Mapa de visitantes

domingo, 17 de janeiro de 2010

RELIGIÃO, IGREJAS E VULTOS DE ABAETÉ 6






















Fotos: D. Guido Conforti, D. João, Gazza, Igreja de N. S. da Conceição




DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 4

A RELIGIOSIDADE POPULAR EM ABAETÉ, ANTES DA CHEGADA DOS PADRES XAVERIANOS:
A religiosidade popular sempre esteve presente nas terras de Abaetetuba, antes mesmo da chegada do fundador do povoado de Abaeté, introduzida pelos padres capuchos, pelo próprio fundador do povoado e, depois, reforçadas pelos padres jesuítas, que por aqui estiveram na época da colonização do Grão-Pará. A religiosidade introduzida pelos missionários capuchos e jesuítas se baseava na devoção aos santos, fato provado e comprovado através dos inúmeros topônimos religiosos dados aos lugares por onde eles andavam em trabalho de missão e catequese. Antes da expulsão dos padres jesuítas e outros missionários do Grão-Pará, existiam 74 localidades, vilas e centros de catequese com nomes de santos, especialmente N. S. da Conceição, em 22 lugares, S. João Batista, em 14, seguidos de outros santos com número menor de denominações.
Além do mais, o tipo de religiosidade introduzida pelos antigos missionários, teve que se adequar às crenças dos nativos locais e, depois, às crenças dos escravos negros trazidos da África, onde todas essas crenças se misturaram em verdadeiro sincretismo religioso, que no decorrer do tempo, foram recebendo outras motivações culturais locais, se constituindo em uma verdadeira e rica cultura popular, baseada nas crenças religiosas. Temos que admitir que muito do folclore local se implantou na região de Abaeté através das crenças religiosas dos antigos habitantes do lugar. E essa riqueza cultural, se não foi mantida até os dias de hoje, pelo menos deveria ser preservada como memória e cultura de um povo.

Comentário:
1) Seria até interessante que as antigas famílias de Abaeté pudessem, de alguma forma, conservar esses verdadeiros patrimônios culturais e religiosos na forma de cantos, orações, novenários e ladainhas, imagens de santos, oratórios, revistas, folhetos, livros e bíblias antigas, rosários e terços, símbolos, pinturas e quadros antigos de santos, folinhas, bandeiras e estandartes religiosos, castiçais e outros suportes de antigas capelas e outros materiais e objetos da devoção popular de Abaeté. Até nos colocamos na disposição de receber esse material se alguma família quiser se desfazer desse patrimônio religioso-cultural. Soubemos de famílias que colocaram no fogo acervos inteiros desses materiais, com mais de 2 séculos de existência, simplesmente por que mudaram de religião, sem atentar para a riqueza cultural que constituíam esses acervos. A cultura não deve ser nem descartada e nem discriminada pelas religiões.
2) Como já comentamos anteriormente, por trás de cada objeto, cada nome, cada ser, cada pessoa, cada ilha, rio ou igarapé, cada casa ou prédio, existe uma história e memória a ser preservada. Ler postagem “História e Memória”.

E, antes da chegada dos padres xaverianos à Abaeté, a Igreja Católica adotava os métodos litúrgicos de antes do Concílio Vaticano II, onde o padre celebrava as missas de costas para o povo e as orações eram longas e rezadas ou cantadas em latim e muitas outras formas de se praticar o catolicismo e que se constituía na única maneira conhecida de se praticar essa que, praticamente, até a metade do século 20, era a única religião oficial do município. A Igreja de N. S. da Conceição era repleta de imagens de santos, com suas fitas, flores e velas e o povo era o mais tradicionalista possível nas suas práticas cristãs, não por sua culpa, como já dissemos.
Em cada casa existiam os oratórios, repletos de santos e as festas religiosas eram abundantes e festejadas no antigo estilo da mistura do religioso com o profano.
Proliferavam os grupos religiosos na forma de irmandades, confrarias c/seus estatutos próprios e outro grupos católicos, ligados à Igreja, mas de forte conteúdo de antes do Concílio Vaticano II, como as pias uniões, as congregações, as devoções e tantas outras associações criadas no seio da própria Igreja pelos padres capuchinhos. A Igreja local já não fazia questão de valorizar as associações religiosas existentes, porque achavam que essas associações se mostravam contrárias ao novo projeto de Igreja, onde todos deviam ser iguais, constituindo um único Povo de Deus. E a Igreja estava errada por fazer essas mudanças? Eram novos tempos na Igreja e reformas e mudanças precisavam se feitas, mas de modo prudente, sem ferir suscetibilidades.
Não queremos dizer que a Igreja Católica e o povo estavam errados na sua estruturação e práticas religiosas, mas somente dizer que era essa a situação que se encontrava a prática religiosa em Abaeté, antes da chegada dos padres xaverianos. E a antiga estruturação da Igreja e as antigas práticas religiosas do povo nos interessam pelo seu conteúdo histórico e memória do povo.

Comentários sobre os excessos nas devoções religiosas:
E as devoções populares, mesmo antes da chegada dos padres xaverianos à Abaeté, não se encaixavam nos parâmetros da Igreja Católica, conforme dito abaixo pelo Pe. Júnior, como instituição, por que algumas dessas devoções estavam altamente desvirtuadas das normas católicas, pelos excessos profanos que contém.
Sobre esses excessos, existem algumas curiosas citações:
1) No início do século 20 o culto aos santos proliferava sem controle pelas comunidades do interior do município e na vila de Abaeté. Quando Cel. Aristides dos Reis e Silva era Intendente de Abaeté, em 1920, ele proibiu por lei o culto particular aos santos não autorizados pela Igreja Católica, devido esses cultos estarem atrelados a interesses financeiros dos seus organizadores, desvirtuando o verdadeiro catolicismo.
2) O próprio Estado proibiu o culto particular aos santos, só podendo ser cultuado os festejos autorizados pelas autoridades religiosas. Mesmo assim cada localidade do interior do município adotou o seu padroeiro ou padroeira e realizavam seus festejos, onde após as práticas religiosas das novenas ou ladainhas, se seguiam as festas dançantes com comidas e bebidas abundantes.
3) O Pe. Júnior/Antonio Braga da Costa Júnior, em seu livro “O Imaginário Religioso na Musicalidade dos Artistas de Abaetetuba” – 1930 a 1955, diz: “As devoções populares não se encaixavam nos parâmetros da Igreja Católica, como instituição, por que essas devoções estão altamente desvirtuadas das normas católicas, pelos excessos profanos que contém.
4) E o calendário católico antigo obedecia a um rígido cronograma de eventos religiosos ligados a religiosidade popular e celebrações litúrgicas sem compromissos com a vida político-social.

