado nos versos. Meu Pai Pattápio Maués, ainda produziu cachaça lá.

Sede do Município de Abaetetuba 
. Engenho de Luciano Antônio dos Santos (cidade), mel, 1922. 
. Engenho Cruzeiro do Sul/Fábrica de cachaça e açúcar de Garibaldi Parente & Cia.(cidade), em 1922, que era um dos engenhos da família Parente e se localizava na frente da cidade de Abaeté, onde hoje se encontra a Fábrica Amazônia de guaraná, de Nazareno Cardoso e arredores.
Em 1922, além da fábrica de cachaça e açúcar, Garibaldi Parente aparece como comerciante, com a denominação de “Garibaldi Parente & Cia., sito à Rua Justo Chermont, relativo as atividades de casa de commércio de 2ª classe, serraria com officina, fábrica de sabão, typographiae fábrica de cachaça e açúcar. 
. Engenho Santa Cruz, de Francisco de Assunção dos Santos Rosado, situado na orla da cidade de Abaeté, em 1927.
Engenho Mangal
. Engenho Mangal, na frente da Cidade de Abaeté, no início da atual Avenida 15 de Agosto. 
. Pedro Rosado. O engenho de Pedro Rosado localizava-se na Rua do Trapiche (hoje Rua Justo Chermont), onde, anos depois, foi montada uma Usina Elétrica, movida à vapor de lenha.
. Na 2ª intendência do Capitão Manoel João Pinheiro (1891-1894), em 1893, foi construído o 1º engenho de cana à vapor, de propriedade do Sr. Mc-Dowell/Domingos Mac-Dowell. 

NO RIO PANACUÉRA
. Engenho de Miguel Procópio Rodrigues (Rio Panacuéra), mel, 1922.
. Engenho de Thomaz Antônio Rodrigues (Rio Panacuéra), mel, 1922. 
. Engenho Primavera, de Francisco Lobato.
. Engenho Santo Antonio, de Rosendo Maués., que fabricava cachaça. 
. Engenho São Gerônimo, de Noé Guimarães Rodrigues, que fabricava cachaça, no rio Panacuéra, que em 1994 era só abandono e o mato invandindo tudo.
. Engenho Primavera, de A. Tocantins e Filhos, que fabricava cachaça.
. Engenho de Ercílio Ferreira Costa, que fabricava açúcar e mel/melaço de cana.
. Engenho de Segismundo Augusto Rodrigues, que fabricava açúcar e mel de cana.
. Engenho de Antonio Costa Ferreira, que fabricava açúcar e mel de cana.
. Engenho de Virgílio Quarema dos Santos, que fabricava açúcar e mel de cana/melaço. 

NO FURO PANACUÉRAZINHO
. Engenho São Gerônimo, de Noé Guimarães Rodrigues, que fabricava a cachaça São Jerônimo. 

NA COSTA MARAPATÁ
. Engenho Marapatá, na costa da Baía de Marapatá. 

NO FURO DO GAITA
No furo do Gaita existiam casas de comércio, conforme atestam documentos de 1922, como a firma Costa e Irmão. 

NO RIO ANAPU 
. Engenho Anapu, do Alferes Felippe Correa de Sá. 

NO FURO GENTIL
. Engenho de Raimundo Quaresma, na foz do Furo Gentil. 

NO RIO CAPIM
. Engenho São José, de Calixto Wallace. 

NO RIO DO INFERNO
. Rio do Inferno, em cujas margens existia um engenho São Pedro, de Álvaro Matos. 

NO RIO VILHENA 
. Engenho de Dona Maximina da Silva (Rio Vilhena), mel, 1922;
. Engenho de Costa e Irmão (Rio Vilhena), mel, 1922;
. Engenho Santo Antonio, de Francisco de Assunção dos Santos Rosado, no Rio Vilhena, com produção de cachaça especial de 21 graus, mel de cana e açúcar batido, em 1927. 
. Engenho São Sebastião, de Manoel Miranda da Silva, que fabricava açúcar moreno.
. Engenho Santo Antonio, de Henrique Bittencourt, que fabricava açúcar moreno. 

NO RIO CARAPAJÓ 
. Engenho Carapajó, de João de Moraes Bittencourt. 

NA COSTA MARATAUHYRA

A Costa Maratauhyra era um pólo comercial/industrial de Abaeté.
Os engenhos na Costa Maratauhyra, conforme atestam documentos de 1922, pertenciam às seguintes pessoas: Manoel Eugênio Gomes, Antõnio Augusto Pinheiro, João Floresta dos Santos, Gonçalves e Garcia.
. Engenho de Manoel Eugênio Gomes (Costa Maratauhyra, cachaça e mel, 1922.
. Engenho de João Floresta dos Santos (Costa Maratauhyra), cachaça e mel, 1922.
. Engenho Casa Branca, de João Pupunha.
. Engenho de Gonçalves e Garcia (Costa Maratauhyra), cachaça e mel, 1922;
. Engenho para mel: Antônio Augusto Pinheiro (Costa Maratauhyra), 1922.
. Engenho de José Luiz Pinheiro da Silva, na margem esquerda da Costa Maratauhyra, 1922.
. Engenho de Araujo Azevedo e Cia, na margem direita da Costa Maratauhyra, 1922.
. Engenho de Doracy Nobre e Cia, na margem direita da Costa Maratauhyra, 1922. 
. Indústria e Comércio Leonardo Ltda., de Eurico Campião, na Costa Maratauíra. 
. 1931: José Saul, com engenho na Costa Maratauhyra, que fechou em 31/12/1932. 
. Engenho Santa Rosa, de Arthur Nunes.
. Engenho Santo Antonio/Engenho do Arthur Nunes/Arthur Nunes Ferreira, em 1931, para fabricar cachaça, depois repassado para Raimundo Neves. Arthur Nunes Ferreira, também era comerciante. 
. Engenho Vista Alegre/Engenho do Joaquim Nunes, de José Joaquim Nunes.
. Engenho São José, de José Joaquim Nunes, que produzia a cachaça Vista Alegre. Era só abandono em 1994.


. Engenho São Pedro/Engenho do Zé Matos, de Álvaro Matos, que havia se apartado de seu irmão Miguel, para montar seu próprio engenho, que ficava perto do Rio do Inferno, Vila Maiuatá e produzia a cachaça São Pedro.
. Engenho Santo Antonio, de Elpídio Bacaba.
. Engenho Dom Bosco, de João Francisco Ferreira, para fabricar cachaça. 

