Mapa de visitantes

sábado, 16 de janeiro de 2010

RELIGIÃO, IGREJAS E VULTOS DE ABAETÉ 5








DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 2





OS PADRES CAPUCHINHOS OU PADRES FRANCISCANOS:



Quem foram os padres capuchinhos que vieram para Abaeté?
Foram os capuchinhos lombardos, c/séde em Milão, Itália, que vieram para o Norte e Nordeste do Brasil, para atuar em meio deste povo santo e sofrido. Esse trabalho custou o suor e sangue de muitos missionários.

A Província Capuchinha de São Francisco das Chagas, do Ceará-Piauí, é a Província-Mãe. Uma Vice-Província do Maranhão-Pará foi criada, c/séde no Maranhão. Os capuchinhos foram chamados a estas terras para encarnar o carisma franciscano, em conjunto c/os amigos, benfeitores e simpatizantes capuchinhos.

O fundador da Província do Maranhão-Pará foi Frei Carlos Roveda de São Martino Olearo, em 16/3/1893, c/a chegada a São Luís/MA. Mas é o dia 12 de maio de 1894 o início official da Missão do Maranhão, sendo o Frei Carlos o 1º superior regular da Missão do Maranhão. Do Maranhão a missão se estendeu para o Pará, Ceará, Amazonas e Piauí. O objetivo era a catequese de índios e colaboração ao clero diocesano, disperso em vastas paróquias. Atualmente a Missão do Maranhão envolve os estados de Maranhão, Pará e Amapá.
Os primeiros treze missionários a chegar, foram 10 sacerdotes e 3 leigos, em São Luís e Barra do Corda, no Maranhão.

Em 29/9/1898 acontece a fundação da Colônia Indígena Santo Antonio do Prata, no Pará, também p/atendimento aos leprosos.

No Pará o objetivo dos capuchinhos era o contato com as tribos indígenas aqui existentes, mas acabaram por se envolver em outros trabalhos de evangelização em Belém e algumas cidades do interior do Estado. Aqui, construíram igrejas, riscaram estradas, plantaram cruzeiros, ensinaram o catecismo, divulgaram orações e ensinaram cantos corais e até ensinaram a ler, escrever e cálculos.

O que caracterizava o capuchinho eram as sandálias, a barba longa, a rústica indumentária, a coragem, a falta de conforto, daí a expressão: “Os Santos Missionários”. No Pará muitas foram suas obras: escolas de arte, escolas primárias, escolas de ofícios, colégios, tipografias, círculos operários católicos, construções de igrejas e casas paroquiais.

OS PADRES CAPUCHINHOS EM ABAETÉ NA DEVOÇÃO À VIRGEM DA CONCEIÇÃO:

Esses padres iniciaram suas visitas Àbaeté ainda no tempo em que a Paróquia estava fechada, devido ao triste episódio do espancamento do Pe. Magalhães.

Desde 1937 os padres capuchinhos iniciaram um grande trabalho não oficial p/o desenvolvimento religioso de Abaeté, c/visitas periódicas à sede da paróquia e na desobriga nas capelas e aos centros do interior. Esses padres ainda não tinham se fixados em Abaeté e eles vinham de s/séde em Belém.

A “residência” instalada em 1949 era o sinal da fixação desses frades em Abaeté e um estágio de transição para a instalação de uma futura “prelazia”, conforme estudos de implantação que foram encaminhadas para o Vaticano pelo Arcebispo D. Mário de Miranda Vilas Boas (1944-1966).

Os Frades Capuchinhos também estiveram em Igarapé-Miri e outras paróquias limitrofes à Abaeté.

A partir de 1948 os frades já tinham iniciado um trabalho junto à Paróquia de Igarapé-Miri, que, depois, foi agregada à nova Prelazia de Cametá.

Em 1953, após expressa solicitação do Arcebispo de Belém, D. Mário de Miranda Villas Boas, começa o apostolado junto às paróquias limítrofes de Abaeté, como, Acará, Moju, Bujarú, Barcarena, Vila de Conde, que passaram a ser visitadas pelos frades de Belém e Abaetetuba.
Assim estava criada as condições para a instalação de uma nova prelazia no Pará, tendo como séde a Paróquia de Abaeté.

