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sábado, 16 de janeiro de 2010

RELIGIÃO, IGREJAS E VULTOS DE ABAETÉ 4


DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 1



NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 1



NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO - O título dado à Maria, Mãe de Jesus, de N. S. da Conceição é fruto de um dogma da Igreja, acreditando que Maria foi concebida s/a mancha do pecado, nascendo, portanto, s/o pecado original. Isso ocorreu somente à Maria, para ela vir ao mundo já preparada p/ser a futura Mãe do Filho de Deus. Assim se tornaria o Tabernáculo Vivo onde Jesus moraria por 9 meses. P/ter sido pura desde sua concepção no ventre de sua mãe podemos chamá-la também de Imaculada. Daí o título de IMACULADA CONCEIÇÃO. A palavra conceição é um derivado de concebida, ou seja, Maria foi concebida, veio ao mundo, sem o pecado original e, por isso, é Imaculada. Pode ser chamada de N. S. da Conceição ou Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

O culto a N. S. da Conceição já existia em Portugal quando em 25/3/1646 o El-Rei, D. João IV, declarou a Virgem N. S. da Conceição padroeira do Reino de Portugal, oficializando um culto que já vinha desde 1589, quando já existiam muitas irmandades de N. S. da Conceição no país lusitano. Os portugueses que vieram colonizar o Brasil já trouxeram consigo o culto a N. S. da Conceição, como foi o caso do navegador português Francisco de Azevedo Monteiro que foi o introdutor desse culto no povoado de Abaeté em 1724, quando veio tomar posse da sesmaria a si doada pelo rei de Portugal.


OS PADRES CAPUCHOS INICIAM A CATEQUESE DOS NATIVOS DE ABAETÉ:

A história religiosa de Abaetetuba fala dos padres capuchos e padres jesuítas em missão de catequese no povoado de Abaeté. Quem foram os padres capuchos?

Os padres capuchos eram os padres da Ordem de Santo Antônio de Lisboa e de N. S. da Conceição da Beira, em Portugal, que chegaram à Província do Pará em 22/7/1617.

Nesse mesmo ano os padres capuchos da Ordem de Santo Antonio fundaram o Convento do Una em Belém, assim chamado por essa instalação ficar situada às margens do igarapé Una, em Belém/Pa. Na mesma Belém, no Século 18, em 1736, iniciam a construção da Igreja de Santo Antônio.

Esses padres chegaram à Província do Pará c/a missão de catequizar e aldear os nativos nômades, das etnias tupinambás existentes nas regiões de Belém e às s/proximidades.
Nas suas visitas aos nativos de Cametá/Capitania de Camutá, também iniciam a catequização dos nativos que viviam à beira dos rios da região.

Nas suas visitas aos nativos de Conde/aldeia Mortigura, Beja/aldeia Samahuma e Cametá/aldeia dos Camutás, os padres capuchos também estiveram em visitas aos índios Abaetés, fazendo um trabalho de catequese junto a esses índios, que quando da chegada do português Francisco de Azevedo Monteiro, eles já estavam devidamente catequizados.


ALGUNS REGISTROS SOBRE A MISSÃO DOS PADRES CAPUCHOS:

Foram inicialmente 4 os capuchos designados p/o trabalho árduo da catequese dos nativos: Frei Felipe de S. Boaventura, Frei Sebastião do Rosário, Frei Cristóvão de S. José e Frei Antonio da Marciana.

Os capuchos saíram a cumprir a s/nobre missão. O Frei Cristóvão de S. José subiu o rio Tocantins e, na s/margem esquerda lançou os fundamentos de um núcleo populacional, que recebeu o nome dos nativos do lugar, os índios camutás/Capitania de Camutá.

O Frei Cristóvão de S. José foi um grande desbravador, pois. ao subir o rio Tocantins em canoa, na árdua missão de de transformar homens bárbaros em homens dóceis, rebelados em doutrinados, cultivando almas como se cultiva a terra, ele lançou os fundamentos da Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá, onde havia de ser ereta a Capitania de Feliciano Coelho de Carvalho, em 1635. Com a ajuda desses gentios abriu caminhos em direção às florestas próximas. E ficou 3 anos de trabalho missionário, viajando constantemente pelo litoral, embrenhando-se nas matas à procura dos nativos para catequizá-los.