NO RIO MARATAUHYRA
. Fazenda e Engenho Boa Vista, à margem esquerda do Rio Maratauhyra, de Francisco Augusto da Gama Costa, Comendador da Ordem da Rosa, seu abastado proprietário. 
NO RIO CAMPOMPEMA 
. Engenho Santa Maria, de Kemil dos Santos, para fabricação de cachaça. 
. Engenho do Murilo Carvalho/Engenho Santa Cruz, de Murilo Parente de Carvalho, que fabricava cachaça.
Nas margens do Rio Campompema foi montado o Engenho Santa Margarida de Murilo Parente de Carvalho. Esse engenho ficava na frente da cidade, do outro lado do Rio Maratauhyra, pertencia ao Capitão Ayres, que foi comprado por Murilo Carvalho.
Também o Velho Aires Matos teve um engenho nas margens desse rio: a firma A. Mattos & Cia. Com fábrica de cachaça neste município, localizada no Rio Campompema, em 1930. Velho Aires Matos, pai de Miguel e Álvaro Matos.
. 1930: A firma A. Mattos e Cia. Com fábrica de cachaça no Rio Campompema. 

NO RIO PIQUIARANA
O Rio Piquiarana era um pólo comercial/industrial de Abaeté: 
Os engenhos do Piquiarana, conforme atestam documentos de 1922 perteciam às seguintes pessoas: José Honório Roberto Maués; Júlio Antônio da Costa. 
. 1931: Fábrica de cachaça, açúcar e mel, denominada “Conceição”, no Rio Piquiarana, da firma Maués e Barbosa, tendo como sócios José Honório Roberto Maués e José Barbosa Ferreira.
. 1931: Juvêncio Christino Pinheiro, industrial, com engenho à vapor para fabricar cachaça, situado à margem direita do Rio Piquiarana, admite como sócio, Antonio Rosa da Fonseca, com documento feito pelo tabelião Miguel Mendes dos Reis.
. Engenho de José Honório Roberto Maués (Rio Piquiarana), cachaça e mel, 1922;
. Engenho de Júlio Antônio da Costa (Rio Piquiarana), cachaça e mel, 1922;
. Engenho Progresso, de José Matos, no Rio Piquiarana.
. Engenho Conceição, de Joaquim Freitas Castro, no Rio Piquiarana, para fabricar cachaça.
. Engenho Mata-Fome, de Félix Mota, no Rio Piquiarana.
. Engenho de Francildo M. Nobre (Francildo Maués Nobre), no rio Piquiarana. 
. Engenho São Francisco/Engenho do Chiquito Nobre, de Francisco de Oliveira Nobre, no Rio Piquiarana.
. Firmo Roberto Maués (engenho para fabricar mel), 1922.

NO RIO PIQUIARANA-AÇU 
. Engenho de Nobre e Irmão, para fabricar cachaça.
. 1931: Francisco L. da Silva adquire a indústria de J. M. Teixeira, no Rio Piquiarana. 
. 1931: Francisco Loureiro da Silva proprietário de fábrica de cachaça denominada “Espírito Santo”, às margens do Rio Piquiarana-Açu, fecha as portas, por falta de vendas. O mesmo “Engenho Espírito Santo” é repassado para Jovêncio C. Pinheiro/Juvêncio Cristino Pinheiro, industrial, com engenho à vapor, para fabricar cachaça. 1931: Francisco Loureiro da Silva proprietário de fábrica de cachaça denominada “Espírito Santo”, às margens do Rio Piquiarana-Açu, fecha as portas, por falta de vendas.
. 1931: Fábrica de cachaça, açúcar e mel, denominada “Conceição”, no Rio Piquiarana, da firma . Maués & Barbosa, tendo como sócios José Honório Roberto Maués e José Barbosa Ferreira. 

NO RIO PIQUIARANA-MIRY
Às margens do Rio Piquiarana-Miry foi montado o engenho São Francisco, de Francisco de Oliveira Nobre/ Chiquito Nobre, que fabricava cachaça. 

NO RIO TUCUMANDUBA
O Rio Tucumanduba era um pólo comercial/industrial de Abaeté:
. Engenho do Cel. Hygino Maués (Rio Tucumanduba), cachaça e mel, 1922;
. Coronel Maximiano Guimarães. O Coronel Maximiano Guimarães Cardoso era muito rico, dono de engenhos, grandes propriedades com plantações de cacau, cana-de-açúcar, seringais, embarcações, casas no interior e na cidade, dono de muitos escravos e outros empregados, entre os quais muitas famílias de escravos alforriados. Um dos engenhos do Coronel Maximiano Guimarães Cardoso, com fazenda anexa, ficava às margens do Rio Tucumanduba. Nesse lugar tinha de tudo: luz elétrica, com gerador acoplado a rodas de ferro, com pás de madeira, movimentadas pela força da correnteza do Rio Tucumanduba. Na fazenda anexa ao engenho criava gado: bois, carneiros, cabras, porcos, patos, cavalos. Havia grande variedade de caças, pescados, mariscos e muitos produtos do extrativismo das matas e águas.
As máquinas para a fazenda/engenho do Cel. Maximiano foram compradas direto da Inglaterra, inclusive as duas lanchas à vapor de lenha, todas em ferro e aço: a Lancha Tucumanduba, que era muito veloz e com potente sirene e a Lancha Cardosinha, igualmente potente.

. Engenho no Rio Tucumanduba, dos irmãos Reis e Silva (Coronel Aristides dos Reis e Silva).
. Fazenda e Engenho São José, de José Honório Roberto Maués, Comendador da Ordem de Cristo, à margem direita do rio Tucumanduba.
. Pinheiro e Irmão (engenho para fabricar cachaça e mel), 1922.
. Engenho S. Joaquim, de Manoel Silva.
. Antonio Santos e Irmão (cachaça e mel), 1922. 
Baixo, Médio e Alto Tucumanduba.
. Engenho do Cel. Hygino Maués (Rio Tucumanduba), cachaça e mel, 1922
. Engenho dos irmãos Reis e Silva (Coronel Aristides dos Reis e Silva). 
. Engenho São José, de Pinheiro Maués e Cia, para fabricar cachaça.
. Engenho de Arquimima Marques da Silva, para fabricar açúcar e mel de cana/melaço.
. Engenho Vista Alegre, de José Joaquim Maués. 

NO RIO TUCUMANDUBAZUNHO
. Engenho Santa Rita, de Miguel Pompeu F. Maués. 