Em fevereiro de 1954 D. Mário de Miranda Vilas-Boas avança na proposta p/a criação da prelazia a ser entregue aos padres capuchinhos.

Mas acontece a contemporânea proposta para a criação de uma nova prelazia no vizinho Estado do Maranhão, a Prelazia de Carolina, que leva os frades à saída de Abaeté e de toda a região já p/eles assistida.

Parecera aos superiores desses frades, c/efeito, que era mais oportuno optar p/Carolina, deixando a oferta de Abaeté. Aliás, o abandono da região de Abaeté é posto pelos superiores da Provìncia, qual condição indispensável p/aceitar a nova entidade no Maranhão.

Convém salientar que os frades saíram de Abaeté p/uma questão de “obediência” aos s/superiores, mas eles fizeram um grande trabalho em Abaeté e eram amados pelo povo católico local e eles amavam sua paróquia e o povo de Abaeté. Vide Padres Capuchinhos em Abaeté.

Foi a partir dos padres capuchinhos que a devoção a N. S. da Conceição foi consolidada na nova Igreja Matriz de Abaeté ou Igreja Matriz de N. S. da Conceição e eles até ajudaram a criar uma nova banda musical em Abaeté, a Banda Virgem da Conceição, fruto de uma desavença desses padres com os dirigentes da Banda Carlos Gomes. Vide Padres Capuchinhos em Abaeté e Banda Virgem da Conceição.

FRADES CAPUCHINHOS QUE ESTIVERAM EM ABAETÉ:

1938: Frei Gabriel Maria de Zazzate, capuchinho.

1939: Frei Anastácio Maria das Porteiras, capuchinho.

1939: Somente em 1939 é que os padres capuchinhos vieram assumir definitivamente os trabalhos paroquiais de Abaeté.

Frei Paulino Celere, foi vigário em Abaeté e no s/tempo a nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição estavam em obras e foi ele que fez a sagração dessa nova igreja em 1941. Ele também incentivou a construção da Igreja de Santa Luzia, doando fundos p/essa obra em 1943 e era um grande incentivador da construção da Igreja de N. S. de Nazaré e aparece, em 1944, como vigário de Abaeté em um antigo e bem elaborado programa dessa festividade.

Citações:

1) Em o 28/11/1941, aconteceu a Sagração Oficial do Templo, cerimônia realizada pelo padre capuchinh Frei Paulino/Frei Paulino de Sellere, após a chegada do Círio desse ano. Esse padre junto com Joaquim Mendes Contente e Dionísio Edmilson Lobato sobem até a grande torre do templo e de lá lança a bênção sobre a sonhada Igreja matriz e à cidade de Abaeté.

Frei José Maria de Manaus e Frei Hermes. Vide rua Frei José Maria de Manaus.

Frei Camilo Maia. Diretoria da Festa de N. S. da Conceição: Presidente: Vigário Paroquial Frei Camilo Maia; 1º Secretário: João Luiz dos Reis; 2º secretário: José ferreira Ribeiro; Tesoureiro e Diretor geral: Joaquim Mendes Contente.

Frei Hermes, que veio junto c/o frei José Maria de Manaus. Foi o frei Hermes que construiu o monumento ao Cristo Crucificado, até hoje existente na praça catedral de N. S. da Conceição.

1943: O termo Abaeté perdurou ate o dia 30/9/1943 quando foi substituído pelo nome Abaetetuba, o novo nome da cidade, na gestão do prefeito nomeado José Ferreira Ribeiro (4/4/1943-25/4/1945).

Após a saída inesperada dos padres capuchinhos da Paróquia de Abaeté, vieram novamente os padres seculares da Arquidiocese de Belém.

Citações s/os padres capuchinhos:

1) No ano de 1939 chega o frei Anastácio Maria de Porteiras para um trabalho mais efetivo em Abaeté.

2) O padre capuchinho Frei José Maria de Manaus, foi enviado pela Arquidiocese de Belém, como Vigário em exercício, no ano de 1941. No seu tempo, aconteceram fatos marcantes para a história do município. Ele fez o registro geral do terreno doado, de 11.531,25m2 de área, onde estava sendo levantada a Igreja Matriz de N. S. da Conceição.

