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sexta-feira, 23 de julho de 2010

RELIGIÃO, IGREJA E VULTOS DE ABAETÉ









A RELIGIÃO CATÓLICA E A DEVOÇÃO POPULAR EM ABAETÉ


OS PADRES CAPUCHOS E JESUÍTAS EM ABAETÉ:

Mesmo antes da fundação do povoado de Abaeté a região já era visitada pelos padres das missões vizinhas de Camutá, Conde e Beja. Foram esses padres que iniciaram a catequização dos nativos locais, pois eles já desenvolviam trabalhos de missão muito antes da chegada de Francisco de Azevedo Monteiro em 1724.

Os padres capuchos da Ordem de Santo Antônio de Lisboa e de Nossa Senhora da Conceição da Beira, chegaram à Província do Pará em 1617.

No mesmo ano os padres capuchos da Ordem de Santo Antonio fundaram o Convento do Una em Belém, assim chamado por essa instalação ficar localizada às margens do igarapé Una.

Além da catequese dos gentios dos arredores de Belém, os padres passam a percorrer as terras onde habitavam os gentios de Camutá, Mortigura, Sumauma, Ilha do Marajó e outros grupos indígenas que estavam espalhados ao longo dos rios da região.

Nas suas visitas aos nativos de Camutá os padres também iniciam a catequização dos nativos que viviam à beira dos rios da região, inclusive os nativos de Abaeté. Vide citação abaixo sobre a visita do Bispo do Pará, D. Frei Caetano Brandão sobre os nativos já catequizados e miscigenados de Abaeté.

Quando os padres capuchos se retiraram das regiões de Conde e Beja em 1653, os mesmos foram substituídos pelos padres jesuítas, que percorrem os mesmos caminhos dos padres capuchos.

A fé católica em Abaeté continuou com o fundador da povoação, Francisco de Azevedo Monteiro, que era católico e devoto fervoroso de Nossa Senhora da Conceição e que esteve por estas terras para assumir a sesmaria que lhe fora destinada em 1712.

FRANCISCO DE AZEVEDO MONTEIRO E AS CAPELAS DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO:

Conta a história de Abaetetuba que a 1ª capela do local foi construída no início do século 18 como pagamento de uma promessa feita pelo fundador do povoado de Abaeté à Nossa Senhora da Conceição, o navegador português Francisco de Azevedo Monteiro, por ter sido salvo de um iminente naufrágio por conta de uma grande tempestade que ameaçava afundar a embarcação desse navegador, que vinha para tomar posse de uma sesmaria que lhe fora concedida para explorar as riquezas que por acaso ali pudessem existir. Após essa 1ª capela, que ruíra por ter sido construída com os mesmos materiais de construção das cabanas dos nativos locais, foi construída uma 2ª capela, que também ficou ameaçada de ruir e que foi abandonada devido estar localizada em local inadequado.

Em 12/6/1785, D. Frei Caetano Brandão em visita Abaeté: “...sua igreja era pequena, seus moradores eram brancos e mestiços, estes em número de mil e tantas almas, espalhados pelas suas roças e cacauais. As casas eram de palha, feias. O terreno era fértil. A produção era: cacau, café, arroz e mandioca. – D. Frei Caetano Brandão – memórias – Braga – 1867, II Edição.
Em 1833 a freguesia contava com 2.425 moradores livres e 1639 escravos, conforme Baena – Ensaios, 343 – em escravidão indígena e negra.

Na visita ao povoado de Abaeté, escreve: “...a igreja é pequena, mas bonita, em cujo redor existe um cemitério”.

A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO:

A devoção à Nossa Senhora da Conceição é bem antiga em Abaetetuba, que se iniciou através do navegador português Francisco de Azevedo Monteiro em 1724, quando foi erguida a 1ª capela dedicada a essa Santa e que perdura até os dias atuais.

Essa devoção à Virgem da Conceição finca raízes profundas no seio do povo católico de Abaeté e tudo gira em torno da devoção à Nossa Senhora da Conceição.

Eis algumas provas da devoção à Nossa Senhora da Conceição:

• Povoado de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, que foi o 1º nome dado ao povoado como homenagem à Nossa Senhora da Conceição e aos nativos locais. Era costume dos antigos missionários, dos tempos da colonização do Pará, denominar as localidades por eles catequizadas com nomes de santos. Posteriormente, em 1755, o Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do poderoso Marquês de Pombal, mudou os nomes das antigas aldeias de índios catequizadas pelos antigos padres missionários. Porém a devoção à Virgem da Conceição continua através dos anos.

• “Sorte de terras denominado Conceição, onde hoje está assentada a cidade de Abaeté, que era de propriedade da igreja”.

• Capelas de Nossa Senhora da Conceição, que foram: a 1ª Capela de Nossa S. da Conceição, construída por Francisco Azevedo Monteiro e a 2ª, construída pelo marajoara Manoel da Silva Raposo.

• Travessa de Nossa Senhora da Conceição, mudada popularmente para Travessa da Conceição, que era o caminho onde foram construídas as duas antigas capelas de Nossa Senhora da Conceição.

• 1º Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, que era o antigo municipal com o nome dessa Santa, mandado construir pelo Intendente Emygdio Nery da Costa (1894-1896) e que ficava ao redor da 2ª Capela de Nossa S. da Conceição.

• A Festa de N. S. da Conceição que surgiu, no início do século 20 e ela inicialmente acontecia na antiga Igreja do Divino E. Santo, localizada na antiga Praça do Divino, atual Praça Francisco de Azevedo Monteiro. Na mesma época surgiram as procissões do Círio de Nossa S. da Conceição e as procissões dos demais santos da devoção popular.

• Praça de Nossa Senhora da Conceição. As antigas festas de Nossa Senhora da Conceição eram realizadas na antiga Praça do Divino, também chamada pelo povo de Praça de Nossa S. da Conceição ou Praça da Conceição. Com a mudança dos festejos de Nossa S. da Conceição para a Praça Dr. Augusto Montenegro, essa praça passou a ser chamada de Praça de Nossa Senhora da Conceição, onde era montado o novo Arraial de Nossa S. da Conceição, por ocasião daqueles festejos.

• Theatro de Nossa Senhora da Conceição, que era o teatro onde o Grupo Scênico de Abaeté, nos anos de 1920, encenava peças teatrais na 1ª campanha de arrecadação de fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, teatro esse que funcionava no alpendre da antiga Igreja do Divino Espírito Santo.

• 2º cemitério de Nossa Senhora da Conceição, que corresponde ao atual Cemitério Público de Abaetetuba e para onde foram removidos os restos mortais de algumas figuras notáveis de Abaeté que estavam enterrados no 1º cemitério.

• Olaria de Nossa Senhora da Conceição, que era uma olaria administrada por Francisco de Assunção dos Santos Rosado, cujas vendas de seus produtos iam constituir o Patrimônio de Nossa S. da Conceição, para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté.

• Irmandade de Nossa S. da Conceição, que foi a Irmandade criada nos tempos da 1ª Comissão para arrecadação de fundos, anos de 1920, para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté Igreja Matriz de Nossa S. da Conceição, chefiada também pelo devoto Francisco de Assunção dos Santos Rosado e seus companheiros de diretoria.

• Largo ou Arraial de Nossa Senhora da Conceição, denominação que a antiga Praça do Divino recebia quando dos antigos festejos de Nossa S. da Conceição. Quando a nova igreja Matriz de Nossa S. da Conceição ficou pronta na antiga Praça Dr. Augusto Montenegro, o Largo ou Arraial de Nossa S. da Conceição passou a ser esse espaço em torno da nova Igreja Matriz.

• Banda Virgem da Conceição, que foi a banda musical fundada por Chiquinho Margalho, com a interferência dos padres capuchinhos, para se contrapor à Banda Carlos Gomes que estava em litígio com padres da Igreja Católica. Vide Club Musical Carlos Gomes.

• Imagem de Nossa Senhora da Conceição, que é a antiga imagem dessa santa e que traz alguns traços do estilo barroco e que é carregada nos círios e é exposta nos períodos da Festa de Nossa S. da Conceição (28/11-8/12), em Abaetetuba.

• Círio de Nossa Senhora da Conceição, que é a grande procissão que antes, tradicionalmente, era realizada no dia 28/11, dando início aos dias de festejos dessa Santa, em Abaeté. A 1ª procissão Oficial de Nossa Senhora da Conceição aconteceu no dia 8/12/1912, ainda na Igreja do Divino, situada na então Travessa Nova, em frente à Praça do Divino ou Praça da Conceição.

• O 1º Círio na nova Igreja Matriz de Nossa S. da Conceição: Há um registro do 1º Círio de Nossa Senhora da Conceição na nova Igreja Matriz de Abaeté: “As duas bandas de música, a Carlos Gomes, chefiada por Raymmundo Pauxis, tendo como Mestre de Banda o Sr. Chiquinho Margalho e a Banda Paulino Chaves, esta chefiada pelo mestre de banda Gerônimo Guedes e com 21 músicos, que participaram do 1º Círio de Nossa Senhora da Conceição em 1937”.

• A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição que era uma aspiração antiga do povo abaeteense e as ações para as arrecadações de fundos para a sua construção se iniciaram com o incentivo do Padre Luiz Varella nas primeiras décadas do século 20 e em 1936 essa igreja já estava quase concluída por força do idealismo de muitos católicos que mergulharam de corpo e alma nesse propósito de fé. Vide a postagem Construção da Nova Igreja Matriz de Abaeté.

• Barraca de Nossa S. da Conceição, que era o prédio anexo à antiga Igreja Matriz de Nossa S. da Conceição (Barraca da Santa) e que foi reformada no tempo dos primeiros padres xaverianos e onde aconteciam os Leilões de Donativos das Festas de Nossa S. da Conceição.

