Mapa de visitantes

segunda-feira, 26 de julho de 2010

MEMÓRIAS DO ESOTERISMO E MAÇONARIA EM ABAETÉ/PA







MEMÓRIAS DO ESOTERISMO E A MAÇONARIA EM ABAETETUBA


Nem o antigo Esoterismo de Abaeté e nem a Maçonaria são religiões. O Esoterismo era uma doutrina ou filosofia de vida que remonta aos tempos antigos da história e que extraía elementos das antigas religiões dos antigos povos caldeus e egípcios de 10.000 anos atrás e de suas ciências ocultas, do espiritismo e até mesmo da religião católica, para servir de guia na atividade dos chamados esotéricos. Uma pessoa para ser um esotérico tinha que pertencer a uma religião para poder pertencer ao grupo dos esotéricos da cidade de Abaeté. O mesmo se pode dizer da maçonaria, cuja doutrina remonta aos tempos do Templo do Rei Salomão, do antigo povo hebreu.

Portanto, tanto o antigo Esoterismo como a antiga Maçonaria não são religiões e sim doutrinas ou filosofias de vida baseados em segredos ocultos do passado, que atualmente, nos tempos da imprensa moderna e da era digital, nem podem mais ser consideradas sociedades secretas, por que existem muitas publicações sobre essas doutrinas em livros e na internet. Basta ler esses livros ou acessar a internet que as informações sobre essas sociedades estão lá para todo mundo saber do que se trata.

Aqui nesta postagem essas sociedades serão tratadas como uma questão de memória dessas sociedades e das personalidades abaetetubenses que participaram desses grupos, que eram pessoas normais, de moral inquestionável, de bons propósitos, que lutaram por uma sociedade melhor e que aparecem nas mais diversas ocasiões participando das atividades civis, religiosas e sociais da antiga cidade de Abaeté.

SOBRE A MAÇONARIA

Conta a Maçonaria com mais de 5.963 anos de existência, é uma associação universal, com doutrina filosófica, com sessões e cultos todas as quartas-feiras, em sessões plenárias. Seus obreiros obedecem aos rituais: escocês, antigos e aceitos e seu patrono é São João da Escócia. Neste rito são aceitos os cristãos católicos e ortodoxos.

No rito de York, são admitidos cristãos batistas, adventistas, enfim, os protestantes.

No rito adoniramita, podem ingressar os que pertençam às sinagogas e religiões orientais, com crença em Deus. Só não são aceitos na ordem Maçônica e a recusa é formal, os catabatistas, isto é, hereges, contrários ao batismo cristão e sem crença em Deus.
Dizem que a Maçonaria foi instituída ao tempo da construção do templo de Salomão, ano I e Século I da existência do mundo, por notas e apontamentos escritos em aramaico, em papiros e pedras polidas. Seu instituidor foi Hiran-Mestre-Pedreiro, construtor daquele templo, com seus auxiliares, que eram outros mestres e seus discípulos aprendizes e os mais aperfeiçoados no trabalho, companheiros.

A escravidão do gênero humano era um fato e o direito do homem não existia. A liberdade, igualdade e fraternidade, também não existiam. Hiran, o gênio-livre, liberto, sem temer as conseqüências pela causa da liberdade de consciência, de atos, ações e até de locomoção, insurgiu-se contra esse sistema e instituiu a Associação dos Pedreiros Livres, primeira denominação dada à Maçonaria.

Foi quando os potentados, adoradores do Sol e do Bezerro de Ouro, até pelo próprio Salomão, após a construção de seu templo, que se deu início a ferrenha perseguição contra esses Pedreiros-Livres, pois era uma abominação essa novidade de liberdade, quando todos tinham os seus senhores. Essa idéia era esquisita: Liberdade! Fraternidade! Quando um plebeu poderia ser igual e irmão de um nobre? Hiran e seus adeptos, para não serem dizimados, fugiram à sanha dos opulentos senhores e foram viver refugiados nas catacumbas. Por causa disso, Catecúmenos, é o 2º nome da Maçonaria.

Ao perceber que houve nova traição, ao revelar seu esconderijo, fugiram novamente e refugiaram-se no Templo, por isso, Templários é o Terceiro nome dado à Maçonaria.