Os capuchos auxiliavam os portugueses na obra de conquista, tornando-se notável o trabalho desses religiosos, que foram os primeiros na evangelização dos nativos e na entrada através do sertão.

Em 1653 esses padres se retiram de suas bases de catequese dos povoados Mortigura/Conde, Samuhuma/Beja e Abaeté.


A CHEGADA DE FRANCISCO DE AZEVEDO MONTEIRO:

Quando o navegador Francisco de Azevedo Monteiro aportou às margens do rio Maratauhyra, em 1724, já encontrou os nativos do lugar devidamente catequizados e para ele não foi difícil construir a capela dedicada a N. S. da Conceição, fruto de uma s/promessa, de que se escapasse da fúria de um temporal mandaria erigir referida capela em honra à Virgem da Conceição. Para isso ele contou c/a ajuda dos nativos locais.

Francisco de Azevedo Monteiro já trouxe consigo a devoção à N. S. da Conceição, pois o culto a N. S. da Conceição já existia em Portugal, quando em 25/3/1646 o El-Rei, D. João IV, declarou a Virgem N. S. da Conceição padroeira do Reino de Portugal, oficializando um culto que já vinha desde 1589, quando já existiam muitas irmandades de N. S. da Conceição no país lusitano.

Era tão forte a devoção dos portugueses à N. S. da Conceição, no início da Colonização do Brasil e, especificamente do Pará, que dos 74 topônimos religiosos dados às localidades paraenses, antes da expulsão dos jesuítas e outras ordens religiosas do Pará, que 22 eram dedicados à N. S. da Conceição, seguido de S. João Batista com 14 lugares, enquanto S. Miguel, S. José, Santa Maria e N. S. do Rosário acham-se espalhados em 20 outras vilas e cidades. Isso demonstra a força da devoção dos portugueses p/N. S. da Conceição.

Portanto, foi Azevedo Monteiro, o introdutor desse culto no povoado de Abaeté em 1724, quando veio tomar posse da sesmaria a si doada pelo rei de Portugal. O culto a N. S. da Conceição encontrou terreno fértil entre os nativos do lugar, que se encarregaram de perpetuar essa devoção.


OS PADRES JESUÍTAS NA CATEQUESE DOS NATIVOS DE ABAETÉ:

Quem foram os padres jesuítas?

Depois dos missionários capuchos e dos carmelitas calçados, chegaram ao Pará os religiosos da Companhia de Jesus, os jesuítas, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola e companheiros.

O 1º jesuíta a desembarcar na cidade de Belém foi o padre Luís Figueira no ano de 1636. Após um trabalho de evangelização no rio Amazonas, junto às tribos do rio Xingu, regressou esse padre à Europa, a fim de trazer mais religiosos para a obra de catequese. Em 1645 estava de volta ao Amazonas e estando às proximidades da baía do Sol, sofre um naufrágio e o padre Figueira e mais 9 religiosos foram trucidados pelos índios aruans do Marajó.

Somente em 1653 os jesuítas retornaram ao Pará, trazendo uma carta onde existia a permissão para esses religiosos fundarem igrejas e doutrinar e encaminhar os gentios nos caminhos da fé. Levantaram estes, na Campina, em Belém, casa e capela, pequenas e de palhas, como as dos gentios. Da Campina passaram p/junto ao Forte do Presépio, onde construíram nova casa e capela. P/longos anos prosseguiram o trabalho na construção do Colégio de Santo Alexandre, que também servia de repouso aos missionários quando voltavam das entradas e missões ao redor de Belém.

Foi grandioso o trabalho dos jesuítas no Pará, subindo os rios e penetrando nos lugares inóspitos, fundaram povoados e levaram a palavra de Deus aos índios, tornando-os, desse modo, excelentes colaboradores dos portugueses.

Além do Marajó os jesuítas estabeleceram bases em outros lugares, lutando pela liberdade dos índios, inclusive junto aos nativos das aldeias Mortigura e Samuhuma, de onde faziam incursões pelas terras dos índios Abaetés a partir de 1660, em substituição aos padres capuchos que haviam abandonado essas missões em 1653.

Dos povoados existentes no Pará Antes da chegada de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, 26 eram aldeias ou núcleos de povoados dos padres jesuítas, como: Caeté, Maracanã, Cabu, Vigia, Mortigura, Samahuma, Araticu, Aricará, Bonarí, Camaú, Santo Antonio e outros núcleos e outros tantos eram dos padres capuchos, como Camutá, 2 na ilha de Joanes/Marajó, Gurupá.