• Escola Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, que foi a escola que funcionou na antiga Barraca de Nossa Senhora da Conceição, no tempo da chegada dos primeiros padres xaverianos à Abaeté, nos anos de 1960.
• Centro Médico de Nossa Senhora da Conceição, nome dado atualmente ao antigo centro de saúde criado pelos primeiros padres xaverianos chegados à Abaeté, nos anos de 1960.
• Grupo de Escoteiros de Nossa Senhora da Conceição, nome dado a um antigo grupo de escoteiros de Abaeté.
• Ruas e travessas de Nossa Senhora da Conceição ou ruas e travessas da Conceição, que são várias ruas de Abaetetuba.

• Grupo de Alcóolicos Anônimos de Nossa S. da Conceição, nome dado a um grupo de recuperandos de bebidas alcoólicas que funcionava em uma das salas da Barraca de Nossa. S. da Conceição.
Enfim, a devoção à Nossa Senhora da Conceição é a mais antiga de Abaetetuba e vem desde a fundação do Povoado de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté no início do século 18.

A DEVOÇÃO AOS SANTOS NAS CASAS E COMUNIDADES DO MUNICÍPIO DE ABAETÉ:

Foram os padres capuchos, jesuítas e seculares do Bispado do Pará que lançaram as sementes de religiosidade no seio das comunidades abaeteenses, religiosidade essa reforçada pelos colonos portugueses que também trouxeram consigo sua religiosidade baseada na devoção aos santos da Igreja Católica. Essa religiosidade foi assimilada pelos antigos abaeteenses, que por sua vez, misturaram aquelas sementes de evangelização com os traços de sua cultura, na forma de cantos, danças, superstições, abusões, fatalismo, magia e outras superficialidades.

Porém, não foi propriamente o povo abaeteense que criou a religiosidade popular baseada na devoção aos santos. Foi a ausência prolongada de uma catequese mais consistente no tempo dos primeiros catequizadores. Estes, por força de algumas circunstâncias, só deixaram alguns ensinamentos da religião católica no seio dos nativos locais que, baseado na fé em um Deus desconhecido, passaram a praticar uma religiosidade baseada na devoção aos santos com suas imagens, procissões, ladainhas, danças, cantos, festas, arraiais e outros elementos dessa devoção.
Aquela antiga devoção popular em Abaeté passava por herança de pais para filhos, de forma que até os dias atuais a religiosidade do povo ainda é afetada pela religiosidade popular dos antigos católicos de Abaeté.

Algumas evidências da devoção popular à Nossa Senhora e aos Santos da Igreja Católica:
• As novenas e ladainhas cantadas em latim e ainda existem grupos folclóricos em Abaetetuba que ainda usam essas práticas que fazem parte da cultura local.
• O antigo costume das fitinhas amarradas nos altares dos santos ainda é comum na devoção aos santos.
• As festas de santos proliferaram por toda a cidade e pelo interior do município, com as práticas das novenas, ladainhas, leilões, círios, arraiais e até mesmo festas dançantes, após as celebrações religiosas.
• As antigas folias de santos ou esmolações onde grupos de músicos e cantores saíam pelas comunidades a fazer orações em forma de cantorias e danças em torno de determinados santos da devoção popular.
• Cada família católica da cidade e do interior do município possuía o seu oratório com as imagens de santos, quadros, folhetos, folinhas, livretos das novenas, castiçais, água benta, terços e rosários, medalhas, livros religiosos e outros objetos da devoção popular.
• Desconhecimento quase que completo dos Sacramentos, dos Mandamentos e o sentido das orações. Porém o povo possuía uma grande fé em Deus, que procuravam manifestar através de suas devoções.

ORGANIZAÇÃO DAS ANTIGAS FESTAS DE N. S. DA CONCEIÇÃO:

A devoção a Nossa S. da Conceição e aos santos populares seguia firme em Abaeté e as antigas festas de santos eram organizadas pelo povo católico, festas que aconteciam pela cidade e pelo interior do município.

Exemplo da organização de uma antiga festa de Nossa Senhora da Conceição:

Data do início da festa: 28 de novembro; Término da festa: 8 de dezembro.
Juiz Protetor: Raimundo Pauxis.

Juiz de Honra: Tenente Humberto Parente.

Juízes: Excelentíssimos Senhores: Aristides dos Reis e Silva, José de Carvalho Figueiredo, Abílio Souza, Davi Meira, José Pinheiro Baía, Miguel Silveira Ferreira, Aires Baia Matos, Elpídio Figueiredo, Deoclécio Viana, Zinho Cruz, Benjamir Nahum, Hilder Barros, Caboclo Ferreira, Felix Santos, Alaci Pinheiro Sampaio.

Diretoria: Presidente: Vigário Paroquial Frei Camilo Maia; 1º Secretário: João Luiz dos Reis; 2º secretário: José ferreira Ribeiro; Tesoureiro e Diretor geral: Joaquim Mendes Contente.

Membros: Hildefrides dos Reis e Silva, Emiliano de Lima Pontes, Raimundo Nonato ferreira, Oscar Solano, Raimundo Pauxis, Horácio Maués Cardoso, Bernardino Costa (como representante em Belém).

Juízas: Etelvina Villaça da Silva, Orlandina Lima de Sousa, Rosalina Carvalho Costa, Maria da Conceição Matos, Maria da Conceição N. Cardoso, Emercinda Maués Góes, Dalca Leite Cunha, Auta Correa Cardoso, Lucília Gonçalves Garcia, Mageli Felipe Ribeiro.

Juízes da Trasladação e Procissão: Pedro Ribeiro de Araujo, Fortunato Lobato, Crispim Ferreira, Licínio Ribeiro de Araujo, Raimundo Cardoso da Silva, Manuel V. Pinheiro de Sena, Horácio Lobato e Ildemar Correa Lima.

Juízas da Trasladação e Procissão: Catarina Pimentel Coutinho, Cezarina Lobato, Antonieta Paes Loureiro, Valdomira Cardoso, Olívia Chaves, Alice Vieira, Emercinda Maués Góes, Climéria Vencelar Cardoso, Ceci Lopes.

Diretor técnico da Iluminação: João Batista dos Reis e Silva. Juízes do Mastro: João Arlindo Frederico de Lima, Manuel Barbosa, Sebastião Lobato.

Juízes da Bandeira: Nirvana Silva de Souza.

Os demais antigos festejos de santos da Igreja Católica seguia o esquema acima e alguns chegavam a extrapolar e misturavam os motivos religiosos com os profanos, como os arraiais e até mesmo festas dançantes.

AS REFORMAS DOS PADRES XAVERIANOS:

Os padres xaverianos chegaram à Abaeté em 1961. Eles começaram a vislumbrar os grandes problemas sociais do município e para minimizar esses problemas eles iniciaram a fundação de escolas, centros de saúde e cursos de profissionalização para as famílias carentes da cidade.
Porém, foi a partir da década de 1970, já com a presença do 2º Bispo Prelado, D. Ângelo Frosi, que as reformas na Igreja Católica de Abaeté se intensificaram, de acordo com as mudanças preconizadas pelo Concílio Vaticano II, que foi uma reforma geral que atingiu todos os aspectos da Igreja. Agora deveria prevalecer a postura da igreja-templo, em que o centro da veneração e adoração deveria ser Jesus Cristo e não mais os santos da devoção popular.

Até mesmo a catedral sofreu uma reforma física radical e, nessa reforma, foram retiradas da igreja as inúmeras imagens existentes no interior da mesma, para desgosto de inúmeros fiéis que não entendiam e nem se conformavam com as explicações da nova postura da igreja. Junto com a reforma física da catedral aconteceu também a reforma das celebrações litúrgicas, a substituição dos antigos grupos religiosos pelas novas comunidades eclesiais e a antiga Paróquia de Abaeté foi dividida em setores, de acordo com os antigos bairros da cidade. Assim surgiram: Setor Centro, Setor Nazaré, Setor Algodoal, Setor São José e, à medida que a cidade ia crescendo, iam surgindo outros setores católicos, como: Setor Divino, Setor Santa Rosa, Setor Francilândia, Setor São Sebastião, Setor Cristo Redentor, Setor Angélica, Setor Mutirão, Setor S. João. Cada setor possuía o seu santo padroeiro e em cada setor era constituído por uma capela ou igreja e as suas comunidades católicas.

As festas religiosas também sofreram grandes mudanças, onde não mais eram as diretorias com os seus políticos, governantes e pessoas da sociedade que organizavam esses festejos e sim as pessoas das comunidades dos setores é que passaram a organizar as festas dos padroeiros do bairro. Agora, segundo os xaverianos, as festas de santos eram atividades que só dizem respeito aos fiéis das comunidades e estes, em assembléias, é que deveriam decidir como seriam realizados os festejos. Essa maneira de decidir os festejos de santos visava tornar as festas mais religiosas e menos profanas.

Muitos dos padres e freiras xaverianos que chegaram à Abaeté a partir do ano de 1961 já chegaram imbuídos das reformas que o Concílio Vaticano II e nos documentos dos sínodos dos bispos em Medellin/Colômbia e de Puebla/México que anunciavam a nova forma de evangelização dos povos e das celebrações litúrgicas.

O novo perfil do cristão que tais documentos traçavam era a exigência do homem novo, diante dos problemas sociais que se faziam presentes na vida das comunidades.

Assim, os recém chegados padres e irmãs iniciaram a busca e a construção de uma sociedade mais justa, digna e fraterna e, devido a essas exigências, era necessária uma evangelização baseado nessas premissas e as tarefas dos novos cristãos iam se configurando nesse perfil.

Assim, as velhas tradições que compunham a religiosidade popular do povo católico de Abaeté, vivenciadas pelas pessoas mais velhas, como as festas dos mastros dos santos, as ladainhas cantadas e tocadas, as comilanças, os teatros, as novenas, as devoções aos santos, assim como os antigos grupos católicos que deveriam ser gradativamente alteradas, dando lugar ao novo jeito de ser cristão na comunidade e nas práticas religiosas da igreja.

Essa nova política da Igreja não era bem aceita pelos cristãos tradicionais e pelos governantes e autoridades. Mas, aos poucos, com reuniões com famílias, jovens e comunidades, iam surgindo os primeiros animadores de comunidades, que aos poucos, iam consolidando as CEB-Comunidades Eclesiais de Base e seus agentes de pastorais.