A causa da liberdade, igualdade e fraternidade, prosseguia sem desalento e a organização ia aumentando dia após dia e já eram centenas, milhares de novos adeptos que vinham fazer parte comum com os libertadores e tiveram, então, de refugiarem-se, já todos armados de suas lanças e chuços, nos bosques de macieira e daí veio o último nome e fixo da ordem – os mações.

Muitos foram os sacrificados por adotarem a causa da ordem, mas ela prosseguiu impávida e serena e seus filiados sequiosos de liberdade. A admissão de novos adeptos só era efetuada, dali em diante, se eles provassem serem livres e de bons costumes. Assim progrediu a ordem e multiplicou-se, sempre cavando masmorras ao vício e erigindo Templos à virtude.

Roma escravizando o mundo de então, não resistiu ao ímpeto dos sucessores de Hiran. Já na Cruz cristã, Herodes, em Jerusalém e Nero em Roma, eram os verdadeiros tiranos da Humanidade e os Pedreiros-Livres, aumentando com os falangiários cristãos contiveram o ardor dos perseguidores de humana gente.

Surgiu, então, na Inglaterra, logo depois, o Duque de Iork, herdeiro do trono inglês, que chefiou o grande movimento liberticida e veio daí ser consagrado, o herdeiro do trono inglês e sucessor de Hiran, como chefe supremo dos Pedreiros-Livres e, mais tarde, foi proclamado vitorioso – o Direito do Homem! – Obra ingente da Maçonaria que desde essa ocasião, adotou esse nome – Maçon!

A MAÇONARIA NO BRASIL:

A Independência do Brasil foi obra grandiosa da Maçonaria. Era Grão-Mestre da Ordem, José Bonifácio, que ensinou aos seus companheiros a eleição do Príncipe Regente, para Grão-Mestrado da Ordem. O Príncipe aceitou com ufania. A Ordem tinha dois Grãos-Mestres! E, insuflado pelos irmãos maçons o afoito Príncipe, a 7 de setembro de 1822, proclamou a Independência do Brasil e foi D. Pedro I, o primeiro Imperador do Brasil.

Em Portugal, ao tempo de D. José, era seu Primeiro Ministro o Marquês de Pombal, Grão-Mestre da Maçonaria dali, e foi ele que implantou a liberdade de consciência e na França, a Ordem, guerreando Carlos IX, o Rei Louco e Maria de Médicis, a Rainha Sanguinária, que decretou um massacre a 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, data essa que ficou histórica no mundo, com o dito de que, na França, o “Diabo andou solto”, sem rabo, nesse dia, pois, morreram 20.000 franceses que queriam ser libertos!

A MAÇONARIA EM ABAETETUBA:

Há muitos anos que a maçonaria existe em Abaetetuba, fundada em 13/9/1959, com sede à Travessa Santos Dumont, entre as ruas Lauro Sodré e a Travessa Luiz Varella.

Não é uma religião, mas uma sociedade secreta, apolítica, não religiosa, com doutrina ou filosofia de vida baseada em práticas inspiradas na solidariedade humana e na ajuda ao próximo. Possui seus princípios, dogmas e rituais sempre mantido em segredo, daí a aura de mistério que cercou essa sociedade quando foi implantada em Abaeté e por isso foi rejeitada por parte de parcela da população avessa às ciências ocultas, magias e dos rituais satânicos. Porém a filosofia da Maçonaria exige a prática de uma religião e se baseia na solidariedade humana, fato desconhecido na antiga Abaeté.

Quem trouxe a maçonaria para Abaeté foi o Sr. Rodão Sereni, que era maçon em Belém/Pa e veio trabalhar como advogado no município de Abaeté. Convidou alguns amigos e estes fizeram sua iniciação maçônica em Belém. Os primeiros maçons de Abaeté, portanto, foram: Roldão Sereni, Crisanto dos Passos Lobato, Emílio Rodrigues, Eliseu Pompeu, Raimundo Rodrigues/Radico, que fundaram a primeira Loja Maçônica de Abaeté, denominada Loja Saldanha Marinho Nº 25.

Após os maçons fundadores da Loja Maçônica em Abaeté vieram outros: Dr. Almir de Lima Pereira, que era Promotor Público em Abaeté; o Delegado de Polícia Antonio Ribeiro; Dr. Antonio Maia de Lemos Viana, Juiz de Direito em Abaeté.

