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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Profesora Carmem Cardoso Ferreira - Vida, Ação, Tempos e Genealogia

Professora Carmem Cardoso Ferreira - Vida, Ação, Tempos e genealogia
Carmem Cardoso Ferreira – Vida, Ação, Tempos e Genealogia
Contexto Sócio-Político-Cutural-Religioso nos tempos de Carmem Cardoso Ferreira
O contexto sócio-político-cultural, onde estava imerso o aspecto religioso católico em que a professora Carmem Cardoso Ferreira nasceu, cresceu e desenvolveu suas atividades, eram muitos rígidos e conservadores e ela exerceu suas atividades baseada nesses princípios de seu tempo e assim fez de sua vida um sacerdócio em favor de sua família, de suas escolas, incluindo alunos e professores, da Igreja e dos seus grupos de Igreja, onde trabalhou de acordo com sua visão, pelo povo de Abaetetuba, usando dos meios de seu tempo para agir em favor de seus ideais, visão que predominava na sociedade em que a Professora Carmem atuava. Toda a sua vida seguiu os trilhos desses aspectos e foi com essa visão que ela pôde presenciar e atuar intensamente como membro de família tradicional de Abaetetuba, na vida estudantil, na vida educacional, na vida religiosa e sempre se orientando pelos ditames políticos e religiosos  de seu tempo. Assim ela vivenciou o início de algumas mudanças nesses aspectos, tendo atuado ativamente em alguns deles, até o ponto de gerar alguns conflitos, como no aspecto educacional e religioso, onde aconteceram fatos e tensões envolvendo seu nome, devido as mudanças irreversíveis nos setores da educação, da Igreja e nos aspectos sócio-político a partir dos anos de 1960 e 1970.
No tocante à educação, ela seguia o modelo rígido como professora e diretora de escolas de Abaetetuba e isso naturalmente gerou alguns conflitos no fim da década de 1970 e início da década de 1980 com alunos e professores e, principalmente com as mudanças da filosofia de ação da Escola São Francisco Xavier, devido a introdução dos métodos da  Educação Libertadora vindos dos escritos de Paulo Freire, que marcaram as grandes mudanças de rota na Educação de Abaetetuba, que subvertia a visão da educação tradicional vigente, fato que gerou conflitos com a então direção da Escola São Francisco, especificamente contra os Irmãos Lasssalistas, durante a gestão do prefeito de Abaetetuba, Ronald Reis Ferreira (1977-1982), onde a professora Carmem era a Secretária de Educação, em crise que nada desabona sua importância para a educação de Abaetetuba, pois sua notável atuação sempre visava o melhor para a Educação e a Religião, seguindo aqueles parâmetros educacionais em que acreditava, em contraposição com as mudanças de filosofia de atuação que se processavam na Escola São Francisco, de Abaetetuba. Nesses antigos tempos começaram também a chegar a Abaetetuba a cultura musical do rock, yê-yê-yê, patropi e outros modismos que também ajudaram a modificar os costumes da juventude de Abaetetuba, que falavam de liberdades e liberalidades vindas da cultura psicodélica de alguns estilos musicais. E os novos tempos educacionais, também foram influenciados pela cultura da música pop e populares, que exigiam posturas sociais menos exigentes, que se juntavam a crescente participação ativa dos segmentos educacionais que também começavam a absorver as pregações das problemáticas sociais, incluindo a liberdade de pensar, questionar e crescer com uma nova visão política e social, e assim agir em favor da libertação dos condicionamentos pessoais e sociais antigos e das lutas em favor dos menos favorecidos e para os novos conceitos  da igualdade, justiça e fraternidade.
O mesmo se pode dizer do ativismo católico tradicional da sociedade abaetetubense, onde também a professora Carmem não conseguiu se adaptar plenamente às mudanças advindas pelas reformas do Concílio Vaticano II e da Teologia da Libertação, esta trazida à Abaetetuba por alguns religiosos Xaverianos e Lassalistas, que começaram a mudar a antiga visão educacional e religiosa de Abaetetuba, a partir do início da década de 1960 e décadas subsequentes, com a introdução de atuação mais social dos fiéis católicos em detrimento da visão devocional predominante. Como a Igreja Católica já atuava intensamente nos campos da educação, saúde e das oportunidades de trabalho no seio da sociedade abaetetubense, uma nova visão sócio-política-religiosa foi intensamente pregada para as mudanças exigidas em favor dos novos tempos da Igreja Católica, que começou a atuar esses princípios em suas atividades de Catequese, especialmente junto às comunidades e escolas católicas de então, com ênfase na opção preferencial pelos menos favorecidos, pelos pobres e pelos jovens, enfim pelo povo oprimido pelo sistema político-social vigente. O certo é que reformas foram postas em prática em todos os aspectos da Igreja Católica, fato que não foi bem aceito pelos católicos conservadores desse tempo, que eram a maioria, entre os quais se enquadrava a professora Carmem Cardoso Ferreira. Essas mudanças eclesiais também atingiram o setor da Educação, conforme citado acima, através da Escola São Francisco Xavier, com a introdução da visão de uma Educação Libertadora, fato este que gerou sérios conflitos já citados acima. A nova filosofia de Educação do Colégio São Francisco Xavier deveria moldar os alunos para uma postura mais crítica do modelo sócio-político vigente e que também exigia que o católico em geral mudasse sua postura de “cristão de sacristia” para os novos tempos das “Comunidades Eclesiais de Base”, com a figura de um cristão engajado nas lutas sociais e até políticas. E essas mudanças na Igreja atingiram negativamente mais da metade dos fiéis católicos daqueles tempos de transformações, em ações e fatos conflituosos com outros membros da ala tradicional da Igreja Católica ou segmentos sociais que não aceitavam essas mudanças, haja vista as tensões e ações de alguns grupos que se insurgiram contra essas mudanças. Isso tudo também repercutiu nos rígidos principícios da professora Carmem Cardoso Ferreira, que em alguns pontos se colocou contra as reformas que se processavam no seio da Igreja Católica,  que estava saindo das antigas regras do catolicismo, para as novas,  trazidas pelas reformas preconizadas pelas cartas do Concílio Vaticano II, dos Sínodos dos Bispos de Medelin, na Colômbia e de Puebla, no Mexico, que mostravam as mudanças que deveriam acontecer no seio da Igreja Católica Latino-Americana. Algumas das mudanças ocorridas no seio da Igreja Católica foram radicais, como: o fim das antigas ordens e movimentos religiosos, a reforma física e retirada das antigas imagens de santos dos altares da Igreja Matriz, a introdução da Catequese através do modelo das Comunidades Eclesiais de Base-CEBs e a substituição dos antigos e tradicionais ritos litúrgicos praticados até então, sem contar com as lutas pelas reformas sociais e políticas no seio da sociedade de Abaetetuba. Isso tudo foi um grande choque no seio da Igreja Católica e da sociedade em geral de Abaetetuba daqueles tempos.
Mas, sabemos, que por trás dessas mudanças que deveriam ser implantadas de modo menos traumáticas, havia as idéias e ações dos membros progressistas da Igreja Católica que, além das mudanças exigidas para os novos tempos da Igreja Católica, também queriam confrontar com as ações do novo modelo político brasileiro da “ditadura militar de 1964”, que nesses tempos, havia adotado uma política de cerceamento das liberdades de praticamente tudo no Brasil e, para isso, usou da força necessária para poder aplicar as regras dos seus “Atos Institucionais” que induziram às práticas de prisões, torturas e mortes daqueles que se colocassem contra as regras dessa “ditadura militar”, incluindo aí grande parte do clero católico, com muitos deles sendo presos, torturados e mortos juntamente com muitos brasileiros que organizaram as lutas contra o regime militar de exceção. Vide abaixo:
Sociedade e Educação de Abaetetuba nas Décadas de 1960, 1970, 1980 Durante a Ditadura Militar
Período da Ditadura Militar no Brasil: 1964 a 1985
Na década de 1970 a sociedade abaetetubense ainda vivia um tempo de conservadorismo nos costumes, entre outros fatores, influenciado pela religiosidade popular, isto é, o devocionismo popular.
A Ditadura Militar iniciou em 1964 e encontrou em Abaetetuba um campo propício para doutrinar a população através de todos os meios possíveis da sociedade, incluindo aí o uso de grande parte dos governantes, dirigentes de órgãos públicos, de parte do clero da Igreja Católica, dos diretores e professores de escolas e de grande parte da população que mecanicamente aceitou a instituição da “ditadura militar no Brasil” que, depois, confrontaram com as ações das nascentes minorias de religiosos e jovens engajados politicamente.
Um dos segmentos  onde se sentia fortemente os efeitos da doutrina militar recém implantada foi a Educação, que foi o meio mais importante na doutrinação da política do regime militar, através de uma série de situações e fatores que facilitaram essa doutrinação. Um desses fatores foi a dos diretores de escolas que ainda tentavam impor a tática do patriotismo e propagação de um civismo exacerbado, que se manisfestava no seio das escolas então existentes com pregação da disciplina, do patriotismo e civismo nas escolas e, especificamente, nos desfiles do “7 de Setembro”.
Ninguém escapava dessa disciplina, que estava de acordo com o regime de exceção imposto pela “ditadura militar”. Se algum aluno, funcionário ou professor  transgredisse as normas expostas, era imediatamente punido com suspensões e até mesmo com expulsões das escolas através dos diretores nomeados,  que exigiam a obediências da hora exata, das filas e cantos cívicos antes do início das aulas e com o hasteamento das bandeiras em horário fixo pela manhã e arriamento à tardinha, com o canto do Hino Nacional e outros obrigatórios, especialmente nas datas cívicas e religiosas, tudo sob a égide da honra da Pátria.
Os professores que transgredissem as normas implantados nas escolas ou questionassem os métodos educacionais das mesmas, começavam a ser perseguidos, taxados de insubordinados e sua carga horária era diminuída, quando não era posto fora da escola. Isso valia também para quem contestasse os procedimentos do regime militar. Inclusive nos quadros da Polícia Militar, nas prefeituras e nos quadros de alguns órgãos onde existiam indivíduos fazendo o dossiê das pessoas, que agissem minimamente como “subversivos” ou “comunistas”. Porém, os jovens de Abaetetuba começaram a driblar o autorismo do regime militar através dos novos costumes impostos pelas ondas musicais que começaram a influenciar o meio estudantil, que usava de subterfúgios dos jogos, congressos, encontros, reuniões da UEA e UNE, esta última através de dirigentes vindos de Belém, que começaram a plantar na cabeça dos jovens o significado das lutas contra o regime ditatorial de então. Quem se lembra desses fatos hoje, deve na casa dos 50, 60, 70 ou mais anos, que ainda estejam vivos.
Os ares de liberdade em Abaetetuba se iniciaram na década de 1980 com a nova visão trazidas pelos adeptos da “Teologia da libertação”, dos professores do recém implantado Núcleo Universitário do Baixo Tocantins, dos “Irmãos Lassalistas” e outros religiosos progressistas que iniciaram a propagação do que verdadeiramente era a “ditadura militar” implantada no Brasil e das lutas para a sua derrubada. Na Igreja Católica, religiosos da Teologia da Libertação começaram um trabalho em meio aos jovens, dos grupos católicos e das primeiras CEBs criadas, que vieram mesmo com o matiz revolucionário da opção preferencial pelos pobres e oprimidos da América Latina, seguindo ao pé da letra os ditames das conferências episcopais de Medelin e Puebla.
Os professores do recém implantado Campus Universitários do Baixo Tocantins começaram a abrir os olhos dos jovens universitários, que na época começaram a cursar as disciplinas de Pedagogia, História e Geografia. Muitos desses alunos, quando já formados, iniciaram a implantar nas escolas de Abaetetuba a liberdade de pensamento crítico e da importância da implantação da democracia no seio dos escolas, iniciando esse processo pela escola SFX, que não era totalmente uma escola governamental. Em algumas escolas a aura do ‘regime militar” ficou tão condicionado que até os dias atuais essas escolas sentem o efeito do autoritarismo dos fantasmas do passado. Podemos dizer que a implantação do Núcleo Universitário do Baixo Tocantins foi como “a queda do muro de Berlim” do autoritarismo que dominava o cenário educacional de Abaetetuba nos anos de 1960, 1970 e 1980. Felizmente esse pesadelo terminou no Brasil na década de 1980, deixando marcas profundas no seio da sociedade, que jamais serão esquecidas por tanta atrocidade cometida contra tantos jovens tidos como “subversivos” e em Abaetetuba também findou, de certa forma, o cenário ditatorial que predominava na educação e o medo da sociedade em geral. Nas escolas a figura central deixou de ser o diretor, que era nomeado dentro daquele figurino autoritário e obediência cega aos governantes da época, para um sistema colegiado, que envolvia todos os segmentos escolares, o chamado Conselho Escolar.
