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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A BANDA PAULINO CHAVES



MAESTRO PAULINO CHAVES



Foi uma postagem sobre a antiga Banda Paulino Chaves, de Abaeté, que levou a neta Lúcia Maria, do mesmo Maestro, a brindar o Blog do Prof. Ademir Rocha e outros paraenses pesquisadores da vida e obra desse grande maestro com o convite para o lançamento de dois livros sobre sua vida e obra conforme figura ao lado.

A postagem:




A BANDA PAULINO CHAVES

Paulino Lins de Vasconcelos Chaves nasceu no dia 25/6/1880 em Natal-RN e faleceu no dia 31/7/1948, no Rio de Janeiro e foi um compositor musical de alta qualidade e era um entusiasta da música. Veio de Natal aos 4 meses para residir em Belém e começou a compor aos 8 anos e em 1897 concluiu os estudos de Humanidade (Agrimensor). Era pianista, tendo feito um curso de piano em Leipzig, no real Conservatório, em 1899 e ficou famoso por sua virtuose e técnica musical. Era também solista e regente, compositor musical, tendo deixado um grande legado musical, um verdadeiro patrimônio musical em Belém/Pa e como professor de música formou inúmeros alunos e influenciou os meios musicais de Belém. Em 1906 tornou-se diretor do Instituto Carlos Gomes em Belém/Pa. Sua obra mais conhecida foi a Ave Maria, para mezzo-soprano e orquestra, composta em 1925.
Como homenagem ao Maestro Paulino Chaves uma antiga banda musical de Abaeté recebeu o nome desse grande maestro e compositor musical.

A Banda Paulino Chaves era uma espécie de banda privada, particular, cujos membros tocavam à paisana e não de uniforme, e foi criada como contraponto à Banda Carlos Gomes que adotava o estilo militarizado.

Era uma banda de pessoas de boa situação financeira, com destaque na sociedade e elas é que sustentavam material e financeiramente essa banda, com a ajuda do Padre Luiz Varella. Essa pitoresca banda surgiu a partir do ano de 1919, chegou a contar nos seus quadros com até 20 componentes e subsistiu com muita garra até o ano de 1935. Essa banda durou 16 anos.

A Banda Paulino Chaves quis repetir o que a antiga Banda Henrique Gurjão tentou fazer, o de ser uma banda diferente, sem a rigidez de uma banda militarizada, uma banda que pudesse sair da rotina e, quem sabe, incursionar por músicas clássicas, daí a denominação que recebia, algumas vezes, de “Philarmônica” Paulino Chaves. Essa banda subsistiu até o ano de 1937, mas há registros dessa banda até o ano de 1940, que,junto com a Banda Carlos Gomes, eram as únicas que competiam na época, apesar da existência de outra banda, que experimentava forte decadência, a Henrique Gurjão, fundada pelo Padre Pimentel e Horácio de Deus e Silva.

Um fato que determinou a longa subsistência para a Banda Paulino Chaves, foi o fato dos católicos de então, junto com o Padre Luiz Varella, estarem determinados a construir a nova Igreja Matriz de Abaeté. De fato, nas citações recolhidas dessa banda, a maioria vem atrelada aos eventos para a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ou da nova “Igreja Matriz de Abaeté”. Vide postagem: “A Construção da Nova Igreja Matriz de Abaeté”.

Na Banda Paulino Chaves não era obrigatório ter uma 2ª profissão, como era na Carlos Gomes. A filosofia da Banda Carlos Gomes era a de “tocar por amor à arte e não para sustento dos seus associados”.

Citação de 1922: “Fundação da Banda Musical Paulino Chaves, pelo mestre Jerônimo Guedes”.

Foi fundada pelo fogueteiro e músico Jerônimo Guedes ou Mestre Guedes, com sede à Rua Barão do Rio Branco, onde hoje é a casa de comércio “A Suely Armarinho”, de Manoel do Carmo Rodrigues/Moreno.

Na verdade, a Banda Paulino Chaves surgiu do antigo “Grêmio Guarany”, um clube musical que já existia em Abaeté, junto com outros clubes musicais do início do século 20.

O Grêmio Guarany já existia em 1910 e em 1919 deu origem à Banda Paulino Chaves.

Os músicos da Banda Paulino Chaves sonhavam em transformá-la numa orquestra filarmônica, que é um grupo musical sustentado pela iniciativa privada. Isso quer dizer que naqueles antigos tempos da história de Abaeté já havia quadros para se pensar em tão audacioso plano, que era o de montar, numa pequena cidade, uma orquestra do tipo filarmônica. Esses tempos eram tempos de muita fartura e riquezas, época ainda dos “coronéis”, senhores de engenho e grandes comerciantes de Abaeté. Então, não custava tentar a façanha. Algumas dessas pessoas são: o avô dos irmãos João Luiz dos Reis e Miguel Reis, Garibaldi Parente, o Pe. Luís Varela/Luiz de França do Amaral Varella, Francisco Freire de Andrade e outros ricos idealistas.