Esse novo modo de ser Igreja abriu os olhos de muitas pessoas, da cidade, das ilhas e das estradas, com o despertar da consciência dessas pessoas para os direitos humanos, para a justiça social e para o empenho social e político nas várias esferas da sociedade e do poder. Muitos líderes surgiram a partir da chegada dos padres xaverianos à Abaeté, com a adesão à evangelização libertadora, que teve os seus méritos na formação de cidadãos, líderes e um povo mais esclarecido, lutando pelos seus direitos e pela justiça social.

Mudaram as pastorais, especialmente a dos jovens e das comunidades, que acabaram se tornando mais críticas, ao analisar as realidades sociais ao seu redor.

Enfim, a devoção popular não se encaixava nos parâmetros da Igreja Católica, como instituição, por que essas devoções estão altamente desvirtuadas das normas católicas, pelos excessos profanos que contém.

A DEVOÇÃO, A IGREJA E A COROA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO:

A festa do Divino Espírito Santo é uma antiga tradição praticada por leigos da Igreja Católica e sua história remonta aos tempos da Colonização Portuguesa, onde era muito forte na Ilhas dos Açores, uma das colônias de Portugal e que chegou ao Brasil através de açorianos que vieram para o Brasil. Também a festa do espírito Santo possui a sua irmandade, onde o mordomo era a figura central na organização dos festejos ao Divino espírito Santo. O mordomo fazia a recolha dos fundos, coordenava a realização dos festejos e se constituía a autoridade suprema a que todos os irmãos deviam obediência.

A festa do Divino Espírito Santo era realizada no princípio do mês de setembro. A Festa do Divino, com muito de seu aparato folclórico, perdurou por muitos anos em Abaeté, mas sofreu modificações da Igreja local, perdendo muito de seu aspecto popular, para se transformar numa típica festa religiosa de santo.

Eram os adeptos da Festa do Divino que se cotizavam e mandavam confeccionar tudo o que era necessário a esses festejos.

Inclusive a rica Coroa do Divino, que era uma peça sacra, confeccionada em ouro puro e incrustada de pedras preciosas.

O Episódio do Padre Paranhos e os Confrades do Divino em 1912:

“O Padre Alcides Paranhos, que era vigário da Igreja de Vigia veio a Abaeté à pedido do Arcebispo D. Santino Coutinho, no ano de 1912, em uma visita pastoral. Como em Abaeté existiam os festejos do Divino Espírito Santo, que seguia algumas características das festas realizadas em muitos lugares do Brasil, esse padre, se apossou da Coroa do Divino Espírito Santo, que era um forte símbolo desses festejos, uma peça sacra, toda confeccionada em ouro puro, incrustada de algumas pedras preciosas, peça adquirida com muitos esforços pelos confrades da Festa do Divino, possuindo um alto valor material e espiritual e um grande valor cultural para Abaeté. Sem essa peça a festa do Divino não tinha sua razão de ser. Pois bem, o Padre Alcides Paranhos levou de Abaeté essa peça e hoje não se sabe o seu destino, se está guardada na cidade de Vigia ou Belém do Pará. Esse fato desagradou a toda a comunidade católica de Abaeté.

Mas os confrades do Divino não desanimaram e partiram para a aquisição de outra Coroa do Divino, só que confeccionada em prata, devido aos altos custos de outra peça em ouro. Os confrades do Divino que mandaram confeccionar a nova peça em prata foram: Joaquim Loureiro da Silva, Arlindo Lobato, José Fortunato, Conrado Ferreira Melo. A nova peça foi usada nos festejos do Divino por três anos, antes que os padres da época determinassem o fim desses festejos, por considerá-lo fora dos esquemas da Igreja católica.

A coroa em prata ficou em poder do Sr. Pedro Loureiro e, como este tinha receio de que o Frei Hermes pudesse também levá-la consigo, à exemplo da coroa em ouro, entregou a peça à guarda de uma comissão, composta dos cidadãos Prudente de Araujo, Idália de Araujo Villaça e Joana de Araujo Reis. Essa peça ia passando de família para família, mesmo que as festas do Divino não mais estivessem acontecendo.

O Frei Hermes tentou levar essa nova peça em prata consigo, não conseguindo devido essa relíquia passar de mãos em mãos dos confrades, devido a experiência anterior com o Padre Alcides Paranhos. Por fim, a peça em prata foi entregue a uma comissão formada por Prudente Ribeiro de Araujo, Idália de Araujo Villaça e Joana de Araujo Reis e assim a peça em prata passava de família à família de Abaeté. Dizem que essa peça sacra ainda existe e está guardada na casa de algum daqueles antigos confrades da festa do Divino.

Sobre a festa do Divino Espírito Santo e sobre as coroas, existem as seguintes citações:

• 1908: A partir de 28 de maio se iniciam os festejos do Divino Espírito Santo, com Rosário do Divino, novena e música no arraial executados pela Philarmônica Henrique Gurjão e com leilões.
• 1909: A Festividade do Divino Espírito Santo, a ser realizada na Igreja do Divino sito na Praça Matriz do Divino Espírito Santo, tendo o professor Horácio de Deus e Silva fazendo parte da organização da festa.

• Citação de 1909: Novena em honra ao Divino Espírito Santo, com festividade de 28 de maio a 7 de junho. Após a celebração religiosa a Banda Henrique Gurjão executará peças musicais. Haverá leilões de prendas oferecidas ao Divino Espírito Santo.

• Romaria do Divino Espírito Santo, com novenas e música no arraial à cargo da Philarmônica Henrique Gurjão.

• Em Beja existia a Banda “Sai Cinza”, sob a direção do Sr. Manoel Joaquim do Nascimento. Essa banda e mais a Banda Paulino Chaves, abrilhantaram os nove dias dos festejos do Divino Espírito Santo, que era outra grande festa religiosa popular em Beja.

DEVOÇÃO E FESTA DE SANTA LUZIA:

Santa Luzia é uma santa muito popular no meio do povo católico, cuja festa ocorre nos dias 9 a 13 de dezembro. Segundo a crença popular católica é a santa que protege e resolve os problemas de visão. Viveu no tempo do Império romano e, por não aceitar os deuses do paganismo, foi presa, torturada e teve os seus olhos arrancados. Mas no dia seguinte estava com os seus olhos novamente e em perfeitas condições. Foi mártir nos primeiros séculos do cristianismo, ano 300 d.C. É considerada a “Protetora dos Olhos”.

Em Abaeté, a Igreja de Santa Luzia ficava ali onde hoje é a residência das Irmãs Xaverianas. Essa igreja é citada em documentos de 1927.

A festividade de Santa Luzia era organizada pelo Professor Maxico e outros devotos de Santa Luzia e era realizada em terreno doado pelo Sr. Joaquim Loureiro e que ficava na antiga travessa de Santa Luzia, hoje parte da Avenida 15 de agosto. Foi o Padre Magalhães quem incentivou a construção de uma igreja para Santa Luzia.

Até mesmo a rua onde ficava a igreja era denominado de Travessa Santa Luzia, hoje é a atual Av. 15 de Agosto. A rua que ficava em frente ao largo de Santa Luzia era a R. Siqueira Mendes, que recebeu, também, a denominação de Siqueira Campos.

A construção da Igreja de Santa Luzia iniciou no ano de 1930. Mas essa igreja nunca chegou a ser concluída, permanecendo apenas uma construção inacabada, mesmo porque o devoto Professor Maxico/Maximiano Antonio Rodrigues foi impedido pelo Padre Chagas/Padre Francisco das Chagas a dar continuidade a essa obra, por achar que o local de sua construção ficava muito próximo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da conceição. O Padre Chagas, inclusive, o destituiu da direção dos festejos da Santa e se apropriou indevidamente das imagens de Santa Luzia e de São Benedito, que eram de propriedade do professor. O local onde essa igreja ficava era conhecido como “Largo de Santa Luzia”.

Mas a devoção à Santa Luzia, por esforços de alguns devotos, continuou a se manifestar em Abaetetuba. Seus festejos aconteciam na Capela de São Pedro à Avenida Pedro Rodrigues, enquanto um grupo de pessoas se movimentava para a construção de uma nova capela de Santa Luzia.

DEVOÇÃO E FESTA DE SÃO RAIMUNDO NONATO:

São Raimundo Nonato é um dos santos mais populares da Igreja Católica. É invocado como patrono dos vaqueiros e das parturientes e é considerado o santo dos sertanejos. São Raimundo Nonato é festejado a 31 de agosto.

Raimundo nasceu na Catalunha, Espanha, em 1200. Seus pais eram nobres, porém não tinham grandes fortunas. O seu nascimento aconteceu de modo trágico: sua mãe morreu durante os trabalhos de parto, antes de dar-lhe à luz. Por isso Raimundo recebeu o nome de Nonato, que significa não nascido de mãe viva, ou seja, foi extraído vivo do corpo sem vida de sua mãe.

O Início da devoção à São Raimundo Nonato com Hermínio Pauxis:

Uma citação: “O musicista Hermínio Antônio da Silva Pauxis, formado pelo Arsenal de Guerra, sediado em Belém do Pará, retornando ao seu torrão natal – Abaeté – tomou a iniciativa de fundar uma escola musical, convidando para auxiliá-lo Adalberto Benedito Rodrigues, também musicista vocacionado, pelos idos de 1879. Como alunos iniciais: Antônio Luiz Gonçalves Chaves, que aprendeu a tocar pistão; Felippe Santiago de Araúno, que aprendeu tocar clarinete; Luiz Joaquim de Araújo, que aprendeu a tocar contrabaixo (estes 3 eram irmãos); Raimundo de Araújo Borges, que era bumbeiro e pratilheiro e seu irmão Paulo de Araújo Borges, que tocava oficlides em dó (instrumento raro e já em extição); seu enteado Manoel Joaquim da Silva Lobato, que tocava trompa”.
“Inicialmente a escola foi denominada “31 de Agosto”, que era o dia de São Raimundo Nonato, Santo de quem Hermínio Pauxis era devoto.