Os padres jesuítas em Abaeté:

Foi notável o trabalho do jesuíta Aluizio Conrado Pfeil em terras de Abaeté, em serviço de missão e organização política e social do povoado c/os nativos locais e algumas famílias vindas do Marajó. Os nativos locais já estavam devidamente catequizados pelos padres capuchos e c/forte sentimento de devoção à N. S. da Conceição, haja vista que o próprio nome do nascente povoado era Povoado de Nossa Senhora da Conceição dos Abaetés, alusão à Virgem da Conceição e aos nativos do lugar.

Seu trabalho em prol do lugar fez com que o governo lhe concedesse a sesmaria da qual Azevedo Monteiro desistira. Por causa dessa doação o padre Aluizio Conrado Pfeil insistiu junto ao bispado na elevação do povoado á condição de freguesia.

1754: D. Miguel de Bulhões/D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa (1748-1760) cria a Paróquia de Abaeté, contemporaneamente às de Igarapé-Miry, Moju, Acará e outras doze paróquias.
Seguindo-se ao Padre Pfeil, chega o padre português Padre Antônio Ekel, que iniciou a construção da Igreja de Beja, cujo templo só foi concluído muitos anos depois, em 1888, pelo Padre Pimentel/Padre Francisco Manoel Pimentel.

Seguindo-se ao Pe. Antonio Ekel, outros padres por aqui passaram: Pe. José Maria Jarconi, Pe. Bento de Oliveira, Pe. Manoel Sousa, Pe. João Felipe Bettendorf, que escreveu sobre as missões dos jesuítas no Pará.

A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté fica, porém, subordinada ao território eclesiástico de Beja.

Devido a forte defesa em favor da liberdade dos gentios e a forte oposição que faziam aos colonos portugueses e a Companhia Geral do Comércio, condenando o monopólio dessa companhia, os jesuítas sofreram grande oposição desses colonos portugueses e do próprio Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do poderoso Marquês de Pombal, que levantaram falsas acusações aos trabalhos dos jesuítas e de falsos crimes que estes praticavam na província, que acabaram p/levar a expulsão desses missionários de todo o sertão do Amazonas, em 10/7/1757.

Somente em 1842 os jesuítas voltaram novamente ao Brasil.

Citações s/as terras da paróquia:

1) Sobre as terras da Igreja Católica em Abaeté existe uma citação: “Sorte de terras denominada ‘Conceição`, de propriedade da Igreja, onde está assentada a cidade de Abaeté, às margens do rio Maratauhyra”.

2) Foi o padre Jerônimo Roberto Pimentel que aumentou o tamanho do terreno doado por Raposo à Mitra Diocesana. Esse aumento atingiu “às dimensões da antiga sesmaria de Monteiro, isto é, desde o Igarapé Coqueiro até a boca do Rio Jarumãzinho”, onde seria assentada a Paróquia de Abaeté.


A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO SE FIRMA COM O CRESCIMENTO DO POVOADO:

A 1ª capela dedicada a N. S. da Conceiçao sofreu os efeitos do tempo e da umidade, ficando em ruínas. Foi construída uma 2ª capela e ao redor dessa capela foi construído um 1º cemitério em Abaeté, denominado Cemitério de N. S. da Conceição.

Para levar os fiéis p/a capela de N. S. da Conceição e p/o cemitério foi aberto um caminho que, logo depois, ficou sendo chamado pelo povo de Travessa de N. S. da Conceição/Travessa da Conceição.

Esse antigo cemitério foi descoberto quando se fizeram escavações no lugar.

Citações:

1) 1894: Trav. da Conceição.
2) 1896: O Intendente Emygdio Nery da Costa/1894-1896 mandou construir o 1º Cemitério Municipal de N. S. da Conceição, em 1896, cfe. citação: “Pago à Leonel Antonio Lobato, pela verba –continuação do Cemitério Municipal – sito na Trav. da Conceição, em 24/10/1896, a 1ª prestação do contrato com a intendência” – Nery da Costa.

3) Av. Abraão Fortunato, onde foi construído o cemitério, c/frente em tijolos e lados cercados com achas.
4) 1902: Na Passagem da Conceição foi construído o prédio em dois pavimentos do Grupo Escolar de Abaeté, inaugurado em 2/4/1902, tendo como 1º diretor o Professor Bernardino Pereira de Barros.