O antigo Currículo Escolar, com suas disciplinas impostas, obedecia cegamente à doutrinação do regime militar, especialmente algumas disciplinas da grade curricular que vinham prontas e acabadas para levar o alunado a um estudo de memorização, disciplinarização do comportamento e idolatria do regime vigente, como as disciplinas da chamada Ciências Humanas,  tipo a Organização Social e Política Brasileira-OSPB,  a Estudo dos Problemas Brasileiro-EPB, a Educação Moral e Cívica-EMC e outras. As disciplinas chamadas OSPB e EMC e EPB vieram mesmo com o claro objetivo de enquadrar o alunado em um pensamento alienado das realidades sociais do país e o incentivo ao civismo, patriotismo, nacionalismo e disciplina nos costumes e ações do dia-a-dia e, especialmente no âmbito escolar. Além disso, o currículo escolar da década de 1970 impunha outras disciplinas que estavam de acordo com o sexo dos alunos. Às alunas eram impostas algumas disciplinas como “Educação Para o Lar”, com aulas de bordados, crochês, corte e costura e outras tarefas que eram consideradas como só das mulheres. Aos alunos eram destinadas disciplinas que visavam o mercado de trabalho, através do aprendizado de algumas profissões como marcenaria, carpintaria, artesanato e outras. Existiam também aulas de jardinagens, limpezas da escola, plantios de hortaliças, cantos e outros.
Os livros das disciplinas eram impostos aos professores e alunos, como parte do currículo escolar vigente e junto com os livros vinham atlas, mapas e outros materiais escolares que ajudavam a doutrinar o aluno para o regime de exceção vigente. Os livros traziam datas cívicas, nomes de localidades, nomes de heróis em profusão e os alunos eram obrigados a decorar todos essas datas e nomes.  Com isso o regime impedia que o aluno desenvolvesse qualquer senso crítico,  especialmente porque existiam outras práticas escolares que ajudavam a manter os alunos, funcionários e professores sempre ocupados, sem quaisquer cisma de doutrinação para esse estado. Como exemplo citamos os festejos da Semana da Pátria, culminando com o “7 de Setembro”, onde cada escola de Abaetetuba recebia a sua chamada banda marcial que devia ser usada durante os chamados “Desfiles da Pátria”, com uniformes e alegorias impecáveis, com muito garbo, civismo e amor à Pátria. Para ajudar nessa doutrinação existiam as competições não só entre a melhor banda marcial como os “jogos estudantis” da Semana da Pátria. Bandeiras, hinos, brasões que eram sempre impressos nas capas e contracapas dos livros escolares.
 Fotos do acervo de Altemar Paes
 
Os antigos desfiles escolares e jogos
estudantis ajudaram a acirrar as rivalidades
entre as escolas de Abaetetuba
Ao lado do civismo, patriotismo, existia nas escolas o respeito que todo político, vereador, prefeito, governador, secretários, ministros, presidente de república se fazia merecedor de parte do segmento escolar e todos eram obrigados a saber os nomes dessas chamadas autoridades, através das disciplinas acima citadas, OSPB, EPB e EMC, sem contar que os livros de História, Geografia e outras disciplinas vinham com conteúdos totalmente deturpados e como meio de doutrinação do alunado.
As provas e avaliações escolares eram feitas em sigilo absoluto e as reprovações escolares eram feitas sem nenhuma contestação de parte dos atingidos e, questionamentos pelo alunado, funcionários e professores, nem pensar. Não raro, isso era punido com faltas, suspensões, reprovações, demissões, transferências e com notas de rodapés nos boletins. Era realmente uma doutrinação imposta, que todos pensavam que eram ideais da sociedade em que se vivia, isto é, todos pensavam que eram ações para a formação de bons e verdadeiro cidadãos. As suspensões dos alunos eram de oito dias, no mínimo.
Algumas datas cívicas e outras datas que jamais passavam em branco nas atividades escolares de Abaetetuba: Dia da Independência, Dia do Soldado, Dias dos Índios, Dia do Descobrimento do Brasil, Dia da Bandeira, Dia da Libertação dos Escravos, Dia de Tiradentes, Dia da Proclamação da República, 1ª Missa no Brasil e as figuras dos heróis e figuras da historiografia brasileira ou paraense, tudo vinha e era devidamente manipulados pela doutrinação militar, onde a verdadeira história era grandemente deturpada em favor daquela doutrinação ao regime militar. Todas as datas cívicas e heróis eram deturpados e comemorados solenemente nos seus devidos dias. O regime militar realmente tentava moldar todos para a certeza e excelência do regime de exceção, isto é, os militares tentavam impor uma imagem de um regime certo para o País e escondendo as mazelas praticadas no seio das tropas militares, órgãos de segurança, porões da ditadura e corrupção, pois jornal algum nada publicava a respeito e quando publicava, procurava atender aos ditames dos órgãos de informações da “segurança nacional”, com o governo escondendo os fatos das prisões, torturas e mortes ocorridas durante o regime militar. E as práticas da antiga Igreja conservadora através de sua doutrina do devocionismo e das celebrações dos feriados católicos atuava de modo a manter o povo conservador no que diz respeito aos costumes e comportamentos na sociedade, ajudando o mesmo povo a se manter sem aquela visão crítica, social e política, que questionasse os problemas sociais brasileiros. O mesmo estado era observado no meio educacional, que iniciou nas décadas de 1970 e 1980 as mudanças nesse meio, através de uma “Educação Libertadora”. De fato, somente na década de 1980, com a insurgência de grupos armados e ares de liberdade de imprensa, foi que em Abaetetuba, Pará e Brasil se soube das atrocidades cometidas pelos militares e seus aliados e dos meios de doutrinação social usados para essa doutrinação. Quando algum fato vinha à baila, o regime informava que eram bandidos, subversivos ou comunistas que queriam dominar o país.
Escolas existentes na década de 1970: Basílio, INSA, Bernardino, Pedro Teixeira, Vicente Maués, Magalhães Barata, Escola Paroquial/CSFX.
Ações da Professora Carmem Como Militante Católica
 

A professora Carmem Cardoso Ferreira
trabalhava ativamente nos serviços de
Catequese e 1ª Comunhão das crianças, 
adolescentes e jovens de Abaetetuba e
era militante do grupo "Filhas de Maria"
e "Ação Católica"
A Professora Carmem era muito religiosa, militante dos antigos movimentos da Igreja Católica, como a Ação Católica, as Filhas de Maria e nutria profunda fé em Deus e nos santos, especialmente Nossa Senhora e era ativa participante das organizações a nível de Paróquia, Catequese e festas religiosas, como festa de Nossa S. da Conceição, Círios, Catequese, 1ª Comunhão e outras atividades católicas dos tempos dos Padres Capuchinhos e dos Padres Seculares vindos de Belém para atuar na Paróquia de Abaetetuba, onde a devoção aos Santos Católicos era o modo de participar dos eventos e das ações dos católicos de Abaetetuba. Por seu engajamento católico tradicional, manteve sérios atritos com os religiosos Xaverianos e Lassalistas, devido as reformas que a Igreja Católica de Abaetetuba passava nos anos de 1970 e 1980. Suas convicções tradicionais católicas batiam de frente com a mensagem de uma religião baseada nas questões sociais e políticas da nova pregação da Igreja, trazida pelos religiosos progressistas da Igreja católica em Abaetetuba que, entre as várias mudanças à nível de Igreja, reformou a antiga Igreja Catedral, tirou as imagens dos Santos dos altares, extinguiu as antigas confrarias e outros movimentos leigos e introduziu a Liturgia baseada nos novos tempos de ser Igreja, ou seja, o "novo homem cristão" que devia ir às lutas pelos direitos dos menos favorecidos, com a introdução de novos grupos, cantos, teatros e com uma nova maneira de se fazer Catequese. Isso tudo e mais outras mudanças a nível de comunidades gerou um clima de revolta, não só nas convicções da Professora Carmem Cardoso Ferreira, como em mais da metade da população dos católicos da linha tradicional de Abaetetuba, com parcela dos descontentes praticando ações de protestos até mesmo dentro da Catedral de Abaetetuba, como foi o caso da profanação da Igreja com o respectivo “Roubo da Imagem de Nossa S. da Conceição” que serviu de borburinho por muito tempo no seio da sociedade.
Genealogia de Carmem Cardoso Ferreira
Carmem Cardoso Ferreira, nasceu em 15 de março,  é filha de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícia Cardoso Ferreira, tendo como avós paternos Maria Maués Nunes Ferreira e José Nunes Ferreira e residia na Rua Siqueira Mendes, nº 1.286 e  foi aluna da Escola INSA e professora e diretora por longos anos de algumas escolas de Abaetetuba, entre as quais as escolas Reunidas, Vicente Maués, Pedro Teixeira, agindo com pulso firme e rígido no tocante ao comportamento de alunos e professores. Foi Secretária Municipal de Educação de Abaetetuba, conforme documento de 08.03.1980, na gestão do então prefeito Ronald Reis Ferreira. Mas o lado carinhoso, terno, amigável e generoso se escondia por trás de seu enorme acervo de cartas, fotos, livros, papéis com suas anotações, cuja maior parte foi corroída pela ação do tempo e dos cupins, sendo salvo ainda muitas anotações que serão publicadas no decorrer das nossas pesquisas de pate desse acervo em nossas mãos, vindas pelo seu sobrinho Francisco de Assis Cardoso Lima, nosso particular amigo de longas datas.
Algumas Citações Sobre Maria Maués Nunes Ferreira e Outros Parentes de Carmem Cardoso Ferreira
A professora Carmem Cardoso Ferreira amava e considerava muito os seus parentes, amigos e colegas de profissão e era muito solidária na suas dores. Nos falecimentos escrevia bilhetes de pesar e oferecia orações e os confortava  espiritualmente. No dia de seus aniversários ela mesma preparava as mensagens para serem veiculadas no sistema sonoro da cidade, o antigo “Sonoros Copacabana. Algumas citações sobre seus parentes, amigos e colegas:
Maria Maués Nunes Ferreira era filha do Coronel Antonio Correa Caripuna, antigo chefe político em Abaeté e ficando viúva e com filhos, assumindo o comércio do marido em Abaeté em Abaeté, na Rua Justo Chermont, em 1922.                           
Carlos Nunes Ferreira & Carneiro. Citações de 1922: “Carlos Nunes Ferreira & Carneiro com casa de commércio no Furo Tucumanduba”.  “A firma Ferreira & Carneiro com depósito de lenha no Rio Abaeté”.
Carlos Nunes Ferreira, citado no Furo Tucumanduba
Arthur Nunes Ferreira, comerciante e industrial, anos de 1940.
Esmerina Nunes Ferreira Bou-Habib:
Professora Esmerina Bou-Habib
Esmerina Nunes Ferreira Bou-Habib, tia de Carmem Cardoso Ferreira, nasceu no dia 13.03.1891 no lugar chamado Cachoeira, município de Abaeté. É filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira. Iniciou seus estudos primários em Abaeté, prosseguindo na Escola Normal, em Belém, hoje Instituto de Educação do Pará, onde se formou professora normalista em 1911. Deixou como lembrança um quadro com o diploma de formatura.
Retornando para Abaeté foi nomeada professora no Grupo Escolar de Abaeté, no ano de 1912, função que exerceu até o ano de 1945 com amor, abnegação e dedicação, cativando a todos os seus alunos pelo carinho a eles dedicados. No dia 02.04.1945 foi nomeada para o cargo de diretora do referido Grupo Escolar de Abaetetuba. Por perseguição política foi dispensada desse cargo, voltando a ocupá-lo em 1952.
No dia 30.03.1955 foi nomeada Diretora efetiva nesse cargo através do decreto nº 887-55 DP, pelo então Governador do Estado General Alexandre Zacarias de Assunção. No dia 06.06.1956 foi assinado o Decreto de sua aposentadoria, no qual a mesma contava com 44 anos de bons serviços prestados às crianças e jovens de sua terra, sendo um exemplo vivo de dedicação e doação ao setor da educação abaetetubense, fazendo parte, também, por muitos anos do Conselho Municipal de Educação.
Em 1942 era diretora do Grupo Escolar de Abaeté a professora Esmerina Ferreira Bou-Habib. O porteiro era Rogério de Carvalho, pai do Raul Carvalho, que eram da família de Murilo de Carvalho. Os professores eram: Maria da Conceição Barros Lobo, Maria do Carmo Araujo Santos, Maria Leão (esposa do Sr. Leão, que trabalhava na Mesa de Rendas do Estado), Elza de Jesus Silva Paes.
No período de 1912 a 1945, paralelamente às suas atividades no setor público da educação, manteve uma escola particular gratuita com o nome de Externato de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na qual a mesma ensinava não só a ler e escrever como também ensinava a arte dos bordados de todos os tipos: flores, tricô, crochê, incluindo também música de piano. Recebia várias crianças vindas do interior do município, algumas hospedando-as em sua residência, com a finalidade de estudos. Nesse seu externato praticamente não existiam mensalidades, pois a maioria de seus alunos eram seus afilhados e pobres.
Diariamente, também, atendia pessoas da cidade e do interior que a procuravam em busca de doses de remédios homeopáticos e caseiros, para crianças e adultos doentes, as quais ela atendia a qualquer hora do dia ou da noite, sem aceitar pagamento a dinheiro, só dizendo: “Fico aguardando notícias suas o mais breve possível”. As que vinham do interior a presenteavam com camarões e peixes s, frutas, galinhas, patos, ovos e outros produtos ribeirinhos.
A família da professora Esmerina não era tão rica e ela mesma não ostentava vaidades e riquezas terrenas e somente procurava ajudar às muitas pessoas que a procuravam. Eram os seus compadres, comadres e afilhados.