NO FURO TUCUMANDUBA
. Aristides Silva e Cia. (engenho para fabricar cachaça e mel), 1922.
. Engenho de Antônio Santos e Irmão (Furo Tucumanduba), cachaça e mel, 1922;
. Engenho Deus é Bom Pai, de Manoel Pereira da Silva.
. Engenho S. Pedro, de Indalécio G. Rodrigues.
. Engenho Catipera, de Henrique Costa.
. Engenho Santo Antonio, de Galileu Villaça e Cia, que fabricava cachaça.
. Empresa União Ltda, que fabricava cachaça.
. Engenho-Empresa Nazaré, de Raimundo Oliveira e Altino.
. Empresa Naiabé, de João Marcelino Pacheco.
. Engenho Santo Antonio, de Augusto Nascimento Marques. 
. M. F. Carneiro, que fabricava açúcar e mel de cana/melaço. 
. 1931: Pinheiro e Irmão com fábrica de cachaça no Furo Tucumanduba. 

NO RIO TUCUMANDUZINHO 
. Engenho Santa Rita, de Miguel Pompeu F. Maués.

NO RIO MARACAPUCU
O Rio Maracapucu era um pólo comercial/industrial de Abaeté. 
Nessa localidade existiam alguns importantes engenhos, conforme atestam documentos de 1922 e seus proprietários eram: 
. A firma Pinheiro e Irmão fecha a sua fábrica de cachaça no rio Maracapucu, em 1930
. Manoel Fernandes do Rego.
. Manoel Laurindo Cardoso (engenho para fabricar mel), 1922.
. Raymmundo Manoel Ferreira (engenho para fabricar cachaça e mel), 1922. 
. Engenho do Duca Ferreira/Duca Ferreira/Raymmundo Manoel Ferreira.
. Miguel Pinto Ferreira (mel), 1922.
. Manoel Edwiges Ferreira (cachaça e mel), 1922. 
. Antonio de Figueiredo Dias Primo (mel), 1922.
. Engenho de Rammundo Amaro Dias (Rio Maracapucú), cachaça e mel, 1922.
. Engenho S. Raimundo, de Raimundo da Silva Dias.
. Engenho S. Raimundo, de Raimundo Dias da Costa. 
. Engenho do Acatauassu, de Acatauassu Nunes, no rio Maracapucú, e que, dizem, foi o primeiro engenho montado em Abaeté, ainda nos fins do Século XIX. Acatauassu era famoso pelos maus tratos aplicados aos seus escravos e trabalhadores. Há uma lenda que corre ainda, que dizia que todo dono de engenho da época de Acatauassu, quando queria maior produtividade de seus escravos, diziam aos mesmos: “Se não trabalharem direito eu os vendo para o Acatauassu”, que era um santo remédio para os escravos trabalharem com afinco. 
Os Dias possuíam engenhos nas margens desse rio. 
O Rio Maracapucu era um importante pólo comercial/industrial das ilhas de Abaeté, conforme documentos de 1922. 
. Engenho S. João, de Manoel do E.S. Ferreira.
. Engenho do Duca Ferreira (primo de Chiquinho Ferreira), no Rio Maracapucú, que produzia a cachaça São João.
. Engenho de Raimundo Nobre Viana, na margem direita do rio Maracapucu.
. Engenho de A. Belo da Silva, na margem direita do rio Maracapucu. 
. Engenho S. Raimundo, de Claudionor Tocantins Viana.
1930: Fechamento da fábrica de cachaça de Pinheiro & Irmão no Rio Maracapucu.
. Engenho Santa Olinda, de Saul da Silva.
. Engenho São Miguel, de Manoel do Espírito Ferreira, para fabricar cachaça.
. Engenho de Ana Ferreira do Rego, para fabricar açúcar e mel de cana,melaço.
. Engenho de Francisco Gomes, para fabricar açúcar e mel de cana.
. Engenho de Tomaz Lourenço, para fabricar açúcar e mel de cana. 

RIO MARACAPUCU-MIRY
. Engenho de Manoel Fernandes do Rego (Rio Maracapucú-Miry), cachaça e mel, 1922;
. Engenho S. Manoel, de Manoel Nunes do Rego.
. Engenho S. Francisco, de Francisco Gomes.

. Engenho de Mariano Soares Ferreira, para fabricar açúcar e mel de cana/melaço. 

ENGENHO NA PONTINHA 
. Engenho Bela Vista, de José Joaquim Cardoso.

NO RIO PARAMAJÓ
. Engenho do João Ferreira.
Nas margens do Rio Paramajó ficava o Engenho Feliz que foi construído por João Ferreira, que o repassou para Aprígio Veloso e seu sócio Bernardino Costa.
. Engenho Feliz, de B. Costa e Cia, que produzia cachaça. 
. Engenho do Aprígio/Engenho Feliz, de Aprígio/Aprígio Ernesto Dias e Bernardino Costa, no Rio Paramajó. O engenho Feliz, dos tempos de Aprígio, teve como gerente o Sr. Lopes. Depois esse engenho foi alugado para o Sr. Getúlio e, posteriormente, para o Sr. Felix. José Maria, filho de Aprígio, vendeu o engenho. O primeiro dono desse engenho foi João Ferreira. 

NO FURO GENTIL
. Engenho Gentil, de Alves e Costa Ltda, para fabricar cachaça.
. Engenho Gentil/Engenho de Raimundo Quaresma, na foz do Furo Gentil.
. Engenho S. Sebastião, de Raimundo Quaresma.
. Maria Edinor Quaresma com outro engenho no rio Gentil. 

NO RIO JUPARIQUARA
. Engenho D. Bosco, de Francisco Meireles.
. Engenho do João Ferreira, na boca do Rio Jupariquara. 

NO RIO ABAETÉ
. Engenho Santa Cruz, de Murilo Carvalho, no Rio Abaeté, que produzia a cachaça Santa Cruz.
O engenho Santa Cruz, da família de Murilo de Carvalho, situado no Rio Abaeté, chegava a produzir 50 garrafões (frasqueiras, que eram recipientes em vidro empalhados por fora em cipó ou palha) por dia. Era o de melhor infra-estrutura, possuindo uma rampa, onde os batelões ancoravam, carregados de cana-de-açúcar, destinados às moendas do engenho. Cada grande batelão carregava cana-de-açúcar suficiente para produzir 25 frasqueiras de cachaça.
Os fundos de alguns engenhos, como o Santa Cruz, por exemplo, davam acesso para uma pequena estrada, o que possibilitava o transporte por via terrestre. Mas a maioria dos engenhos existentes nas ilhas de Abaetetuba possuía o fundo em direção aos rios, onde o transporte era por via fluvial.
Esse rio é famoso por conter em suas cabeceiras uma famosa cachoeira, chamada de Cachoeira do Rio Abaeté. 
A entrada do Rio Abaeté era o principal escoadouro de cachaça, próximo do qual se localizavam inúmeros canaviais. Era comum se dizer “roçado de cana-de-açúcar” para esses canaviais. 
. Engenho Santa Maria, de Ernani Carvalho Maués, no Rio Abaeté, que produzia cachaça engarrafada, vinho. Esse local também era uma fazenda onde se criavam bois, com moinho de sal, onde trabalhavam muitos empregados.
Em 1926 a firma Santos & Santos possuía um engenho nesse local. 