5) 1904: Um trecho de uma escritura de imóvel de 1904 que diz o seguinte: Trav. da Conceição c/a R. Abraham Fortunato.

6) 1904: Rua Cel. Aristides, canto c/a Trav. da Conceição.
7) Em uma escritura de imóvel de 1904 se encontra o trecho: Imóvel situado na Pça. da República, esquina c/a Trav. da Conceição.

8) De 1905 a 1915: Trav. da Conceição.

A 2ª capela de N. S. da Conceição, c/o passar do tempo, também ficou em ruínas devido estar localizada em local inadequado, pois ali era um local de várzeas e, p/isso, como já existia a pequena igreja do Divino E. Santo, o culto a N. S. da Conceição passa a ser feito nessa pequena igreja. O Cemitério de N. S. da Conceição também foi considerado impróprio para sepultamentos p/que estava localizado em uma via pública que estava nascendo, a /Travessa de N. S. da Conceição/Travessa da Conceição, p/isso também foi desativado pouco tempo depois.
Foi a partir do culto a N. S. da Conceição na igreja do Divino E. Santo que essa devoção cresceu ainda mais em Abaeté.

Inicialmente a devoção a N. S. da Conceição na Igreja do Divino, obedecia ao costume antigo dos novenários.

Mas como N. S. da Conceição já era considerada padroeira da cidade, o novenário passa a se constituir em uma verdadeira festa de santo c/direito a tudo o que uma festa desse tipo possui, como mastro, hasteamento de bandeiras, folguedos, etc. Assim também acontece o 1º Círio dedicado a N. S. da Conceição em 1912.

Os festejos e os círios dedicados a N. S. da Conceição vieram consolidar o culto a essa santa em terras de Abaeté.

Citações:

1) Há uma citação que faz a seguinte referência sobre o 1º Círio oficial de N. S. da Conceição, em 1912: O Círio saiu da Igreja do Divino, na Pça. da Conceição/hoje Praça Francisco de Azevedo Monteiro, ganhou a Trav. Nova/hoje Trav. Pedro Pinheiro Paes, foi pela Silva Jardim/hoje Travessa Pe. Luiz Varela, contornou o grande espaço aberto/antiga Pça. Dr. Augusto Montenegro (hoje atual Pça. de N. S. da Conceição e o antigo campo de futebol do Abaeté Futebol Clube) e retornou pela R. Torquato Barros/hoje trecho da Rua Barão do Rio Branco.


A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO COM OS PADRES SECULARES DE BELÉM:

Os padres seculares ou diocesanos estão a serviço exclusivo da diocese, não de uma ordem religiosa ou congregação e dependem apenas de seu bispo. Não professam voto de pobreza e outros votos, mas apenas as promessas de obediência ao bispo e também de celibato. Fazem também promessa de rezar todos os dias a Liturgia e celebrar a Eucaristia.

Já na condição de freguesia o povoado de Abaeté começou a merecer atenção das autoridades eclesiásticas de Belém, pois já era um local onde a fé católica se enraizara de modo definitivo, especialmente levada pela devoção à N. S. da Conceição.

Em 1765 começam a chegar em Abaeté os padres seculares vindos inicialmente de Beja, e depois, de Belém, para substituir os padres jesuítas, expulsos das terras brasileiras.

Citações:

1) 12/6/1785: D. Frei Caetano Brandão: visita Conde, Beja, Barcarena, Cajari e o povoado de Abaeté e descreve esses povoados e seus habitantes. Na visita à Abaeté, escreve: “sua igreja era pequena, seus moradores eram brancos e mestiços, estes em número de mil e tantas almas, espalhados pelas suas roças e cacauais. As casas eram de palha, feias. O terreno era fértil. A produção era: cacau, café, arroz e mandioca”. – D. Frei Caetano Brandão – memórias – Braga – 1867, II Edição – Tomo I, pag. 149.

2) Em 1785 regressa Á Belém, depois de cumprir mais uma visita pastoral, o Bispo do Pará Dom Frei Caetano Brandão. As vilas visitadas foram as seguintes: Conde, Beja, Macapá, Mazagão, Arraiolas, Esposende, Almeirim, Monte Alegre, Porto de Moz, Gurupá e os lugares de Barcarena, Abaeté, Cajari, Outeiro, Vilarinho do Monte e Carrazedo, lugares onde celebrou batizados, crismas e casamentos.