OS PADRES OU MISSIONÁRIOS XAVERIANOS EM ABAETÉ:
Como já dissemos antes, não adianta falar de pessoas, se não conhecemos essas pessoas. Por isso tentamos explicar quem foram os padres capuchos, jesuítas, seculares e capuchinhos.
Então, para falar de padres xaverianos deveremos explicar quem são esses padres missionários.

COMO NASCERAM OS MISSIONÁRIOS XAVERIANOS:
GUIDO CONFORTI:
O fundador dos padres Xaverianos foi Guido Conforti, que nasceu em Casalora di Ravadese (Itália) no dia 30/3/1865. Era ainda uma criança, quando foi estudar em Parma. Na igreja descobriu um grande crucifixo c/o qual se encontrava e dialogava. Mais tarde, já bispo, lembrando aqueles encontros dirá “Eu olhava para ele e ele olhava para mim e parecia dizer-me tantas coisas”.
Foi nos pés daquele crucifixo que despontaram as sementes de sua vocação sacerdotal e missionária. Mais tarde, lendo a vida de São Francisco Xavier, decidiu tornar-se um apóstolo como ele, c/o desejo de evangelizar a China.
Em 1888 foi ordenado sacerdote, mas seu desejo era partir para as missões. Porém s/saúde não permitia e, assim, nasceu o plano de criar uma família de missionários.
No dia 3/12/1895 é festa de São Francisco Xavier. Nesse dia, GUIDO MARIA CONFORTI, depois de ter rezado muito, dava início oficialmente, em Parma, Itália, ao “Seminário Para as Missões Estrangeiras”, em uma casa comprada c/o dinheiro da herança deixada por s/pai. Iniciou c/um grupo de 17 jovens de 15 a 22 anos. Tudo era simples e pobre.
De fato, no mês de março de 1899 teve a alegria de abraçar seus primeiros dois Missionários Xaverianos, prontos a partir para a China: Caio Rastelli e Odoardo Manini.
No dia 3/12/1995 os Xaverianos celebraram em todo o mundo o Centenário de s/ordem religiosa.
Atualmente os Xaverianos, que constituem uma pequena família religiosa, estão trabalhando na China e em todos os outros continentes do mundo. No Brasil estão presentes desde 1954 e na Amazônia estão presentes desde 1961.

SÃO FRANCISCO XAVIER:
Nasceu num castelo de Navarra, Espanha em 7/4/1506. Era de família nobre. Estudou na frança, onde encontra Inácio de Loiola, junto do qual encontra Cristo, que vem a ser a razão de sua vida. Abandona casa, riquezas, projetos e, com Inácio e mais cinco companheiros, dão início à Companhia de Jesus. Em 15/6/1537 é ordenado sacerdote e em 15/3/1540 parte de Roma para Lisboa a caminho do Extremo Oriente, em uma heróica aventura missionária que o leva à Guiné, Ilha de Trindade, Cabo da Boa Esperança, Moçambique, India, Malásia, Cingapura, Indonésia, Japão e Ilha Sancian, na Costa da China. Foi acometido de forte febre em 3/12/1552, e falece.

QUEM SÃO OS MISSIONÁRIOS XAVERIANOS:
Para os Xaverianos o Evangelho é o maior valor para a Humanidade. É no Evangelho que eles encontram a fonte de s/total e exclusiva doação e dedicação, para anunciá-lo a quem ainda não o conhece. É por isso que são missionários. Eis alguns aspectos da vida dos Xaverianos:
a) São enviados à populações e grupos humanos não cristãos, fora de s/terra, cultura e igreja de origem.
b) Para melhor servir o Reino de Deus, professam os votos de Castidade, Pobreza e Obediência.
c) Seu Carisma é a vida apostólica religiosa.
d) Como família, colocam tudo em comum: compromisso apostólico, fé, esperanças, alegrias, preocupações, bens espirituais e materiais.
e) Seguindo o exemplo de Cristo, s/preferidos, são os pobres, os fracos, os marginais da sociedade, as vítimas de opressão.
Os missionários enviados à China foram c/a finalidade de continuar o trabalho de São Francisco Xavier. Inicialmente foram enviados somente dois missionários à China em 1899. Lá sofrem perseguições onde um deles morre e o outro volta. Outros são enviados. Em 1928 Conforti visita os missionários na China, após muitas expedições de missionários a esse país.

A CHEGADA DOS PADRES XAVERIANOS EM ABAETÉ:
Foi o PAPA JOÃO XXIII, quem criou a PRELAZIA DE ABAETÉ DO TOCANTINS em 25/11/1961, dia de seu aniversário. Pela Bula que criava a nova Prelazia de Abaeté do Tocantins, foram desmembrados da Arquidiocese de Belém as paróquias de ABAETÉ, ACARÁ, BARCARENA, BUJARU, MOJU e TOMÉ-AÇU, que foram os primeiros territórios abrangidos pela nova prelazia.
Em 1961, quando da criação da Prelazia de Abaeté do Tocantins, a cidade se chamava Abaeté do Tocantins, daí o nome da nova prelazia.
Mas antes, no dia 2/11/1960 o Núncio Apostólico no Brasil, D. Armando Lombardi, convidou o padre Júlio Barsotti, Superior Regional dos Padres Xaverianos e ofereceu à Congregação de São São Francisco Xavier/Missionários Xaverianos a Prelazia de Abaeté do Tocantins, a ser ainda criada, com sede em Abaeté do Tocantins.
Pela festa do Natal do ano de 1960 o Pe. JÚLIO BARSOTTI, Superior Regional dos Padres Xaverianos, acompanhado pelo Pe. Rosolino Rossi, encontrou-se com D. Alberto Gaudêncio Ramos, Arcebispo da Arquidiocese de Belém e juntos, visitaram a cidade de Abaeté, dando seu voto favorável na responsabilidade da evangelização da nova prelazia.