NO RIO TAUERÁ-AÇU
. Engenho São Luiz, de Luiz Nobre, para fabricar cachaça.
. Engenho do Zé Nobre. 

NO RIO TAUERÁ DE BEJA
Rio Tauerá de Beja: Suas águas deságuam na Baia do Capim. Abriga uma Delegacia Sindical do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Abaetetuba. 
Júlio Luzio, era tutor de Maria Fernandes Silva/Marocas. Latino Lídio da Silva veio, a pedido de Júlio Luzio, tomar conta do engenho de propriedade do esposo da Sra. Jovita, engenho às margens do Rio Tauerá. 

NO IGARAPÉ TAUERÁZINHO
. Engenho S. Luís, de Luís Nobre.

NO RIO MAHUBA
. Engenho Santo Antonio, de Rosendo Maués, para fabricar cachaça.
. Cesário Lobato (engenho para fabricar mel), 1922.
. Engenho Santa Terezinha, de Samuel Rodrigues Ferreira, para fabricar açúcar moreno.
. Engenho de Benedito Ferreira Pantoja, que fabricava açúcar e mel de cana. 

NO RIO AJUHAHY
Innocêncio Joaquim Pinheiro (engenho para fabricar mel), 1922. 

NO RIO GUAJARÁ DE BEJA 
Engenho nessa localidade foi o Velho Artur, que o repassou para Claudionor Viana. 

NO RIO GUAJARÁZINHO 
. Engenho São João, de F. Lobato e Cia, para fabricar cachaça. 
. Engenho Santa Rosa, de Adalberto Oliveira e Silva, para fabricar cachaça. 
O Engenho Santa Rosa, no Rio Guajarázinho, montado por Adalberto Silva e que foi repassado para Didi Solano/Raimundo Solano de Albuquerque, que passou a produzir a Cachaça Alvorada. Raimundo Solano repassou esse engenho para os sócios Bebé e Batista. O Engenho Santa Rosa de Didid Solano chegou a possuir uma vila para mais de trinta trabalhadores, mas que sucumbiu quando a indústria canavieira de Abaeté entrou em declínio por vários motivos. 
. Engenho de R. Solano & Cia/Raimundo Solano de Albuquerque, no rio Guajarázinho. 
. Engenho do Velho Artur, no Rio Guajarázinho, repassado, depois, para Claudionor Viana, que produzia a cachaça Papagaio. 
. Engenho de C. T. Viana/Claudionor Tocantins Viana, no rio Guajarázinho. 

NO RIO ARAPAPU
. Engenho de Murilo Carvalho no Rio Arapapu.
. Engenho S. Sebastião, de Manoel Otávio da Costa. 
. Engenho de Manduquinha Costa, no Rio Arapapú, repassado, depois, para Almerindo Maués. 
. Engenho S. Cláudio, de Hermindo Maués.
. Engenho Santa Margarida/Engenho de Ermecundo Maués, de Emercindo Baptista Maués, que fabricava cachaça. 

NO RIO ARUMANDUBA 
Arumanduba era a localidade onde existia o engenho São Sebastião de Miguel Matos em sociedade com seu irmão Álvaro matos, que foi montado na década de 40 do século 20, 1948. 
. Engenho São Sebastião/Engenho de Miguel Matos, para fabricar cachaça. Esse engenho foi repassado para um senhor chamado Jacarézinho, já na época da decadência da indústria canavieira. Também por força da ação da Justiça do trabalho, através da Junta de Conciliação e Julgamento de Abaetetuba, o Sr. Jacarézinho, por não possuir condições de repassar os direitos trabalhistas devidos aos seus empregados ele repassa o engenho aos mesmos, cujo líder é o Sr. Aloísio, que foi um dos que nos repassaram muitas informações sobre os engenhos e particularmente sobre esse engenho, seu funcionamento e a matéria-prima que usa.
Esse engenho repassada aos empregados de Jacarézinho, tendo Aloísio como líder, encontra-se hoje, em 1994, em situação precária, em ruínas e pouca produção de aguardente. O maquinário é antigo, importado da Inglaterra, mas obsoleto.. Engenho de Maria Edinor César Quaresma, no rio Arumanduba. 

NO RIO ACARAQUI
. Engenho São João, de Manoel José Sena, para fabricar cachaça. 

NO RIO SAPOCAJUBA 
. Engenho São Raimundo, de Raimundo da Silva Correa, no Rio Sapocajuba. 

NO RIO PARURU: 
. Engenho de Marciano Magno Nunes (Rio Parurú), mel, 1922. 

NO RIO BACURI 
. Engenho “Cá Te Espero”, que ficava na boca do Rio Bacuri. 
. Engenho São João, de Abel Guimarães Rodrigues, que fabricava cachaça.
Segundo Raimundo Flankim de Carvalho, Emygdio Nery da Costa possuía um engenho de cana-de-açúcar às margens do Rio Biribituba, braço do Rio Bacuri. 

NO FURO GRANDE
. Engenho de Abel Guimarães, no Rio Furo Grande.
1931: José C. Maués, com comércio no Furo Grande.
. Engenho de J. C. Rodrigues (José Costa Rodrigues), na margem direita do Furo Grande.
. Engenho Dom Bosco, de Chiquinho Ferreira, na Foz do Furo Grande.
1931: Raymundo Ferreira Vaz, com engenho no Furo Grande, que fechou em 1932.
1932: Raymundo Ferreira Vaz, fechando engenho de açúcar no Furo Grande.
. Engenho de Didico Guimarães, no Rio Furo Grande. Didico Guimarães Rodrigues era filho de Antonio Guimarães Rodrigues e Raymunda V. da Silva Rodrigues. 
No Furo Grande existia a Fazenda/Engenho São Francisco, do lendário Coronel Caripuna/Antonio Francisco Correa Caripuna, chefe político de Abaeté, muito influente na localidade, que até designou Abaeté de Cidade do Caripuna. Engenho do Caripuna foi um dos primeiros na então Vila de Abaeté.

ENGENHO DA FAMÍLIA PACHECO NO FURO GRANDE
Engenho Pacheco. Localiza-se no Furo Grande, atualmente, em 2010-03-24, é o único engenho existente em Abaetetuba. É um antigo engenho, montado em 1925, com produção quase artesanal, maquinário inglês antigo e está em acentuada decadência.