A festa de São Raimundo Nonato foi introduzida em Abaeté pelo musicista Hermínio Pauxis, que fez esse santo patrono do Clube Musical Carlos Gomes e cujos festejos eram realizados no período de 27 a 31 de agosto. A festa de S. Raimundo Nonato era também realizada na antiga Praça do Divino e contava com o apoio de uma grande irmandade, a Confraria de S. Raimundo Nonato, que contava com mais de 350 confrades. Os dirigentes da festa de S. Raimundo entraram em desavenças com os padres da igreja e os festejos entraram em fase de decadência nos anos de 1940. Vide as postagens sobre a Banda Musical Carlos Gomes.

DEVOÇÃO E FESTA DE SÃO SEBASTIÃO:

O Glorioso Mártir São Sebastião tinha muitos adeptos em Abaeté. Essa antiga devoção perdurou de 1900 a 1940, principalmente através do apoio do Pe. Pimentel e da grande Irmandade de São Sebastião e do Clube Musical Henrique Gurjão. 1908 foi o ano do auge da devoção a esse santo e entre seus confrades se destacavam: Pe. Pimentel, maestro Horácio de Deus e Silva, a família Pereira de Barros, entre os quais o Professor Bernardino P. de Barros, a família Araujo, entre os quais Felipe Santiago de Araujo.

DEVOÇÃO E FESTA DE SÃO BENEDITO:

Citações em 1908: “A festividade de São Benedito com missa, procissão, Te Deum Laudatio, leilão e música de banda”. A festividade de São Benedito era realizado no mês de maio.

O culto à S. Benedito vem desde os remotos tempos da escravidão negra no Pará, devido São Benedito ser de cor negra e cujo culto se iniciou nas fazendas e senzalas através dos escravos negros. Depois, a devoção a São Benedito, passou a fazer parte dos fiéis católicos da cidade. Um de seus grandes devotos do passado era o Prof. Maximiano Antonio Rodrigues, que possuía uma grande imagem desse santo, que lhe foi confiscada, juntamente com a imagem de Santa Luzia, pelo Pe. Francisco das Chagas, pároco de Abaeté nos anos de 1960. O professor também foi tirado da organização das festas de S. Benedito e de Santa Luzia. Somente anos mais tarde, com a chegada dos padres xaverianos à Abaeté, é que as imagens daqueles santos foram restituídas ao professor, com a interferência do Bispo D. João Gazza. São Benedito era festejado no mês de maio.

DEVOÇÃO E FESTA DE SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS:

Teresa de Lisieux ou Santa Terezinha ou Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, era francesa e nasceu em Aliçon em 1873 e morreu no ano de 1897. Sua vocação era o amor e que o Coração de Jesus foi feito para amar. Entrou com 15 anos no mosteiro das Irmãs Carmelitas. Sua vida era: humildade, simplicidade e confiança em Deus. Oferecia seus gestos e sacrifícios sempre a Deus, pela salvação das almas e pela intenção da Igreja. Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face vivia como criança para o pai, livre, aos cuidados do Menino Jesus e tomada pelo Espírito de Amor, sua pequena via de sua infância espiritual vivido com muito amor e alegria. Queria ser missionária.

Tornou-se a Intercessora dos missionários, sacerdotes e pecadores que não conheciam Jesus. Foi proclamada Padroeira das Missões em 1927, Padroeira Secundária da França em 1944 e Doutora da Igreja, que nos ensina o caminho da santidade pela humildade em 1997, na data de seu centenário.

Santa venerada em Abaeté e cuja festa e novenas eram realizadas na Igreja do Divino E. Santo. Essa santa possuía a sua irmandade, conforme documentos de 1932.

Citação de 1932: “A diretoria da Festa de Santa Terezinha do Menino Jesus, requerendo à prefeitura, a Praça de Nossa Senhora da Conceição, em pedido de 5/10/1932. A festa seria realizada de 12 a 16 de outubro de 1932”.

DEVOÇÃO E FESTA DE SÃO MIGUEL ARCANJO:

É o mais antigo festejo de santo de Abaeté e era realizada na antiga Povoação de Beja, a partir dos antigos padres jesuítas, que iniciaram a construção de uma igreja dedicada ao já chamado Glorioso São Miguel de Beja. A festa era realizada no fim do mês de setembro, com o dia da festa em 29 de setembro. O auge da Festa de São Miguel de Beja foi o período do Pe. Pimentel e da família Pimentel Coutinho, que organizavam memoráveis caravanas de fiéis de Abaeté até a Vila de Beja nas décadas de 1940, 1950.

DEVOÇÃO E FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS:

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma expressão da piedade eclesial. Essa devoção é conseqüência das aparições de Nosso Senhor à Santa Margarida Maria Alacoque, no Mosteiro de Paray-le-Monial. A partir de 1673 esse culto teve um incremento notável.

Citações: Anos 1920: O Padre Clotário de Alencar, solicita ao Vera Cruz, ajuda para os festejos do Sagrado Coração de Jesus e a ajuda foi de dez mil réis, na forma de espótula.

Há referência dessa irmandade em Abaeté em 1928: Festa do Sagrado Coração de Jesus, com programas, diretoria, mordomos e mordomas. A Irmandade do Sagrado Coração de Jesus ainda é citada em documentos de 1947. A festa do Sagrado Coração de Jesus era realizada no mês de junho.

A DEVOÇÃO E A SOCIEDADE SÃO VICENTE DE PAULA:

São Vicente de Paula nasceu no dia 24/4/1581 e foi batizado no mesmo dia de seu nascimento. Vicente nasceu na França e era pastor de ovelhas e de porcos. Desde pequeno possuía uma grande fé. Ele colocou uma imagem da santíssima Virgem no buraco de um carvalho, na frente de sua casa, onde diariamente se ajoelhava e fazia as suas orações. Aos domingos ia à aldeia para a missa e o catecismo. O vigário aconselhava seus pais a colocá-lo em uma escola. Foi matriculado em um colégio de padres franciscanos e fez seus estudos teológicos na Universidade de Tolusa. Tornou-se sacerdote no dia 23/9/1600 e doutor em Teologia. Recebeu a herança de uma mulher da paróquia. Ao ir receber a herança, foi aprisionado por piratas turcos e foi levado para a Turquia. Em Túnis foi vendido várias vezes como escravo. Certa vez, cantando, sensibilizou a esposa de um turco, que antes era católico. A mulher censurou o marido por ter deixado uma religião tão bonita. O patrão de Vicente foge com ele num pequeno barco pelo Mar Mediterrâneo onde foram dar nas Costas francesas, em Aignes Nortes e de lá chegaram até Avinhão. Eles se encontraram com o Vice-Legado do Papa e Vicente voltou à sua condição de padre.

A Sociedade São Vicente de Paula é uma entidade prestadora de socorro aos pobres e excluídos ou em fase de exclusão na comunidade onde existem. Está presente em 170 países e na base da Sociedade São Vicente de Paula estão as Conferências, onde seus membros vicentinos, confrades e consorciais, executam o trabalho de visitação, percepção das necessidades e socorro ás pessoas famintas e carentes de misericórdia.

A Sociedade São Vicente de Paula ou Confraria de São Vicente de Paulo/Conferência Vicentina, foi fundada em Abaeté, no tempo do Padre Magalhães (1932 a 1934), no auge da Construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, no ano de 1934 e foi regularmente registrada no Cartório de Abaetetuba no dia 22/10/1955 (tempo dos padres capuchinhos (1939 a 1957), sob o nº 127 e também registrada, no mesmo cartório, no dia 2/10/1957, sob nº 136. Lv. B-1. A finalidade da Conferência Vicentina em Abaeté era assistir semanalmente famílias desamparadas, levando auxílio material, porém sempre acompanhado de um auxílio moral religioso e procuravam não só ajudar o pobre nas necessidades, mas aconselhavam para que ele pudesse ajudar-se a si mesmo, até tornar-se auto-suficiente e, assim, viver dignamente.

A Comunidade Vicentina de Abaeté destoava das demais comunidades locais por possuir um carisma baseado na vida de São Vicente, que procurava olhar o próximo necessitado com um olhar de caridade fraterna, sem incorrer em demasia na devoção popular.

Registros da Sociedade São Vicente de Paula em Abaeté:

Em 1982 a sociedade cobrava mensalidades dos confrades, sendo Maria de Nazaré Carvalho Lobato a confrade responsável pelas cobranças. Outros nomes de confrades Maria José Santos Costa, Marcela Josephina Parente, Raimunda Maués de Moraes.

Os Vicentinos iniciaram a construção de um hospital e nesse local hoje funciona a escola Instituto Nossa Senhora dos Anjos-INSA, das então missionárias capuchinhas, terreno e prédio cedido pelo governante da época Joaquim Mendes Contente (1951-1955).

DEVOÇÃO E FESTA DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ:

Como as demais devoções antigas, Nossa S. de Nazaré também era festejada na Igreja do Divino Espírito Santo de 1 a 8/9 e sua devoção vem desde o ano de 1920.

Em 1919 o Major João Roberto dos Reis era o Diretor-Geral da Festividade de Nossa Senhora de Nazaré, que nesse tempo, era realizada na antiga Praça da República.

Após a construção da nova Igreja Matriz, nos tempos dos padres capuchinhos, a festa de Nossa S. de Nazaré passou a ser festejada nessa nova Igreja. Essa festividade tomou corpo, principalmente devido a influência do Círio de Nossa S. de Nazaré, em Belém.

A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, também foi uma iniciativa de particulares, católicos como Hildefrides dos Reis e silva, Aldemos Maués e muitos outros devotos de Nossa S. de Nazaré, que, pela quantia de 4 mil cruzeiros, adquiriram o terreno onde foi edificada a capela. Nessa capela se venerava e se festejava Nossa S. de Nazaré, no início de setembro.