OS PRIMEIROS PADRES XAVERIANOS A CHEGAR À ABAETÉ EM 1961:
No dia 1/3/1961 chegaram, em Belém, os primeiros 4 missionários xaverianos para instalar a nova prelazia, o Pe. LEÃO/Pe. LEÃO OCCHIO, o Pe. MÁRIO/Pe. MÁRIO LANCIOTTI, o Pe. TARCISIO/Pe. TARCISIO FACCHINELLI e o Pe. João/Pe. Chumbinho, que, p/enquanto, trabalhariam sobre às ordens de D. ALBERTO, na zona da futura prelazia.
No aeroporto de Belém esses missionários foram recebidos pelo próprio D. Alberto e se hospedaram no convento dos padres capuchinhos, em Belém.
No sábado, dia 4/3/1961, à tardinha, sob um céu sombrio e ameaçando um temporal, D. Alberto acompanhou os padres até Abaeté.
No domingo, dia 5/3/1961, 3º domingo da Quaresma, D. Alberto, na hora da Missa Solene das 8 horas, apresentou os padres e os empossou, não só na Paróquia de Abaeté, mas também nas paróquias dos territórios da futura Prelazia de Abaeté do Tocantins: Acará, Barcarena, Bujaru Moju e Tomé-Açu, e que, desde aquele momento essas paróquias ficavam confiadas aos cuidados deles e ainda c/a tarefa de prepararem tudo o que fosse necessário para a EREÇÃO da nova PRELAZIA DE ABAETÉ DO TOCANTINS. D. Alberto explicou as finalidades da futura prelazia.
No dia 6/3/1961, D. Alberto voltou para Belém levando consigo o padre Francisco Chagas da Costa/Padre Chagas, que saía da paróquia deixando saudades sinceras do povo, pois durante 3 anos o Padre Chagas realizou um ótimo trabalho, doando ao povo todas as suas forças e todo o seu coração.
Os 4 padres recém-chegados se revezaram na assistência às comunidades da cidade, ilhas e estradas de Abaeté.
PADRE MÁRIO/PADRE MÁRIO LANCIOTTI:
Nasceu na Itália em 28/10/1901 e chegou em Abaeté no dia 1/3/1961, junto com os primeiros padres xaverianos: Leão Occhio, Tacisio Fachinelli e João. Fez parte da Arquidiocese de Belém, como os outros primeiros xaverianos. Foi designado como o 1º VIGÁRIO da Paróquia de N. S. da Conceição, liderando a implantação da Prelazia de Abaeté do Tocantins.
O Padre Mário Lanciotti foi um dos Homenageados Oficiais, como Vigário da Paróquia de Abaeté do Tocantins, pela Turma de Professorandas e Catequistas, ano de 1962, do Instituto N. S. dos Anjos, em Abaeté do Tocantins.
Ainda, c/D. Ângelo na direção da Diocese, acontece o falecimento do Padre Mário Lanciotti, em 8/11/1987, já bem idoso, c/mais de 86 anos de idade, fato que consternou a população de Abaeté e que foi citado nos Festejos do Jubileu de Prata de D. Ângelo, como Bispo.
O falecimento do Padre Mário Lanciotti, em 8/11/1987, fato que consternou a população de Abaeté e da Diocese;
Está enterrado na tumba onde também foi colocado o corpo do Bispo D. Ângelo Frosi, 2º Bispo Prelado da Prelazia de Abaeté do Tocantins e 1º Bispo da Diocese de Abaetetuba, antes dos restos mortais deste bispo mudarem para o anexo da Igreja Catedral.
O Pe. Mário já era um veterano missionário que tinha trabalhado na China quando chegou ao Pará.
Em sua homenagem existe a Escola Municipal Mario Lanciotti, na comunidade São José, no Rio Maracapucu, c/ensino da pré-escola até a 8ª série e a Trav. Pe. Mário Lanciotti, no bairro do Cristo Redentor.

PADRE LEÃO/PADRE LEÃO OCCHIO:
Nasceu no dia 2/12/1927 em Gallignano, no Norte da Itália, na Provìncia de Cremona, junto c/o seu irmão gêmeo Tarcísio, numa família de 11 irmãos. Em 1939, viu seu irmão Pino partir como missionário para a América e decidiu seguí-lo, começando sua formação no Seminário Salesiano de Casale Monferrato, mas não se sentiu à vontade e volta para s/casa. Trabalhou na roça até os 20 anos. Em 1948 decidiu-se pela vida religiosa e missionária e entrou na congregação dos xaverianos. Terminou o noviciado em 1952 e tornou-se Assistente Educador de Jovens candidatos à vida missionária, em Cremona. Foi um dos primeiros a chegar ao Brasil e fez o trajeto: Rio, Santos e Curitiba. Em Curitiba é que termina s/estudos de Teologia. Tornou-se sacerdote em 26/1/1958. Fez uma breve volta à Itália e, depois, retornou ao Brasil, rumando para o Norte do Paraná.
Foi o 2º vigário da Paróquia de N. S. da Conceição.
Em 1961 voou com a 1ª equipe de 4 padres xaverianos rumo ao Pará, enfrentando viagens de barcos e fazendo encontros e convivências na Prelazia de Abaeté do Tocantins, durante 5 anos, de onde guarda vivas lembranças e saudades. Voltou ao Sul para assumir a formação no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, nos seminários, nas pastorais, nas CEBs e nos movimentos populares, convivendo c/todo tipo de pessoas.
Suas Bodas de Ouro Sacerdotal foram comemoradas no dia 26/1/2008, no Brasil, onde já está há mais de 50 anos e, atualmente, continua sua missão na periferia de São Paulo.
Chegou em Abaeté no dia 1/3/1961, junto com os padres: Leão Occhio, Tacisio Fachinelli, Pe. João e Mário Lanciotti, os primeiros xaverianos a chegar em Abaeté.
Tornou-se o 2º padre Xaveriano a ser o Vigário da Paróquia de Abaeté. Chegou a dar assistência espiritual aos rapazes da Congregação Mariana.

PADRE TARCISIO/PADRE TARCISIO FACCHINELLO:
Nasceu no dia 9/9/1918. Chegou a Abaeté em 1/3/1961, junto com os padres: Leão Occhio, Tacisio Fachinelli, João e Mário Lanciotti, os primeiros padres xaverianos a chegar à Abaeté. Saiu da Prelazia no dia 5/10/1962.

PADRE JOÃO/PADRE CHUMBINHO:
Chegou em Abaetetuba em 1961
Esse padre ficou muito conhecido na cidade por ter se irritado com o barulho de uma aparelhagem de som, que não o deixava dormIr. Ele foi pedir ao dono da festa que parasse com o barulho e não sendo atendido, pegou uma espingarda e começou a atirar no alto falante. Desde então não aconteceu mais festas noturnas próximas à catedral. Por esse episódio, o padre ficou conhecido como Padre Chumbinho.
Outra s/característica era o uso de uma moto, marca italiana, que era novidade em Abaeté, usada para levá-lo aos locais onde trabalhava nas atividades de sacerdote, nas comunidades das estradas e ramais de Abaeté.
O chamado Pe. Chumbinho já é falecido.