Como o antigo prédio da Loja Maçônica ruíra, teve seu prédio reconstruído em 1973. E sob o comando do Grão-Mestre da Loja Saldanha Marinho Genésio Fernandes Pina é reinaugurada em 10/2/1979.

Roldão Sereni, origem em Belém/Pa, chegado à Abaeté nos anos de 1950, advogado leigo, casado uma 2ª vez com uma jovem abaeteense e tiveram filhos: Orlando, Cláudio, Onofre Lopes Sereni e outros.

Crisanto dos Passos Lobato, metalúrgico, desportista, casado e com filhos: Vavá, Perácio, Toró, Crisantinho e outros.

Emílio Rodrigues
Eliseu Pompeu
Raimundo Rodrigues/Radico

Élzamo Modesto Rodrigues, Oficial do Exército, diretor do Tiro de Guerra de Abaetetuba, casado e com filhos.

Dr. Almir de Lima Pereira, Promotor de Justiça em Abaeté, professor e 2º diretor do então Ginásio Bernardino Pereira de Barros, casou com uma abaeteense e tiveram um filho.

Antonio Lemos Maia Viana, Juiz de Direito em Abaeté, anos de 1960, professor e 1º Diretor do então Ginásio Bernardino Pereira de Barros.

Como não poderia deixar de ser, a exemplo de outros lugares, a Maçonaria em Abaetetuba sofreu muita pressão e perseguição por parte de seus opositores das igrejas cristãs locais. Na Igreja Católica não tinham direito de participar das funções religiosas e das pastorais, proibidos de servir de padrinhos aos filhos de católicos e nem podiam batizar seus filhos. Eram tratados como excomungados.

Nas igrejas protestantes sofriam as mesmas perseguições e eram chamados de infiéis e não podiam participar de seus cultos.

Hoje já não mais existem intolerâncias aos maçons e eles podem participar livremente das religiões aqui existentes sem serem considerados excomungados ou infiéis como antigamente.


ESOTERISMO

O QUE ERA O ESOTERISMO E O ESOTÉRICO:

O Esoterismo não era uma religião, mas uma doutrina, com elementos do cristianismo e outras doutrinas, religiões e ciências ocultas, que visava a busca da verdade, do amor, da paz e da consciência da vida imortal.

No Esoterismo existia o Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, fundado em 27/7/1909, na cidade de São Paulo, cujas finalidades, eram:

O estudo das forças desconhecidas do homem e da natureza;
O despertar das energias criadoras latentes no pensamento, no sentido de trazer bem-estar físico, moral e social, mantendo-se a saúde do corpo e do espírito.
O Esoterismo pregava o respeito e a tolerância para com todas as religiões e credos filosóficos.
O Esoterismo também visava:
O combate aos vícios da humanidade: alcoolismo, tóxicos, maus hábitos;
A ajuda a todos os empreendimentos humanitários e altruístas;

Cada esotérico:

Era livre para ter sua própria crença;
Fazia parte do Supremo Conselho do Círculo;
Fazia a comunhão mental, uma vez por dia com todos os demais esotéricos;
Participava das reuniões esotéricas e exotéricas;
Devia usar o regulamento Interno do Esoterismo;
Devia cultivar o espiritualismo
Participar das reuniões esotéricas no dia 27 de cada mês, só para os membros ativos;
Participar das sessões exotéricas, às segunda-feiras, às 20;00 horas e 30 minutos, em ponto, só para os membros quites com suas obrigações.

O Esoterismo é uma doutrina de idéias puramente filosóficas e humanitárias.

Os membros das diretorias no Esoterismo ocupam funções vitalícias. Existe o Conselho de Ministros, com 12 filiados, com reuniões em sessões secretas para deliberar sobre faltas e penas aos associados.

Existe o Delegado Geral, autorizado a criar os centros de Irradiação mental, em qualquer localidade do País e nomear os delegados. Esses centros são autônomos, ligados apenas pelos princípios da fraternidade espiritual.

Os associados têm o dever de contribuir com anuidades.