O Maestro Jerônimo Guedes, seu fundador, era um grande músico, eclético, tocando vários instrumentos. Ele possuía em sua família outros músicos de renome, que o ajudaram a manter a banda nascente.

Outros membros da banda:

Horácio de Deus e Silva, escrivão da Coletoria Estadual, tocava bombardino e afrenquides;

Laudelino Mendes Fernandes, que chegou a dirigir a banda em 1927. Laudelino Mendes Fernandes, outro grande músico de Abaeté, também se tornou regente da Banda Paulino Chaves. Na vida particular Laudelino, era professor municipal no rio Guajará, seu lugar de origem.

Manoel Antônio de Sousa, veterano músico nascido em 13/4/1910, era, até os anos de 1990, o único componente vivo da Banda Paulino Chaves.

Em 1928 Felix Machado, era o sub-regente da Philarmônica Paulino Chaves e chefe de orquestra do Teatro Nossa Senhora da Conceição e ele era um músico eclético, tocando violino, soprano, clarinete e trombone, uma virtuose da música da antiga Abaeté. Depois que o Mestre Guedes faleceu, Felix Machado assume a regência da banda Paulino Chaves.

A Banda Paulino Chaves também tocava em bailes, eventos e fazia excursões pelo interior do município de Abaeté e outras cidades próximas.

“Cássio Amanajás, músico da Jazz Band “Paulino Chaves”, de Felix Machado, que tocava nos bailes em 1928”. “Jazz band Paulino Chaves, de Felix machado”. “O Jazz Band Paulino Chaves foi o 1º jazz de Abaeté, onde tocava pelos interiores. Cássio Amanajás tocava clarinete.

“A Lancha Tucumanduba, levando a Banda Paulino Chaves e comitiva, de Abaeté para a vila Concórdia”.

Documento de 1926 cita a banda: “Banda Musical Paulino Chaves nos festejos de São Miguel de Beja".
“Em 1927 a Banda Paulino Chaves vai abrilhantar a véspera e o dia da festa do padroeiro da cidade de Cametá, o Precussor São João Batista e isso denota o prestígio que nossas bandas gozavam no cenário paraense”.

“Certame Musical na Praça na Praça Nossa Senhora da Conceição entre as bandas Carlos Gomes e Paulino Chaves, com oferta de prêmio pela comissão organizadora”.

Citação de 1927: a Banda Paulino Chaves tocando na festa de São Benedito na Vila Concórdia.

1928: “As bandas Carlos Gomes e Paulino Chaves viviam às turras”.
Em 1928: “As bandas Paulino Chaves e Carlos Gomes na recepção ao Arcebispo Metropolitano do Pará, D. Irineu Jofffily que veio à Abaeté em 1928”.
Uma importante citação de 1937: “As duas bandas de música, a Carlos Gomes, chefiada por Raymmundo Pauxis, tendo como mestre de banda o Sr. Chiquinho Margalho e a Banda Paulino Chaves chefiada pelo mestre Jerônimo Guedes, esta com 21 músicos, que participaram do 1º Círio de Nossa Senhora da Conceição em 1937”.

A Banda Paulino Chaves tocava música clássica, dobrados, marchas, músicas sacras nas missas e eventos religiosos. Na Igreja participava junto com o coro.

Quando executava músicas clássicas num evento cultural, se auto-intitulava “philarmônica”. Uma orquestra filarmônica se caracteriza por ser sustentada por recursos particulares ou mesmo público, desde que tenha autonomia de atuação.

Além disso, a Banda Paulino Chaves possuía um seu “Jazz Paulino Chaves”, que era um conjunto musical para tocar nos bailes, muito comuns naquela época.

A Banda Paulino Chaves tocava música clássica, dobrados, marchas, músicas sacras nas missas e eventos religiosos. Na Igreja participava junto com o coro.

Porém a Banda Paulino Chaves terá seu nome marcado na história de Abaetetuba pela sua grande participação nas campanhas de arrecadação de fundos para a construção da sonhada Nova Igreja Matriz de Abaeté, nos tempos do Padre Luiz Varella, que junto com o idealista e rico comerciante Francisco de Assunção dos Santos Rosado e outros baluartes, que se uniram para formar uma 1ª grande comissão, com o fim de arrecadar fundos para a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Convém salientar que no século 19 era o governo provincial que construía as igrejas nos povoados, freguesias, vilas ou cidades da Província do Pará e o governo chegou a fazer dotação orçamentária e o contrato de locação com o tenente-coronel Caripuna para a construção da Igreja Matriz de Abaeté, na antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté. Este cidadão chegou a iniciar a construção da sonhada igreja de Nossa Senhora da Conceição nos anos de 1880, porém a obra foi embargada pelo engenheiro fiscal do governo, devido a construção estar sendo construída em local inapropriado e fora dos padrões do contrato e o governo provincial achou por bem cancelar o referido contrato e Abaeté acabou ficando sem a sua Igreja Matriz.