Quando a Igreja Matriz de Abaeté foi concluída nos aos finais anos de 1930, o 1º véu do Sacrário da igreja foi feita por ela, assim como o seu casamento com Jorge Antonio Bou-Habib que foi o 1º a ser realizado na nova Igreja Matriz. Eles não tiveram filhos.
Veio a falecer no dia 08.06.1978, saindo seu corpo para sepultamento no dia 9 de junho, às 8:00 horas da Escola Estadual de 1º Grau “Prof. Basílio de Carvalho”, onde ela foi professora e diretora por longos anos, acompanhado pelos alunos e professores não só do Basílio, como de todas as escolas da cidade, autoridades, o povo, onde se incluíam inúmeras famílias de Abaetetuba, tornando-se uma manhã de profunda emoção no município de Abaetetuba, tornando-se uma manhã de profunda emoção no município de Abaetetuba.
Esta biografia foi feita por autor desconhecido em 26.11.1979, provavelmente pela professora Carmem Cardoso Ferreira.
Existe uma escola dedicada à memória da professora Esmerina, a Escola Esmerina Bou-Habib:

Uma carta da Professora Carmem Cardoso Ferreira, por ocasião da inauguração da Escola Professora “Esmerina Bou-Habib”:
“Esmerina, continuas viva no coração deste povo, a quem ofereceste a tua vida, os teus talentos, as tuas virtudes de Mestra carinhosa e boa. Tu viverás na imortalidade da nossa história, porque a tua vida foi um marco de doação, de abnegação e amor, constituindo-te e conferindo-te o troféu de “Astro da Educação”, pelos teus 44 anos de Magistério. O povo dp interior e da cidade ainda guarda bem viva na memória a lembrança de todo o bem  que lhes fizestes, socorrendo-lhe na hora da doença e da dor, quando Abaeté se ressentia muito pela falta de médicos. Tu eras a sua médica, com tuas homeopatias e tuas palavras de conforto,  a qualquer hora do dia ou da noite, sempre com a mesma expressão de bondade, que te era peculiar, com a mesma frase: “Meu filho” ou “Minha Filha”.
Teu enterro, mais do que uma cerimônia fúnebre, triste, teve a gala das grandes festas. Foi a festa do Amor, da Gratidão, da Saudade e do Reconhecimento, que tornará a tua imagem imperecível entre nós. Vivestes na pobreza, por escolha, pois sempre soubestes dividir o que tinhas. E não ficava nada sem dividir.
Partistes, mas continuas no coração de teus alunos, que já adultos, sentem a saudade do tempo em que privaram do teu convívio e do teu carinho de Mãe e Mestra e, por esse motivo, é que hoje estás sendo homenageada com a inauguração de uma escola que recebeu o teu nome, “Escola Professora “Esmerina Bou-Habib”, a pedido de um de teus alunos, o dr. Mariuadir José Miranda Santos. Esta homenagem nos sensibilizou profundamente, pois, através dela, o nome da querida tia Esmerina, ao invés de ficar esquecida, será sempre lembrado e passará a fazer parte dos grandes nomes que passaram por nossa cidade, na sublime e árdua missão do Magistério. Carmem Cardoso Ferreira.
Social Aniversário! Atenção Abaetetuba!
Atenção Benjamim Constant, nº 1286! Aniversaria na feliz data de hoje, 20 de novembro de 1966, o inteligente e simpático jovem, Francisco de Assis Cardoso de Lima.
Mano querido: Sou tão pequena para te expor tudo que sinto neste dia tão feliz! Nada sei para poder te homenagear pela passagem dos teus 15 anos. Já és rapazinho agora; em ti já posso confiar os teus bons exemplos de amigo e irmão; de ti já posso esperar uma palavra de carinho e conforto. É o que peço à nossa Mãezinha do Perpétuo Socorro, que te dê sempre a serenidade das almas puras, para que possamos um dia na Pátria Celeste, juntinho dizer-nos: É bom ser bom.
Abaixo temos alguns de seus parentes do lado paterno e materno, com alguns patriarcas vindos de famílias judias holandeses e outra parte vinda de sírios-libaneses:
Geração Paterna de Carmem Cardoso Ferreira
. Adelaide Ferreira Carneiro, filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, casada com João Baptista Carneiro, este capataz do Porto de Abaeté.
• Artúnia Cardoso Ferreira, filha de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso, citada em 1961 como juiza da festa de N. S. da Conceição, c/c Clodoaldo de L. Baia/Coló e tiveram filhos: Maria de Lourdes Ferreira Baia.
• Artur Cardoso Ferreira/Artuzinho, filho de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso.
• Arthur Nunes Ferreira, filho de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, citado em 1900, era comerciante, dono do engenho de cachaça Santo Antonio, na Costa Maratauíra em 1931, depois repassado para Raimundo Neves e dono de outro engenho o Santa Rosa na mesma Costa Maratauhyra, citado em 1939 como contribuinte e da comissão da 3ª noite de leilão da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba. Casou com Mimita Floresta Ferreira e, em 2ª núpcias com Antonia Felícula Cardoso e tiveram filhos: Maria de Nazaré, Joana da Conceição, Artúnia, João Batista, Artuzinho e Carmem Cardoso Ferreira. Arthur tinha um irmão, Carlos Nunes Ferreira, que c/c Dadá Cardoso e uma irmã, Mimi Nunes Ferreira, que c/c Horácio Cardoso, portanto são 3 irmãos da fam. Nunes Ferreira casados com 3 irmãos da fam. Cardoso e com isso seus filhos são duas vezes primos entre si. Em outras palavras: dois irmãos e uma irmã da fam. Nunes Ferreira, casados com duas irmãs e um irmão da fam. Cardoso, que dão origem às famílias Ferreira Cardoso e Cardoso Ferreira.
• Carlaide Cardoso Ferreira, professora no Grupo Escolar Basílio de Carvalho, casada e com filhos, citada em 1944.
. Carlaide Ferreira, citada em 1939 como contribuinte e na comissão da 1ª noite de leilão da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
• Carlos Nunes Ferreira, filho de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, citado em 1900, citado em 1953 como auxiliar na zona do Guajarázinho na festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba, c/c Adelaide Cardoso Ferreira e com Bodas de Ouro de casamento festejado em 24/12/1968.
• Carlos Nunes Ferreira/Carlos Nunes Ferreira & Carvalho com comércio no Furo Tucumanduba em 1922, vereador no governo de João Francisco Ferreira (12/2/1936-31/12/1937), comerciante anos de 1930, 1940, sócio da firma Carlos Nunes Ferreira & Carneiro, firma na localidade Tucumanduba, c/c Dadá Cardoso e tiveram filhos.
• Carmem Cardoso Ferreira, filha de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso, estudou na escola INSA e formou-se professora Normalista, foi professora, diretora de escolas públicas: Escolas Reunidas em 1963, Vicente Maués e Pedro Teixeira, secretária de educação na gestão do Prefeito Ronald Reis Ferreira (1977-1982), católica fervorosa e engajada como Filha de Maria e com nome de escola e rua em Abaetetuba, citada em 1946, citada em 1961 como juiz da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
• Clodoaldo Cardoso Ferreira, filho de irmã de Antonia Felícula Cardoso, citado em 1944 e citado em 1961 como representante da classe dos marítimos na festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
• Clodoaldo Ferreira é filho de Carlos Cardoso Ferreira e Alba Matos Ferreira.
. Ernestina Ferreira Cardoso, filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, casada com Horácio Maués Cardoso e com filhos.
• Esmerina Nunes Ferreira, nascida em 13/3/1894 e falecida em 8/6/1978, filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, foi professora nas escolas de Abaeté, dona de escola de externato, em seu comércio atendia a população carente, principalmente ribeirinhos, c/seus remédios caseiros, citada em 1939 como professora contribuinte e da comissão da 2ª noite de leilão da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba, citada em 1946, com nome de escola, c/c o sírio-libanês Jorge Antonio Bou-Habib, este nascido em 13/6/1884 e falecido em 8/6/1971.
. Ernestina Nunes Ferreira/Nini, filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, citada em 1900, foi professora em Abaeté, mãe de Horácio Sisino Cardoso e avó do professor Horácio Ferreira Cardoso.
. Eulália Nunes Ferreira, filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, citada em 1900.
• Flodoaldo Nunes Ferreira, citado em 1953 como cadete do Exército e membro da diretoria da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba, major do Exército.
• Hilza Cardoso Ferreira, professora e diretora nos anos de 1960 do Grupo Escolar Prof. Basílio de Carvalho, citada em 1961 como juiza da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba. Ilza Cardoso Ferreira, professora, que chegou e em 1961, chegou a ser diretora do Grupo Escolar “Prof. Basílio de Carvalho”. Casou e mudou o nome para Ilza Ferreira Borges.
• Joana da Conceição Cardoso Ferreira, filha de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso.
• João Batista Cardoso Ferreira, filho de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso.
• José Nunes Ferreira, citado em 1900, foi um dos patriarcas da familía Nunes Ferreira, vogal na Intendência: do Coronel Hygino Maués (1906-1908 e 1908-1911), na intendência do major José Félix de Sousa (1911-1913), citado em 1920, comerciante à Rua Justo Chermont, c/c Maria Maués Ferreira, esta falecida em 14/1/1913 e com filhos: Raymundo Nunes Ferreira, Adelaide Ferreira Carneiro, Carlos Nunes Ferreira, Ernestina Ferreira Cardoso/Nini, Esmerina Nunes Ferreira, Eulália, Artur Nunes Ferreira e outros. São avós paternos de Maria de Nazaré Cardoso Ferreira e Carmem Cardoso Ferreira.
• Maria de Nazaré Cardoso Ferreira, nasceu em 1935, filha de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso, estudou no Grupo Escolar de Abaeté e residia c/sua família em casa na antiga Rua Benjamim Constant, atrás do antigo Cine Imperador, entrevistada em 20/4/1995, neta de Alexandre Antonio Cardoso e Benedita Maria da Conceição Teixeira. São seus avós paternos:
. José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira.
. Maria Maués Ferreira
• Mimi Nunes Ferreira, c/c Horácio Cardoso e tiveram filhos.
• Raymundo Nunes Ferreira, filho de José Nunes Ferreira e Maria Maués  Ferreira, citado em 1900 e 1920, casado com Virgínia da Silva Ferreira.
• Sindebaldo Nunes Ferreira, filho de Arthur Nunes Ferreira e Antonia Felícula Cardoso, piloto marítimo, citado em 1953 como membro da diretoria da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba, c/c Maria de Lourdes Dutra Pontes/Lurdinha, esta nascida em 23/9/1930, moraram no Rio Grande do Sul e tiveram os seguintes filhos: Miguel/casado e com 3 filhos; Artur, Ângelo, Ernesto e Aluízio Pontes Ferreira.
Maria de Lourdes Dutra Pontes (Lurdinha): nascida em 23.09.1930, que casou  com Sindebaldo Nunes Ferreira, que morou no Rio Grande do Sul, filho de Artur Nunes Ferreira e que tiveram os seguintes filhos: Miguel, Ângelo, Ernesto e Aluízio Pontes Ferreira. Miguel Pontes Ferreira: que  é casado e teve 3 filhos, entre os quais,   Artur (5ª geração-vide fam. Pontes).
Esmerina Nunes Ferreira Bou-Habib, nasceu no dia 13.03.1891 no lugar chamado Cachoeira, município de Abaeté. É tia da Professora Carmem Cardoso Ferreira e filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira.
Hilza Cardoso Ferreira, foi professora do Grupo Escolar “Prof. Basílio de Carvalho”, em Abaetetuba, onde tornou-se diretora nos fins do ano de 1961.
Jorge Antonio Bou-Habib, que era o esposo da professora Esmerina Bou-Habib e com as informações:             
Citação de 1922. “Jorge Antonio com casa de commércio à Rua Justo Chermont, em Abaeté”.
Casa Nossa Senhora de Nazaré, de Jorge Antonio.
Os Outros Nunes Ferreira
. Oraci Nunes Ferreira, citado na localidade Rio Maracapucu em 1961 como contribuinte da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
Geração Materna de Carmem Cardoso Ferreira
 Adelaide Ferreira Carneiro, filha de Maria Maués Ferreira e José Nunes Ferreira, casada com João Baptista Ferreira, este antigo capataz do porto de Abaeté.
• Alexandre Antonio Cardoso, morador à Praça da República, vogal na Intendência: do Tenente-Coronel Torquato Pereira de Barros em 1900-1902, da intendência do Dr. João Evangelista Correa de Miranda em 1902-1906, na Intendência do Coronel Hygino Maués em 1906-1908, comerciante citado em 1922, Major-fiscal do Estado-maior do 214º Batalhão de infantaria da Guarda Nacional em 12/4/1906, c/c Benedita Maria da Conceição Teixeira e tiveram filhos: Esmeralda Cardoso, Antonia Felícula Cardoso. Antonia Felícula tinha outros irmãos: Dadá e Horácio Cardoso.