CRONOLOGIA DA PRESENÇA DOS PADRES SECULARES DE BELÉM EM ABAETÉ:

Após a saída dos padres jesuítas das terras abaeteenses, esses padres são substituídos pelos padres seculares vindos do Bispado de Belém e eles usam a pequena Igreja do Divino E. Santo como Igreja Matriz de Abaeté. Alguns padres desse período de Freguesia de Abaeté, que ajudaram o povo a manter firme sua devoção a Virgem da Conceição:

1) 1821-1842: Padre Jacob Cordeiro de Miranda.

Em 1833 a freguesia contava com 2.425 moradores livres e 1639 escravos, conforme Baena – Ensaios, 343 – em escravidão indígena e negra.

2) 1842-1851: Jerônimo Pimentel/Cônego Jerônimo Roberto da Costa Pimentel. Foi o padre Jerônimo Roberto Pimentel que aumentou o tamanho do terreno doado por Raposo à Mitra Diocesana. Esse aumento atingiu “às dimensões da antiga sesmaria de Monteiro, isto é, desde o Igarapé Coqueiro até a boca do Rio Jarumãzinho”, onde seria assentada a Paróquia de Abaeté.

Esse padre se envolveu em muitas questões políticas no Pará, relativas a Revolução da Cabanagem, foi deputado da 1ª Assembléia Provincial do Pará em 1838.

1844: A Freguesia de Abaeté é anexada à de Igarapé-Miry, em 11/9/1844 e desmembrada pouco tempo depois, em 19/10/1844.

3) 1851-1859: Padre Coadjutor Antonio Francisco Pereira Matos.

4) 1859-1871: Nogéo José Eliziário Margoroso.

5) 1871: Padre Hermenegildo Domiciano Cardoso Perdigão.
1877: A Freguesia de Abaeté é anexada ao Bispado de Belém, junto c/o de Beja.

6) 1871-1880: Estando como pároco de Abaeté o Cônego Antonio José Bentes, este é nomeado como o 1º vigário de Abaeté, em 1879.

7) 1873: Vigário interino, Frei João da Santa Cruz, pouco tempo permanecendo em Abaeté.
8) 1879: Cônego João Muniz.


ABAETÉ COMO VILA E COM O SEU 1º VIGÁRIO:

9) 1880: A Freguesia de Abaeté desmembra-se do Bispado de Belém e é elevada à categoria de vila e Beja é anexada à nova vila, perdendo s/condição de freguesia.
1880: Padre Antonio Nicolau Valentino.
1880: Padre Felisiano Dias de Abreu.


ABAETÉ COM SUA 1ª CÂMARA:

1881: Somente em 7/1/1881 é instalada a 1ª Câmara da Vila de Abaeté, tendo como Presidente da Câmara o Ten-Cel. Arlindo Leopoldo Correa de Miranda, ficando nessa condição em dois períodos, 7/1/1881-1884 e 1884-1887. Padres a partir desse período:

10) 1882-1888: Padre Theodoro Gabriel Thambi, padre secular.
1883: Em 23/3/1883 a Vila de Abaeté consolida-se como sede da Vila, ficando Beja como distrito da nova vila.

O município de Abaeté foi criado a 23 /3/1883, quando a antiga freguesia de Abaeté foi elevada à condição de vila. Ao novo município pertenceriam as terras da antiga freguesia de Beja. A instalação da Câmara Municipal ocorreu a 7 de janeiro do ano seguinte. Em 13/12/1886 a séde da comarca de Igarapé-Miry passou para Abaeté, lei revogada um ano depois.


ABAETÉ COMO CIDADE:

15/8/1895: Abaeté é elevada à categoria de cidade, na gestão do intendente Emygdio Nery da Costa. Padres após esse período:

11) 1888-1899: Padre Francisco Manoel Pimentel, que chegou a ser intendente municipal de Abaeté no período de 1896-1900. Vide Pe. Francisco Manoel Pimentel em “ruas de Abaeté”.

12) 1907-1913: Cônego Raimundo Ulisses de Penafort.

13) 1913-1916: E. Costa Teixeira.

14) 1916: Cônego Ricardo Fellipe da Rocha, junto c/o frei Teobaldo
1916: Frei Theobaldo, capuchinho.