O 2º GRUPO DE MISSIONÁRIOS XAVERIANOS A CHEGAR À ABAETÉ:
O 2º grupo de padres xaverianos a chegar à Abaeté, foram: Pe. VICENTE/PE. Vicente Mitidieri, Pe. VALERIANO/Pe. Valeriano Ruaro, Pe. AUGUSTO/Pe. Augusto Cardin e o Pe. DANTE/Pe. Dante Mainini, no início da década de 1960.

PADRE AUGUSTO/PADRE AUGUSTO CARDIN:
Nasceu no dia 21/1/1925. Quando chegou a Abaeté, o Pe. Augusto, tornou-se assistente das comunidades das estradas e ramais de Abaetetuba/Pa.
Em 1962 esteve fazendo um trabalho de desobriga na Paróquia de Bujaru.

PADRE VICENTE/PADRE VICENTE MITIDIERI:
Por longos anos vigário em Abaeté. Fundou a Escola Paroquial e a Escola São Francisco Xavier, em 1966.
Nasceu no dia 12/5/1932. Chegou à Abaeté em 14/1/1964, ficando até o dia 14/2/1969. Era um padre muito dinâmico e trabalhador. Foi um dos primeiros vigários da Paróquia de N. S. da Conceição.
No seu tempo de pároco ele fundou em 10/4/1966, o Colégio São Francisco Xavier. Fundou também o Centro Médico N. S. da Conceição, outras escolas técnicas, maternidade e desenvolveu uma série de outras atividades.
Foi ele quem deu início a uma Escola de Catequistas em Abaetetuba.
Pelos seus relevantes serviços tornou-se cidadão de Abaetetuba, titulo outorgado pela Câmara Municipal de Abaeté.

PADRE VICENTE E O COLÉGIO S. FRANCISCO XAVIER:
A instalação de uma escola paroquial foi uma necessidade sentida pelo 1º Bispo Prelado de Abaeté e dos primeiros Missionários Xaverianos aqui chegados nos primeiros anos da década de 1960. Essa escola funcionaria a nível de ensino primário, na Barraca da Santa.
D. João Gazza, ao lado da preocupação com a escola, se preocupava também com a instalação de um seminário da nova prelazia. Essa necessidade, conforme o pensamento do bispo, era a de melhor atender às finalidades da Escola Paroquial, com a instalação de um ginásio masculino que, na mente do bispo , deveria também, se constituir uma certa fonte de escolha de jovens que pudessem atender às vocações sacerdotais e que deveriam ser encaminhados para o Seminário, em vias de implantação no município. Esse ginásio deveria se chamar Ginásio São Francisco Xavier, em homenagem ao patrono dos Missionários Xaverianos, São Francisco Xavier.
D. João Gazza chamou o vigário da Catedral de Abaetetuba, Pe. Vicente Mitidieri e o encarregou dessa missão. O Padre Vicente iniciou a construção do ginásio em 10/4/1966 e em março de 1967 os alunos da Escola Paroquial foram transferidos para o novo local de estudos.
Em julho de 1967 o Padre Vicente quis completar as obras do Ginásio São Francisco Xavier, anexando uma nova construção, que seria o Artesanato São Francisco Xavier, uma espécie de formação profissional para os jovens. As linhas do artesanato seriam, inicialmente, marcenaria, artefatos de cimento e de cipó.
Ao mesmo tempo, o Padre Vicente, iniciava a construção do Centro Social Paulo VI, destinado à juventude feminina, c/os cursos de corte e costura e de datilografia.
Após o padre Vicente, que foi o fundador e 1º diretor, a escola teve os seguintes diretores: Irmã capuchinha Stella Maria, Irmã Xaveriana Agda Marlene de Melo, Irmã xaveriana Marlene Aparecida Sandoli, professora Marilda Loureiro Maués, Hilma Terezinha Pinto Flexa, irmão lassalista Nestor Deitos, irmão lassalista Adelino Ferranti, professor Athaíde Feio Neves, irmão lassalista Nestor Deitos, professora Iracéa das Graças Ferreira Gonçalves, professor Luiz Gonzaga Leite Lopes, professora Ana Lúcia de Lima Santos e, atualmente (26.10.2008) a professora Miguelina Bitencourt de Araujo.
O Pe. Vicente era um padre de muita ação. Foi ele quem deu início a uma Escola de Catequistas em Abaetetuba. No seu tempo de pároco, ele funda o Colégio São Francisco Xavier, já mencionado, sendo o seu 1º diretor e o Centro Médico N. S. da Conceição e ele também desenvolveu uma série de outras atividades.
Pelos seus relevantes serviços à cidade, tornou-se cidadão de Abaetetuba, título concedido pela Câmara de Vereadores de Abaetetuba.

PADRE VALERIANO/PADRE VALERIANO RUARO:
Pe. Valeriano, foi um dos primeiros vigários de Abaeté.
Após os padres capuchinhos e o padre secular Francisco das Chagas,o Pe. Valeriano foi o 1º padre xaveriano a dar assistência às comunidades das Ilhas de Abaetetuba.
Nasceu no dia 10/5/1936. Chegou a Abaeté no dia 15/2/1965. Trabalhou vários anos nas Ilhas de Abaetetuba, c/um trabalho intenso de catequese, pastoral, funções litúrgicas e na assistência social. Em algumas comunidades ele construiu as chamadas escolas rurais.
A partir das visitas do Pe. Zezinho/Zezinho Leone a comunidade católica do Murutinga começou a se organizar e a participar dos encontros promovidos pelo Vigário de Abaetetuba, Pe. Valeriano e o 1º desses encontros foi em 1972, c/a duração de uma semana, tendo como palestrantes o Pe. Ângelo e as Irmãs Ágda e Vita. Assim, foram formados os primeiros animadores de comunidades, que começaram a atuar em sua comunidade e nas comunidades vizinhas de Camotim, Vila da Cachaça, Curuperé-Miri e Piratuba. Os cultos dominicais se tornaram freqüentes nesses lugares