• Antonia Felícula Cardoso, filha de Antonio Alexandre Cardoso e Benedita Maria da Conceição Teixeira, c/c Arthur Nunes Ferreira, este possuía duas irmãs e esses três irmãos casaram com outros 3 irmãos da fam. Cardoso, portanto duas vezes primos entre si. Filhos de Antonia Felícula com Arthur Nunes Ferreira: Maria de Nazaré, Joana da Conceição, Artúnia, João Batista, Carmem Cardoso Ferreira. Antonia Felícula, faleceu com 99 anos, no dia de Santo Antonio. Inicialmente a família de Antonia Felícula residiu num chalé atrás do prédio da Escola Basílio de Carvalho, casa onde antes morou Zezé Paes. Irmãos de Arthur, casadas com Cardoso: Carlos Nunes Ferreira, que c/c Dadá Cardoso e tiveram filhos e Mimi Nunes Ferreira, que c/c Horácio Cardoso e tiveram filhos.
• Antonio Alexandre Cardoso, irmão do Velho Cardoso, com origem no Maracapucu, c/c Benedita Maria da Conceição Teixeira e tiveram filhos.
• Antonio Amanajás Cardoso, irmão do Velho Cardoso, com origem no Rio Maracapucu. Vide avós maternos de Maria de Nazaré Cardoso Ferreira e Carmem Cardoso Ferreira: Benedita Maria da Conceição Teixeira e Antonio Alexandre Cardoso. Antonio Amanajás Cardoso, irmão de Tibúrcio Teixeira e Alexandre Antonio Cardoso.
• Antonio Cardoso Amanajás, coronel, com origem na antiga Freguesia de Santa Anna de Igarapé-Miry (que foi o introdutor do clã dos Amanajás), foi membro da 1ª Câmara da Villa de Igarapé-Miry (1845-1849, c/c Victória Maria da Silva Brabo Amanajás, filha de um senhor de engenho e escravos em Abaeté de nome Antonio José da Silva Brabo, e tiveram filhos: Hygino Antonio Cardoso Amanajás e outros.
 .Arthur Nunes Ferreira, antigo comerciante e industrial em Abaeté, filho de Maria Maués Ferreira e José Nunes Ferreira, casado com Mimita Floresta Ferreira.
. Artúnia Cardoso, faleceu a 6/1/2012, é irmão de João Batista Cardoso/João Pata Gorda, ambos padrinhos do Dr. Assis, dentista em Abaetetuba.
 .Carlos Nunes Ferreira, antigo comerciante e industrial em Abaeté, filho de Maria Maués Ferreira e José Nunes Ferreira, casado com Adelaide Cardoso Ferreira
• Adelaide Cardoso Ferreira/Dadá Cardoso, c/c Carlos Nunes Ferreira, que, por sua vez, é irmão de: Arthur e Mimi Nunes Ferreira, que por sua vez casaram com membros da fam. Cardoso.
. Alexandre Cardoso/Francisquinho, com irmãos: Diquinho, Corumbá, Virgulina, primos de Horácio Sizino Cardoso.
 .Ernestina Ferreira Cardoso, antiga professora municipal em Abaeté, filha de Maria Maués Ferreira e José Nunes Ferreira, casada com Horácio Maués Cardoso.
. Esmeralda Cardoso, professora, nasceu em 19/6/1904 em Maracapucu/Abaeté/Pa e faleceu em 5/5/1968, aos 63 anos de idade, em Belém do Pará. Com a idade de cinco anos veio de Maracapucu para Abaeté e depois seguiu para Belém em companhia da família de Hygino Antonio Cardoso Amanajás, que chegou a ser editor de jornal em Abaeté e deputado pelo estado do Pará. Junto com Esmeralda seguiram para Belém suas tias Maria Pinho e Quitéria. Esmeralda Cardoso dá nome a uma escola muncipal em Abaeté, a Escola “Professora Esmeralda Cardoso”, mandada construir no governo do prefeito Municipal Ronald Reis Ferreira, em 1980, nas comemorações dos 85 anos de Abaetetuba à categoria de cidade. Ela foi sem dúvida um exemplo de dedicação e amor sem limites à sua família e à educação. A ligação com a fam. Amanajás deve-se ao fato de Esmeralda Cardoso ter sido adotada pela família de Hygino Amanajás.
• Esmerina Nunes Ferreira, filha de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, antiga professora de Abaeté, era solteira em 1935 quando do falecimento de sua mãe, c/c o imigrante sírio-libanês Jorge Antonio Bou-Habib, citados nos anos de 1940/1950.
. Ernestina Ferreira Cardoso, citada em 1961 como auxiliar na festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
• Hilza Cardoso Ferreira. Professora do Grupo Escolar “Prof. Basílio de Carvalho”, em Abaetetuba, onde tornou-se diretora nos fins do ano de 1961.
. Horácio Cardoso, citado em 1939 representante da comissão da Indústria e Agrícola na 3ª noite da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba e em 1953 como arecadador e contribuinte da mesma festa.
• Horácio Maués Cardoso, citado em 1939 como auxiliar da festa de N. S. da Conceição na zona do Furo Grande, Tucumanduba, Bacuri, Biribatuba e Costa Maratauíra, citado em 1953 como o maior arrecadador da festa de 1952 e  em 1953 como auxiliar da diretoria da festa de N. S. da Conceição na arrecadação de fundos nas localidades rios Furo grande do Tucumanduba, Bacuri, Birituba, Pai Pedro e Costa Maratauíra, c/c Ernestina Ferreira Cardoso/Mimi Nunes Ferreira e tiveram filhos.
• Horácio Ferreira Cardoso, professor em Abaetetuba, foi vice-diretor na Escola Estadual Irmã Stella Maria, atualmente (2013) ocupando o cargo de diretor da 3ª Unidade Regional de Educação-3ª URE, é casado com Ana Cristina e com filhos.
.  Horácio Sizino Cardoso, nascido em 1933, que nos anos de 1970 e 1980 trabalhava como comerciante de peixes em Abaeté com a casa comercial "Já te Dei", casado e com filhos: Horácio Ferreira Cardoso e outros.
• Hilza Cardoso Ferreira, antiga professora e diretora (nos anos de 1960) do Grupo Escolar “Prof. Basílio de Carvalho”.
. João Batista Cardoso/João Pata Gorda, é aposentado da Receita Estadual-SEFA.
• José Nunes Ferreira, antigo comerciante em Abaeté, c/c Maria Maués Ferreira e com filhos: Raymundo Nunes Ferreira (este casado com Virgínia Silva Ferreira),  senhorinha Esmerina Nunes Ferreira, Arthur Nunes Ferreira (casado com Mimita Floresta Ferreira), Adelaide Ferreira Carneiro (casada com João Baptista Ferreira), Carlos Nunes Ferreira (casado com Adelaide Cardoso Ferreira), Ernestina Ferreira Cardoso (professora municipal, casada com o comerciante Horácio Maués Cardoso) e outros.
• Laurindo Cardoso, proveniente de Pernambuco e era, provavelmente, descendente de judeus convertidos que se espalharam de Pernambuco pelo Brasil, era comerciante, dono de terras, plantador de cana-de-açucar em Abaeté, c/c Joanna, esta descendente de judeus holandeses (Laurindo e Joanna eram bisavós de Maria Anna Cardoso Amanajás, chegados ao Pará no final do século 19).
• Lauro Maués Cardoso, c/c Maria de Lourdes de Araújo e tiveram duas filhas: Terezinha e Celeste Araujo Cardoso.
• Maria Anna Cardoso Amanajás, falecida em Belém em 12/2010, com origem em Abaetetuba e com filhos: Cláudio, Denise e Monalisa e com netos.
 .Maria Maués Ferreira, nascida em 1867, falecida em 1935, filha do capitalista e industrial Cel. João Olympio Roberto Maués, casada com José Nunes Ferreira (falecido anteriormente), este antigo comerciante em Abaeté e Maria Maués Ferreira ainda era neta materna do Cel. Antonio Correa Caripuna, este antigo chefe político de Abaeté.
 .Raymundo Nunes Ferreira, filho de José Nunes Ferreira e Maria Maués Ferreira, casado com Virgínia Silva Ferreira.
• Tibúrcio Teixeira, irmão de Velho Cardoso, com origem no Maracapucu. Vide avós maternos de Maria de Nazaré Cardoso e Carmem Cardoso Ferreira.
Pela Genealogia de Carmem Cardoso Ferreira logo se percebe que ela veio de uma família onde grande parte dos homens eram comerciantes, industriais e muitas mulheres da família optaram pela atividade educacional, que é o caso da própria Carmem Cardoso Ferreira, que deu sua vida em favor da educação em sua terra.
Professora e Diretora Carmem Cardoso Ferreira
A professora Carmem Cardoso Ferreira esteve envolvida na história das antigas Escolas Reunidas, do Grupo Escolar Dr. Vicente Maués, Grupo Basílio de Carvalho e Escola Pedro Teixeira, além de ter sido Secretária de Educação na gestão do prefeito Ronald Reis Ferreira, conforme citações:
A professora Carmem Cardoso Ferreira foi nomeada no dia 7 de março de 1952, no governo do General Alexandre Zacarias de Assunção, para exercer o cargo como professora no Grupo Escolar “Prof. Basílio de Carvalho”, aí permanecendo até março de 1960, quando assumiu uma turma nas Escolas Reunidas “Dr. Vicente Maués.
Em 1959 as Escolas Reunidas funcionaram na Rua Siqueira Mendes, em 1960 na casa de Dona Ambrosina Costa Moraes, à Rua Pedro Rodrigues, em 1962 na Rua Padre Pimentel, em uma casa de propriedade de Juveniana Farias Pinheiro. Em 1962, assume a direção da escola a professora Carmem Cardoso Ferreira, agora com 304 alunos, com turmas até o 3º ano primário. Em 1963, forma-se a 1ª turma do Curso Primário da escola. Em 1964 as Escolas Reunidas funcionou  na casa de Dona Carmem Parente de Carvalho, sito à Rua Getúlio Vargas.
Pode-se dizer que a chamada “Escolas Reunidas” era uma escola etinerante, dado a quantidade de casas onde funcionou, sem ter o seu prédio próprio, situação que continuou com o Grupo Escolar “Dr. Vicente Maués, conforme citações:
A professora Carmem Cardoso Ferreira foi professora e diretora do Grupo Escolar “Dr. Vicente Maués”, citada em 20 de julho de 1966.
Então deduz-se que a professora Carmem Cardoso Ferreira já era diretora do nascente Grupo Escolar Dr. Vicente Maués, que surgiu para substituir a chamada Escolas Reunidas, nascida sem prédio próprio, tendo como diretora a Professora Carmem Cardoso Ferreira, conforme citação abaixo:
Em 28.08.1968, foi inaugurado o prédio do Grupo Escolar “Dr. Vicente Maués”, que se originou das chamadas Escolas Isoladas, que vem desde 1936 e, posteriormente, Escolas Reunidas, que marcou a figura respeitável da Professora Maria Zaíde Cardoso que, com seu espírito benevolente, abnegado e colaborador, deu formação necessária, lançando os primeiros índices de uma cultura digna de louvor, em nossa terra. Desempenhou muito bem a sua árdua e sublime missão de mestra, deixando cidadãos gabaritados, exercendo altos postos sociais, em diversas partes. É um exemplo de trabalho e abnegação. Cumpriu perfeitamente sua tarefa de instruir, educar e preparar crianças para a vida prática. Magistério exercido por vocação, pois todo o seu ministério foi baseado no amor, na abnegação, no desinteresse, na virtude em sua humilde banca de professora.
Professora Carmem Cardoso Ferreira, diretora do Grupo Escolar “Dr. Vicente Maués”, em 15.10.1968.
A professora Carmem Cardoso Ferreira é citada como diretora da Escola Estadual de 1º Grau Pedro Teixeira:
Escola Estadual de 1º Grau “Pedro Teixeira”, que tinha como diretora em 1975 a Professora Carmem Cardoso Ferreira. Essa escola atualmente se chama Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio “Pedro Teixeira”, mas nasceu como Escola Estadual de 1º Grau.
Ela procurava levar às escolas em que atuava o seu idealismo de mestra absorvida de seu ideário católico, conforme alguns de seus escritos:
Ao tempo da Professora Donita como diretora da 3ª Unidade de Educação/3ª URE, numa festa de fim de ano, entre outras coisas, diz:
Como mestras e estudantes, ...em que ponto estão nossas responsabilidades perante Deus e a sociedade? Reflexão espiritual necessário para a continuação de tão nobre e difícil missão. Em nossas mãos estão confiados pessoas que temos que modelar, aprimorar, para enfrentar a vida terrena, a vida eterna. Foi Deus, em sua infinita misericórdia, que nos escolheu como mestres, missão em que ele é o modelo. Nobre missão, de grande responsabilidade,  que a Deus temos que prestar contas. Educar crianças é arte muito difícil, porém, o mais difícil ainda é o exame de nós mesmos, porque sempre encontramos desculpas para as nossas falhas e fraquezas e aí é que se impõe a força de vontade, para a formação do caráter de outras pessoas, onde o mestre pode influenciar muito. Porisso, devemos nos aprofundar em nossa formação espiritual e nos conhecimentos das disciplinas, para a formação integral do nosso caráter e de nossos alunos. Devemos expulsar de nós tudo aquilo que nos impede de alcançar nossos objetivos de mestres. Também como mestras, somos espelhos onde se miram nossos alunos. Só na religião é que encontramos a força regeneradora de nossas consciências. Ao aluno também deve seguir os ensinamentos de seu mestre, quanto à formação de seu caráter.