Foi escolhido o bairro de São Lourenço para a construção da capela e ali, nos anos de 1940, foi erguida a capela dedicada a Nossa Senhora de Nazaré em Abaetetuba.

OUTRAS ANTIGAS FESTAS OU DEVOÇÕES AOS SANTOS:

Devoção a São Camilo de Lélis e sua Cruzinha e Medalha.
Devoção a Nossa S. do Perpétuo Socorro.
Devoção a Nossa S. das Graças.
Devoção à Santo Antonio e à sua “corrente” de Santo Antonio, com as 25 cópias que deviam ser distribuídas.
Devoção à Santa Rita.
Festa de São José, que era estejado de 25 a 31 de março.

DEVOÇÃO AOS SANTOS DA QUADRA JUNINA:

Os santos da quadra junina eram objeto de muito culto no município de Abaeté e eram muito festejados nessa quadra com direito a festas de terreiros com quebra-potes, paus-de-sebo, fogos, comidas típicas, casamentos de roças, fogueiras, banhos de cheiros, cordões de bois e de pássaros e muita alegria. Eram festas do folclore junino, genuinamente popular, onde a Igreja Católica não possuía influência. Foi a partir da devoção aos santos da quadra junina que se iniciaram em Abaeté as festas dançantes, após as funções religiosas das festas de santos. Vide abaixo algumas festas de santos com festas dançantes após as funções religiosas.

Essas festas surgiram na Europa, inicialmente com os festejos de São João, onde no século 6, os cristãos associaram as festas pagãs das fogueiras ao aniversário de São João, cujo nascimento foi anunciado com uma fogueira e a partir daí no século 13, os portugueses passaram a comemorar também as noites de Santo Antonio e S. Pedro com as fogueiras.

No Brasil essas festas existem desde o ano de 1583, trazidas pelos colonos portugueses.
Em Abaeté já há registros dessas festas desde os anos de 1905, com a presença de cordões de pássaros e dos cordões de bois na cidade e pelo interior do município.

As Festas de Santos da Quadra Junina:

Santo Antonio:
Santo Antonio de Pádua, santo do século 13 que morreu no dia 13 de junho, em Pádua, na Itália, aos 36 anos de idade. Nasceu em Lisboa, Portugal, em 1195. A tradição popular lhe atribui caráter brincalhão e fama de ser milagroso casamenteiro, venerado pelas moças solteiras. Também a ele se recorria para achar objetos perdidos. Sua festa foi incorporada às comemorações juninas em Portugal, tradição trazida pelos colonos para o Brasil. Aqui foram acrescentadas outras crendices e superstições aos festejos de Santo Antonio.

São João:
São João nasceu no dia 24 de junho e era primo de Jesus Cristo e o seu Precursor. Conta a lenda que Santa Isabel, a mãe de S. João, teria anunciado o nascimento do filho à Maria, Mãe de Jesus, acendendo uma grande fogueira.

São Pedro:
São Pedro era festejado no dia 29 de junho, dia de sua morte, quando foi crucificado de cabeça para baixo, sete anos após a crucificação de Jesus. Foi o 1º Papa da Igreja Católica, investido diretamente por Jesus Cristo, que lhe entregou, simbolicamente, as chaves do Céu, que significa o 1º chefe da Igreja, aquele que deveria apascentar o rebanho de Cristo.

São Marçal:
São Marçal, o santo festejado no último dia do mês de junho. Diz a lenda que esse santo era quem preparava os fogos para os festejos dos santos da quadra junina. No dia 31 já não mais existia lenha para ser queimada e o jeito era queimar os paneiros e palhas que sobravam dos festejos. Isso explica porque as fogueiras de São Marçal são feitas com paneiros e palhas.

ALGUMAS FESTAS RELIGIOSAS DE ABAETÉ COM FORTE INFLUÊNCIA DA CULTURA DAS FESTAS DANÇANTES:

As festas de santos em Abaeté se tornaram parte da cultura do povo de Abaeté e do interior do município e, como parte dessa cultura existiam as festas dançantes, após as funções religiosas dos santos da devoção popular. Algumas localidades com esse costume:
• Na Costa Maratauíra, Festa de Nossa Senhora do Carmo, na casa de Raimundo Coforote.
• No Rio Belchior, Festa de São Benedito, na casa de Raimundo Belchioara.
• Cabeceiras do Rio Itacuruçá, festa de santo no barracão de Maria Farinha.
• No Arapapu-Boca, festa de santo na casa de Biti Pinheiro.
• Rio Maracapucu, festa do Bom Jesus, na casa do Velho Pachola.
• Rio Furo Grande, festa de Santa Terezinha.
• No Rio Arumanduba, festa de Santo Antonio, na casa de Velha Angélica.
• No Arumanduba, festa de Santo Antonio, na casa de Servino Barreto.
• No Rio Paramajó, festa de Santo Antonio, na casa de Manoel Churu.
• No Rio Caripetuba, festa de Nossa S. de Nazaré, na casa de Velha Cordolina.
• No Rio Xingu, festa de São Tomé, na casa de Maurício.
• No Rio Sirituba, festa de São Miguel, na casa de Joaquim Belo.
• No Rio Jarumã, festa de São Miguel, na casa de Beca.
• No Rio Camotim, festa de São Miguel, na casa de Adalberto Alves.
• No Rio Guajarázinho, festa de São João, na casa de Luiz Sarges.
• No Rio Maúba, festa de santo.
• No Rio Ajuaí, festa de santo.
• No Rio Pirocaba, festa de santo na casa de Luiz Pezinho.
• No Rio Anequara, com festa de santo.
• No Rio Maracapucu, festa de Santo Antonio, na casa de Antonio Pereira.
• No Rio Abaeté, festa de santo.
• No Rio Acaraqui, festa de santo, casa de Manoel José de Sena.
• Na Vila de Beja, festa de São Miguel de Beja, na casa de Raimundo Pauxis.
• Na Vila de Beja, festa de São Miguel Arcanjo, na casa de Pimentel.
• No Rio Curuperé, festa de Nossa S. de Nazaré, na casa de Manezinho Lobato.
Com a chegada dos padres xaverianos à Abaeté nos anos de 1970 essas festas de santos foram reformadas e aquelas antigas comunidades se constituíram nas novas comunidades da Igreja Católica.

AS FOLIAS DE SANTOS E ESMOLAÇÕES EM ABAETÉ:

Custódio de Melo era um famoso esmoleiro das folias de santos nas ilhas e cidade de Abaeté, ajudado por seus familiares. Assim como ele e seu grupo, existiam vários outros grupos de esmoleiros espalhados pelas ilhas de Abaeté, como Panacuéra, Caripetuba, Assacu, Prainha e outras localidades.

A comitiva dos foliões chegava de reboque, formado por cantadores e tocadores com tambor, viola, pandeiro, reque-cheque, clarinete de folha e passavam a tocar e cantar as folias e, no fim, os santos esmolados recebiam a recompensa em dinheiro ou outras ofertas, para custear a viagem e pagamento do remeiro, sem contar as rendas das amarrações de fitas. Eles chegavam pela manhã e ficavam tocando e cantando com pausas, ficando até o anoitecer, almoçando e jantando e dormindo nas casas que os recebiam, indo embora no amanhecer do outro dia. Após as rezas, sempre se dançava, porque havia músicos para tocar flautas de itaboca, de embaúba, flauta verdadeira, clarinete, violas rústicas e outros instrumentos musicais.

Nilamon Xavier de Senna, tocava nas festas de santos, folias, ladainhas que compunham a religiosidade popular dos povos das ilhas e na cidade. Tocava nas festas dançantes na cidade e ilhas, nas peças teatrais, cordões juninos, cordões de pássaros (tucano, andorinha, etc), cordões de bois. Era o Nilamon que liderava a parte musical dos cordões juninos.
A Folia de Nossa S. de Nazaré, em Caripetuba, teve como um de seus fundadores o Sr. Francisco de Assis Gomes Lobato, com 69 anos em 2008, que também era tocador da Folia de S. Miguel.
Vários outros santos eram esmolados pelo interior do município, sendo os principais: Bom Jesus da Vila de Conde, São Miguel, São João, Santo Antonio, Nossa S. de Nazaré de Caripetuba.
Nas esmolações de santos aconteciam as arrecadações de ofertas: dinheiro, donativos, alimentos, etc. oferecidos pelos promesseiros.

Quem pagava os grupos de foliões era o devoto, que recebia o santo em sua casa.

Os instrumentos principais das folias eram: violas, tambor, cuíca, cheque-cheque, pandeiro e reco-reco. As melodias tinham sempre frases repetidas. Muitas melodias eram cantadas em latim vulgar, latim que aprenderam com os frades capuchinhos. A iluminação ficava por conta das lamparinas, velas e candeeiros

ANTIGOS GRUPOS CATÓLICOS DA DEVOÇÃO POPULAR EM ABAETÉ:

Confrarias, irmandades ou ordens terceiras são associações religiosas de leigos, no catolicismo tradicional, que se reuniam para promover o culto a um santo. Surgiram na Europa durante a Idade Média e espalharam-se nas colônias portuguesas. No Brasil existiram muitas confrarias e elas foram o meio que os negros escravos encontraram para manifestar, disfarçadamente suas crenças africanas, gerando um verdadeiro sincretismo religioso entre essas crenças e o catolicismo. As confrarias ou irmandades eram regidas por estatutos ou compromissos e arrecadavam fundos entre seus associados, chegando, algumas delas, a herdar a herança de seus congregados, sendo que algumas se tornaram tão ricas que elas possuíam as suas próprias capelas ou igrejas, construídas com os recursos dos irmãos. Cada organização dessas tinha o seu santo padroeiro, a quem rendiam culto. As ordens terceiras se difundiram entre os beneditinos, carmelitas, franciscanos, capuchinhos e jesuítas. No Brasil as mais atuantes foram a Ordem terceira do Carmo e a ordem Terceira de São Francisco da Penitência, hoje Ordem Franciscana Secular. Eram organizações essencialmente leigas e os religiosos atendiam somente nas orientações espirituais.