São Instruções Reservadas, para uso pessoal do irmão esotérico:

A Chave da harmonia;
A Hora Esotérica da “Comunhão Mental”, às 18;00 horas;
Também pode ter a sua Comunhão Mental às 06:00 horas da manhã, ao meio dia ou qualquer outra hora, desde que seja impossível fazê-lo na hora esotérica;
Deve manter o corpo em completo relaxamento, estado de abstração completa, em que a pessoa não dá a menor atenção aos fenômenos internos e externos do corpo;
Deve manter o corpo e mente relaxado, com os olhos fechados e quietos;
Deve fazer a recitação da Chave da Harmonia, onde devem prevalecer: Desejo, Harmonia, Amor, Verdade e Justiça a todos os irmãos do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento;
Com a força reunida das silenciosas vibrações de nosso pensamento, devem ser fortes, sadios e felizes, formando, assim, um elo de fraternidade universal;
Deve estar satisfeito e em paz com o universo inteiro e deseje que todos os seres realizem suas aspirações mais íntimas.

O esoterismo se constituía numa doutrina, numa filosofia de vida a ser aprofundada e praticada por seus adeptos. Não era uma religião e seus membros podiam participar das religiões existentes na época.

O ESOTERISMO EM ABAETÉ:

O Esoterismo teve muitos seguidores na Abaeté antiga, mas não conseguiu se expandir, devido o intrincado de sua doutrina e a falta de líderes que levassem à frente esse grupo e a forte conotação católica do povo.

O Esoterismo é uma doutrina muito antiga, que extraía muitos pontos de sua doutrina de outras religiões e filosofias antigas, como as religiões orientais, o cristianismo, o espiritismo e do ocultismo, que remonta ao antigo Egito e até mesmo antes da civilização egípcia.

Aqui procuraremos fazer um resumo dessa doutrina complexa praticada em Abaeté.
O Esoterismo tinha as suas orações, meditações, normas, cultos, procedimentos, ações, que norteavam a vida dos seus seguidores.

Uma de suas orações dizia: “Dou graças ao Pai Invisível por ter estabelecido a Harmonia, o Amor, a Verdade e a Justiça, entre todos os seus filhos”. Essas orações deveriam ser ditas mais com o coração do que com a inteligência.

Os esotéricos diziam que o corpo possuía os seus “centros de energia” e o cérebro era o centro mental e de expansão da energia entre os esotéricos e o coração, era quem centralizava e dirigia as energias do organismo.

O esoterismo aplicava as técnicas de relaxamento físico e mental e orientava seus seguidores a “ser sempre alegre, aconteça o que acontecer”, porque a alegria dissipava as nuvens negras do caminho dos esotéricos, dissipa as adversidades da vida e dizia: “fazei tudo com alegria”. “Amar o próximo”, “Ter fé: em Deus, em vós, nos outros”. “Crer na existência do bem e tenha fé no Infinito”. “Orar sempre, com o pensamento firme no Altíssimo”. “Pensar sempre a Verdade” e a base de toda a verdade era: “O homem é um ente espiritual feito à imagem e semelhança de Deus”. “Viver no Espírito”, que os esotéricos acreditavam “ser a parte imortal e externa do ser”.

A SIMBOLOGIA NO ESOTERISMO:

O Esoterismo possui a sua simbologia. Tudo é analógico nos planos físico, astral, espiritual ou divino. Existe um simbolismo dos livros e um simbolismo da natureza.

Os símbolos constituem a síntese dos conhecimentos. As figuras simbólicas do diploma esotérico têm sua origem nos remotíssimos templos do Egito e da Caldéia, que os receberam dos atlantes, a raça dominadora do mundo até 10.000 anos AC. O símbolo pode representar objetos materiais e forças altamente espiritualizadas.

O Touro Vermelho, para os que ainda não despiram a pele de touro, vencido a matéria e incapaz de querer e poder e que quer dizer: “Não poderás ser admitido como discípulo de teu mestre oculto”.

A Cruz formada por 6 triângulos preto, quer dizer: emblema do Infinito, Equilíbrio no meio da escuridão.

O Triângulo de Salomão, Selo de Salomão ou Selo de Osíris, quer dizer: selo de todo iniciado.

A Esfinge com as palmeiras, plantas e pirâmides, quer dizer: resumo da Sabedoria, resumo da Unidade de todos os cultos e de todas as Ciências.

E existem muitos outros símbolos no Esoterismo:

As 4 formas da esfinge; Ísis ou a Sabedoria; Nahasch, a Serpente Mágica; o Abutre; a morte (a Terra com uma cruz); as asas do pensamento; a cor azul; as Estrelas e a lua; as 4 Letras Sagradas: Hê, Vô, Jod-He, Vô-He, etc;
As reuniões no dia 27, porque o número 27, por si só, é um número sagrado, e significa “proteção oculta, felicidade” e os Centros de Irradiação Mental, se reúnem nesse dia. E para os esotéricos há mundos de toda espécie: atrasados, menos atrasados, intermediários, superiores e elevadíssimos, onde Inferno são os mundos atrasados ou inferiores, Céus são os mundos elevados e nenhum ser é condenado a permanecer eternamente num inferno.