Alguns professores do Grupo Escolar “Dr. Vicente Maués”, tendo a professora Carmem como Diretora
Ana Maués da Costa, citada em junho de 1966.
Maria da Conceição Góes Pinheiro, citada em junho de 1966.
Como diretora ela se preocupava com as datas cívicas e outras datas comemorativas, como o dia do professor. Ela dizia que a profissão de professor era a mais digna das profissões.
Festa dos professores quando Carmem era Diretora
Como diretora de várias escolas em Abaetetuba ela mantinha o estilo régido na questão disciplinar, mas isso não impedia que nutrisse por seus alunos e mestres uma devotada amizade e carinho, conforme cartas e documentos por ela deixados em seu grande acervo de cartas que chegaram em nossas mãos através de seu sobrinho Francisco de Assis Cardoso Lima:
Queridos Professores,
Hoje a humanidade lembra o teu nome e dedica-te este belo dia de 15 de outubro. E hoje também vimos mui respeitosamente curvar-nos ante a tua capacidade para dizer-te que a mais digna profissão do Universo é a tua, Caros Mestres!
Por isso estamos aqui reunidos alunos e mestres para comemorarmos este belo dia e oferecendo-lhe esta humilde festinha.
Carmem Cardoso Ferreira e Os Seus Famosos Bilhetinhos e Cartas
Ela, ao longo de sua vida, construiu um largo círculo de amizades na vida escolar, religiosa e particular, além do carinho que nutria por seus parentes. Como pessoa ela era muito solidária na dor e alegrias de seus parentes, amigos, amigas e colegas de profissão, para quem sempre tinha uma palavra de conforto nas dificuldades e doenças e nas datas festivas. Um dos meios que empregava para manter suas amizades e carinhos pelas pessoas de seu meio eram as cartas e bilhetinhos. Ela escrevia muitos bilhetes de pesar, pêsames e oferecia orações e confortava seus amigos espiritualmente. Ela se preocupava com os aniversários, com as datas cívicas, aniversários e outras datas comemorativas, como o dia do professor e dizia que a profissão de professor era a mais digna das profissões e com ela na direção das escolas sempre aconteciam as festinhas no dia do professor, onde ela convidava também os alunos da escola para participarem da festa. Também amava e considerava muito os seus parentes e, no dia de seus aniversários, ela mesma, preparava as mensagens a serem lidas no sistema sonoro da cidade e oferecendo além dos votos de felicitações, as músicas apreciadas por seus amigos e parentes. Assim como escrevia, também recebia muitas cartas e bilhetes.
Uma determinada ocasião, quando sua irmã Maria esteve adoentada recebeu muitas cartas de solidariedade e orações em favor de sua irmã, e entre essas uma de sua amiga Maria de Nazaré Oliveira, que além dos pleitos de pronta recuperação, também continha algumas orações como objeto de promessas:
 “Minha boa amiga Diretora Carmem, espero que ao receber esta, a senhora já esteja completa de saúde e felicidade, ao lado de sua santa mãe e a todos dessa casa. Diretora Carmem, como é grande a nossa satisfação e a nossa alegria em saber que a nossa querida Maria está bem, graças à Deus, quanto aos nossos pedidos, oferecemos à Deus, em homenagem a ela, agradecendo à Virgem Mãe estas orações extraídas dos nossos pensamentos ao Tribunal Celeste”.
Aí se seguiam orações ao Glorioso São Francisco das Chagas e ao Divino Espírito Santo, pedindo, nas orações as graças necessárias à ocasião:
“Oh! Glorioso São Francisco das Chagas, modelo perfeito de Jesus Crucificado, que vosso abrasado amor para com Deus e pela vossa profundíssima humildade, tendes grande poder sobre o coração de Jesus. Ouvi a nossa súplica, socorrei-nos nas nossas necessidades e alcançai-nos as graças que precisamos. E nós aos vossos pés, vencendo as vossas chagas, prometemos seguir os vossos luminosos exemplos, observando com felicidade o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, ser fiéis à Santa Igreja para que convosco possamos um dia comtemplar à Deus na Eternidade.
Oração do Divino Espírito Santo
Divino Espírito Santo, vós que me esclarece tudo e que me ilumina todos os meus caminhos para que eu continue sempre encontrando o meu ideal.
Vós que me daí o dom de pedir a vossa misericórdia e esquecer o mal que me fazem e que em todos os instantes de nossa vida estará convosco. Eu peço neste curto diálogo agradecendo-lhe por tudo o que oferecemos com confiança da graça que recebemos de vós. Mais uma vez agradeço a nossa deveção que vós nos destes de São Francisco e da Virgem da Conceição. Perdoai-nos Senhor, fazei Senhor que ninguém possa nos separar por meio de tentações maléficas e pelo contrário, quero fazer tudo em favor da humanidade para que possa merecer a Glória Perpétua na nossa campanha por Nosso Senhor Jesus Cristo, na Unidade do Espírito Santo. Assina: Maria de Nazaré Oliveira.
Carmem Cardoso Ferreira e a Igreja Católica
Quando era estudante da Escola INSA, Carmem Cardoso Ferreira, militava na Juventude Estudantil Católica-JEC, entidade da qual foi presidente e onde muitas ações foram desenvolvidas por ela, suas colegas e professoras em favor da moralização da vida pública, com ações de queimas de livros e revistas de cunho pornográficos, que no entender das militantes do grupo, eram prejudiciais na formação da juventude. Por esse grupo juvenil católico, participou de muitos encontros de formação em Abaetetuba e Belém, junto com suas colegas, sempre com o apoio das Irmãs Capuchinhas. Esse grupo tinha um diretor espiritual, um frei capuchinho, que vinha de Belém para orientar a JEC de Abaetetuba. A JEC era a secção juvenil da Ação Católica, movimento de nível mundial.
Portanto, desde muito jovem, Carmem Cardoso Ferreira era muito religiosa, militante desde muito jovem dos movimentos de igreja e tinha profunda fé em Deus e nos Santos, especialmente Nossa Senhora.
Devido suas inúmeras amizades e por força de sua condição de católica fervorosa e de professora e diretora de escola, recebia e enviava muitas cartas a seus amigos e colegas.
Carmem Cardoso Ferreira e a Escola INSA- Instituto Nossa Senhora dos Anjos
Como Estudante na Escola INSA

A então menina Carmem Cardoso Ferreira amava profundamente sua escola, o Instituto Nossa Senhora dos Anjos-INSA e as irmãs capuchinhas, especialmente as diretoras dessa escola, com as quais mantinha profundos laços de amizade e onde era muito ativa na participação dos movimentos católicos juvenis, na catequese do meio estudantil e no grêmio estudantil quando chegou a ser presidente.
Quando foi eleita uma nova diretoria para o grêmio estudantil do qual era presidente, escreveu um curto discurso de transmissão de cargo:
Minhas caras colegas,
Eis chegado o momento em que uma nova diretoria tomará posse para reger o nosso Grêmio. E eu, na qualidade de presidente, venho transmitir o meu cargo e dos demais membros para essa nova Diretoria. Quero agradecer a colaboração amiga de todas as colegas, rogando a Nosso Senhor que abençoe o nosso Grêmio e à sua nova Diretoria, continuadora dos nossos empreendimentos.
Professorandas de 1960 no INSA
Foi uma das primeiras turma de professorandas da Escola Normal Nossa Senhora dos Anjos.
Capa do Covinte: os dizeres: Professorandas de 1960, a logomarca da Escola e Instituto Nossa Senhora dos Anjos, Abaetetuba – Pará.
Dia da Colação de grau e entrega de Diplomas de Catequistas: 15 de dezembro de 1960.
Programa:         
Ás 7:00 horas, Santa Missa em Ação de Graças, com Bênção dos Anéis e o Auto: “A Missão que começa”.
Ás 12;30 horas, Almoço de Confraternização.
Ás 20 horas, Sessão Solene de Colação de grau, no auditório do Instituto.
Patrona da Turma: Santa Ângela de Mérici.
Paraninfo: Dr. José Maria de Souza.
Oradora: Maria Ellen Lobato.
Homenagens Oficiais: Santo Padre-Papa João XXIII, Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira-Presidente da República, General Luís Geolás de Moura Carvalho-Governador do Estado, D. Alberto Gaudêncio Ramos-Arcebispo Metropolitano, Sr. João Luís dos Reis-Prefeito e Pe. Francisco Chagas da Costa-Vigário de Abaetetuba.
Homenageada de Honra: Madre Ângela Maria de Mulungu.
Homenagens Especiais: Padre Frei José Maria de Manaus, Madre Josefa Maria de Aquiraz, Madre Hermenegilda Maria de C. do Sul, Madre Carmosina Maria de Maranguape, Veneranda Irmã Eulália Maria de São Felipe, Prof. Dr. Francisco Leite Lopes e Sr. Joaquim Mendes Contente.
Homenagem Póstuma: Sr. Pedro Pinheiro Paes.
Professorandas e Catequistas: Benedita Negrão Figueiredo
Carmem Cardoso Ferreira
Raimunda Teixeira Costa
Inês Barros da Silva
Raimunda Teodora da Costa
Maria Ellen Lobato
Gessy Margalho Lobato
Maria Lindanor Borges Bittencourt
Clarita Negrão Pinheiro
Coaracy Souza Rodrigues
Izete Parente da Costa
Terezinha de Maria Paes Loureiro
Guiomar da Silva Araujo
Maria Eunice Maués Carvalho
Benedita da Costa Rodrigues.
Alguns Dados da Escola:
Patrona da Escola: Nossa Senhora dos Anjos.
Surgiu como Educandário Nossa Senhora dos Anjos em1953,  e, posteriormente, com o Curso Ginasial e o Curso Normal, este em 28/2/1958.
Foi através do padre capuchinho, Frei José Maria de Manaus, que o atual Instituto Nossa Senhora dos Anjos foi instalado em Abaetetuba. Algumas senhoras católicas, como Dona Aureliana (Aureliana da Silva Miranda), Dona Celina Guerreiro Contente, Professora Zaíde Cardoso e outras, foram até o frei José Maria de Manaus para que intermediasse a vinda das irmãs capuchinhas para Abaetetuba, pois os padres franciscanos já atuavam em Abaetetuba desde o ano de 1936. Esse frei, em 2/8/1952, convocou uma reunião com as lideranças da igreja, das comunidades e autoridades e o Prefeito Joaquim Mendes Contente, a fim de tratar do assunto da vinda das irmãs para Abaetetuba. Nessa reunião foram feitos todos os acertos com essa finalidade. O Frei José Maria de Manaus se empenhou junto à Superiora Geral das Irmãs Capuchinhas para a vinda dessas irmãs para Abaeté. Em 1953 foi declarada aberta uma “Casa Colégio” para as então chamadas Irmãs Terceiras Capuchinhas do Brasil, para um trabalho educativo na cidade. Essas irmãs pertenciam a “Ordem das Filhas de São Francisco de Assis”. No dia 6 de março de 1953 chegaram, em Belém, as Irmãs Missionárias Capuchinhas:
Otávia Maria
Antonia Maria
Yeda Maria
Stella Maria
e Nazaré Maria, que foram as primeiras a chegar  para trabalhar na nova escola a ser fundada. Em Belém, no Porto do Sal, embarcaram à bordo do motor “Clodóvio”, de Chiquinho Ferreira, para fundar a escola em Abaetetuba.
Na manhã do dia 7 de março, já em Abaetetuba, depois de assistirem à missa na Igreja Matriz  de Nossa Senhora  da Conceição, tomaram o café da manhã na Casa Paroquial junto com o Arcebispo de Belém, D. Mário de Miranda Villas-Boas e da madre Josefa Maria de Aguiraz, que era a Superiora Geral da Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas. Estiveram presentes nesse café os padres, estudantes do Seminário Arquidiocesano. Após o café essa comitiva seguiu até o local onde seria instalada e nova escola e às 10,00 horas da manhã do dia 7 de março de 1953, participaram da fundação do Educandário Nossa Senhora dos Anjos, que foi o 1º nome da nova escola e que funcionaria a nível ginasial.
Em 1954 a entidade passou a se chamar Ginásio Nossa Senhora dos Anjos e em 1961, passou a se chamar Escola Normal Nossa Senhora dos Anjos. Foi no Governo de Magalhães Barata (governo de 1956 a 1959) que o Secretário de Educação Dr. Cunha Coimbra concedeu a licença para o funcionamento do Curso Normal Pedagógico.
Mas a entrega oficial do prédio do que seria um antigo hospital, de propriedade da Sociedade São Vicente de Paula, de Abaetetuba, para funcionar o educandário das irmãs capuchinhas deu-se somente no dia 17 de junho de 1958, quando a escola já se chamava Ginásio Nossa senhora dos Anjos, com a realização de um ato solene e com a participação da Madre Superiora e autoridades da cidade, entre outras, Joaquim Mendes contente e Dionísio Edmilson Lobato, que foram grandes colaboradores na fundação da escola.
Hoje o chamado Instituto Nossa Senhora dos Anjos-INSA, é dirigido pela irmã Eurica Sena Rodrigues, filha de Abaetetuba, e é um dos melhores estabelecimentos de ensino do Pará.