Algumas associações de fiéis católicos em Abaeté eram associações civis e com estatutos próprios e com diretorias, na forma de irmandades e confrarias que festejavam seus santos acompanhados de muitos motivos profanos, como os folguedos, fogos, músicas de orquestras, teatros, comidas e bebidas, leilões, que constituíam os famosos arraiais, nas festas católicas. Também possuíam os motivos religiosos propriamente ditos, como as missas, novenas, procissões, ladainhas, orações, sermões, etc.

Existiam também os antigos grupos eclesiais que eram ligados diretamente à Paróquia de Abaeté como As Filhas de Maria, a Congregação Mariana, o Apostolado da Oração, a Ação Católica e outros.

As festas de santos das associações civis de Abaeté eram organizadas por uma diretoria.

Na diretoria das antigas festas religiosas constavam os mordomos, mordomas, juízes e juízas e os demais membros da organização dos festejos.

A IRMANDANDE DE NOSSA S. DA CONCEIÇÃO E FRANCISCO DE ASSUNÇÃO DOS SANTOS ROSADO:

Citações de 1924: “Estatutos da irmandade de Nossa Senhora da Conceição, encarregada da construção da Igreja Matriz”.“O Senhor Francisco de Assunção dos Santos Rosado, dedicado tesoureiro da grande comissão encarregada da construção da nova igreja, com livro caixa e balancetes”.

Um dos motivos para a criação da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição foi o sonho da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. De fato, seus associados também trabalharam ativamente nas campanhas para arrecadação de fundos para a construção da igreja. A Irmandade de Nossa Senhora da Conceição possuía até mesmo os seus estatutos “Estatutos da Irmandade Nossa Senhora da Conceição, encarregada da construção da Matriz de Abaeté”. A Irmandade possuía diretoria: Registro de 1919: “Francisco de Assunção dos Santos Rosado, thesoureiro da construção da Igreja Matriz e, depois, José Antonio de Castro, como novo thesoureiro”.“Construção da Igreja Matriz de Abaeté, tendo à frente o Padre Luiz Varella e Francisco de Assunção dos Santos Rosado, thesoureiro da construção da Matriz, em 30.12.1924”. “O Sr. Francisco Assunção dos Santos Rosado, dedicado thesoureiro da grande comissão encarregada da construção da nova Igreja Matriz, com livro caixa e balancete”. “Presidente da Comissão em prol da construção da Matriz, José Antonio de Castro”. “Espera a Diretoria o auxílio do povo, para realizar o ideal de todos nós, a construção da Igreja Matriz”. “A Lancha Tucumanduba de propriedade do Sr. Coronel Maximiano Cardoso, levando a Comissão da construção da Matriz: Padre Luiz Varella, Francisco Assunção dos Santos Rosado, José Antonio de Castro, Theodomiro Amanajás de Carvalho e Amphiano Quaresma, presidente, thesoureiro e membros da Comissão, em busca de fundos nas localidades limítrofes como Cametá, Muaná, Igrarapé-Miry. Resultado pífio”.

A ORDEM TERCEIRA FRANCISCANA:

Era um grupo de ação pastoral, sustentado pelos padres capuchinhos e pelas irmãs e alunas do Instituto Nossa Senhora dos Anjos-INSA e que subsiste até os dias atuais.

Citações:

Os franciscanos organizaram a Pia União das Filhas de Maria, a Associação do Apostolado da Oração, a Ordem Terceira de São Francisco de Assis, a Obra das Vocações Sacerdotais, a Cruzada Eucarística Infantil e a Congregação Mariana.

Além da escola, as irmãs franciscanas foram muito atuantes no âmbito paroquial, formando as jovens para dedicar-se à vida consagrada, formando catequistas, grupos de jovens, catequese na cidade e no interior do município, enfim, as irmãs e muitas de suas alunas, eram dedicadas colaboradoras dos frades no apoio ao serviço pastoral e formação espiritual e nos serviços e funções da Igreja.

A CONGREÇÃO MARIANA OU A CONGREGAÇÃO DE MARIA:

Congregado, significa juntos ou reunidos. Mariano significa aquele que presta o devido culto e respeito à Virgem Maria, Mãe de Jesus, portanto, Mãe de Deus. O congregado mariano é aquele que reconhece a virgem Maria como sua mãe e intercessora, que compreende que, na pessoa de Maria Santíssima Menina, manifesta-se a Glória de Deus. O congregado mariano é, acima de tudo, uma pessoa de oração, que se coloca na condição de servo, cooperando ativamente, sob a graça da direção e autoridade da Igreja, na obra de Maria.

Para ser um congregado mariano é necessário ser batizado, ter uma formação catequética básica e participativa dos sacramentos da Igreja, sobretudo do Sacramento da Eucaristia. É preciso consagrar-se à Nossa senhora e participar ativamente das reuniões. Nesses encontros, além de contar com a parte espiritual e de formação, também há os momentos de lazer e de entrosamento. A Congregação Mariana é uma associação para toda a família, dividida em três etapas: os marianinhos, para os meninos e meninas; os jovens marianos, para moças e rapazes, estudantes e universitários e a parte dos marianos para adultos e casais.

A Congregação Mariana supõe deveres: ser cristãos verdadeiros, de confiança e sem falsidades, sério, disponível e dócil à ação do Espírito Santo: ser orante, vigilante, prudente e amante da Eucaristia, sendo dotado de um profundo espírito apostólico, praticando as virtudes cristãs e, principalmente, confiar e amar Nossa Senhora como sua mãe. O congregado mariano deve fazer meditação diária e o exame de consciência.

No Brasil, no Período Colonial, sobretudo nos colégios da Companhia de Jesus, foi introduzida pelo Padre José de Anchieta em 1583, que abrigava as congregações Marianas, estas, praticamente desapareceram, também, com a expulsão dos jesuítas em 1759. Em 1870 foi fundada, novamente, uma Congregação Mariana, agregada à antiga Prima Primária, em Itu-SP, e, a partir de então, tiveram notável crescimento em todo o País, quer em paróquias ou outros ambientes. Em 1927, iniciou-se o movimento federativo com a 1ª Federação Estadual, no Estado de São Paulo. Em 1937, criou-se a Confederação Nacional, com sede no Rio de Janeiro. Foi o Brasil, nessa época, o líder em todo o mundo, no número e crescimento de Congregações e congregados. Em 1970, em reunião nacional em Juiz de Fora, MG, foi aceito os Princípios Gerais, mas com o nome de Congregação Mariana. Em 1991, em Aparecida, SP, novo estatuto da Conferência Nacional, na qual há uma referência explícita a uma Regra da Vida, a ser elaborada, em lugar dos Princípios Gerais. Cria-se uma associação religiosa de leigos, autônoma, com a marca característica da devoção mariana, como sempre foram e continuam sendo no Brasil, com aprovação do Cardeal Dom Eugênio Sales, Assistente Eclesiástico Nacional das Congregações Marianas, Arcebispo do Rio de janeiro.

Das Congregações Marianas surgiram 62 santos canonizados e 46 beatos, 22 fundadores de Institutos Religiosos, mártires, missionários e leigos de vida cristã exemplar. De 1567 até agora, entre os 31 papas, 23 foram congregados marianos, inclusive o Papa João Paulo II, que, aos 14 anos, foi membro fundador de uma Congregação Mariana, em sua cidade natal na Polônia.

As congregações Marianas do Brasil são associações religiosas públicas, no sentido canônico da palavra, de âmbito nacional, erigidas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que lhes aprova a regra de Vida, como organização de leigos católicos, em 1993.

Em Abaeté, no tempo dos Padres Capuchinhos, era um grupo de ação pastoral, formado por jovens do sexo masculino, que funcionou na antiga Casa Paroquial e Seminário, que existia onde hoje se encontra o prédio da Escola S. Francisco.

A AÇÃO CATÓLICA EM ABAETÉ:

A Ação Católica foi fundada pelo Papa Pio XI. Seu apostolado e doar-se aos seus irmões, fazendo o bem. “Todo aquele que se fizer humilde, será o maior no Reino dos Céus”.
Em 4/9/1955 a Estudante Carmem Cardoso Ferreira é Escolhida Presidente da Ação Católica no INSA-Instituto Nossa Senhora dos Anjos:

Uma carta de Carmem Cardoso Ferreira:

Reverendíssimo Frei Alfredo, nosso Assistente Eclesiático, Reverenda Irma Carmosina, Adjunta da Ação Católica, prezadas companheiras da JEC-Juventude Estudantil Católica.

Neste momento quero agradecer a escolha de meu nome para Presidente, escolha essa aliás, que não foi acertada, pois, dentre as minhas prezadas colegas, qualquer uma poderia exercer esta função e afirmo que a faria melhor que eu.

Porém, como tendes o direito de decidir livremente e, quisestes que recaísse sobre mim a responsabilidade de vos orientar de algum modo, aceito, somente, para fazer a vontade de Deus.
Desejo trabalhar com todo o ardor de minha juventude, esperando contar com a colaboração de todas as nossas jecistas para maior progresso de nossa “Ação Católica”.

Congratulo-me com as demais colegas recém-eleitas e convido a todas a trabalharmos unidas para a maior Glória de Deus.

Os catequistas da Ação Católica iam aos sábados aos diversos centros de catequese ministrar o ensino religioso às diversas crianças. Esses catequistas eram jecistas, pertencentes à Juventude Estudantil Católica-JEC, estudantes do INSA, orientados pelas irmãs capuchinhas. Catequese na Igreja da Conceição, Igreja de Nazaré. Também o Clube Vocacional, atuante no meio juvenil, com palestras especializadas, encontros, lazer, no sentido de orientar os e as jovens na escolha da própria vocação. Muitas jovens, estimulados por esses encontros, escolheram a vida religiosa consagrada.