3) Somente em 1949 é que foi aberta uma casa “Residência” e se inicia a presença fixa dos missionários capuchinhos em Abaeté. Em 1949 a paróquia era confiada aos capuchinhos “ad nutum s. Sedis”.

4) Já estava acertado desde D. Antonio Lustosa/D. Antonio de Almeida Lustosa (1931-1941), quando a nova igreja matriz estava em construção e a Ordem dos Padres Capuchinhos, que estes é que deveriam ficar responsáveis pela região de Abaeté e outros municípios das redondezas.

5) Foi o padre Luiz Gusenhover que, numa dessas missões específicas em Abaeté, em 1938, que passou a Paróquia para as mãos dos padres da Congregação dos Padres Capuchinhos, que deveriam assumir a paróquia, e, possivelmente, uma nova prelazia a ser criada na região. Foi o Frei Gabriel, que recebeu a paróquia das mãos do Pe. Luiz Gusenhover, sinalizando esse ato, o fim do interdito da paróquia de Abaeté.

Na realidade, os padres capuchinhos deveriam vir de Belém, para dar assistência pastoral e espiritual em caráter experimental em Abaeté e eles nem sequer possuíam uma casa para morar em Abaeté. Nesse início de atividades na cidade eles ficavam hospedados em casas de pessoas amigas, como na casa do farmacêutico Joaquim Mendes Contente, que hospedou vários desses freis.

Outras citações:

1) O frei Anastácio foi um desses visitantes, que desde o ano de 1937 até o ano de 1943, desenvolvia atividades de pastoral em Abaeté.

2) Em 28/11/1941 o frei Paulino de Sellere, fez a sagração official da Igreja Matriz de N. S. da Conceição, no decorrer de uma missa solene celebrada nesse dia.

3) Os padres capuchinhos aceitaram ficar definitivamente em Abaeté, decisão essa sinalizanda pela construção de uma “residência” em 1947, que é uma designação das casas em que os padres capuchinhos residem, quando aceitam ficar em definitivo em uma determinada paróquia.

O MOTIVO QUE DETERMINOU A SAÍDA DOS PADRES CAPUCHINHOS DE ABAETÉ:

A Residência de Abaeté é fechada no dia 15/8/1957, p/determinação dos superiores dos padres capuchinhos, cuja sede ficava no Maranhão. O motivo foi a instalação da Prelazia de Carolina que foi entregue a esses frades e c/isso, descartando a futura Prelazia de Abaeté que estava em trâmites finais de criação, no Vaticano.

Os capuchinhos se retiram da Paróquia de Abaeté em 1960, devido os compromissos assumidos com a criação da Prelazia de Carolina.

Ficou apenas um frade para poder entregar a paróquia para um novo vigário que deveria assumir brevemente. E em 1960 os frades capuchinhos se retiram definitivamente de Abaetetuba. Novamente assumem a Paróquia de Abaeté os padres seculares vindos de Belém/Pa.

NOVAMENTE OS PADRES SECULARES DE BELÉM EM ABAETÉ:

1961: O nome da cidade muda p/Abaeté do Tocantins, conforme projeto do deputado abaeteense Wilson Pedrosa Amanajás.

Depois da ida dos padres franciscanos, vieram novamente os padres da Arquidiocese de Belém. Esses padres que vieram suceder aos capuchinhos foram o Padre Chagas/Padre Francisco Chagas da Costa e o Padre Leite/Padre José Leite Sampaio.

O jovem sacerdote Padre Francisco Chagas da Costa, chegou em agosto de 1957, sozinho, para substituir os Padres Capuchinhos que foram retirados por seus superiores de Abaeté. Ele bem que tentou seguir algumas diretrizes deixadas pelos padres capuchinhos. Ele ficou à frente da Paróquia durante três anos e muito atarefado com os trabalhos da igreja e ele não teve tempo e nem condições para iniciar uma obra de relevo em Abaeté. Mas ele não descuidou da assistência aos pobres e das celebrações litúrgicas. Teve a ajuda, durante uma curta temporada, do Padre Leite/Padre José Leite Sampaio.