Alguns Registros:
“A escola deveria ser criada para resolver os problemas de formação moral e cultural da juventude feminina e para preparação de professoras normalistas  que deveriam ser eficientes no preparo religioso nas terras de Abaetetuba”.  Essa era uma das expectativas dos padres capuchinhos com a vinda das irmãs e essa expectativa foi atendida plenamente com as primeiras turmas formadas pela escola.
O local onde se iniciou a escola INSA foi num casarão existente na atual Avenida Pedro Rodrigues, onde hoje se localiza o prédio da “Farmácia Big-Bem”, em Abaetetuba. Nesse antigo casarão, posteriormente, morou a família de Jucá Costa e, mais tarde, onde funcionou a Agência de Venda de Passagens dos ônibus da antiga Empresa de Transportes Rodomar.
O Prédio:
Existia um prédio abandonado na antiga Praça da Bandeira, que seria o “Hospital dos Vicentinos”, pois já existia a Ordem Vicentina na cidade. Esse prédio foi reformado e adaptado para constituir o então “Ginásio Nossa Senhora dos Anjos”, o que seria a 1ª escola de nível ginasial a ser instalado na cidade. Para a reforma desse prédio, muitas pessoas ajudaram, em trabalho de mutirão a construir essa escola.
O INSA-Instituto Nossa Senhora dos Anjo se localiza à Rua Barão do Rio Branco, nº 1376, na cidade de Abaetetuba.
Além da Escola, as irmãs capuchinhas e suas primeiras alunas foram muito atuantes no âmbito paroquial, ajudando a criar a ordem Terceira de São Francisco, as Filhas de Maria, formando as jovens para dedicar-se à vida consagrada, formando catequistas, grupos de jovens, catequese na cidade e no interior do município, enfim, as irmãs e suas alunas, eram dedicadas colaboradoras dos frades no apoio ao serviço pastoral, catequese e formação espiritual e nos serviços e funções da Igreja, e através dos antigos movimentos da Ação Católica e das Filhas de Maria, da qual a professora Carmem fazia parte ativa.
Inesperadamente os padres capuchinhos foram embora de Abaetetuba a partir do ano de 1957 e em 1960 entregaram à paróquia de Abaeté para o Arcebispo de Belém, D. Mário de Miranda Vilas-Boas. Mas as irmãs capuchinhas permaneceram em Abaetetuba, até os dias de hoje.
Foi a Escola INSA um dos grandes amores da aluna e depois professora Carmem Cardoso Ferreira, incluindo as amizades muito profundas com as antigas diretoras e irmãs desse então Educandário.
No encerramento de um Ano Letivo no INSA em 1972
Queridas Irmãs Capuchinhas        
Prezadas mestras
Caros Colegas.
Neste momento quando aqui nos encontramos reunidos para comemorarmos intimamente o encerramento de mais um ano letivo, vejo grandioso esse dia.
E como deixar de ser belo vendo-se mais um ano vencido de muitas lutas e sacrifícios.
Portanto, prezados alunos que estudaram com prazer e mereceram aprovação, ide gozar felizes vossas férias e continuar vossos estudos.
Agradeço as prezadas mestras por tudo o que fizeram por nós. E como recompensa do desempenho dessa espinhosa, porém sublime missão, que diante de Deus é digna de louvor e glória, peço ao Pai do Céu que guarde uma coroa para cada uma na eternidade como recompensa sincera da Justiça Divina.
Aproveitando a oportunidade, tenho a alegria de expressar os sinceros votos de um risonho e Santo Natal a todos aqui presentes. Que ele seja o penhor de um 1972 repleto de alegrias.
Como a Escola INSA era uma escola católica, dirigida pelas Irmãs Capuchinhas, essa escola seguia os preceitos e ações católicos em suas atividades. O antigo movimento da Ação Católica foi uma das maneiras que a escola possuía para manter e fazer Catequese no meio escolar, não só da Escola INSA, como no meio juvenil e católico da cidade e até pelo interior do município de Abaetetuba. Na Escola INSA foi criada o movimento JEC-Movimento Escolar Católico, que se encarregava da Catequese no seu meio escolar, com a sigla JECF, onde o F se referia à Ordem dos Franciscanos. Como Carmem Cardoso Ferreira organizava suas ações através de anotações, cartas e bilhetinhos, encontramos uma grande quantidade de anotações, cartas e bilhetes em seu acervo particular em que uma grande quantidade desses se referia à Ação Católica, JEC. Vejamos alguns desses escritos:
Turmas
A falecida professora Carmem Cardoso Ferreira, foi incansável aluna, ocupando funções no Grêmio Estudantil, na Juventude Estudantil Catálica, NAS Ação Católica, junto com suas 14 demais colegas da 1ª turma de ginasianas e, posteriormente, normalistas, no tempo da Diretora: Madre Ângela Maria de Mulungu, que veio de Carolina/Ma para participar da colação de grau da 1ª turma de normalistas do INSA pelos esforços da então aluna Carmem Cardoso Ferreira.
Demais Irmãs Capuchinhas a Trabalhar no Instituto Nossa Senhora dos Anjos:
Irmã Carmosina.
Irmã Stella Maria, citada como diretora do INSA em 1972.
Irmã Eufrásia, irmã que veio para Abaetetuba e aqui ficou até o fim de sua vida. Se tornou um patrimônio do povo católico de Abaetetuba, pelo amor aos irmãos, pelas suas atividades, pelo seu carinho e doçura como tratava a todos, com mansidão. Trabalhava muito na promoção e ajuda aos pobres do lugar, numa assistência contínua. Falece em idade avançada.             
Irmã Danieli.
Irmã Eurica Sena Rodrigues, citada como diretora do INSA em 5/12/2008 e até os dias atuais.
Quando foi escolhida presidente da Ação Católica-JEC na Escola INSA
Reverendíssimo Frei Alfredo, nosso Assistente Eclesiático.
Reverenda Irmã Carmosina, Adjunta da Ação Católica.
Prezadas companheiras da JEC.
Neste momento quero agradecer a escolha de meu nome para Presidente, escolha essa que aliás não foi acertada, pois, dentre as minhas prezadas colegas, qualquer uma poderia exercer esta função e afirmo que a faria melhor que eu.
Porém, como tendes o direito de decidir livremente e, quisestes que recaísse sobre mim a responsabilidade de vos orientar de algum modo, aceito, somente, para fazer a vontade de Deus.
Desejo trabalhar com todo o ardor de minha juventude, esperando contar com a colaboração de todas as nossas jecistas para maior progresso de nossa “Ação Católica”.
Congratulo-me com as demais colegas recém-eleitas e convido a todas a trabalharmos unidas para a maior Glória de Deus.
Outros escritos sobre a Ação Católica-JEC
A Ação Católica é o apostolado leigo sobre a presidência e hierarquia da Igreja.
Métodos da Ação Católica:
Conquistar o meio pelo meio, mediante a formação de uma elite daquele mesmo meio.
Lema Geral: Restaurar tudo em nome de Cristo.
Campanha lançada: “Entronização de quadros com a efígie do Coração de Jesus nos lares de Abaetetuba.
A Ação Católica foi fundada pelo Papa Pio XI em um momento em que o Secularismo adentrava os lares, escolas, Igreja e sociedade e era preciso criar um movimento de purificação nos meios estudantis, sociais e na Igreja.
A partir do Movimento da Ação Católica foi criado o grupo JEC-Juventude Escolar Católica, que possuia como método de formação espiritual o Círculo de Estudo.
Círculo de Estudo:
A Frase Evangélica da Ação Católica: Depois que Jesus ressuscitou, um dia, os apóstolos estavam pescando e nada pegaram. Então os apóstolos já desanimados recorreram ao mestre. Este manda que lançassem a rede e logo esta se encheu de peixes.
Então Jesus chegou à beira da praia, fez o fogo, e começou a assar o peixe para ele e para os apóstolos. A seguir Jesus fez a ceia com eles.
Ser apóstolo é dar-se aos seus irmãos, fazendo o bem.
Sobre o Apóstolado em 1957, segundo as normas da Ação Católica
Só deve ser chamado Apóstolo aquele que trabalha por uma causa sublime e significa enviado.
Que é o Apostolado? R. É a missão espiritual para a salvação do próximo.
Que é um Apóstólo? R. É um centro de irradiação de atividade benéfica.
Como exemplo deu-nos os escudos que certa vez na guerra mandou fazer o rei da Holanda com os seguintes significados:
Dois bois atrelados: “Unidos seremos fortes”.
Dois vasos boiados no mar: “Se nos chocarmos, quebraremos”.
Como senha: “A Paz de Cristo no Reinado de Cristo”.
Todo aquele que se fizer humilde será o maior no Reino dos Céus.
Que o Temor esteja em teus lábios para que possas pronunciar fielmente os teus pecados.
Discursos em 1957:
Quando duas de suas companheiras partem para o noviciado de freiras capuchinhas:
Caríssimas companheiras Luiza e Guimarina,
É com o coração cheio de tristeza que eu venho dizer-vos algumas palavras em nome de todas as nossas companheiras da JECF.
Nobilíssimo é o ideal que vos leva para longe de nós e de vossas famílias. Entretanto, não podemos deixar de sentir uma grande tristeza por essa separação que nos deixará mergulhadas numa grande saudade.
Saudade, “doce e amargo sentimento”...quem já não sentiu, mais do que a doçura, o amargor deste intraduzível vocábulo?
Ide! É Nossa Senhora quem vos chama. Mas ficai certas que guardaremos de vós, nos refolhos de nossos corações, uma lembrança imorredoura. E que deus vos conceda uma felicidade imensa.
Cartas de Carmem Cardoso Ferreira:
Pedindo a ajuda de passagens para a vinda da Irmã Ângela Maria de Mulungu, ex-professora e diretora do INSA, para a colação das professorandas dessa Escola:
Ilustríssimo Senhor Sílvio A. Ribeiro
Paz e Bem!        
A finalidade desta e, mui respeitosamente, em nome das minhas colegas de turma, fazer-lhe um pedido, na esperança de sermos atendidas.
Somos uma turma de 15 professorandas da Escola Normal Pedagógica de Nossa Senhora dos Anjos, de Abaetetuba-Pará.
Vamos receber os nossos diplomas em dezembro deste ano em curso.
Vinha dirigindo a nossa turma a Reverendíssima Madre Ângela Maria de Mulungu. Essa nossa professora e diretora foi, no começo do ano, transferida para Carolina, no Maranhão.
Devido à grande estima que dispensamos à essa nossa ex-mestra e ex-diretora, desejamos a sua presença em nossa formatura. Ela, como religiosa, não pode arcar com as despesas do transporte e nós, também, somos pobres e nossos pais já estão gastando muito com as despesas relativas à nossa colação.
Então, apelando para a sua grandeza d’alma, para o seu coração nobre e generoso, mui confiadamente, pedimos a grande dádiva de nos conceder uma passagem, nessa empresa, na qual sois o DD. Diretor, no percurso Carolina-Belém e Belém-Carolina, para a nossa querida Madre Ângela Maria de Mulungu.
Certas de sermos atendidas, pedimos ao bom Deus que o recompense prodigamente e lhe conceda farta messe de felicidades extensivas à sua nobre família.
Atenciosos cumprimentos das professorandas da Escola Normal de Nossa senhora dos Anjos, de Abaetetuba.
Saudações de Carmem Cardoso Ferreira.           
Sobre a Juventude Estudantil Católica-JEC
A JEC tinha a sua juventude militante e sobre isso escrevia:
Militante é todo aquele que tem um ideal a transmitir a alguém. O militante de A.C. deve ter um ideal sobrenatural a transmitir o Cristo. É portanto um ser que deve ter um ideal diferente dos outros. Deve transmitir aos outros o seu único Cristo. Não se deve colocar na A.C. jovens á formar, pois ela não é uma escola de formação.
A JEC surge para que haja um movimento organizado no meio, por que sozinhas não poderíamos transmitir esse ideal tão nobre. Toda militante deve ter um ideal firme de santidade. Deve nos transmitir quem é aquilo que sentimos. Portanto, um militante, deve ter um firme ideal para poder transmiti-lo aos outros.
Todos, entre A.C. devem ser considerados iguais.
Há pessoas que dão maior atenção à presidente, enquanto que ela, por vezes, não chega a ser militante.
Os meios que a Santa Igreja nos oferece são os elementos por excelência de um jecista. Na formação de um militante devemos fazê-lo viver o ideal de A.C. Os sacramentos oferecem-nos meios por excelência para fortalecer a nossa fé. A vida de oração é outro meio.
Num acampamento primeiramente devemos propor uma vida unitária, isto é, resolver as questões unitariamente, de acordo com todos.
Quem é que não pode dar um pouco do que tem? A cada um Cristo reserva uma missão.
Equipe:
Tem um um sentido sobrenatural porque Cristo em uma de suas passagens fala que onde estivermos 3 ou mais reunidas Ele estaria com eles
A manhã de formação é um momento em que se descansa do trabalho para fazer um exame sobre os movimentos empreendidos. Os movimentos empreendidos com poucos elementos devem ser sempre dirigidos pela mesma pessoa.
A conselheira faz a meditação de acordo com as necessidades. Melhor, porém, é fazer a manhã de formação sobre uma parte espiritual.
Quando as militantes acham...a manhã de formação deve-se adotar um movimento alegre, principalmente para aquelas que estão em formação.