AS FILHAS DE MARIA:

A Pia União das Filhas de Maria teve início no século XII, porém atingiu seu pleno desenvolvimento a partir de 1864, devido o Papa Pio IX (pontificado de 1846 a 1878) ter concedido inúmeras indulgências às suas participantes, fazendo com que essa associação se espalha-se por vários países da Europa e das Américas.

A Pia União das Filhas de Maria era formada por moças que usavam vestido branco imaculado, mangas compridas, que era seu símbolo e força. Através das décadas de 1930, 1940 e 1950 representaram, nas suas vestes, os atos e o ideal da pureza e dedicação a Maria, a Mãe Santíssima e de Santa Inez, virgem e mártir, que em vida sofreu inúmeras perseguições sem jamais abrir mão dessas virtudes, especialmente, a castidade.

O vestido branco, de fustão, era uniforme obrigatório, em modelo único. Além do vestido existiam outros acessórios: o véu branco que lhes cobria a cabeça; a fita, distintivo da irmandade, colocada ao pescoço; a faixa azul na cintura confeccionada em tafetá. Esse uniforme completo era usado nas missas, nas procissões, na reza do terço e outras funções religiosas. As aspirantes à filha de Maria usavam, inicialmente, a fita azul, mas com medalha pequena e faziam seis meses de estudo que consistiam em espiritualidade mariana, catequese e práticas espirituais.

Depois desses estudos, passavam por provas e as que passavam, faziam os seus juramentos na fidelidade à devoção à Virgem Maria, na Santa Missa, após a qual recebiam a fita mais longa, com medalha maior. A colocação da fita na nova “Filha de Maria” se constituía um ato solene, onde também recebiam o Manual das Filhas de Maria, que devia ser o livro de cabeceira de cada associada. Usavam a fita diariamente, nos atos religiosos. O uniforme branco era usado nas principais solenidades da Igreja. Seu trabalho na comunidade consistia na: catequização na comunidade; preparação dos sacramentos do batismo, do crisma e do matrimônio; arrumação dos andores nas procissões e a limpeza e decoração da igreja. Nas procissões religiosas participavam em filas, usando seus uniformes brancos. Nas festas religiosas preparavam os quitutes, os brindes a serem ofertados, organizavam as prendas a serem executadas e angariavam os fundos paroquiais. Todos os sábados participavam da reza do terço, do ofício dedicado a Nossa Senhora, das orações à Jesus, à Virgem Maria, em horas santas de adoração ao Santíssimo Sacramento. No mês de maio tinham grande participação: o oferecimento das flores, levavam a imagem da Virgem Maria nas visitas às casas, o coroamento de Maria e a preparação da revoada dos anjinhos.

No Brasil a expansão das associações Pias Filhas de Maria começa a se efetivar de forma mais acentuada em inícios do século XX, com um crescimento notório. Rapidamente as Pias Uniões das Filhas de Maria foram sendo fundadas nas paróquias espalhadas pelo país.

Em Abaeté a Ação Católica e as Filhas de Maria surgiram logo após a fundação da Escola INSA. A Associação dos Santos Anjos era quem preparava as futuras “Filhas de Maria”. O Movimento OAIS, tinha por fim promover a queima de livros, revistas e jornais pornográficos, que, elas diziam, que tanto mal provocava no meio juvenil local. As Filhas de Maria colaboravam nas diversas atividades apostólicas empreendidas pelas irmãs capuchinhas, como catequese, missa das crianças.

O APOSTOLADO DA ORAÇÃO:

A ‘Hora Santa” do Apostolado da Oração, que é feita nas Primeiras Sextas-Feiras, é uma devoção que se faz durante uma hora sem interrupção, com orações e cânticos na presença do Santíssimo Sacramento, solenemente exposto, que termina com a bênção do Santíssimo Sacramento. As horas santas têm a sua inspiração nas palavras de Jesus à Pedro no Jardim das Oliveiras, sobre a Paixão de Jesus. É uma manifestação de fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

As “Primeiras Sextas-Feiras” do Apostolado da Oração é uma devoção que consiste em receber a Sagrada Comunhão em nove e consecutivas “Primeiras Sextas-Feiras” de cada mês em honra e reparação ao Sagrado Coração de Jesus.

Esta prática nasceu de aparições privadas de Cristo à Santa Margarida Maria Alacoque, de 1647 a 1690, por meio das quais se podem ganhar “as graças do arrependimento e a graça de receber os Sagrados Sacramentos à hora da morte”. Santa Maria Margarida era uma religiosa da Visitação, da França, que tinha uma grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus e está na origem na festa do Sagrado Coração de Jesus que se celebra anualmente na Sexta-Feira da Semana que se segue à festa do Corpo de Deus, e é a esta devoção reparadora das Nove Primeiras Sextas-Feiras que se dá o nome de Comunhão Reparadora. É costume, em cada Primeira Sexta-Feira de cada mês, fazer a prática da “Hora Santa Reparadora”.

Essas práticas são promovidas especialmente pelos membros do Apostolado da Oração.

O Apostolado da Oração se constitui de uma união de fiéis que, pelo oferecimento de si mesmo, se unem ao sacrifício eucarístico, em que se realiza perenemente a obra de redenção e, assim, pela união vital com Cristo, da qual depende a fecundação do apostolado, colaboram na salvação do mundo.

Em resumo o programa do Apostolado da oração consistia: na participação vital do Ministério Eucarístico; no culto ou espiritualidade do Coração de Cristo; no Amor e devoção a Nossa Senhora, Mãe da Igreja; se sentir com a Igreja e a assídua Oração Apostólica.

Além dos simples associados, há também membros mais ativos, os Zeladores, que unindo a oração com a ação, responsabilizam-se por um grupo de associados e exercem o apostolado mais conveniente à paróquia local, sob a orientação do Diretor local que, habitualmente, é o Pároco. O Apostolado da Oração é essencialmente diocesano. Possui uma Secretaria Nacional, que publica livros de espiritualidade, pastoral, formação cristã e as revistas do movimento.

Em Abaeté, o mês de junho era dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, à festa de Corpus Crhristi, este com grandes procissões pelas ruas enfeitadas da cidade.

O Apostolado da oração em Abaetetuba existe desde os tempos dos padres capuchinhos, que davam grande apoio a essas devoções.

A DEVOÇÃO POPULAR À MARIA:

A devoção à Maria, Mãe de Jesus, se tornou a mais sólida devoção em Abaeté. Muitos grupos eclesiais foram criados em Abaeté tendo em vista à devoção à Virgem Maria. E o mês inteiro de maio era dedicado pela comunidade católica abaeteense à Nossa Senhora. Entre os grupos eclesiais se destacaram a antiga Irmandade de Nossa S. da Conceição, As Filhas de Maria, a Congregação Mariana e outros grupos.

O Mês de Maria se desenvolvia durante todo o mês de maio até o dia 31, quando aconteciam nas casas, escolas, repartições públicas e na igreja, onde Nossa Senhora era intensamente reverenciada pelos fiéis da cidade. A apoteose dessa festividade era o dia 31 de maio, com a Coroação de Nossa Senhora.

O mês de maio, mês que era denominado pelos católicos de Abaeté como o Mês de Maria ou Mês das Flores ou Mês Mariano, era totalmente consagrado à Virgem Maria, Mãe de Deus, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja.

Durante o mês inteiro de maio o povo reverenciava Maria, a Mãe de Jesus. Durante o mês de maio o Terço era rezado nas casas todos os dias do mês. Nas escolas se montavam os altares enfeitados e onde se ofereciam, todos os dias, cantos, orações e flores à Nossa Senhora. Na Igreja acontecia a reza do Terço, as ladainhas cantadas, a oferta das flores, cada dia dirigida por um grupo: mães, crianças, jovens, grupos religiosos e com a Bênção do Santíssimo Sacramento e as orações pela pátria, pelos governantes, pelo clero e pela paz.

O final do mês era a apoteose dos festejos, com coroação de Nossa Senhora, com a Santa Missa, ofertas de palmas verdes, de flores, corações, com crianças vestidas de anjinhos e jovens com túnicas coloridas e essa celebração acontecia em praça pública, com o Te Deum Laudamos no final da celebração.

Nos tempos antigos as confrarias, irmandades, associações e outros grupos da Igreja, junto com as autoridades e o povo católico, participavam ativamente das manifestações, orações e eventos do mês de Maria. Um grupo de católicos ficava encarregado de organizar o mês de maio. Muitos auxílios eram ofertados à Igreja.

Em 1927 quem organizou o Mês de Maria foi: Laura dos Santos Ribeiro, Celina H. de Moraes, Celina N. Guerreiro, Antonia Ribeiro, com: oferta de flores, ladainha, coroação, missa, Te Deum, auxílios. As Filhas de Maria tinham função ativa nessas organizações.

Mas o auge do mês de maio acontecia a partir da última semana de maio, onde se obedecia a seguinte programação:

2l a 31 de maio: Ladainhas e cânticas às 08;00 hs da noite.
22 de maio: oferta de corações.
28 de maio: Coroação de Nossa Senhora.
29 de maio: Missa solene e procissão.
31 de maio: ladainhas, cânticos e despedidas.

OS DEVOTOS E AS CAMPANHAS DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS E MATERIAIS PARA A CONSTRUÇÃO DA IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO:

Como o povo católico de Abaeté alimentava o sonho da construção de uma igreja que fosse dedicada à padroeira da localidade, Nossa Senhora da Conceição, logo toda a população do município, sob a liderança do Padre Luiz Varella e de outras lideranças, se mobilizou nas campanhas que visavam a arrecadação de fundos para essa construção. Existem registros dessas campanhas de arrecadação de fundos a partir de uma 1ª comissão nos tempos do Padre Luiz Varella nos anos de 1920 e uma 2ª comissão nos tempos do Padre Magalhães e padres capuchinhos, nos anos de 1930 até os anos de 1940, quando a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi efetivamente construída.

Quando a nova Igreja Matriz de Nossa S. da Conceição ficou pronta no início dos anos de 1940 muitas imagens de santos da devoção popular foram colocadas nessa igreja. Vide fotos.