Outras informações sobre o Engenho de Cachaça Pacheco.
O Engenho de Cachaça Pacheco é o último engenho dos muitos existentes em Abaetetuba/Pa na fase áurea de produção de cachaça e mel de cana. Seu maquinário é de origem inglesa, já obsoleto, do século 19 e fica situado em um barracão bastante velho construído em madeira, mas que ainda produz, precariamente, cachaça de modo caseiro. 

O processo de produção de cachaça segue as sequências:
. A fornalha adaptada utiliza como combustível a lenha e o próprio bagaço da cana-de-açúcar. A queima da lenha e do bagaço aquece um reservatório de água até que esta entre em ebulição, produzindo o vapor que é canalizado por tubulações de ferro até o cilindo que contém o pistão, que executa a compressão e expansão do vapor, em movimento constante.
. O movimento do pistão faz girar uma alavanca acoplada às engrenagens e o movimento é transmitido a cilindros que esmagam as varas de cana-de-açúcar; 
. O caldo das varas de canas esmagadas escorre até um reservatório chamado paiol de onde é levado por um mecanismo de sucção que utiliza o movimento gerado pelo vapor d’àgua até grandes tanques de fermentação; 
. Dentro dos tanques já existe o melaço que faz com que o caldo sofra fermentação alcoólica por 4 dias;
. Após o período de fermentação o caldo é levado por tutulações de PVC até uma bomba que utiliza a força gerada pelo vapor d’água e consegue ejetá-lo até o alambique onde ocorrerá o processo de destilação;
. A etapa final da produção consiste em avaliar o nível de álcool na cachaça através de um funil e um instrumento denominado alcoômetro.
. Verificado o nível de álcool na cachaça, esta jorra lentamente, sendo colocada em garrafas e as garrafas já estão devidamente embaladas artesanalmente. A produção é muito demorada e pequena. 

Observações:
Texto sobre o Engenho Pacheco retirado do Blog da Escola Bernardino Pereira de Barros.
Cada engenho acima teve vários donos e mudava de nome conforme a vontade comprador e até de localidade, pois o maquinário era desmontável.

Os Textos abaixo foram frutos das pesquisas do Autor do Blog, Ademir Rocha, consultando várias fontes de pesquisas como na Internet e livros de autores de Abaetetuba, Igarapé-Miry e de vários autores paraenses, especialmente os livros de Ernesto Cruz. 

NO RIO JARUMÃ:
. Engenho Santa Olinda (1926), de Santos & Santos, no Rio Jarumã. Depois esse engenho passou para a firma Saul & Santos, tendo como gerente João Nepomuceno de Pontes, em 1937.
Nessa localidade o português, Bernardino Costa, comerciante, morador da cidade de Abaeté, em sociedade com outro português, José Saul, também comerciante em Abaeté, instalaram um engenho para produzir cachaça e mel-de-cana, produtos bastante lucrativos na época, anos de 1930 a 1940 e que foi repassado para Chiquinho Ferreira. Era conhecido como . Engenho do Saul/José Saul. Quando a indústria canavieira entrou em declínio na cidade de Abaeté esse engenho foi adquirido por Alípio Gomes que ali instalou uma olaria, para produzir telhas e tijolos de barro, produtos de muita saída na época.

. Bernardino Costa e o seu sócio José Saul, com engenho no Rio Jarumã;
. Engenho do Alípio Gomes, no rio Jarumã, depois repassado para Chiquinho Ferreira (Francisco Mauro Ferreira), que produzia a cachaça Paraíso.
. Engenho Paraíso, de Francisco Ferreira Miranda. 
. Engenho Santa Olinda, de Viana & Irmão, para fabricar açúcar moreno/açúcar mascavo, que era um açúcar menos refinado que o açúcar branco. 

NO IGARAPÉ JARUMÃZINHO: 
. Engenho do Chiquinho Ferreira. 

NO RIO CUITININGA/SAMUHUMA:
. Fábrica de mel: Rodrigues & Irmão, no Rio Samuhumma/Cuitininga, 1922. 
. Engenho de José Quaresma & Irmão/Rio Coutininga, mel, 1922;
. Engenho de Segismundo Rodrigues (Rio Coutininga), mel, 1922; 
. Engenho para mel: José Rodrigues (Furo Samuhuma), 1922.
. Engenho de Miguel Pompeu F. Maués, no rio Cuitininga. 
. Engenho Santa Rita, de Raimundo Paz Maués, no rio Cuitininga.
. Engenho Da Paz Maués, que fabricava a cachaça Maués.
. José Rodrigues (mel).
. Engenho de Raimundo da Paz Nunes, que fabricava açúcar e mel de cana.
. Engenho de Manoel Araujo, que fabricava açúcar e mel.
. Engenho de Pedro Quaresma dos Santos, que fabricava açúcar e mel.
Engenho de Noel Guimarães. 

NO RIO URUBUÉUA:
. Engenho Borboleta, de Deca Viana/Deoclécio Tocantins Viana, no Rio Urubuéua, que produzia a cachaça Borboleta.
. Engenho de Claudionor Viana/Claudionor Tocantins Viana. 

NO RIO QUIANDUBA: 
. Engenho Santo Antonio, de Antonio Pinheiro Filho, para fabricar cachaça. 
. Engenho Perseverança, de Indalécio Guimarães Rodrigues, para fabricar cachaça.
. Engenho São Pedro, de Venâncio Ferreira Vilhena, que fabricava cachaça. 

NO RAMAL DE BEJA:
. Engenho Amazônia, de Nazareno Cardoso, no Ramal de Beja.
. Engenho 14 de Maio, de propriedade de Coronel Pedro Eduardo Gonçalves, em 1919. 