No tempo em que o Padre Chagas esteve em Abaeté conseguiu alcançar o coração do povo, com os seus animados atos litúrgicos e dos cantos por ele entoados.

O Padre Chagas trouxe consigo a sua mãe, que se tornou uma figura muito conhecida na cidade.

O PADRE CHAGAS E A IGREJA DE SANTA LUZIA:

Em Abaeté, a inacabada Igreja de Santa Luzia se localizava ali onde hoje é a residência das irmãs xaverianas. Sua construção iniciou no ano de 1930, por iniciativa de devotos dessa Santa. Mas essa igreja nunca chegou a ser concluída, mesmo porque o maior de seus devotos, o Professor Maxico/Maximiano Antonio Rodrigues, foi impedido pelo Padre Chagas/Padre Francisco das Chagas a dar continuidade a essa obra, por achar que o local de sua construção ficava muito próximo da Igreja Matriz de N. S. da Conceição. O Padre Chagas, inclusive, o destituiu da direção dos festejos de Santa Luzia e se apropriou indevidamente das imagens de Santa Luzia e de São Benedito, que eram de propriedade do professor. O local onde essa igreja ficava era conhecido como Largo de Santa Luzia.

Há algumas citações sobre o Padre Chagas e o Padre Leite:

1) Sobre as Missões: Em junho de 1959 vieram do Rio de janeiro três missionários: Padre Lúcio Pinho, Padre Carvalho e Padre Leite, para enfrentar mais uma jornada missionária, agora nas distantes terras do rio Amazonas. Chegaram em Belém e enfrentaram sete horas de barco até Abaetetuba. A missão foi cheia de entusiasmo e o povo se reuniu, principalmente à noite, em massa de mais de 3 mil pessoas para ouvir as pregações missionárias e o Padre Francisco Chagas, jovem e inteligente sacerdote, um grande trabalhador à frente da paróquia, ficou sendo o principal responsável pelo brilho alcançado pelas Missões.

2) Homenagens Oficiais da Turma de Humanistas, ano de 1960, do Ginásio N. S. dos Anjos: Santo Padre, Papa João XXIII, Dr. Juscelino Kubitschheck de Oliveira, D. Alberto Gaudêncio Ramos, Sr. João Luís dos Reis-Prefeito, Prof. José da Silva Chuva e Pe. Francisco Chagas da Costa.

3) Sobre a partida do Padre Chagas de Abaeté: No dia 6 de março de 1961, D. Alberto que veio à Abaeté empossar os padres xaverianos na Paróquia, voltou para Belém levando consigo o padre Francisco Chagas da Costa/Padre Chagas, que deixava saudades sinceras do povo, pois durante 3 anos o Padre Chagas realizou um ótimo trabalho, doando ao povo todas as suas forças e todo o seu coração.

4) Homenagens Especiais da Turma de Humanistas do Ginásio N. S. dos Anos, ano de 1960: Pe. José Leite Sampaio, Madre Josefa Maria de Aquiraz, Madre Ângela Maria de Mulungu, Prof. Francisco Leite Lopes, Sr. Joaquim Mendes Contente, Sr. Dionísio Edmilson Lobato, Sr. Hildo Tavares Carvalho e Sr. Edir Cardoso Paes.

A Paróquia de Abaetetuba ficou subordinada à Arquidiocese de Belém até o ano de 1961, quando foi erigida a Prelazia de Abaeté do Tocantins, em 25/11/1961.

A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO APÓS A CONSTRUÇÃO DA IGREJA MATRIZ DE N. S. DA CONCEIÇÃO:

Após a construção da nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição, a devoção a N. S. da Conceição, leva a outras mudanças movidas pela fé a N. S da Conceição:

1) Praça de N. S. da Conceição/Praça da Conceição, que foi a denominação popular que a antiga Pça. Dr. Augusto Montenegro recebeu, que foi a 2ª praça c/esse nome e que se torna oficial após pouco tempo da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. Para servir às duas bandas musicais da cidade, para que estas pudessem tocar após as cerimônias religiosas, foram construídos dois bonitos coretos nessa praça.