PADRE DANTE/PADRE DANTE MAININI:
Foi ordenado padre em Parma, na Itália, em 28/5/1944, bem no meio da 2ª Guerra Mundial. Possuía uma sólida formação e vasta cultura, tendo se formado em Direito Canônico em Roma e c/grandes conhecimentos teológicos e de línguas antigas e modernas. Foi Professor, reitor da Teologia Xaveriana, Conselheiro Geral, até que decidiu ser missionário, deixando toda a vida burocrática, aos 53 anos de idade.
Vive a vida missionária c/radicalidade, de acordo c/os votos de pobreza, obediência e castidade e foi vigário de várias igrejas em Abaetetuba e têm afeição especial pelos seus paroquianos, especialmente os pobres. Foi ele quem mandou construir várias igrejas em Abaetetuba e, ultimamente, a bonita igreja de S. João, no bairro de mesmo nome, contando c/a ajuda de s/paroquianos.
Completou 50 anos de vida sacerdotal em 28/5/1994, estando com 75 anos de idade e muitos desses anos passados na Diocese de Abaetetuba, onde ainda se encontra, em avançada idade.
D. Ângelo Frosi, o 2º bispo de Abaetetuba, falece no dia 28/6/1995, ficando a Diocese sem o s/Bispo. Com a morte de D. Ângelo, assume a Paróquia de N. S. da Conceição o Pe. Dante Mainini, que estava c/76 anos de idade, ficando na função de vigário até a posse do novo bispo, D. Flávio Giovenalle, salesiano, em 8/10/1997.
Foi o responsável pela publicação, durante alguns anos, do Boletim Informativo da Paróquia, jornal “O Sino”.
Esteve presente nos Festejos do Jubileu de Prata de D. Ângelo, em 1/5/1995, Bispo de Abaetetuba, quando foram lembrados os 50 anos de sacerdócio do Pe. Dante Mainini, comemorados em 28/5/1994 e dos 50 anos das Irmãs Xaverianas.

O PORQUÊ DAS REFORMAS NA IGREJA CATÓLICA DE ABAETETUBA:
As mudanças na Igreja Católica de Abaetetuba foram necessárias devido a uma nova visão de Igreja, trazidas pelos padres xaverianos que aqui chegaram a partir de 1961 e eles encontraram a paróquia c/as práticas do antigo devocionismo popular dos santos e a visão que esses padres trouxeram era de que a Igreja deveria estar afinada c/o novo modo de ser igreja, preconizada pelo Concílio Vaticano II e esses religiosos/as já chegaram imbuídos das reformas que o referido Concílio e os documentos sinodais de Medellin e de Puebla anunciavam na forma de evangelização dos povos e das celebrações litúrgicas.
Assim, os recém chegados padres e irmãs iniciaram a busca e a construção de uma sociedade mais justa, digna e fraterna e devido a essas exigências era necessária uma evangelização baseado nessas premissas e a tarefa do novo cristão deveria se configurar nesse novo perfil de ser Igreja. As mudanças se iniciaram a partir da década de 1970, quando foram realizadas reformas em todos os aspectos da Igreja, tudo dentro dos preceitos do Concílio Vaticano II e dos documentos sinodais de Puebla e Medelim.
O novo perfil do cristão que tais documentos traçavam era a exigência do homem novo diante dos problemas sociais que se faziam presentes na vida das comunidades.
Entre as reformas, deveria prevalecer a postura da Igreja em que o centro da veneração e adoração deveria ser Jesus Cristo e não mais os santos dos altares da igreja.
Esse novo modo de ser Igreja abriu os olhos de muitas pessoas, da cidade, das ilhas e das estradas, c/o despertar de suas consciências para os direitos humanos, para a justiça social e para o empenho social e político nas várias esferas da sociedade e do poder.
Muitos líderes surgiram a partir da chegada dos padres xaverianos à Abaeté, c/a adesão à Teologia da Libertação, que teve os seus méritos na formação de cidadãos, líderes e um povo mais esclarecido, lutando pelos s/direitos e pela justiça social.
Essa nova teologia da Igreja não era bem aceita pelos cristãos tradicionais e pelos governantes e autoridades. Mas, aos poucos, c/reuniões das famílias, jovens e comunidades, iam surgindo os primeiros animadores de comunidades e aos poucos iam se consolidando as CEBs da cidade, das ilhas e das estradas de Abaetetuba.
Além das reformas na liturgia e na evangelização os xaverianos iniciaram também as reformas físicas da Igreja Catedral, de onde foram retiradas todas as imagens de santos que estavam distribuídas pelos espaços da igreja, só deixando as imagens de N. S. da Conceição, de S. José e a do Cristo Crucificado. Naqueles espaços, o povo fazia s/devoções e venerações c/gestos do sinal da cruz, genuflexões, ajoelhar-se diante das imagens, beijos nas fitas das imagens, fazia orações acompanhadas de seus pedidos e pagamentos de promessas e até participava das funções religiosas da igreja, mas ajoelhado na frente daquelas imagem de s/santo de devoção.
Seguida a retirada das imagens, se iniciaram as reformas estruturais na Igreja Catedral, c/reformas no aspecto físico-estrutural da catedral.
Mas alguns abaetetubenses não aceitaram pacificamente essas mudanças e alguns fatos desagradáveis aconteceram p/conta desse conflito de posições, trazidas pelas mudanças introduzidas.
Citação:
1) Na verdade, alguns padres xaverianos, no final da década de 1970, vieram inspirados em uma nova teologia que se confrontava c/um contexto histórico da época (ditadura militar e injustiças sociais prementes) e esses padres se posicionaram contra essas injustiças sociais, numa demonstração de opção preferencial pelos pobres, conforme os documentos dos sínodos de Medellin e de Puebla. C/o apoio de algumas CEBs e cristãos envolvidos nessa evangelização, os padres decidiram fazer essas mudanças na estrutura da igreja, na extinção dos antigos grupos religiosos, no modo de celebrar missas e outros ofícios religiosos e no modo de se promover as festividades de santos, especialmente a festividade de N. S. da Conceição, onde ficou decidido que a imagem de N. S. da Conceição deveria sair em peregrinação pelos setores da igreja e não mais ficar na Catedral à espera dos fiéis devotos, fato esse que irritou sobremaneira algumas pessoas (fiéis tradicionalistas e não fiéis da Igreja, apegados às antigas tradições) e setores contrários a essas mudanças, que acarretou desentendimentos e um fato muito desagradável, onde a imagem de N. S. da Conceição foi “seqüestrada” e levada para a Igreja, cuja porta foi arrombada e profanada. D. Ângelo Frosi, bispo da época, decretou o fechamento da catedral, p/alguns dias, até a celebração, c/a participação da comunidade católica, numa espécie de purificação do templo.