OBSERVAÇÕES SOBRE OS ENGENHOS:
1. As primeiras mudas de cana-de-açúcar à chegar à Abaeté começaram a se propagar nos anos de 1850 a 1860, em cultivos experimentais e para subsistência dos agricultores locais. A cultura de cana-de-açúcar era realizada em terreno de várzeas, ao longo das margens dos rios, igarapés e furos, obtendo-se uma cana não muito produtiva, por falta de um preparo adequado do solo. O lavrador queria que a terra produzisse por si só, sem o auxílio de uma técnica adequada de plantio, fato que resultava numa baixa produtividade da variedade de cana plantada. Mais tarde, quem plantava cana era o proprietário de engenhos ou lavradores ribeirinhos. Em muitos casos acontecia a meação no plantio de cana, entrando o senhor de engenho com as terras e o lavrador com o seu trabalho. No tempo do Coronel Aristides como intendente, anos de 1919 e 1920, Abaeté possuía uma área plantada de cana-de-açúcar de mais de 14.600.000m3, pelos senhores de engenho e outra área de mais de 4.200.000m3, pelos lavradores ribeirinhos.
2. Abaetetuba, quando ainda se chamava Abaeté, experimentou o seu apogeu econômico nos tempos da indústria de cachaça, quando extensos canaviais se espalhavam por quase todas as várzeas dos inúmeros rios e igarapés da região. Os chamados engenhos se multiplicavam por quase todo o interior dos municípios de Abaeté, Igarapé-Miri, Moju, Barcarena e Cametá. Mas foi em Abaeté que a indústria canavieira prosperou com o surgimento de dezenas de engenhos produzindo cachaça, mel de cana/melaço, açúcar e rapadura, produtos de muita aceitação nos mercados amazônicos. A cachaça de nossa região era exportada e ficou famosa. Por isso é que Abaetetuba ficou conhecida como a “Terra da Cachaça”. Pode-se dizer, também, que a riqueza do município, nos fins do Século 19 (de 1891 em diante) até a década dos anos de 1970, se concentrava no interior do município, com os seus engenhos de cana-de-açúcar, as suas casas de comércio abastadas e a grande concentração de famílias ricas do interior, que inclusive, ditavam as normas políticas no município. Os senhores de engenho, eram uma realidade na antiga Abaeté e eles, com todo o poder que desfrutavam, tinham sob a sua autoridade de “coronéis”, uma grande quantidade de empregados, inclusive escravos, e essas famílias de empregados, sob o domínio desses senhores poderosos, ficavam sob sua influência, inclusive, estavam à disposição de seus apetites sexuais, onde as moças das famílias dos serviçais serviam de repasto sexual, gerando uma grande quantidade de filhos extra-conjugais.
3. O comércio da cachaça e outros produtos da cana-de-açúcar era feito por toda a região Amazônica, através das embarcações que praticavam o chamado “comércio de regatão”, que também enriqueceu muitas famílias do Baixo Tocantins, principalmente de Abaeté.
4. Muitos donos de engenhos enriqueciam e montavam outros negócios ma cidade de Abaeté ou iam embora para centros mais adiantados, tornando-se comerciantes ou industriais.
5. Para obter a “garapa” os caboclos começaram a construir moendas em madeira resistente, geralmente acapu. As moendas eram postas em movimento através da força de juntas de bois ou força muscular dos escravos negros. Nesses primeiros tempos da indústria canavieira a aguardente era obtida através de “carapuças”, que eram os rústicos alambiques feitos de barro, também confeccionados pelos caboclos. Esse processo rudimentar de se obter cachaça seguiu seu curso lentamente, mas já era bem visível a sua procura no mercador consumidor de cachaça.
6. Os primeiros engenhos de cana-de-açúcar para produzir garapa, melaço e rapadura eram bem rudimentares. Com o advento das máquinas movidas à vapor os engenhos evoluíram e passaram a fabricar “cachaça” e açúcar moreno/mascavo ou açúcar branco. Esses produtos passaram a ter grande aceitação no mercado local e se expandiu para o mercado regional ou mesmo interestadual. Vide postagem “Comércio de Regatão”.
7. O período dos engenhos de Abaeté se iniciou no fim do século 19, tendo alcançado sua fase áurea nas décadas de 1940 a 1960, tendo se constituído numa das principais fontes de riqueza local. Mas, infelizmente, essa atividade econômica passou a sofrer uma irrecuperável estagnação a partir da década de 1970, causada por uma série de fatores. Em 1983, dos 44 engenhos ainda existentes na década anterior, os remanescentes eram apenas 8:
• Engenho S. Sebastião, de Antonio Dias, no rio Arumanduba;
• Engenho Santa Rosa, de Benedito S. Araujo, , no rio Guajará;
• Engenho S. João Batista, de Josué Maria da Costa Silva, no rio Guajará;
• Engenho S. Raimundo, de Raimundo Dias da Costa, no rio Maracapucu;
• Engenho Santa Maria, de Miguel da Costa Rodrigues, do rio Quianduba;
• Engenho Santa Rita, de Miguel Pompeu F. Maués, do rio Tucumandubazinho;
• Empresa Naiabé, de João Marcelino Pacheco, no furo Tucumanduba;
• Engenho Santo Antonio, de Augusto Nascimento Marques, no furo Tucumanduba. Mas esses engenhos já estavam trabalhando em situação precária, com estrutura física degradada e quase caindo, produção artesanal e cada vez mais decadente, com muita sujeira, maquinário obsoleto e cana-de-açúcar de má qualidade. O destino desses engenhos era a desativação completa em poucos anos.
8. Os engenhos de Abaeté produziam cachaça, mel de cana/melaço, rapadura, açúcar moreno/açúcar mascavo, açúcar branco e rapadura. Alguns produziam só a cachaça, outros produziam cachaça e açúcar e outros produziam só açúcar moreno, outros só mel de cana/melaço e rapadura. Só alguns produziam todos esses produtos, mas para isso precisavam de muita mão-de-obra, daí a diversificação dos engenhos de Abaeté na produção específica de poucos produtos na indústria canavieira. Não se encontrou engenho em Abaeté que produzisse álcool (não confundir com cachaça).
9. Inicialmente as pequenas moendas para fabricar rapadura, mel de cana e açúcar moreno evoluíram para engenhos para a fabricação de cachaça e açúcar, produtos estes que no período do Iméprio Brasileiro funcionavam como moeda na compra de outros produtos e escravos índios locais ou negros vindos de Angola e Guiné. O açúcar branco, mais refinado que o moreno funcionava como poderosa moeda de troca e era comercializado inclusive com o inimigo alemão na da 2ª Guerra Mundial, quando navios e submarinos alemães navegavam pelo Oceano Atlântico, nas costas do Pará e Amapá e que vinham em busca de mantimentos para as suas tropas, principalmente de açúcar.
10. O número de escravos nos antigos engenhos era absurdo para trabalhar na fabricação de açúcar e aguardente, como para trabalhar nas outras necessidades das fazendas e nos trabalhos domésticos. Um antigo engenho que não possuísse bastantes escravos, como 50 e até 200 escravos, estava fadado de ir à falência e os escravos eram comprados à preços absurdos (comprados pelas moedas de trocas: açúcar e cachaça), daí o fato do lucrativo tráfico negreiro que enriqueceu muitas pessoas no Brasil.
11. Os antigos pequenos engenhos fabricantes de cachaça eram chamados de molinotes, por movimentarem as moendas pela força dos cavalos e bois e são menos providos e aparelhados e os grandes engenhos dos tempos do Brasil Colônia eram, em sua maioria, chamados de engenhos reais, por terem todos os equipamentos de um engenho completo, oficinas perfeitas e com grande número de escravos, com muitos canaviais próprios e moendas acionadas pelas águas dos rios e eram destinados à fabricação de açúcar que tinham que exportar para a Metrópole, mas desobedeciam as ordens reais e também fabricavam aguardente, produto mais lucrativo que o açúcar. Possivelmente alguns engenhos de Abaeté, dos poderosos “senhores de engenho”, aqueles agraciados com comendas reais, eram agraciados com a denominação de engenhos reais.
12. Cada grande engenho possuía a sua oficina para reparos nas máquinas e equipamentos dos engenhos, tudo feito por escravos. Também possuía serraria para extrair e beneficiar a madeira retirada das matas.
13. O título “Senhor de Engenho” era um título real que muitos aspiravam. Os primeiros engenhos de Abaeté chegaram a possuir os seus “Senhores de Engenho”, que eram servidos, respeitados, com função de mando, chefes políticos e com posição de destaque nos tempos do Brasil Colônia e do Império e nas primeiras décadas da República Brasileira.
14. Um grande engenho possuía construções de quatro a cinco pés acima do nível das marés mais altas, repousando sobre resistentes pilares de madeira. Possuía uma estiva feita de grossas peças de madeira, acima também do nível das marés, que segue até alcançar a escada da frente do prédio e por meio da escada alcançava-se a varanda, abrindo para uma sala onde se recebiam e se alojavam os hóspedes e onde também todos os negócios eram tratados, ficando unida ao fundo da casa, a casa do engenho de cana. Apartada deste prédio ficava a casa onde residiam a “dona”, os filhos e os servos, sendo feito o seu acesso pela varanda, através de um passadiço de madeira de 40 a 50 pés. Assim eram as casas dos ricos donos de engenho. Esse esquema em Abaeté era seguido por alguns poucos ricos donos de engenhos locais. Em resumo, um antigo e rico engenho possuía:
• Uma casa grande, que era moradia do senhor e s/família;
• A senzala, moradia dos escravos;
• Uma capela, onde se faziam as orações e rezas de missas;
• A moenda, onde a cana era moída, movida pela força animal, humana ou ondas dos rios;