A simbologia esotérica se estende pelos escritos: “Sabedoria no nosso interior”, por isso, os esotéricos tinham que se dedicar à leitura.

A LEITURA NO ESOTERISMO:

Entre os livros que os esotéricos deviam ler existiam aqueles próprios do Esoterismo, como livros de magia negra, magia verde e magia branca, o Livro de São Cipriano e o livro da Cruz de Caravaca.

Mas os esotéricos deviam ler livros de todos os tipos, para que pudessem aumentar os seus conhecimentos a respeito de tudo, especialmente os livros de ocultismo e cada livro devia passar de um para outro esotérico.

A FÉ ESOTÉRICA;

Acreditavam na “reencarnação e no processo da reencarnação”, norma esta que vem do Espiritismo e outras religiões orientais.

Acreditavam na “Lei do Karma”, que vem das religiões orientais, especialmente da Índia.
Acreditavam que o “nascer” e o “sofrer” tinha um sentido. Aceitavam o corpo físico como uma fase da verdadeira vida.

Acreditavam que a vida “está ligada a um mundo astral”, norma que naturalmente foi tirada da Astrologia, que nos fala da influência dos astros na vida das pessoas, do mundo.

Acreditavam nos “poderes psíquicos”, isto é, dos poderes mentais, do psiquismo, no “mundo mental”, que diz que o pensamento é poderoso e de que as pessoas podem se comunicar com o poder da mente.

Esta é a razão dos esotéricos fazerem a sua famosa “comunhão do pensamento” entre si, era um verdadeiro ritual, um momento, que visava a uma comunhão silenciosa, visando concentrar numa só e poderosa vibração os mais elevados pensamentos de todos os irmãos associados, para que, de tal sintonia, resultasse o bem estar geral, pois eram convictos do poder das forças mentais combinadas.
Acreditavam na numerologia, especialmente o poder do número 7, que representa o poder mágico em todas as suas formas. É o número da forma perfeita. Representa os 7 dias da criação, os 7 sons musicais, as 7 cores do arco-íris, os 7 dons do Espírito Santo, os 7 Sacramentos, os 7 dias da semana, as 7 virtudes, os 7 vícios, os 7 planetas, as 7 camadas da pele.

Acreditavam nas forças invisíveis da natureza, contrárias ao bem estar dos homens, e que, essas correntes de pensamentos de fraquezas, de negativismo, eram quem favoreciam ao aparecimento das doenças, da debilidade física-mental. Consideravam tudo isso, os baixos e grosseiros elementos mentais, que agiam ao contrário das forças mentais positivas. Essas idéias nocivas e pensamentos infecciosos constituíam os males invisíveis, que afetavam as pessoas e que retardavam o seu desenvolvimento do corpo e espírito. Cada um dos membros de um “Tattwa” tinha o seu número, seu diploma e deveria pagar as anuidades correspondentes.

A TATWA NO ESOTERISMO:
O esotérico, componente de uma Tattwa, tinha as suas frases, que deveria repetir sempre, como: “Eu sou uma ilimitada corrente de vida que parte diretamente de Deus”. “Eu sou filho de Deus e sei que possuo uma grande herança”, ou, “Eu sou forte na saúde e no intelecto. Sou paciente, sou afetuoso, sou feliz, sou rico”, que deveria repetir várias vezes durante o dia. Tudo isso, para não se deixar afetar por forças mentais destrutivas, a crítica, a falsidade, a condenação, a crença na morte. Lembramos que o esotérico acreditava na reencarnação e que a morte era apenas um momento na vida de um esotérico.

A MEDITAÇÃO ESOTÉRICA:

A meditação de um esotérico devia obedecer a alguns requisitos que deveria sempre levá-lo a um maior conhecimento de si e de sua doutrina. Deveria se relacionar com o seu “Eu Superior”, levá-lo a uma “Consciência Universal” e deveria sempre meditar o amor, a serenidade, a compaixão, a alegria e de como são fatais as conseqüências das impurezas. A concentração deveria ser tão requintada que deveria levá-lo a aceitar serenamente o dogma e o ritual da alta magia.