2) Igreja Matriz de N. S. da Conceição, que teve s/construção iniciada em 1933 e finalizada em 1941, que se tornou a principal igreja da paróquia de Abaeté/Pa, que veio substituir a antiga igreja Matriz do Divino E. Santo, esta derrubada pelos padres capuchinhos em 1948. Essa igreja foi construída c/alguns motivos barrocos, possuindo mezaninos onde ficavam as grandes imagens dos principais santos da devoção popular em Abaetetuba e um bonito altar. Mas com a chegada dos padres xaverianos em 1961, a igreja, agora catedral, começa a sofrer reformas que desvirtuaram a construção original, c/a retirada das imagens dos santos, só permanecendo as imagens de N. S. da Conceição, de S. José e a imagem do Cristo Crucificado, as reformas litúrgicas e as reformas nas devoções dos santos populares, inclusive N. S. da Conceição. Vide “As antigas e as atuais festas de N. S. da Conceição”.

Mesmo com essas reformas a Igreja Catedral continua a ser o maior patrimônio histórico da Igreja e da cidade de Abaetetuba.

3) Imagem de N. S. da Conceição, que os entendidos no assunto dizem que possui traços do barroco e que foi trazida de Portugal p/Francisco de Azevedo Monteiro, o fundador do povoado e que p/isso é um verdadeiro patrimônio histórico de Abaetetuba. A imagem foi esculpida em cedro, pesando 18 kg e c/111 cm de altura p/96 cm de busto. Essa imagem é venerada e cultuada pelo povo católico local em um verdadeiro frenesi de fé, devoção e amor à Virgem da Conceição. No dia do Círio de N. S. da Conceição, que acontecia a cada dia 28 de novembro, essa venerada imagem era colocada em uma berlinda, ricamente trabalhada e enfeitada de c/muitas flores e carregada nos ombros do povo católico.

4) O Hino de N. S. da Conceição, que é um belo e melodioso hino dedicado à Virgem da Conceição, especialmente composto pelo maestro abaeteense Oscar Santos, sempre entoado de modo inflamado ao final das celebrações religiosas e que leva muitas pessoas às lagrimas.

5) Barraca de N. S. da Conceição, que é um prédio anexo à Igreja Matriz, onde, seguindo a tradição das festas religiosas na antiga Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, deveriam acontecer os famosos leilões c/fundo musical e outros folguedos e vendas de bebidas e comidas típicas. Nos tempos antigos eram bem concorridos os leilões, cujos produtos leiloados, na forma de bolos, animais vivos ou abatidos, miniaturas de embarcações e muitos outros tipos de produtos que eram ofertados pelos devotos de N. S. da Conceição. Um dos famosos leiloeiros era o Sr. Orêncio Pimentel Coutinho que levou anos nessa atividade. Na barraca existia um bar, responsável pela venda de bebidas e tira-gostos e uma cozinha, responsável pelo preparo e venda das comidas na barraca.

6) Nos anos de 1960 essa grande barraca abrigou a Escola Paroquial N. S. da Conceição, que foi a 1ª escola da recém instituída Prelazia de Abaeté do Tocantins, escola montada pelos primeiros padres xaverianos, atendendo sugestão de D. João Gazza, 1º Bispo da nova prelazia, nos anos de 1960, para atender a necessidade de muitas crianças que se encontravam fora das salas de aulas no município, pela falta de escolas.

7) Paróquia de N. S. da Conceição, que veio p/substituir a antiga denominação de Paróquia de Abaeté nome que vinha desde 1750, depois da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, quando se inicia, também, a nova denominação de Paróquia de N. S. da Conceição, c/a assistência permanente de um vigário na paróquia.

8) P/conta de uma 3ª desavença dos padres da Igreja Católica c/os dirigentes da Banda Carlos Gomes, em 15/9/1949, o Mestre Chiquinho Margalho e alguns s/companheiros, c/o incentivo dos padres capuchinhos, funda uma banda musical denominada: Banda Virgem da Conceição, que existe até os dias de hoje.

9) São inúmeras as passagens e travessas da cidade de Abaetetuba/Pa com o nome de N. S. da Conceição ou simplesmente Conceição.