OS PADRES XAVERIANOS EM ABAETÉ E A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO:
A Prelazia de Abaeté do Tocantins foi desmembrada da Arquidiocese de Belém e erigida em circunscrição eclesiástica autônoma no dia 25/11/1961. Foi confiada aos cuidados da Congregação Xaveriana no dia 8/12/1961.
Apesar das idéias de reformas trazidas pelos padres xaverianos à Abaeté, eles, paradoxalmente, continuaram e ainda ajudaram na devoção à N. S. da Conceição e outros santos, mesmo c/as inúmeras mudanças no modo de realizar essas festas e nas procissões do círio.

O 1º ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA PRELAZIA:
No dia 13/1/1962 a Sagrada Congregação Concistorial nomeava D. ALBERTO GAUDÊNCIO RAMOS, como Administrador Apostólico da nova prelazia, esperando a nomeação do 1º Bispo Prelado.
No dia 6/5/1962, na Praça Matriz de Abaetetuba, repleta de povo, D. Alberto instalava a nova Prelazia de Abaeté do Tocantins e tomou posse como o 1º Administrador Apostólico da mesma prelazia (6/5/1962-3/12/1962).
E assim nasceu oficial e juridicamente a Prelazia de Abaeté do Tocantins, c/sede na cidade de Abaetetuba, contando para o ministério sacerdotal só 4 padres.

O 1º BISPO PRELADO, D. JOÃO GAZZA:
No dia 17/12/1962 o Santo Padre João XXIII nomeava o 1º Bispo Prelado, c/caráter episcopal, na pessoa do Pe. JOÃO GAZZA, xaveriano. Ele recebeu a sagração episcopal na Basílica Santuário Nacional de N. S. Aparecida, Padroeira do Brasil, no dia 8/12/1962. D. João Gazza, o 1º Bispo Prelado, chegou em Belém no dia 26 de dezembro de 1962.
No dia 3/2/1963, D. Alberto empossava o novo Bispo Prelado D. João Gazza, que ficou em Abaeté até 24/9/1966, em meio da grande alegria do povo. Foi embora de Abaeté devido ter sido eleito Superior Geral da ordem dos Padres Xaverianos, c/sede na Itália.
Foi uma grande perda para Abaeté a volta de D. João Gazza para a Itália, p/que no pouco tempo que ficou entre nós, deixou uma impressão muito boa de Pastor e um enorme conjunto de obras assistenciais iniciadas, visitas pastorais e realizações pastorais e administrativas à frente da Prelazia.

O 2º ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA PRELAZIA DE ABAETÉ DO TOCANTINS, PADRE PIO:
PADRE PIO/PADRE ESPERIDIÃO PIO MONCHELATO:

Nasceu no dia 29/7/1908. Chegou à Prelazia no dia 22/6/1963 e foi embora no dia 25/2/1968.
Com a ida de João Gazza para a Itália, para assumir como Superior geral dos Padres Xaverianos, a Prelazia de Abaeté ficou sem bispo. Foi nomeado o Pe. Pio Monchelato, como Administrador Apostólico, “Sede Vacance”, da Prelazia de Abaeté do Tocantins, que fica nessa função de 7/1966 a 12/1967.
Já é falecido.

O 3º AMINISTRADOR APOSTÓLICO DA PRELAZIA, PADRE ÂNGELO FROSI:
O Pe. Pio Monchelato foi substituído por um novo Administrador Apostólico, que foi o Pe. ÂNGELO FROSI.

REFORMAS E MUDANÇAS NAS FESTAS RELIGIOSAS DE ABAETETUBA:
A partir da chegada dos padres xaverianos aconteceram muitas mudanças na realização das festas religiosas. Acabaram-se as diretorias, as comissões e as funções das pessoas nas festividades, tarefas que foram entregues às comunidades criadas pelos xaverianos, quando eles dividiram a paróquia em setores e estes com suas comunidades.
Na América Latina, devido as enormes injustiças sociais, os Conclaves de Medelin, na Colômbia e o de Puebla, no México, abraçaram c/veemência as questões sociais, pois era visível as injustiças sociais que o povo pobre da America Latina sofria, pela má distribuição da renda. Esses conclaves sofreram a influência de uma nova teologia, nascente na Igreja Católica, especialmente da América Latina, que era a Teologia da Libertação, abraçada p/muitos clérigos e católicos da América Latina e que foi um divisor de águas no modo de catequizar no Continente Latino-Americano.
E o próprio Concílio Vaticano II, por si só revolucionário, veio apressar a adesão da larga parcela da Igreja Católica às exigências de uma nova ordem social no Continente.

OS PADRES XAVERIANOS DIVIDEM A PARÓQUIA DE ABAETÉ EM SETORES:
No decorrer dos tempos o modo de se festejar os santos da Igreja Católica foram mudando. C/a chegada dos padres xaverianos, estes dividiram a Paróquia de Abaetetuba em Setores, que no início, eram: SETOR CENTRO OU CATEDRAL, SETOR NAZARÉ, SETOR ALGODOAL OU PERPÉTUO SOCORRO, SETOR SÃO JOSÉ.
E, à medida que a cidade ia crescendo, outros setores foram criados: SETOR DIVINO OU AVIAÇÃO, SETOR SANTA ROSA, SETOR FRANCILÂNDIA, SETOR S. SEBASTIÃO, SETOR CRISTO REDENTOR, SETOR ANGÉLICA, SETOR MUTIRÃO, SETOR S. JOÃO.
Cada setor possuía o/a seu/sua SANTO/A PADROEIRO/A e em cada setor era constituído p/uma CAPELA ou IGREJA e as suas respectivas COMUNIDADES CATÓLICAS. A partir dessa organização as festas de santos iam acontecendo e mudanças eram introduzidas. Saíram as diretoria das festas antigas e foram feitas mudanças sobre bebida alcóolica, noitários, leilões, barracas, bar e cozinha, sons, círios, música, bandas, cantos, parte espiritual, parte prática e essas decisões eram tomadas nas reuniões dos setores.
As festas de santos em Abaetetuba começaram a ser organizadas pelas comunidades, diferentemente das festas antigas, estas organizadas p/diretorias e comissões, formadas p/pessoas que não tinham muita afinidade c/a Igreja, como autoridades, políticos, comerciantes, industriais e outras pessoas da elite social.
Agora, segundo os xaverianos, as festas de santos eram atividades que diziam respeito aos fiéis e estes, em assembléias, é que deveriam decidir de como seriam realizados os festejos. Essa maneira de decidir os festejos de santos visava tornar as festas dos santos mais religiosas e menos profanas.
As festas de N. S. da Conceição passaram a ser organizadas em plenário das comunidades. Depois aconteciam seguidas reuniões, convocadas pelo vigário e criadas as devidas comissões, para os diversos trabalhos da festividade, conforme acima.