O OCULTISMO NO ESOTERISMO:

Convém lembrar que os esotéricos tinham como um de seus pontos centrais, a busca dos segredos ocultos (Ocultismo). Por isso é que na simbologia esotérica existe o “globo alado” ou esfera volante, símbolo dos esotéricos do antigo Egito. Representa a alma voltando à sua fonte, depois de sua peregrinação e movimento evolutivo, que atinge a perfeição, após “as provas na Sala das Duas verdades”. O globo representa a Alma suprema. As Asas representam os vôos para as altas esferas. O ideal esotérico deveria ser o de colaborar para o aperfeiçoamento e levantamento moral da humanidade, onde cada qual se torna o “senhor de si mesmo”, tanto física, quanto moralmente daí o lema esotérico; “Harmonia, Amor, Verdade e Justiça”.

A parte oculta, que fala das “forças ocultas superiores”, fala de uma energia mental e que a mente é um dos 7 princípios do homem. Que a finalidade do Circulo Esotérico é promover o estudo das forças ocultas da natureza e do homem. Promover o despertar das energias criadoras e latentes no pensamento. Fazer com que estas energias convirjam no sentido de assegurar o bem estar físico e moral de seus membros e cooperar na realização da Harmonia, do Amor, da Verdade e da Justiça.

O desenvolvimento cerebral de um esotérico devia levar em conta “as Três Energias, que representa a Trindade ou Três em Um, que são: a Substância (éter), a Mente e a Respiração ou Vida. Os esotéricos consideram as “sessenta e quatro faculdades mentais do homem, que se relacionam com a ação física e a ação psíquica. A “arte de bem viver” do esotérico, leva em conta: a higiene física, a higiene moral, a memória e as auto-sugestões.

Os intelectuais esotéricos dizem que a Ciência Esotérica não escraviza o espírito, mas o emancipa. Que disciplina o corpo e o espírito. De fato, além dos pontos sobre o poder da mente, a doutrina esotérica incursiona no modo de se fazer a alimentação e a respiração.

O ESOTERISMO PARA OS INICIADOS:

Para os iniciados, começava-se com os “Diálogos Iniciáticos, que redundava no Estudo das Ciências e Religiões (lembre-se que para os esotéricos não há religiões, mas uma só religião).
Dizer que o Esoterismo é uma filosofia de vida, um conjunto de princípios, não uma religião. Que as Ciências Ocultas, pertencem à parte esotérica (não reveladas, mas ocultas) das Ciências naturais, como a Física, a Química. Que toda ciência, portanto, tem duas partes, o lado exotérico ou externo (aquilo que é conhecido) e o lado esotérico ou oculto (que é a parte conhecida só pelos iniciados).

Dizer ao iniciado que as principais forças ocultas da natureza e do homem deveriam se manifestar pela força do pensamento, da vibração, da vitalidade, do magnetismo e do hipnotismo que cada um possui oculto.

Dizer ao iniciado que a Lógica Esotérica seria a descoberta da Suprema Verdade e da mais elevada Harmonia que chega ao homem, quando desperta em si a Consciência Cósmica e, mediante esta, sentir-se uno com Deus e com todos os seres.

Que a Moral Esotérica é o cultivo de todas as virtudes e na desistência de todos os vícios.

Que o iniciado deveria evoluir no conhecimento até atingir o “Grau de Filho da Luz”.

Saber que o mundo tem vários aspectos: um superficial ou aparente: mundo visível, material e físico e um mundo espiritual: pátria dos espíritos purificados, a esfera do mais puro éter. Um mundo astral, que é um mundo intermediário, que participa das realidades terrenas e etéricas, localizado nas regiões superiores do mundo mental e regiões inferiores, das paixões.

Que aos já iniciados, lhes são dados distintivos, de acordo com as regras ritualísticas, que são de bronze, metal que representa a união mental.

E, principalmente, a Comunhão do Pensamento, que é uma Corrente de Pensamento positivo, baseado na força da mente humana e no seu enorme poder, quando utilizado de forma positiva e que “o cérebro é quem interfere de forma positiva ou negativamente na nossa vida”. É proibido o pessimismo e os vícios.