O povo católico da antiga Abaeté não desanimou e a partir do início do século 20, quando aconteceu a separação Igreja-Estado, foi o povo mesmo que tomou para si a iniciativa de construir referida igreja e assim foi feito.

Havia um teatro em Abaeté denominado Theatro de Nossa Senhora da Conceição, que funcionava no alpendre da antiga Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, que se localizava na Praça do Divino ou Praça da Conceição, como era chamada pelos devotos de Nossa Senhora da Conceição. As peças teatrais, para arrecadação de fundos para a construção da nova Matriz, eram apresentados por um grupo de artistas amadores de Abaeté, que recebia o nome de Grupo Scênico de Abaeté e a Banda Paulino Chaves fazia o fundo musical dessas peças teatrais. Essa banda também participava das concorridas quermesses e soirés musicais promovidos por outro grupo de abnegadas mulheres que se envolveram nas campanhas de arrecadação de fundos, que era a Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club. Elas uniam o útil ao agradável, pois esse grupo foi fundado por estímulo do Padre Luiz Varella para compor a torcida feminina do clube de denominado Vera Cruz Sport Club, também fundado por esse ativo padre, nos embates futebolísticos contra outros antigos clubes de futebol de Abaeté, especialmente o seu grande rival dessa época, a Associação Sportiva de Abaeté. Porém essa animada torcida, além de apoiar o Club Vera Cruz, também deu uma grande contribuição nas campanhas de arrecadação de fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté.

Registro de 1919 cita a “Banda Paulino Chaves participando de eventos em prol da construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição”.

“A Banda Paulino Chaves também participando da campanha em prol da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, tocando nas quermesses da Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club e nos eventos teatrais do Teatro de Nossa Senhora da Conceição, fazendo o fundo musical das peças, apresentadas pelo Grupo Scênico de Abaeté”.

Maio de 1927: “Quermesse e espetáculo à Praça Nossa Senhora da Conceição, promovida pela Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club, sendo a segunda quermesse comandada pela Banda Paulino Chaves abrilhantando a festa, com disputa de mimos. Depois, às 08:00 horas da noite, reabertura do Theatro Nossa senhora da Conceição, com a comédia portuguesa “Como se Enganam Mulheres” e “A Boemia”, acompanhada por música. Trabalharão como atrizes e atores: Miloca Matos, as irmãs Osvaldina e Hilda Fonseca, Bararaty Franco, os irmãos Antônio e Prudente de Araújo, Elpídio Paes e Edgar Borges, pelo Grupo Scênico de Abaeté”.

O PADRE LUIZ VARELLA E A BANDA PAULINO CHAVES:

O Padre Luiz Varela era um incentivador dos desportos, da educação, da cultura e da música na cidade de Abaeté. Foi ele, com ajuda de amigos, quem fundou o Clube Vera Cruz, a Liga de Torcedoras do Vera Cruz, o Teatro de Nossa S. da Conceição e o seu “Grupo Scênico” e escolas no município. Como amante da música, junto com o Mestre Jerônimo Guedes, ajudou a fundar a Banda Musical Paulino Chaves, participando da diretoria da banda e que recorria às autoridades, para tentar seduzir os músicos da Banda Carlos Gomes para trocar de banda, devido ele estar atritado com os dirigentes da Banda Carlos Gomes. Esse assédio não produzia muito efeito, devido a fidelidade dos músicos da Banda Carlos Gomes. E a Igreja Matriz de Abaeté funcionava na antiga Igreja do Divino Espírito Santo, que surgiu de uma iniciativa particular. Essa igreja era um chalé em madeira e já estava em estado precário no início do século 20 e os devotos de Nossa Senhora da Conceição queriam que a Padroeira de Abaeté tivesse a sua própria Igreja.

O Padre Luiz Varella participava das diretorias do Vera Cruz Sport Club e da Banda Paulino Chaves.

Vide “Desavenças da Banda Carlos Gomes com o Padre Luiz Varella”.
Citações de 1927: “A Banda paulino Chaves, participando de passeata com os torcedores do Vera Cruz, cantando o hino do Clube denominado “O Onze Vera Cruz”.
O Blog do Prof. Ademir Rocha agradece pelo convite e vai adquirir os dois livros para servirem de fontes de pesquisas nas postagens do blog.
A quem se dispuser a ir ao lançamentos dos dois livros sobre a vida e obra do Maestro Paulino Chaves, o convite está feito.
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 22/11/2010.

Um comentário:

  1. Professor Ademir, olá!
    Também recebi o convite e fiquei surpresa e muito emocionada.
    Todos temos que lhe agradecer pelo árduo processo de pesquisa que já começa a render frutos culturais de grande valor histórico para todo o povo brasileiro.

    Parabéns, mais uma vez, Professor!

    Um abraço

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