AS REFORMAS FÍSICAS-ESTRUTURAIS NA IGREJA CATEDRAL DE N. S. DA CONCEIÇÃO:
Em 1972 o Pe. LUISÃO/Pe. LUIZ TERZONI realizou a 1ª reforma da já Catedral de N. S. da Conceição, c/a revisão do teto da igreja, trocando pernas-mancas, ripas e calhas. Esse foi um serviço de manutenção do templo que se mostrava bastante deteriorado.
Uma 2ª reforma foi realizada, agora de forma radical, que como diz o historiador e pesquisador e professor Jorge Machado, foi uma verdadeira cirurgia plástica, que quase não deixa sombras da velha igreja. Essa reforma incluiu também a retirada das inúmeras imagens de santos e seus mezaninos, a troca do velho altar em estilo barroco, substituído por outro em pedra e mais largo. Junto c/a reforma física aconteceu também a reforma das celebrações litúrgicas, a substituição dos antigos grupos religiosos pelas novas comunidades eclesiais.

AÇÕES DE D. JOÃO GAZZA, O 1º BISPO DE ABAETÉ:
João Gazza, nasceu no dia 19/7/1924. Chegou a Abaeté em 3/2/1963.
O Pe. João Gazza, antes de ser nomeado Bispo Prelado de Abaeté do Tocantins, era reitor do Seminário Xaveriano das Missões de Jaguapitã, no Paraná.
S/sagração episcopal realizou-se no Santuário Nacional de Aparecida no dia 8/12/1962, p/mãos de D. Vicente Zioni, Bispo Auxiliar e Vigário Geral de São Paulo/SP.
Foi nomeado em 3/2/1963 e ficou pouco tempo à frente da Prelazia de Abaeté do Tocantins, até 24/9/1966.
Em dois anos D. João Gazza, visitou toda a prelazia, fazendo apontamentos valiosos dessa visita pastoral.

NASCE O CENTRO MÉDICO N. S. DA CONCEIÇÃO, COM D. JOÃO GAZZA:
Um problema que exigia providências urgentes, detectados pelos primeiros Missionários Xaverianos, que chegaram à Abaeté em 1961, foi o da assistência médica à população.
O Bispo Prelado, D. João Gazza, desde o 1º ano de s/governo, entrou em entendimento c/o prefeito da época, o Dr. Francisco Leite Lopes, para o aproveitamento de um prédio abandonado, já há muitos anos e incompleto em s/construção e tomado pelo mato em suas dependências internas e externas, sito à Rua Siqueira Mendes, em Abaetetuba. A prefeitura em documentação legal cedeu o local à Prelazia para a instalação de um Posto de Puericultura. A prelazia reformou a planta inicial e construiu o atual Centro Médico N. S. da Conceição.
O funcionamento dos atendimentos médicos foi confiado às IRMÃS MISSIONÁRIAS XAVERIANAS/IRMÃS MISSIONÁRIAS DE MARIA, que chegaram em Abaetetuba no dia 3/7/1966. O Centro Médico N. S. da Conceição, iniciou c/atendimento ambulatorial, mas devido ao alto índice de mortalidade infantil na cidade, em 1972, o Centro Médico teve alargado os trabalhos no atendimento médico, implantação da maternidade, para proporcionar às mães e aos recém-nascidos, uma maior segurança na gravidez e nos partos e melhores cuidados aos recém-nascidos.

O SONHO PASTORAL DE D. JOÃO GAZZA:
1) Sonhamos c/um padre, ao menos, em cada uma das seis paróquias da Prelazia, ou melhor, c/dois padres em cada residência, que é o que exigem as normas pastorais dos Xaverianos. Os missionários farão milagres se puderem usufruir de uma vida comunitária de corpo e alma. É necessária uma consciência clarividente da própria vocação específica: fundadores de igrejas, pioneiros de novos “bandeirantes” da fé para abrir estradas, p/onde outros deverão passar, construir para que outros possam se estabelecer definitivamente e “Não desprezar nem uma alma que custou o Sangue de Cristo”. E o missionário deverá ter um espírito de adaptação à toda prova e em todas as linhas, no aproveitamento dos meios especiais para a realização do apostolado missionário. Aí está a oportunidade de viver integralmente a vocação missionária.

NO SONHO PASTORAL DE D. JOÃO GAZZA, UM SEMINÁRIO NA PRELAZIA:
De fato, já nos seus primeiros anos, D. João Gazza, já tinha como uma de suas grandes preocupações a instalação de um seminário, conjuntamente c/uma escola.
Citação sobre os escritos de D. João Gazza s/o Seminário:
1) Nosso sonho continua num panorama ainda mais vasto. Não vislumbramos apenas os sacerdotes de hoje, mas também os de amanhã. E na vaporosidade do sonho surge uma nova realidade: a alegre brancura do edifício do pequeno Seminário da Prelazia de Abaeté.
2) Lá está, pois, o pequeno Seminário, perdido no meio do verde das palmeiras, c/vistas para o azul do mar. Já vemos s/dimensões, as paredes, os corredores, a Capela, as salas de aula, os campos de jogos, etc. que abrigará uns cincoenta meninos, quase todos moreninhos.
3) Lendo o documento em que o Santo Padre João XXIII erigiu a Prelazia de Abaeté, encontramos estas palavras: “Ao prelado impomos a obrigação grave em consciência, de erigir ao menos, o pequeno Seminário da Prelazia”.
A escola e o seminário chegaram a existir improvisadamente nas poucas instalações da antiga prelazia.

D. JOÃO GAZZA E A EDUCAÇÃO:
Na Educação, de 1967 a 1970, foram criados na Prelazia cursos voltados para a educação:
1) Jardim de Infância, num total de três.
2) Escolas Primárias Paroquiais, que chegou a um total de até 37 no período.
3) Escolas Secundárias do 1º Ciclo, que em 1969 chegou a um total de três escolas.
4) Escolas Secundárias do 2º Ciclo, que chegou a um total de duas escolas no período.
5) Alfabetização de adultos que chegou a 16 escolas no período.

Na educação voltada para o trabalho, de 1967 a 1970, foram criadas:
1) Escolas de Datilografia, que atingiu um total de três no período.
2) Escola de Corte e Costura, num total de sete.
3) Escola de Orientação Agrícola, uma.