O esotérico deve, por princípio, ser sempre otimista, mesmo nas adversidades, deve ser “cada dia melhor” e sempre dizer: “Hei de vencer” e que tudo é uma questão de cabeça, não existindo sorte nem azar, bom ou mau.

O ESOTERISMO NO BRASIL E NO MUNDO:

O Esoterismo tem os seus nomes no Brasil. Antonio Oliva Rodrigues é o Patrono-Fundador no Brasil do “Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento, nascido em Portugal e veio para o Brasil. No Brasil, Antonio Olívio Rodrigues, foi o Delegado Geral do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento desde 1879 até 24/8/1943.

Os Mestres do Esoterismo, da Cadeia Mágica do Esoterismo, são: no Plano Material: Prentice Mulfort, em Nova York. È o Mestre das Realizações Externas, nascido em 5/4/1834 e falecido em 27/5/1891.

O Mestre do Plano Astral é: Elifas Levi, que é considerado o Mestre da Intelectualidade. Elifas Levi é o pseudônimo do abade Afonso Luiz Constant, que nasceu em Paris em 8/2/1810 e faleceu em 31/5/1875, que era da Ordem de São Francisco.

O Mestre do Esoterismo no Plano Espiritual é: Swami Vevekananda, que é considerado o Mestre da Espiritualidade. E Swami Vivekananda, Narendranath Dutt (Vivekananda), nasceu em Calcutá, índia em 12/1/1863 e faleceu em 4/7/1902.

Mas Prentice Mulfort foi o pai de todo movimento ocultista da América do Norte e a sua obra, Nossas Forças Mentais, é considerada a Bíblia da Psicologia Moderna, no qual se espelharam outras obras, como Ciência Cristã, Novo Pensamento, Cristianismo Esotérico, Nova Psicologia e outros ramos de Mentalismo.

O ESOTERISMO EM ABAETÉ:

Samuel Correa Bello foi quem introduziu o Esoterismo em Abaeté.

O Esoterismo foi trazido para Abaeté por Samuel Correa Bello a partir de 1940.

Em Abaeté o Esoterismo ganhou muitos adeptos, que participavam do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, com os outros esotéricos do Brasil. Se tratavam por irmãos, tinham grande consideração uns pelos outros e se ajudavam mutuamente. Muitos irmãos esotéricos prosperaram economicamente. As reuniões eram às segundas-feiras, na casa de Pedro Araujo ou Bernardino Costa. Esse grupo era muito coeso, amigo, disciplinado.

Quando o esoterismo foi implantado na cidade de Abaeté, como não poderia deixar de ser, causou um grande escândalo nas hostes católicas da cidade e foram implacavelmente perseguidos, sofreram preconceitos e foram censurados pelos católicos conservadores de então, que não entendiam a filosofia dos esotéricos.

Os esotéricos foram taxados, discriminados, mas foram avante na sua doutrina. Isso devido a existência de alguns baluartes dessa doutrina em Abaeté. Mas, depois da morte do grande líder do esoterismo no Brasil, Antonio Oliva Rodrigues, em São Paulo, essa filosofia começou a entrar em declínio, inclusive em Abaeté. Hoje, pelo menos na sua forma antiga, não existe mais esotéricos na cidade.

Todo esotérico de Abaeté possuía uma pequena biblioteca em casa e eles emprestavam seus livros uns aos outros.

O grupo dos esotéricos de Abaeté era formado dos seguintes:

Samuel Correa Bello, poeta, Oficial da Marinha, casado e com filhos: Tabajara Bello.

Bernardino Costa, comerciante português que se radicou em Abaeté e casou com uma abaeteense.

Raimundo Castilho, pintor, casado e com filhos em Abaeté.

José Joaquim Nunes, comerciante e industrial, dono de engenho, que casou e teve filhos em Abaeté.

Diquinho Barbosa/Raimundo Barbosa André, comerciante, casado com Maria Barros e com filhos em Abaeté.

Wilson Pedrosa Amanajás, dentista que chegou ao cargo de deputado na Assembléia Legislativa do Pará.

Mário Gonçalves Felgueiras, que trabalhou na Agência do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas de Abaeté, tornando-se seu Agente, casado com Valdomira e com filhos em Abaeté.
Didi Solano/Raimundo Solano de Albuquerque, industrial, dono de engenho de cana e de fábrica de refrigentes, casado com Leonor que adotaram outros filhos em Abaeté.