10) Festa ou Festividade de N. S. da Conceição, que de uma simples devoção/novena que acontecia na antiga igreja do Divino Espírito Santo situada à Praça da Bandeira, passa a se tornar uma festa de santo, c/direito a procissão e o ápice da festa sendo o dia consagrado a N. S. da Conceição, 8 de dezembro. Essa festa, a partir dos anos de 1940, depois da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, passa a mexer c/a vida das pessoas e c/toda a cidade de Abaeté, se tornando a maior festividade de santo do município. Os comerciantes de regatão faziam de tudo p/estar presente nesses dias de festejos.

11) Procissão de Trasladação da imagem de N. S. da Conceição, que é o nome que se dá à procissão de véspera do Círio de N. S. da Conceição que leva a Imagem de N. S. da Conceição para o lugar de onde sairá o círio, no dia seguinte à essa trasladação. É também uma grande procissão.

12) Círio de N. S. da Conceição, que de uma modesta procissão passa a se tornar uma grande manifestação de fé do povo abaetetubense, levando milhares de fiéis às ruas da cidade, em uma grande festa de amor e carinho pela mãe de Jesus, alguns enfeitando s/casas e soltando fogos.
Citações:

Em 1937 aconteceu o 1º Cirio de N. S. da Conceição após a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. Citação:

As duas bandas de música, a Carlos Gomes, chefiada por Raymmundo Pauxis, tendo como Mestre de Banda o Sr. Chiquinho Margalho e a Banda Paulino Chaves, esta chefiada pelo mestre de banda Gerônimo Guedes e com 21 músicos, que participaram do 1º Círio de N. S. da Conceição em 1937, saindo da Igreja do Divino Espirito Santo, onde antes se realizava essa festividade. Saiu rumo a nova Igreja Matriz que estava, ainda, em construção, c/paredes não rebocadas. A missa de chegada do Círio foi celebrada pelo Frei Paulino de Selere e Frei Camilo, à Praça Dr. Augusto Montenegro, hoje Praça de Nossa Senhora da Conceição, popularmente chamada Praça Matriz ou Praça da Conceição.

13) Catedral de N. S. da Conceição, nome que veio a substituir a antiga designação de Matriz de N. S. da Conceição, devido o fato da criação da Prelazia de Abaeté do Tocantins, cuja sede ficaria em Abaeté e cuja igreja se transformou em catedral, p/ser a principal igreja da nova prelazia, criada em 1961.

14) Grupo de Escoteiros de N. S. da Conceição, era um grupo de escoteiros existente em Abaetetuba, que tinha como seu antigo chefe o Sr. Wagner Ribeiro.

15) Largo ou Arraial de N. S. da Conceição, que era o nome dado à Praça de N. S. da Conceição, onde foi construída a nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição e que era enfeitada do mesmo jeito que o antigo arraial na antiga Igreja do Divino. O arraial só mudou de lugar.

16) Banda Virgem da Conceição, que é a banda até hoje existente, criada em 25/11/1961, c/o incentivo dos padres capuchinhos, para substituir a Banda Carlos Gomes, nos festejos de santos de Abaeté. Vide Banda Virgem da Conceição.

17) Centro Médico N. S. da Conceição, que surgiu devido à precária situação médico-sanitário encontrada p/D. João Gazza na cidade de Abaeté. Citações:

Outro problema que exigia providências urgentes, detectados pelos primeiros missionários xaverianos, que chegaram à Abaeté, em 1961, foi o da assistência médica à população. O Bispo Prelado, D. João Gazza, desde o 1º ano de seu governo, entrou em entendimento com o prefeito da época, o Dr. Francisco Leite Lopes (1963-1967), para o aproveitamento de um prédio abandonado já há muitos anos e incompleto em sua construção e tomado pelo mato em suas dependências internas e externas, sito à Rua Siqueira Mendes, em Abaetetuba.

A prefeitura em documentação legal cedeu o local à Prelazia, para a instalação de um Posto de Puericultura.