A manhã de formação não é para formar o ...mas sim para fortalecê-lo.
A dirigente deve estudar os problemas que têm a resolver, que alimente realmente “a turma”.
Círculos de Estudos na JEC - Ver, Julgar e Agir
Encontro de aprofundamento espiritual, reflexão, organização de atividades, etc.
São pontos de apoio de um Círculo: ver, julgar e agir. Ver é esclarecer o assunto. Julgar é examinar a vida baseado no assunto e agir é corrigir-se ou procurar emendar-se.
O ver envolve 3 virtudes: sobriedade, caridade e piedade.
Sobriedade: são as obrigações conosco mesmos (prudência): no namoro, na alimentação e nas conversas.
Caridade: para com o próximo.
Piedade: para com Deus.
Ver: esclarecer o assunto; julgar: examinar a vida baseado no assunto; agir: corrigir ou procurar emendar-se. O Ver.  É necessário para não ser egoísta.
Julgar. A militante que acha em tudo uma importância tão grande é aquela que vê e procura julgar. O inquérito não é apenas indagar a vida da colega, mas, procurar conversar amigavelmente com a mesma. Devemos julgar baseadas principalmente na caridade.
Agir. Devemos agir de acordo com aquilo que julgamos. Muitas vezes julgamos, mas não agimos. Nunca deveremos lançar, por exemplo, um inquérito sem que possamos dar as respostas adequadas. A formação pela ação.
Uma coisa muito importante em A.C. é a criação de equipes.
A revisão deve ser feita de acordo com o meio em que vivemos. A reunião não deve ser forçada.
Músicas sobre a JEC
Falar da JEC ouvia
Porém eu não sabia
Pra que ela servia
E qual era o seu fim.
Depois que a conheci
Vi que lá era o meu fim
Pois eu não conseguia
Viver só para mim.
A JEC é de todos
Em todos os momentos
Porque Cristo é de todos
E todos são de Cristo.
Um programa de um encontro:
5;30 horas: despertar
6:00 horas: recitação da ...
6:30 horas: Santa Missa
7:15 horas: Café da manhã
8:00 horas: Meditação
8:30 horas: Inícios dos trabalhos, até as 12:00 horas.
10:00 horas: Intervalo para o cafezinho
12:00 horas: Ângelus, almoço e descanso
14:30 horas: Reinício dos trabalhos
15:30 horas: refresco
15:45 horas: novamente, trabalhos, trabalhos
18:00 horas: Ângelus, exposição do SSMO, adoração, bênção
19:00 horas: jantar festivo
19:30 horas: Terço meditado, em romaria pelo claustro, terminando na gruta de N.S. de Lourdes
20:00 horas: Show
21:30 horas: Repouso em Deus.
Existia a pré-JEC
Cânticos para antes e depois das refeições
Antes:
Abençoai, Senhor
Abençoai este pão e esta mesa fraterna
E daí a todos pão
Que não tenham mais fome
Assim seja!
Depois:
Por vossas graças, Senhor
Cantemos hinos de amor
Guardai-nos fortes, puros, alegres
Até o festim dos eleitos.
Por vossas graças, Senhor
Cantemos hinos de amor.

Música: Judica-me
Do altar de Deus eu me aproximarei
Meu Deus e minha vida.
Sêde bom, sede Pai o’ meu Deus
Preservai-me de todo o mal.
E eu quero cantar-vos meu Deus
Vosso nome eu hei de louvar.
Só vós sois minha força meu Deus
Daí-me paz, daí-me luz, daí-me amor.
Colegas, amigos, amigas, militantes da JEC e irmãs do tempo de Carmem Cardoso Ferreira
Irmã Carmosina, adjunta, conforme bilhete  de Carmem em 5.8.1958.
Madre Ângela Maria. “Cada Pácoa é um anúncio de vida”, em 02.04.1961
Margarete
Guiomar
Ruth
10.06.1958
Marlene.
Lúcia. Propósitos: missa, comunhão e terço.
Margareth. Propósito: melhorar as notas e missa, comunhão terços, jaculatórias, sacrifícios.
Terezinha.
23.9.1958:
Maria José Lobato.
1958:
João Reis.          
Dr. Costa.
Flor.
Luma.
Deca.
1958:
Altair
Ronald
Madre Carmosina
Carlaide
Bandute
Dr. Almir
Edmilson Lobato
Conceição Lobo
Teca
Emiliano
Carlos Nunes
Lindoca
Tadeu.
...
Luiza e Guimarina. Que escolheram a vida religiosa de irmãs capuchinhas.
Solidariedade a uma amiga:
Lielza Carvalho, irmã de Dirceu Carvalho, a quem Carmem enviou carta de pêsames, falecido nos anos de 1960:
Prezada Lielza. Paz e bem.
Contristados e pesarosos, tomamos conhecimento do falecimento de teu querido irmão na noite do dia 7 e com a alma em humilde e fervorosa prece pelo eterno descanso de sua alma é que venho com muito pesar dar-te, por meio desta, o meu sentido abraço e pêsames, extensivos a teus pais, irmãos e demais membros de tua família.
Mamãe e Maria, por meu intermédio, também enviam sentidas condolências.
Lielza, não tenho expressões que possam nessa ocasião amenizar este estado de dor, causado por tão rude golpe e que faço votos a Deus  pedindo conformação e coragem para bem suportarem e enfrentarem o futuro, pois já fomos vítimas deste golpe o qual não há remédio que cure, a não ser a conformação de Deus que na sua suprema sabedoria acha por bem levar um dos nossos, para a região onde todos nós iremos ter, mais dia, menos dia.
Recebe abraços e crê que aqui encontras amigos que sofrem e sentem contigo a dura perda, os quais já marcaram uma Missa que será celebrada  no dia 13, às 7 horas, na Igreja Catedral, em sufrágio da alma de Dirceu Carvalho.
Pela família, a amiga de sempre. Carmem.        
Madrinhas e Padrinhos Contribuintes de Catequese em  1960
Eunice  Carvalho
Olinda Gonçalves
Joana Lima
Hilza Cardoso
Leocádia Cardoso
Carmem Ferreira
Lili Sena
Sônia Parente
Antonia Cardoso
Maria da Conceição
Didi Solano
Maria de Nazaré Oliveira. Cartas de solidariedade à professora Carmem.
Terço meditado: 4º Mistério
No quarto mistério contemplamos a “Apresentação do Menino Jesus no Templo e a Purificação de Nossa Senhora”.
Fruto: Humildade
Vós querida Mãe que fostes para nós o exemplo de humildade e obediência, acompanhado de São José, levastes nos braços vosso Filho adorável, apresentando-o no Templo.
Nos assista, meditando este mistério pedimos que aumentais em nós estas belas virtudes.
Bilhete a uma amiga:
Minha amiga!
Queres ser feliz no teu porvir? Pois bem. Quando te vier ao encontro um jovem para apresentar-te o seu dom de amor, olha-o de frente.
Mensagens de Natal:
. Para João Reis: Que as alegrias do Natal preceda a entrada do  Novo Ano e seja este precussor e continuador de graças inefáveis.
Para Dr. Costa, Flor e Luma: Desejamo-lhe neste Natal e no Ano Novo as mais escolhidas bênçãos de Jesus Menino e de sua Mãe Santíssima.
Para Deca e Flor: Que as graças do Menino Deus desçam sobre você e sua família, tornando um Santo Natal e um seguro de bênçãos para um Novo Ano
Círculo em junho de 1958:
1 -Oração: Vide espírito Santo ...
Oração Jecista
São João Evangelista e Mãe da Perseverança
2 -Revisão de influência (jardinagem)
3 – Pensamento espiritual (ignorância religiosa)
(Julgar e agir)
Todos os homens buscam a felicidade, mas poucos a buscam convenientemente.
Na doutrina de Cristo encontramos os elementos para a verdadeira felicidade.
(Fruto): Trazer as mães para fazer a Pácoa e convidar muitas outras mães.
Estudar a outra parte para a próxima reunião.
Círculo em junho de 1958
Oração da JECF (pela intenção da intensificação da Campanha de Páscoa). Pai Nosso ...
Pensamento espiritual: A vida interior, alma da Ação Católica.
Evangelho de São João, 6, 35-45
Pensamento central: “O que vir a mim não terá fome”.
Jesus sacia nossa fome de felicidade.
Aproximemo-nos de Jesus por intermédio de Nossa Senhora.
Mandar uma das meninas interpretarem as frases.
Mês de maio:
Ser mais fervoroso, rezar o terço em família com os hinos de N. Senhora, enfeitar o lugar onde exista uma imagem de N. Senhora.
Ser mais atenciosos para com os nossos pais, obedecer a mamãe, procurando fazer sacrifícios, dar bons exemplos, não nos fazermos boas somente fora de casa, devemos mostrar o que somos em todos os lugares.
Saber o número de pessoas que já fizeram a Páscoa.
Pedir as plantas e ver as meninas que podem vir plantar aqui no colégio.
Falar sobre a confissão: se é feita com propósitos de mudança ou é pronunciada como uma modinha.
Rezar as orações de início de aula e outras ocasiões, com mais fervor, não só com a boca e já pegando os cadernos e escrevendo.
Círculo em junho de 1958
Oração, Intenções: para que haja harmonia não só entre jecistas, mas entre todas as colegas.
Pensamento espiritual
Revisão:
Campanha dos estudos, estudar juntos, na dúvida procurar a mestra.
Campanha de revisão das orações para os encontros.
Círculo dia 3.6.1958
Oração jecista. Intenção: por Dakar e para que o Coração de Jesus seja realmente o centro de nosso movimento jecista.
Pensamento: A Caridade no Corpo Mísitico.
Se tem tido caridade para com os irmãos, tratar os pais, irmãos e outras pessoas da família com muita caridade (dar o exemplo em casa de verdadeira jecista, ser obediente.
Continua a ler revistas proibidas pela Igreja? Quem as lê, pouco a pouco terá prejuízos mais tarde, porque a má leitura irá se instalando e aparecerá mais tarde no nosso comportamento.
Se tem feito a comunhão eucarística semanalmente. É a comunhão que aumenta em nós a graça santificante e nos dá as forças para vencer todas as tentações e praticarmos a caridade.
Campanha: vai ser organizado um jogo e continuar a venda de merenda para com o lucro comprar quadros para a entronização; conseguir casamentos e batizados e 1ª comunhão de adultos.
Círculo do dia 10.6.1958
Oração Jecista.  Intençao: Pelas pessoas que ainda não fizeram a Páscoa.
Pensamento: Não nos é possível ser cristão e estar ligado a Jesus Cristo, como os ramos estão ligados ao tronco da videira, a não ser pela Igreja e na Igreja.
Pedir os ramalhetes:
Marlene.
Lúcia. Propósitos: missa, comunhão e terço.
Margareth. Propósito: melhorar as notas e missa, comunhão terços, jaculatórias, sacrifícios.
Terezinha.
Círculo dia 12.08.1958
Oração e Intenção da oração: para aumentar o amor das jecistas pela JECf.
Pensamento espiritual: “Para que todos sejam um, como Tu estais em Mim, e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me criaste”. Jo 17, 21
Receber os inquéritos da reunião do dia 5.8
Passar o inquérito para ser respondido da pagina 68.
Círculo Geral do dia 26.08.1958, pag 16
Oração jecista: para as pessoas despertarem para o nosso meio.
Pensamento espiritual: Não é preciso ser santo para ser apóstolo, mas é necessário ser santo para ser apóstolo.
Consultar a hora do círculo e passar para o domingo.
Falar sobre as más leituras (viver segundo a vontade de Deus, porque somos responsáveis pelo meio).
Avisos: ensaios para a embolada e consultar o horário do círculo.
Círculo do dia 7.10.1958
Oração e intenção: Pela organização da festa do “Dia do Professor”.
Pensamento: Daí-nos a fé conquistadora de teus apóstolos. Conquistas:
Principalmente, não se pode dar aquilo que não se tem. Por isso devemos fazer nossa comunhão ao menos semanalmente, para termos força e coragem de conquistar e ajudar nossos irmãos.
Já que fazemos parte do “Corpo Místico” devemos fazer nosso apostolado ao menos por meio da oração em favor de nossos irmãos pobres ou ricos, operários e patrões, felizes ou infelizes, etc.
Em festas de aniversários, casamentos devemos ser apóstolas.
As jecistas devem dar exemplo na hora de rezar os mistérios em classe, em preparação da festa do professor que se aproxima.
Círculo de 14.10.1958
Falar sobre a entrega de distintivo no dia de Cristo-Rei, sobre a  “Liga de Combate Sobre a Má Leitura” e sobre a festa dos professores.
Plenário dia 11.11.1958
Pensamento: Se nos supreendermos essessivamente fracos espiritualmente, alertemo-nos durante o Advento, para que nossa  fé não se enfraqueça.
Um sacrifício aqui, outro acolá, vai temperando nossa fibra e tornando-nos mais capazes de vencer.
Mais pessoas aderem à Campanha contra as más leituras.
Pensamentos em 1957
Amar é saber descobrir aquilo que faz do outro um ser amável.
Somos eternamentes responsáveis por aqueles que cativamos.
A aurora da vida não é somente uma.
Pensamentos de 1958
O amor humano não é capaz de satisfazer o coração do homem pois este foi criado para o amor infinito.