15) 1917: Padre Bernardino Ferreira Antero e Padre Luiz Varella. O padre Bernardino ficou pouco tempo em Abaeté, ficando apenas o padre Luiz Varella como vigário de Abaeté até 1932.
1917-1932: Padre Luiz Varella, que foi o grande incentivador da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté ou IGREJA MATRIZ DE N. S. DA CONCEIÇÃO. Vide Pe. Luiz Varella em “ruas de Abaeté”.

1927: O padre Geraldo de Carvalho, era membro do Clube Carlos Gomes e secretário do Vera Cruz Sport Club.

16) 1932-1936: Padre Ignácio Magalhães, que foi espancado por seus poderosos desafetos, preso pelo comissário de polícia da época. Por esse motivo a paróquia de Abaeté ficou s/padre e a nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição ficou fechada para missas e funções religiosas, só vindo p/Abaeté padres em missões específicas e passageiras.

1936: Paróquia de Abaeté, na gestão do prefeito João Francisco Ferreira (prefeito nomeado: 7/7/1935-12/2/1936 e prefeito eleito: 12/2/1936-31/12/1937) fica fechada, c/a Igreja Matriz de N. S. da Conceição em período de construção. Padres que estiveram em Abaeté no período de interdição da paróquia os seguintes padres:

17) 1936: Padre Eurico Frank, missão específica.

18) 1937: Padre Menezes/Padre José Carvalho de Menezes, missão específica.

19) 1937: Padre João Van Brun, missão específica. Este celebrou a 1ª missa na nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição.

20) 1937 A 1939: O Padre Luiz Gussenhoven que esteve aqui em missões específicas em 1937, 1938 e 1939. Foi ele que, em 1939, passou a Paróquia para as mãos dos padres da Congregação dos Padres Capuchinhos, na pessoa do Frei Gabriel, designados que foram pela Arquidiocese de Belém, para o Trabalho Pastoral no município de Abaeté. Isso significou o fim do período de interdição da Paróquia de Abaeté.

Alguns padres capuchinhos, que deveriam assumir a Paróquia, também estiveram em Abaeté.


A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO E O PADRE LUIZ VARELLA:

Foi o Pe. Luiz Varella/Luiz de França do Amaral Varella, que chegou a Abaeté em 1917, que sentiu a antiga devoção dos abaeteenses p/N. S. da Conceição e o s/forte anseio em construir uma igreja matriz dedicada à s/padroeira, N. S. da Conceição. Ele c/o seu característico dinamismo em fundar e construir obras para atender a Igreja e a sociedade, toma para si essa responsabilidade e logo convoca o povo católico para atender a essa antiga aspiração de ter uma igreja matriz dedicada a N. S. da Conceição. A idéia do padre e seus companheiros ganha corpo e logo empolga o povo católico abaeteense, que sob o comando de uma grande comissão começam as campanhas de arrecadação de fundos, usando os mais diferentes meios e formas nessas campanhas, que envolveram entidades e pessoas p/a construção da tão sonhada “nova igreja Matriz de Abaeté” ou Igreja Matriz de N. S. da Conceição.

Essa foi a 1ª comissão formada para esse fim, nos tempos do Pe. Luiz Varella.


Algumas citações a esse respeito:

1) O Senhor Francisco Assunção dos Santos Rosado, dedicado tesoureiro da grande Comissão encarregada da construção de nova Igreja matriz, c/livro caixa e balancetes. Balanço da Olaria N. S. da Conceição, de que o Sr. Francisco Assunção dos Santos Rosado é superintendente. Valor da arrecadação: 72$000, que é um maravilhoso resultado.

2) Óbulos, tijolos: “F. A. Santos Rosado & Cia. com 600 tijolos. Outros: 5.800 tijelas de seringa e telhas”, oferecidos p/a campanha de N. S. da Conceição.

3) “A Lancha Tucumanduba de propriedade do Sr. Cel. Maximiano Guimarães Cardoso, levando membros da Comissão da Construção da Matriz: Padre Luiz Varella, Francisco Assunção dos Santos Rosado, José Antonio de Castro, Teodomiro Amanajás de Carvalho e Amphiano Quaresma, Presidente, tesoureiro e membros da Comissão, pelas cidades vizinhas à Abaeté, c/resultados pífios”.