A prelazia reformou a planta inicial e construiu o atual Centro Médico N. S. da Conceição. O funcionamento dos atendimentos médicos foi confiado às Irs. Xaverianas, que chegaram em Abaetetuba no dia 3/7/1966. O Centro Médico N. S. da Conceição, iniciou c/atendimento ambulatorial, mas devido ao alto índice de mortalidade infantil na cidade, em 1972, o Centro Médico teve alargado os trabalhos com atendimento médico, c/a implantação da maternidade, para proporcionar às mães e aos recém-nascidos, uma maior segurança na gravidez, nos partos e melhores cuidados aos recém-nascidos.

Na verdade, do ano de 1967 a 1970, o Centro Médico, ampliou sobremaneira os seus atendimentos:

Assistência médica hospitalar, com consultas médicas, exames de laboratórios, atendimento ambulatorial (vacinas, curativos), maternidade com assistência de parteiras ou médicos e encaminhamentos de doentes para a capital;

Assistência médica alimentar, com distribuição de leite e sopas para crianças e doentes;

Assistência médica educacional, c/cursos e palestras s/higiene, noções de Puericultura, alimentação adequada às mães, bebês e crianças, visitas às residências, distribuição de roupas, lençóis, enxovais para bebês.

Assistência médica financeira, c/despesas c/alimentação e nas viagens de médicos de Belém.

O QUE EXISTIA NO ARRAIAL OU LARGO DE N. S. DA CONCEIÇÃO :

O que o povo chamava de arraial ou largo para os festejos de santos em Abaeté possuía os seguintes elementos:

O mastro levantado na praça, devidamente enfeitado com muitos motivos religiosos ou não. Atualmente o mastro não mais existe.

Os bancos para o povo sentar e descansar dos passeios no arraial, que existem até os dias atuais.
O arco devidamente enfeitado c/motivos religiosos ou a imagem dos santos festejados, p/baixo dos quais a procissão obrigatoriamente tinha que passar. Esse costume existe até os dias de hoje.
As bandeirinhas e outros enfeites na praça do festejo ou as ruas p/onde passava a procissão.
As vendas de comida, bebida, doces, salgadinhos e comidas típicas. Nos dias atuais muitas dessas vendas foram disciplinadas para vendas em barraquinhas dentro da área da praça ou nas ruas adjacentes à praça dos festejos.

Vendas na barraca: bebidas e comidas:

Comidas: patéis, canudinhos, churrascos, galinha c/farofa, arroz, pratos típicos da região como maniçoba, tacacá, queijo, etc.

Os brinquedos que antigamente eram poucos, como cadeiras de balanço, barquinhos, o carrossel de madeira, os brinquedos vendidos nas girândolas como: corró-corró, cataventos, brinquedos de miriti e muitos outros brinquedos que surgiam da criatividade de muitos artesões de Abaeté.

Os jogos como: tiro-ao-alvo à ou de espingadas, pescarias, jogo das argolas e outras atrações que chamavam a atenção de todos, especialmente das crianças.

Nos coretos da praça, as duas bandas musicais se revezavam nos acordes, coisa que hoje não se vê mais.

Os fogos do meio dia, das dezoito horas e os depois das celebrações religiosas.

A Iluminação do arraial.


ORGANIZAÇÃO DAS ANTIGAS FESTAS DE N. S. DA CONCEIÇÃO:

As antigas festas de N. S. da Conceição iniciavam com o Círio que tradicionalmente acontecia no dia 28 de novembro. Havia os organizadores da festa, distribuídos por várias funções como juízes, juízas, membros, diretores. O dia da festa era o dia 8 de dezembro, dia consagrado à N. S. da Conceição pelo calendário católico. Exemplo da organização de uma antiga festa:

Data do início da festa: 28 de novembro; Término da festa: 8 de dezembro.

Juiz Protetor: Raimundo Pauxis.

Juiz de Honra: Tenente Humberto Parente.

Juízes: Excelentíssimos Senhores: Aristides dos Reis e Silva, José de Carvalho Figueiredo, Abílio Souza, Davi Meira, José Pinheiro Baía, Miguel Silveira Ferreira, Aires Baia Matos, Elpídio Figueiredo, Deoclécio Viana, Zinho Cruz, Benjamir Nahum, Hilder Barros, Caboclo Ferreira, Felix Santos, Alaci Pinheiro Sampaio.