Na Promoção Humana, de 1967 a 1970, existiam:
1) Clubes de Mães, um total de 12 no período.
2) Cursos de preparação para o lar, um total de 7 no período.
3) Curso de artesanato, um.
4) Centros Comunitários, que chegou a dois no período.
5) Centros recreativos, que chegou a dois.
6) Marcenaria São José, início em 1969.
7) Serraria Cafezal, início em 1967, que sustentava 79 famílias.

D. JOÃO GAZZA E O COLÉGIO SÃO FRANCISCO XAVIER:
D. João Gazza, 1º Bispo Prelado de Abaeté e o Pe. Vicente Mitidieri, foram os mentores intelectuais da implantação de um Ginásio São Francisco Xavier. Vide Padre Vicente Mitidieri e o Colégio São Francisco Xavier.

ALGUMAS NOTAS E APONTAMENTOS DE D. JOÃO GAZZA NAS SUAS VISITAS PASTORAIS:
1) Viajava pelas ilhas de Abaeté e p/outros municípios pelo barco “Mensageiro da Fé”, c/um motor de 15 HP, c/casco e motor, bem velhos. O Sr. Fernando era o piloto e viajávamos longas jornadas de até 8 horas e meia, para chegar à Belém. Na Igreja Mercês, em Belém se situa a nossa Procuradoria. No dia 16/3/1963 embarcamos, junto c/o Pe. Basso, que nos servirá de guia em Acará e Tomé-Açu, onde ele trabalha como missionário. O motor do barco pára e precisa ser consertado. A primeira meta alcançada foi Acará-Açu. Foguetes anunciam a n/chegada. O Pe. Aurélio Basso, dormiu nos bancos da capela. Tinha 54 anos de idade e c/mais de trinta anos de labor apostólico, primeiramente na China, mais tarde no Paraná e por fim, na Amazônia. Na visita fizeram-se os batizados, (13), crismas (103), confissões (50), comunhões (350 e um matrimônio.
2) Na viagem para Acará o motor pára novamente e o barco precisa ser rebocado para conserto. Chegamos a Acará na madrugada do dia 17/3. No dia 18, às 6,30 horas, ouvem-se os foguetes de saudações de quem muito esperara. O dia é dedicado às visitas, na prefeitura, em escolas, hospital, cemitério, etc. A igreja de Acará é uma linda construção de mais de 200 anos. O Pe. Aurélio é quem a visita de quando em quando. O dia 19 de março é todo tomado pela administração dos sacramentos. No dia 20, visita à pequena colônia japonesa, na maioria, budistas, de Acará.
3) No dia 20/3, às 16:30 horas, nas águas do Acará-Mirim, rumamos para a capela de Moções, a 1ª a visitarmos, em Tomé-Açu e junto conosco, vai o Pe. Aurélio Basso. Às 22:30 horas chegamos à Moções, que é uma propriedade particular. Ali realizam-se as funções de crismas. Nas primeiras horas da tarde retomamos a viagem rumo a capela Marequita. É noite fechada e é perigoso avançar no igarapé. Um barco à remo, c/quatro remadores vêem nos buscar e eu sento no meio e o Pe. Basso fica c/a tarefa de esvaziar c/uma cuia a água que penetra na canoa e às 21,30 horas do dia 21/3 chegamos ao destino, só para repousar nas macas de dormir.
4) No dia 22/3 recomeçam os trabalhos apostólicos das confissões, matrimônios, crismas, batizados, instruções catequéticas, imbuídos da frase do Pe. Aurélio Basso “Confirma os teus irmãos”, (lc 22,32). Ano passado esteve p/aqui o Pe. Tarcisio, após decorridos mais de 40 anos sem visitas de padres. A refeição era sempre leve e frugal, servida sempre c/a melhor boa vontade. Os assentos das casas eram geralmente caixas de madeira. Na despedida, formou-se um cortejo de montarias em torno de nossa canoa até chegarmos ao Mensageiro da Fé. À noite fizemos um repouso numa casa particular e novamente aqui recomeçaram os batizados, crismas e instrução catequética.
5) No dia 23 rumamos para Tomé-Açu, onde ficava a residência do Pe. Aurélio Basso, numa viagem de incontáveis horas, de contemplação da paisagem sempre igual de águas, selvas, curvas, algumas aves estranhas e refeições na forma de lanches. Hoje sou eu a preparar o lanche para o Pe. Aurélio, eu e o piloto: três ovos cozidos, duas fatias de pão c/queijo e salame e um gostoso café. Leio também os apontamentos do arcebispo D. Lustosa sobre sua visita pastoral e estas localidades em 1937.
6) Chegamos à Tomé-Açu após 6 horas de navegação ininterrupta, acolhidos como sempre pelo povo, autoridades e estrondos dos foguetes. O dia 24/3 é dedicado à cidade de Tomé-Açu, sede do município, onde se constrói uma nova igreja c/a ajuda do povo. No dia 25/3 rumamos, por um jipe que veio nos buscar, às 5 horas da manhã, rumo à capela de Canindé, distante 50 km, numa estrada de muita lama e por fim chegamos a uma capela de quatro estacas, coberta p/lonas, lugar de devoção dos bons cearenses que habitam estes recantos, daí o nome Canindé.
7) No dia 27/3 trocamos o jipe cambaleante p/um magnífico Chevrolet Impala e rumamos para a colônia japonesa e são os japoneses que estão à frente da operação logística para a visita pastoral. O Arcebispo D. Lustosa também visitou a colônia do “Diamante Preto”, portanto, lá se vão mais 25 anos da visita de um bispo a esse local. No Centro da colônia está em construção uma linda igreja, dentro da qual se realizam os atos da visita pastoral, Santa Missa à qual estão presentes cerca de 600 alunos, quase todos filhos de japoneses e muitos adultos, cantando hinos religiosos brasileiros. A fé católica dentro da colônia japonesa de Tomé-Açu, quem as teria plantado?
8) Nesta rápida 1ª Visita Pastoral atingimos dois entre os seis municípios da Prelazia. Visitamos somente os povoados mais importantes. Percorremos mais de 800 quilômetros nos rios, dedicando 15 dias de tempo ao nosso trabalho.
D. João Gazza voltou em 1966 para a Itália para assumir a função de Superior Geral dos Padres Xaverianos, deixando a Prelazia de Abaeté do Tocantins.
Abaetetuba/Pa, 24/1/2010 – Prof. Ademir Rocha

Nenhum comentário:

Postar um comentário