• As casas de caldeira, onde o caldo da cana era cozido;
• As casas de purgar, onde o caldo de cana era purificado.
15. Geralmente o dono do engenho e seus filhos varões sentiam-se proprietários das escravas negras e índias e as filhas das famílias agregadas dos trabalhadores e usavam essas mulheres para dar vazão aos seus instintos carnais, daí a enorme quantidade de filhos bastardos que cada senhor poderoso e rico possuía em sua propriedade e até mesmo fora de seus domínios.
16. A existência de muitos canaviais em Abaeté ajudou a disseminar outras atividades na cidade como a do “garapeiro” que vendia garapa/caldo de cana em pequenas engenhocas, móveis ou não, na forma de lanches ou garapa em litros produzidos na hora da venda.
17. Cada pequeno fabricante de mel, açúcar, cachaça produzia, em média:
• 6.000 litros de mel. Cada tonelada de cana produzia em média 50 litros de mel e o preço do litro variava de Cr$ 1,60 a Cr$ 2,00/moeda da época, no porto de origem. O mel era vendido, também, em pequenos potes de barro, cujo preço depende do tamanho do pote e da procura do produto. O pote menor custava em outras praças de nove a dez cruzeiros. A venda de mel de cana/melaço era muito lucrativo, daí a existência de muitos engenhos só para fabricar mel em Abaeté. Os vendedores de mel possuíam um refrão: “Melzinho, durão, durão, é de Abaeté”.
• 9.000 quilos de açúcar;

• A produção do açúcar moreno/mascavo variava a sua produção. Em média 5.500 quilos desse tipo de açúcar exigia 68 toneladas de cana-de-açúcar, claro, de acordo também com a qualidade da cana, da terra.
• Produção de cachaça. Na fase áurea da produção de cachaça cada engenho de Abaeté produzia de 150 a 300 frasqueiras (recipientes de vidro empalhados por fora de modo artesanal em cipó ou palha) de cachaça, que eram exportadas através dos rios da região. Nas primeiras décadas do século 20 a aguardente abaeteense atingiu a fantástica produção de 5 milhões de litros, o que garantia aos donos de engenhos recursos suficientes para importarem diretamente da Inglaterra caldeiras, moendas e alambiques modernos. Essa foi a fase de ouro de produção de aguardente de Abaeté, que perdurou até as décadas de 1950 e 1960, onde mais de 40 engenhos, espalhados por quase todos os rios, furos e igarapés, trabalhavam freneticamente na produção de cachaça, açúcar, mel e rapadura. Essa atividade econômica passou a sofrer uma irrecuperável estagnação a partir da década de 1970, causada por uma série de fatores.
Exemplo: O engenho Santa Cruz, da família de Murilo de Carvalho, situado no Rio Abaeté, chegava a produzir 50 garrafões/frasqueiras por dia. Era o de melhor infra-estrutura nos anos de 1950, 1960, possuindo uma rampa, onde os batelões ancoravam carregados de cana-de-açúcar, destinados às moendas do engenho. Cada grande batelão carregava cana-de-açúcar suficiente para produzir 25 frasqueiras de cachaça.
18. Os engenhos funcionavam à vapor e as engenhocas funcionavam pela força física dos escravos ou juntas de boi ou cavalos, movendo o maquinário ou equipamentos. Nos tempos áureos da aguardente de cana, Abaeté chegou a possuir mais de 80 engenhos à vapor para fabricação de aguardente/cachaça. Somente alguns poucos donos de engenhos possuíam engenhos movidos à eletrecidade gerada pelo movimento das águas dos rios, como o Cel. Maximiano Guimarães Cardoso. Vide família Cardoso.
19. A caldeira era a fonte que gerava o calor para produzir a energia elétrica dos engenhos. O próprio bagaço de cana era adicionado a uma mínima quantidade de lenha e juntos alimentavam o fogo da caldeira. Era a caldeira que transformava o bagaço de cana e a lenha em energia elétrica, que servia para movimentar as máquinas e engrenagens do engenho sob altíssima temperatura e a própria iluminação elétrica dos engenhos. Geralmente os engenhos possuíam duas chaminés para expelir a fumaça das caldeiras.
20. Os fundos de alguns engenhos, como o Santa Cruz, por exemplo, dava acesso para uma pequena estrada, o que possibilitava o transporte por via terrestre. Mas a maioria dos engenhos existentes nas ilhas de Abaeté/Abaetetuba possuía o fundo em direção aos rios, onde o transporte era por via fluvial.
21. As moendas ou moinhos eram os equipamentos dos engenhos onde se trituravam as varas de cana, para a extração de um sumo esverdeado e doce, chamado “garapa”, pelos trabalhadores dos engenhos. A garapa caía em um recipiente em forma de calha e escoava para um depósito feito em concreto, o qual se chamava “paiol”. No paiol existia uma bomba sugadora, num processo lento e ritmado, que levava a garapa em sentindo ascendente, ao 2º pavimento do engenho, uma espécie de “sobrado”, construído especialmente para se colocar as chamadas “dornas”, que eram enormes tonéis, onde a garapa sugada pela bomba caía, para o processo de fermentação da garapa. Nas dornas a garapa permanecia durante 4 dias no processo de fermentação. Essa garapa das dornas não era precisamente uma substância devidamente higienizada, pois ali se acumulava muita sujeira, pois as dornas eram recipientes descobertos.
22. As tábuas sobre as dornas serviam de pontes para os trabalhadores dos engenhos que conferiam os pontos de fermentação da garapa. Entre as dornas existia uma espécie de corredor, através do qual escorriam as impurezas da garapa. Essa impureza era chamada “surrapa”, pelos mesmos trabalhadores.
23. Os maquinários dos grandes engenhos eram confeccionados em aço inoxidável, na maioria das vezes importados da Inglaterra e que possuíam bombas que os mantinham em ligação com as dornas, com a função de sugar a garapa azeda (garapa fermentada) de dentro das dornas, transportando-a para o alambique, o qual ativado, fazia a garapa azeda atingir um ponto de ebulição a uma temperatura inferior a 100%. O alambique era o principal responsável pela destilação da garapa. Cada alambique era constituído por 3 recipientes cilíndricos, inoxidáveis, através dos quais a garapa era fervida, alimentada por grandes caldeiras à vapor de lenha ou bagaço de cana.