Diretoria: Presidente: Vigário Paroquial Frei Camilo Maia; 1º Secretário: João Luiz dos Reis; 2º secretário: José ferreira Ribeiro; Tesoureiro e Diretor geral: Joaquim Mendes Contente.

Membros: Hildefrides dos Reis e Silva, Emiliano de Lima Pontes, Raimundo Nonato ferreira, Oscar Solano, Raimundo Pauxis, Horácio Maués Cardoso, Bernardino Costa (como representante em Belém).

Juízas: Etelvina Villaça da Silva, Orlandina Lima de Sousa, Rosalina Carvalho Costa, Maria da Conceição Matos, Maria da Conceição N. Cardoso, Emercinda Maués Góes, Dalca Leite Cunha, Auta Correa Cardoso, Lucília Gonçalves Garcia, Mageli Felipe Ribeiro.

Juízes da Trasladação e Procissão: Pedro Ribeiro de Araujo, Fortunato Lobato, Crispim Ferreira, Licínio Ribeiro de Araujo, Raimundo Cardoso da Silva, Manuel V. Pinheiro de Sena, Horácio Lobato e Ildemar Correa Lima.

Juízas da Trasladação e Procissão: Catarina Pimentel Coutinho, Cezarina Lobato, Antonieta Paes Loureiro, Valdomira Cardoso, Olívia Chaves, Alice Vieira, Emercinda Maués Góes, Climéria Vencelar Cardoso, Ceci Lopes.

Diretor técnico da Iluminação: João Batista dos Reis e Silva. Juízes do Mastro: João Arlindo Frederico de Lima, Manuel Barbosa, Sebastião Lobato.

Juízes da Bandeira: Nirvana Silva de Souza.

A festa de N. S. da Conceição era celebrada na pequena Igreja do Divino, perdurando esses festejos até o ano de 1936, quando, então, já estava construída a nova Igreja Matriz de Abaeté, que mesmo ainda inacabada, começou a receber os festejos de N. S. da Conceição, a partir do ano de 1937, já com a presença dos padres capuchinhos na cidade de Abaeté.

Abaetetuba/Pa, 17/1/2010 – Prof. Ademir Rocha

7 comentários:

  1. Seu trabalho é muito bom e merece credibilidade.Pode ser considerado como uma inestimável contribuição à História de sua terra. Prof. Claudionor Wanzeller.

    ResponderExcluir
  2. Seu trabalho é muito bom e merece credibilidade.Sem dúvida, consiste em inestimável contribuição à História de sua terra. Prof. Claudionor Wanzeller (Mosqueiro-PA)

    ResponderExcluir
  3. Seu trabalho é muito bom e merece credibilidade. Sem dúvida, trata-se de uma contribuição inestimável à História de sua terra. Prof. Claudionor Wanzeller(Mosqueiro-PA).

    ResponderExcluir
  4. Caro Prof. Claudionor Wanzeller,
    Obrigado pela visita ao n/blog e pelos elogios. Seu sobrenome, se não me engano, já passou pelas minhas mãos como membro de uma família de Abaetetuba e Ponta de Pedras.
    Um abraço do
    Prof. Ademir Rocha

    ResponderExcluir
  5. TENHO UMA FOTO DO FREI ANASTACIO DE PORTEIRAS,O MESMO ERA PADRINHO DO MEU PAI, ELE FEZ MUITA DESOBRIGA EM TURIAÇU,CIDADE DO MARANHÃO.PROF.CLAUDIO RIBEIRO

    ResponderExcluir
  6. Caro Prof. Cláudio Ribeiro,
    Agradeço pela visita ai blog e lhe pediria, se possível, que pelo e-mail ademir-heleno@bol.com.br vc nos remetesse essa preciosa foto do frei Anastácio para publicação em n/blog. Fotos assim tem valor sentimental e histórico muito grande.
    Abraços do prof. Ademir Rocha

    ResponderExcluir
  7. Caro Prof. Cláudio Ribeiro,
    Até hoje estou esperando a foto do admirável Frei Anástácio Maria das Porteiras, para publicá-la no Blog. Abraços e feliz Ano Novo para vc e o Claudionor Wanzeller. De Ademir Rocha

    ResponderExcluir