Bandute Rocha/Ademar Lobato Rocha, antigo funcionário da Prefeitura de Abaeté nos serviços de estatísticas e o 1º Agente de Estatísticas do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas de Abaeté, casado com Risoleta de Araujo Rocha e com filhos em Abaeté.

Manoel de Nazaré Rodrigues/Mestre Lelé, originário da localidade Rio Caripetuba, carpinteiro naval e marceneiro em Abaeté, casado com Maria de Nazaré Sarges Rodrigues e com muitos filhos em Abaeté.

Dr. Novaes/João Novaes, médico, político tendo ocupado cargos de vereador em algumas legislaturas na Câmara Municipal de Abaeté, tinha uma grande biblioteca, casado e com filhos.

Prudente Ribeiro de Araujo, músico da Banda Carlos Gomes, casado com Mundica e com filhos.

Pedro Ribeiro de Araujo, professor, tocava trombone na Banda Carlos Gomes.

Santinho Viégas/Raimundo Nonato Viégas, funcionário da Prefeitura de Abaeté, secretário municipal, casado e com filhos.

Hildefrides dos Reis e Silva/Sinhuca, viajante marítimo, funcionário de Prefeitura de Abaeté, comerciante, casado com Meire e com filhos em Abaeté.

Maximiano Cardoso/Maxico, comerciante, casado e com filhos em Abaeté.

Emiliano Nepomuceno de Pontes, comerciante marítimo, casado com Zizina Ribeiro de Araujo e com filhos.

João Nepomuceno de Pontes, escriturário, funcionário da Prefeitura de Abaeté, secretário municipal, casado com Benvinda de Lima Pontes e com filhos.

Lourival Ferreira, comerciante, casado com Alpha de Araujo Pontes e com filhos.

João Coletor, coletor de rendas em Abaeté.
E muitos outros.

O sustentáculo do Esoterismo em Abaetetuba durante alguns anos foi o Sr. João Pontes/João Nepomuceno de Pontes.

Outro chefe dos esotéricos de Abaeté foi João Coletor.

Esse grupo era muito articulado e eles recebiam material de doutrinação regularmente do centro Esotérico de São Paulo. Os livros do esoterismo passavam de mãos em mãos. Entre os livros e revistas se destacavam: Almanaque do Pensamento, Revista do pensamento e livros de ciências ocultas.

Muitos dos componentes do grupo dos esotéricos de Abaeté e alguns deles se tornararam baluartes na construção da Nova Igreja Matriz de Abaeté.

Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 26/7/2010

6 comentários:

  1. Gostaria de comentar que aqui em Abaetetuba existia o Circulo Exotérico da Comunhão e do Pensamento, pude ter acesso a alguns livros que datam de 1945 , onde meu avó fazia parte .

    ResponderExcluir
  2. Cara Anna Karinna,
    Sou católico, porém tolerante com todas as doutrinas e filosofias que pregam o pacifismo e a fraternidade, como era o caso do Círculo Esotérico da Cimunhão do Pensamento de Abaetetuba, do qual meu pai e muitos outros amigos faziam parte.
    Disponha sempre do amigo,
    Prof. Ademir Rocha

    ResponderExcluir
  3. O Maximiano Cardoso citado é o meu pai, Adhemir? Eu sabia que era Maçom. Não tenho notícia que participasse desse Círculo, muito embora fosse amigo de pessoas citadas...

    ResponderExcluir
  4. Caro Clóvis Cardoso, de fato é o teu pai, devido o fato dele ser amigo dos demais citados, mas acredito que ele apenas recebeu algumas influências de seus amigos esotéricos de Abaeté, não chegando a ser um iniciado. Abçs, de Ademir Rocha

    ResponderExcluir
  5. Boa noite será que Pode Me ajudar. Eu sou de Abaetetuba mas atualmente moro no Rio de Janeiro. Eu preciso do endereço ou não da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré. Onde fiz minha primeira eucaristia. Porém não tenho o documento que prove que fiz mas sei lá que fiz e pra receber minha crisma preciso desse documento .será que por favor você pode me ajudar .meu Zap é 21984111028

    ResponderExcluir
  6. Cara Rose do Glacimar, obgdo. pela visita ao n/Blog e o endereço solicitado vc procura em "Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré", pagina criada recentemente, tenho mas não encontro. Abçs.

    ResponderExcluir