Senhor, que nós sejamos dignas de sermos missionárias de tua luz junto às nossas companheiras.
Quanto mais a alma se une a Deus, mais domínio consegue sobre si mesmo, e consegue maior retidão na vida privada e social.
A amizade é o casamento de duas almas que se unem para realizar o trabalho da vida.
A vida é uma missão. A cada um de nós, Deus, dando a vida, assinalou um por quê e um programa, confiando a nós próprios, inteligentes e livres, o equipamento de seus elevados desígnios.
Sejam nossos lares um reflexo da Família da Gruta de Belém, onde tudo era Paz, Simplicidade e Amor.
Não pode haver tristeza quando nasce a Vida.
Votos para um novo casal
O casamento é a amizade entre duas almas que se unem para realizar o milagre da vida. Faço votos que a Sagrada Família do Presépio abençoe o trabalho deste lar, que hoje inicia, enchendo-o de muita pa e alegria.
Um canto de 1ª Comunhão:
Senhor Jesus, nós meninos vos amamos
Com todo o nosso pequeno coração
A recompensa que nós esperamos
Seja a nossa eterna salvação
Seja a nossa eterna salvação!
II
Chegou o dia da querida festa
Chegou a hora em que vamos comungar
A inocência brilha em nossa testa
Queremos sempre a Jesus amar.
III
Senhor Jesus nós cremos firmemente
E confessamos sem medo e sem temor
Que estais na Santa Hóstia presente
Sois nosso Deus e Salvador.
IV
Abençoai-nos oh’ Jesus querido
Cercamos vosso presente de amor
Enquanto sois por muitos esquecidos
Vos adoramos como bom pastor.
Um Canto de Aleluia
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
As nossas almas santificarás
Os nossos corpos ressucitarás
Por Jesus Cristo nos transformarás.
Aleuluia, Aleluia, Aleluia!

Cântico Antes da Meditação
Jesus mandou-nos orar e sempre
Para conseguirmos a salvação
Orar é erguer o pensamento ao
Ao Senhor Deus de bondade.
Rezemos pois muitas vezes
Para evitar o pecado
Se a oração é bem feita
Faz crecer a santidade.
Manhãs festivas às 9:00 horas no Ginásio.
Pensamentos sobre a Páscoa
A Páscoa é uma primavera radiosa que perfuma as almas, robustece-as de fecundante seiva espiritual e prepara-as com carinho para a última ressurreição dos fins dos tempos.
A Páscoa é uma luz que brilha na noite da humanidade.
A Páscoa é um anúncio da alegria a todos os homens.
Cada Páscoa é um anúncio de vida.
Uma Peça de Natal no INSA
Luma, João Reis: Que as alegrias do Natal preceda a entrada do Novo Ano e seja este precussor e continuador de graças inefáveis!
Tadeu, Dr. Costa, Flor, Luma e as duas madres:  As mais escolhidas bênçãos de Jesus Menino e de sua Mãe Santíssima, desejamo-lhes neste Natal e Ano Novo!
Deca e Flor: Que as graças do Menino Deus desçam sobre voc~e e sua família, tornando um Santo natal, um seguro de bênçãos para um Novo Ano!
Que sejam nossos lares um reflexo da Gruta de Belém, onde tudo era Paz, Simplicidade e Amor!
Altair: Não pode haver tristeza quando nasce a Vida!
A misteriosa Estrela da Graça, guie e brilhe nos lares com o Menino que nasceu na humilde Gruta de Belém.
Cantai ao Senhor um Cântico Novo, porque o Senhor fez em mim maravilhas.
Vinde, regozijemo-nos no Senhor! Cantemos a Glória de Deus, nosso Salvador!
Cristo nasceu para nós, vinde, adoremos!
Hoje a verdadeira Paz desceu para nós do Céu.
“Bem-aventurado aquele servo que o Senhor ao voltar, encontra vigilante!
Bandute: Que a graça do Natal ilumine o seu coração e o seu lar, dando-lhe sempre muita paz e alegria!
Madre Carmosina, Carlaide, Bandute, Dr, Almir, Ronald e Edmilson: Que a Sagrada Família do Presépio abençoe o seu lar, enchendo-o de muita paz e alegria!
Conceição Lobo e Luma: Que nas festivas noites de Natal e Ano Novo seu lar seja repleto das alegrias emanadas do Presépio de Jesus!
Teca: Todas as alegrias e muita felicidade neste Santo Natal e no Ano Novo de 1959!
Emiliano, Carlos Nunes e Lindoca:  Com os melhores votos para um santo e alegre Natal  e um Ano Novo repleto das bênçãos de Deus!
Uma Música Adaptada Para o Natal de Crianças em 1958
Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar.
Ciranda, Cirandinha
Vamos todos cirandar
Esta noite é tão bonita
O Natal vamos cantar.
Já nasceu lindo menino
O seu nome é Jesus
Ilumina o mundo inteiro
O seu lindo riso é luz.
Belém se rejubila
Nesta data á festejar
Vamos meninas, meninos
Sempre, sempre a cirandar.
Ciranda, cirandinha ...
Sobre a JEC:
Exame de consciência jecista
Tenho mostrado indícios de querer seriamente intensificar minha vida espiritual?
a) Como encaro a Missa em minha vida espiritual?
b) Recebo os sacramentos com freqüência, porque compreendi a necessidade que tenho em minha vida jecista?
c) Faço diariamente meditação ou leitura espiritual ?
3) Revelei preocupação, angústia por melhorar minha conduta de estudante no colégio, na família e na sociedade?
4) Estou compenetrada e de olhos abertos para a situação do meu meio estudantil?
5) Tomei consciência disso?

Berço do Menino Jesus:
Manjedoura: são os atos de amor
Palhilhas: são as mortificações
Camisinha do Menino Jesus: são os atos de caridade
Luz da estrela: é a simplicidade
Cânticos dos anjos: são os atos de confiança
Adoração da Santa Virgem: são os atos de piedade
Adoração dos pastores: são os atos de fé
Dádivas dos pastores: são os atos de obediência
Dirigente Jecista
Carmem Cardoso participava dos encontros de dirigentes, junto com pessoas vindas de toda a Arquidiocese, que envolvia leigas e irmãs, madres, madres assistentes, madres adjuntas. As irmãs de Abaeté participavam desse encontro: Irmã Carmosina, adjunta de Abaeté.
Dirigente é ser militante duas vezes, uma pessoa especializada, que já tenha capacidade de realizar serviços, dirigir as coisas. Tenha uma formação técnica da JEC, tenha certas noções, que leia muito e uma intensa vida espiritual.
Manhã de reunião: somente para dirigentes.
A dirigente deve ter uma relatora (como secretária da dirigente) para poder ir se formando como dirigente.
As meninas devem conhecer o boletim de dirigentes de JEC.
As Escolas em que aconteciam as formações: Colégio Santo Antonio, Colégio Gentil Bittencourt.
Música: Juventude Jecista
Tu és a quadra risonha e feliz
O’ juventude tão fagueira
Tu és a flor em que Cristo desabrocha
És a primeira.
O teu passar aqui em nossa vida é
Um poema que reluz
O’ juventude era tão querida
Ao pé da cruz.
Vamos jecistas em flor
Desabrochar com ardor
Cada dia pra lutar
Com mais zêlo e mais vigor.
Vamos jecistas em flor
Aqui está a tua lei
A mocidade aos pés de Cristo.
O’ juventude tempo tão feliz
De esperança e prazer
Nossas jecistas vão desabrochar no bom viver.
O teu passar aqui no Regional
Deve marcar tua missão
Levando a todos lá em teu colégio
A união.
Perguntas
Dizei-me por que a JEC é boa?
Dizei-me por que a JEC é alegre?
Dizei-me por que eu amo a JEC?
É porque, só porque, amo a Deus.
Carmem Cardoso Ferreira se perguntava
Que importância a Diocese tem dado à militante? Como tem sido feita a formação das militantes? Quais são os meios empregados? Quais os resultados obtidos? Quais tem sido as falhas mais notadas? Que se pode fazer para corrigir as falhas?
Carmem Cardoso Ferreira e os Colégios
O ideal seria que em cada colégio houvesse uma conselheira. Uma moça que já estivesse bem preparada e que já tivesse terminado o curso. O papel da conselheira seria a de formar dirigentes. É indispensável uma conselheira num colégio leigo.   Preparar militantes para quando chegar no 2º ou 3º ano, poder contar com uma conselheira, que deveria também continuar militante. A escolha da conselheira deveria levar em conta: ser uma estudante jovem; ter uma orientação segura da JEC; entender de psicologia do adolescente, para ajudar a dirigente a ter entrosamento com a diretoria, com o capelão da escola; a conselheira local deveria manter contato com a conselheira arquidiciosana; que possa ter acesso ao colégio e agir a ajudar, no que fosse necessário. É preciso descobrir novas conselheiras.
A JEC tinha os seus encontros regionais, com programação variada. Além da formação e dos encontros de aprofundamento e reflexão, havia os momentos de descontração com pic-nic, ...
Quaresma
1957:
As sete dores de Nossa Senhora:
A profecia do Velho Simeão
A fuga para o Egito
A perda de Jesus no templo
Jesus carregando a cruz ao Calvário
Jesus pregado na cruz
Jesus nos braços de Nossa Senhora
Jesus no sepulcro.
Obras de Misericórdias a Cumprir na Quaresma:
Missas  e funções bem participadas
Rezas de terços
Vias Sacras
Sacrifícios a fazer: não ir à cinema, não comer chocolates, sorvetes, etc.
Tirar notas ótimas e ter horas programadas de estudos.
Praticar atos de obediência, etc.
Espiritualidade:
Meditação ou leitura espiritual:
Revelei preocupação, angústia por melhorar minha conduta no colégio, na família e na sociedade?
Estou compenetrada e de olhos abertos para a situação do meu meio estudantil?
Tomei consciência disso?
Perguntas feitas aos participantes, inclusive de outras cidades, outros estados, sobre um encontro jecista:
Que achou do ambiente em nosso colégio? R. Ótimo. Vi desunião entre ginasianas e normalistas.
E do nosso internato? R. Gostei muito por que as meninas são educadas, alegres e é um ambiente piedoso.
A “Área de “Educação Física” está satisfazendo ao programa? R. O ideal é que fosse coberta.
Tem algum conhecimento jecista? E qual a sua opinião? R. Desconheço o movimento jecista por falta de tempo. R. É sadio esse movimento. Gosto bastante, porém acho que mesmo freqüentando os bailes a jecista convicta poderá exercer um grande apostolado.
Que achou do nosso jornalzinho de classe? R. Gostei muito, acho muito alegre, devido a liberdade que serve para nos orientar e dizer as verdades.
Tenciona voltar ao nosso colégio? R. Se Deus o permitir voltarei, pois fui premiada de visitar dois Estados, o Pará e o Amazonas e os territórios de Rio Branco e Amapá.
Qual a sua impressão quandou desembarcou em Abaetetuba? R. Fiquei admirada de encontrar luz elétrica na cidade e a cidade é muito interessante. Ao chegar ao colégio bati a fechadura em vez de tocar a campainha e por causa desse erro fui para a pensão.
Qual sua impressão sobre o mês de maio em nosso colégio? R. Acho muito bonito, é o mês que gosto pois é o mês das mães. Os altares estão todos bonitos, foi um trabalho formidável e N. Senhora deve estar satisfeitíssima.
Grêmio Estudantil:
Minhas caras colegas:
Eis chegado o momento em que uma nova Diretoria tomará posse para reger o nosso Grêmio. E eu, na qualidade de Presidente, venho transmitir o meu cargo e dos demais membros para essa nova Diretoria eleita.
Quero agradecer a colaboração amiga de todas as colegas, rogando a Nossa Senhora que abençoe o nosso Grêmio e a sua nova Diretoria, continuadora dos nossos empreendimentos.
Como homenagem à memória da professora Carmem Cardoso Ferreira ruas e escolas em Abaetetuba a ela são dedicados:
A Escola Carmem Cardoso Ferreira
A professora e diretora Carmem Cadoso Ferreira, depois de seu falecimento, recebeu várias homenagens devido a sua importância para História da Educação em Abaetetuba.
A atual Escola de Ensino Fundamental “Professora Carmem Cardoso Ferreira fica localizada na 3ª Rua da Aviação, nº 1928, bairro da Aviação, em Abaetetuba. A escola possui um amplo espaço físico e um prédio com 6 salas de aulas, uma sala de biblioteca, uma sala de direção, uma sala dos professores, uma sala de vídeos, uma sala de secretaria, uma quadra de esportes,  uma copa, um depósito para merenda, um almoxarifado com salão e banheiros. Possui, atualmente, em 2007, uma diretora, duas supervisoras, uma secretária e agentes administrativos. Possui 678 alunos, distribuídos nos três turnos. Sua atual diretora é a Sra. Benelita Vasconcelos.
Existe ainda a Rua Carmem Cardoso Ferreira
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de textos e imagens pornográficas e se alguém as publica
em nossas páginas e blogs da internete, o fazem à nossa
revelia e com a intenção de nos prejudicar ou boicotar.
Fiquem todos nossos leitores sabendo que não fazemos
Essas publicações que ferem esses nossos princípios.
Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

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