24. O resfriamento da aguardente ou cachaça era feito em recipientes de madeira, as dornas, que jorravam por 3 torneiras, com controle de termômetros que detectavam o teor de álcool da cachaça, que deveria ser de 20% e que indicava que a cachaça já estava pronta para ser embalada e colocada para embarque e consumo. As dornas eram importadas de centros mais adiantados de produção de açúcar e cachaça.
Garrafão frasqueira, que variava em tamanho conforme
a quantidade de frasqueiras que comportavam
25. A cachaça era acondicionada em frasqueiras. Frasqueira era um grande garrafão de vidro empalhado com folhas de miriti ou obuim, atracadas com talas de arumã. Cada frasqueira recebia 24 litros de cachaça e que era vendida a 12 mil réis (12$000), moeda da época, 1940.
26. Os canaviais de Abaeté eram plantados nas várzeas do município, que por ser um tipo de solo diferenciado, só podia receber variedades de cana resistentes às altas umidades das várzeas, mas eram poucos produtivas. Um tipo de cana muito raquítica era usada na produção da cachaça, chamada piajota, que é uma variedade da cana rústica, resistente às pragas e quase selvagem, mas é pouco produtiva, devido a sua pequena espessura. A piajota veio de Muaná/Pa.

27. A maioria do maquinário dos engenhos de Abaeté era importada, especialmente da Inglaterra, país que dominava a produção industrial do fim do fim do Século 19 e início do Século 20. A reposição daquelas peças em ferro, aço e cobre era muito difícil, mas os caboclos de Abaeté aprenderam a consertar e até construir peças para os engenhos. Como aprenderam a construir os enormes tonéis chamados dornas que eram construídos em carvalho. As dornas feitas em Abaeté eram de outro tipo de madeira de lei, com flexibilidade igual à do carvalho.
28. A maioria dos engenhos de Abaeté eram cobertos por grandes em barracões de madeira e só alguns poucos possuíam algumas partes em tijolos e cimento. Os construídos em madeira rapidamente se deterioravam, devido à alta umidade e a fuligem expelida pelas caldeiras. Muitos engenhos possuíam serraria própria para trabalhar a madeira extraída da própria mata de terra firme das ilhas de Abaeté. E muitos engenhos vendiam toras ou peças de madeira na forma de taboas, caibros, esteios, esteiotes, ripas, pernamancas, madeira para lenha ou carvão, fato que determinou a quase extinção de muitas variedades de madeira-de-lei e outros tipos de madeira da Região das ilhas. Essa madeira era transportada nas chamadas “alvarengas”. A Alvarenga era um tipo de balsa antiga, onde as mercadorias eram transportadas no porão fundo e não no convés, como as atuais, construída em ferro e que transportavam de tudo, especialmente toras de madeira, lenha, cana-de-açúcar, mercadorias ensacadas e outras mercadorias. As alvarengas eram movidas à reboque de outras embarcações. Foram as alvarengas que transportaram para outros lugares, especialmente Belém, a madeira existente nas ilhas e terra firme de Abaeté.
29. O carregamento da cana era feito nos chamados “feixes”, que eram agrupamentos de varas de cana-de-açúcar, em barcos chamados “batelões”, construídos em madeira e empurrados por outros barcos motorizados em fileiras ou varas manuseadas pelos caboclos ribeirinhos, que eram o principal meio de transporte da cana-de-açúcar dos canaviais para os engenhos e para as cidades. Na sede do município, Abaeté, também existiam alguns engenhos na frente da cidade e os batelões aqui chegavam para abastecer de cana esses engenhos e os dos ramais da cidade. Outros batelões ou barcos traziam os feixes de cana para as inúmeras “garapeiras”, que podiam ser manuais ou mecânicas, que produziam o sumo chamado garapa/caldo de cana), que era vendida fresca em garrafas de 1 litro, atividade que sustentava muitas famílias abaeteense.
30. Os rios e igarapés eram os caminhos naturais de escoamento da cana-de-açúcar e seus produtos. Alguns engenhos de Abaeté conseguiram produzir açúcar. A maior parte do açúcar produzido era chamado de “açúcar moreno”/mascavo, devido a cor escura. Alguns engenhos chegaram a produzir o açúcar branco, mas devido o monopólio do açúcar do Nordeste e Sul do país, esses engenhos pararam a sua produção de açúcar branco, devido falta de apoio financeiro e escoamento da produção. Eram os tempos do IAA-Instituto do Açúcar e do Álcool, do Governo Federal, que criou as barreiras para que os engenhos de Abaeté na produção de açúcar e álcool de cana-de-açúcar.






Continua com as pesquisas dos Engenhos de Igarapé-Miry 

Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 31/3/2010.

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