Citações sobre os devotos e as campanhas de arrecadação de fundos e materiais para a construção da nova Igreja Matriz de Nossa S. da Conceição:

• Uma grande comissão, sob a liderança do Padre Luiz Varella, Francisco de Assunção dos Santos Rosado, José Antonio de Castro, Teodomiro Amanajás de Carvalho e Amphiano Quaresma.

• O Grupo Scênico de Abaeté, com direito à diretoria e que deveria encenar peças teatrais para arrecadação de fundos no chamado Theatro de Nossa Senhora da Conceição, anexo à Igreja Matriz do Divino Espirito Santo;

• A Banda Paulino Chaves que fazia o fundo musical das peças teatrais do Grupo Scênico;

• A Irmandade de Nossa Senhora da Conceição criada para a finalidade de arrecadação de fundos de várias formas.

• O Vera Cruz Sport Club, fundado pelo Padre Luiz Varella e a Liga de Torcedoras do Vera Cruz que contribuíram decisivamente nas campanhas de arrecadação de fundos para a construção da nova Igreja Matriz;

• A Olaria de Nossa Senhora da Conceição, cujos produtos eram vendidos com o propósito de fazer parte do capital de Nossa Senhora da Conceição, conforme as citações à respeito;

• Os comerciantes, os industriais, as autoridades (intendentes, vogais, prefeitos, vereadores), o povo católico em geral que também contribuíam e ajudavam nas campanhas de arrecadação de fundos;

• Algumas atividades desenvolvidas no propósito de arrecadação de fundos: teatro musicado, vendas de rifas, quermesses e soirées dançantes, sessões cívico-culturais na sede do Vera Cruz, competições com brindes ou mimos, livros caixa, balacente, ofertas de óbulos e dinheiros e os lucros das vendas da olaria;

• “Obulos: tijolos ofertados por F. A. Santos Rosado & Cia: 600 tijolos. Outros: 5.800 tijelas de seringa e telhas”. “O Senhor Francisco Assunção dos Santos Rosado, dedicado tesoureiro da grande Comissão encarregada da construção de nova Igreja matriz, com Livro Caixa e Balancetes”. “Balanço da Olaria Nossa Senhora da Conceição, de que o Sr. Francisco Assunção dos Santos Rosado é superintendente. Valor da arrecadação: 72$000, que é um maravilhoso resultado”.

• “Lancha Tucumanduba de propriedade do Sr. Coronel Maximiano Cardoso, levando a Comissão da Construção da Matriz: Padre Luiz Varella, Francisco Assunção dos Santos Rosado, José Antonio de Castro, Teodomiro Amanajás de Carvalho e Amphiano Quaresma, Presidente, tesoureiro e membros da Comissão.

• Registro de 1919: “Francisco Assunção dos Santos Rosado, Tesoureiro da Construção da Matriz e depois, José Antonio Castro, como novo Tesoureiro”.

• Campanha em fevereiro de 1920, no tempo do Intendente Sr. Coronel Aristides dos Reis e Silva: Produto da Olaria em prol da construção da Matriz: 7.036$773, patrimônio de Nossa Senhora da Conceição. Produto do teatrinho e recursos particulares do Sr. Francisco de Assunção dos Santos Rosado, mais de 1:200$000, espetáculo em prol da construção da Matriz, José Antonio de Castro.

• Há um registro em um documento antigo de 1940 que diz o seguinte sobre o custo da grande obra: “As obras da igreja matriz já vão bastante adiantadas, na Praça Dr. Augusto Montenegro. Custo: mais de 80 contos de réis (80.949$280)”.

• O local escolhido para a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição já existia e recebia o nome de Praça Augusto Montenegro, por ser esse, o Governador do Pará, no período de 1/2/1901 a 1/2/1909, que concedera uma enorme área, para que ali fosse construído o templo tanto sonhado pelo povo católico de Abaeté.

Como o Padre Luiz Varella foi transferido em 1932 para a cidade de Mocajuba/Pa é formada pelo Padre Magalhães uma 2ª comissão para dar continuidade às campanhas de arrecadação de fundos e de materiais.

Efetivamente a nova Igreja matriz teve o início de sua construção com essa 2ª comissão. Algumas citações sobre essa 2ª comissão:
• Em 1932 foi constituída outra Comissão para a construção da Igreja Matriz, presidida por Joaquim Mendes Contente, que recebeu o aval do Arcebispo do Pará, D. Antonio Lustosa para a referida construção.

• O requerimento pedindo a autorização do Arcebispo do Para, D. Antonio Lustosa, foi preparado no dia 7/5/1933 e foi assinado pelas seguintes pessoas: Pe. Inácio Magalhães, Vigário; Bernardino Mendes da Costa; Raimundo Nonato Viégas; José Ferreira; Joaquim Mendes Contente; José Pinheiro Bahia; Raimundo Pauxis; Humberto Parente; Emiliano de Lima Pontes; Raimundo Nonato Ferreira e Oscar Solano de Albuquerque.

• Uma citação de 1939: “As obras da Igreja Matriz já vão bastante adiantadas, à Praça Dr. Augusto Montenegro, com custos, até então, de mais de 90 contos de réis (90:949$280).

• Convite. A Comissão abaixo assinada, tem a grata satisfação de convidar todas as Autoridades, Federais, Estaduais e Municipais, bem como as Associações Religiosas e de Classes, o Corpo Comercial, Excelentíssimas Famílias e ao generoso Povo Abaeteense, para a ‘Bênção do Cruzeiro’ que realizar-se-á no dia 27/5 às 17:00 horas e no dia 28/5 realizar-se-á a “Bênção da Primeira Pedra” para a Construção da Igreja Matriz, durante a Missa Campal que se realizará no local da construção. Rogo a todos, de com sua presença, realçarem esse ato de fé cristã, bem como pedir uma contribuição material para a construção de tão importante Templo de Deus. Penhorados agradecem. Abaeté, 10 de maio de 1933. Pela Comissão: Padre Ignácio de Magalhães, Bernardino Mendes, Raymundo Nonato Viégas, José Pinheiro Baía, José Ferreira, Joaquim Mendes Contente, Humberto Parente, Raymundo Pauxis, Oscar Solano, Raymundo Nonato Ferreira e Emiliano Pontes.

• O Mestre de Obra foi Antonio Barbado, um espanhol e outro mestre de obra do grandioso templo foi o pedreiro chamado Galo Mouro.

• Terminada a fase dos alicerces se reiniciaram as campanhas de arrecadação de materiais.

• A campanha dos tijolos aconteceu no ano de 1934 e em 1935 a Igreja Matriz já podia receber os fiéis para as celebrações e a 1ª Missa na nova Igreja aconteceu no dia 4/12/1937, mesmo sem estar concluída, feita por um padre vindo de Belém/Pa, pois Abaeté estava sem vigário devido o espancamento em que foi vítima o Padre Magalhães, ficando a nova igreja fechada para as celebrações religiosas e missas.

• No dia 28/11/1939 a Igreja Matriz de Abaeté foi reinaugurada e no dia 27 de novembro de 1940 foi feita a Trasladação da Imagem de Nossa Senhora da Conceição para a nova Igreja Matriz. Nessa época os padres capuchinhos davam início ao seu trabalho na Paróquia de Abaeté.

• Em 28/11/1941 o padre capuchinho, Frei Paulino de Sellere, fez a sagração oficial do novo templo, logo após a chegada do Círio de Nossa Senhora da Conceição, daquele ano. Terminado a procissão do Círio, o padre, acompanhado de Joaquim Mendes Contente e Dionísio Edmilson Lobato, subiu até o alto da Torre da Matriz (ainda não terminada) e de lá ele lança a Benção de Sagração sobre a nova Igreja Matriz e o povo católico presente. A Torre da Matriz só foi terminada em 1942 e já com os relógios e sinos importados.

• Quando a Igreja Matriz de Abaeté foi concluída, o 1º véu do Sacrário da igreja foi feito pela professora Esmerina Nunes Ferreira, assim como o seu casamento com Jorge Antonio Bou-Habib, que foi o 1º a ser realizado na nova Igreja Matriz.

A PRESERVAÇÃO DOS ELEMENTOS DA CULTURA RELIGIOSA DE ABAETETUBA:

Do que foi visto acima se poderiam preservar alguns elementos da devoção popular de Abaeté. Eis alguns aspectos dessa cultura que poderiam constituir o acervo do Memorial da Cultura Religiosa de Abaeté:

• As Coroas da antiga Irmandade do Divino Espírito Santo de Abaeté.

• As Folias de Santos ou Esmolações e Tiração de Reis em Abaeté na forma de grupos que ainda subsistem com essas práticas e as músicas e letras usados por esses grupos.

• As túnicas e vestes dos diversos antigos grupos católicos de Abaeté, tanto das associações civis católicas (confrarias, irmandades) como dos grupos eclesiais (Filhas de Maria, Ordem Terceira, Apostolado da Oração e outros).

• As imagens dos santos da devoção popular em Abaeté.

• Objetos como medalhas, fitas, véus, faixas dos antigos grupos católicos.

• Cartazes, convites, programas das antigas festas de santos de Abaeté.

• Bandeiras, estandartes, brasões dos antigos grupos religiosos.

• Manuais, folhetos, livros, profissões ou estatutos dos antigos grupos católicos.
• Oratórios, quadros de santos, folinhas, terços, rosários e imagens de santos das antigas residências de Abaeté.

• Livros de orações e cantos dos antigos grupos católicos de Abaeté.

• Fotos das antigas igrejas ou capelas e dos antigos grupos católicos, das procissões, dos eventos religiosos e das antigas festas de santos e arraiais de Abaeté.

• Histórico dos antigos padres, líderes católicos e leigos católicos que se destacaram na devoção aos santos e nos antigos grupos da devoção católica de Abaeté.

• Livros e textos que falem sobre as superstições, abusões criadas em torno de alguns dias santos de guarda ou eventos religiosos como Finados e Dia de Todos os Santos, Semana Santa, Corpus Christi.
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 23/7/2010


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