4) 1924: Estatutos da Irmandade de N. S. da Conceição, encarregada da construção da Igreja Matriz.

5) Campanha em fevereiro de 1920, no tempo do Intendente Sr. Coronel Aristides dos Reis e Silva. Produto da Olaria em prol da construção da Matriz: 7.036$773, patrimônio de N. S. da Conceição. Produto do teatrinho e recursos particulares do Sr. Francisco de Assunção dos Santos Rosado, p/levar avante o teatro, mais de 1:200$000, espetáculo em prol da construção da Matriz, José Antonio de Castro, tesoureiro.


A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO PERDURA NO TEMPO:

Relembrando:

1) O antigo povoado, nascido em 1724 c/Francisco de Azevedo Monteiro, era chamado de Povoado de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté.

2) Em 1754 D. Bulhões/D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa (1748-1760) cria a Paróquia de Abaeté.

3) Pelos esforços do Pe. Aluísio Conrado Pfeil é criada a Freguesia de N. S. da Conceição dos Abaetés.

4) As terras da freguesia de Abaeté, nos documentos da época eram denominadas “Sorte de terras ‘Conceição` de propriedade da Igreja Católica”.

5) As primeiras capelas dedicadas a N. S. da Conceição, eram denominadas Capela de N. S. da Conceição.

Nessas capelas, conforme costume católico antigo eram realizadas as ladainhas do novenário à Virgem da Conceição. Essas capelas eram rústicas e construídas em madeira e palha, conforme o costume dos nativos locais.

6) O 1º cemitério publico da vila de Abaeté, era denominado Cemitério de N. S. da Conceição, que teve que ser removido p/outro local p/se localizar em local impróprio p/sepultamentos.

7) A rua onde foram edificadas as primeiras capelas e o 1º cemitério de Abaeté ficou sendo denominada popularmente “Travessa de N. S. da Conceição/Travessa da Conceição, porque ali estava edificada a capela de N. S. da Conceição, onde os nativos do lugar prestavam culto a N. S. da Conceição. Essa antiga rua deu origem a atual Av. Pedro Rodrigues.


A QUASE TRICENTENÁRIA DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO:

Desde a criação do povoado de Abaeté, até a criação da Vila de Abaeté em 1880, foram 156 anos de devoção dos nativos e habitantes do lugar a N. S. da Conceição. Isso significa mais de um século e meio de devoção à Virgem da Conceição, c/precária assistência de padres, pois estes tinham um enorme território para dar assistência catequética, como foi o caso dos jesuítas e dos padres seculares de Belém, que além de Abaeté, tinham muitos outros centros de catequese para desenvolver seus trabalhos espirituais.

A partir da condição de vila, constituída em 1880, a devoção a N. S. da Conceição continua a ter o acompanhamento dos padres enviados pelo Bispado de Belém, agora na condição de vigários e até a elevação de Abaeté à condição de cidade em 1895, são mais 15 anos de devoção à Virgem da Conceição. E até os últimos dias do ano de 2009, já são 285 anos de veneração à N. S. da Conceição, o que configura um próximo tricentenário de devoção dos abaetetubenses a N. S. da Conceição.


A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO NA IGREJA DO DIVINO E. SANTO:

Após a ruína da capela de N. S. da Conceição, que ficava na Travessa da Conceição, o culto a N. S. da Conceição passa a ser realizado na pequena igreja do Divino E. Santo, que ficava na antiga Praça da República e a devoção à Virgem da Conceição leva a outras mudanças p/essa devoção. Assim:

1) A Praça da República passa a ser denominada popularmente de Praça de N. S. da Conceição/Praça da Conceição (antes era chamada de Praça do Divino), por que ali se localizava a pequena Igreja do Divino E. Santo, onde se venerava e se festejava a Padroeira de Abaeté, N. S. da Conceição.

A festa de N. S. da Conceição nessa praça passa a seguir aos antigos costumes de uma festa de santo, com: o arraial c/mastro, os coretos e hasteamento da bandeira, as alvoradas c/fogos e música de banda, os enfeites, as vendas, as procissões que se transformam em Círio no dia 28/11 e dia da festa a 8 de dezembro, dia de N. S. da Conceição e as pessoas trajando suas melhores roupas ou roupas novas p/melhor honrar N. S. da Conceição, e a introdução das músicas de bandas. As bandas começaram a participar das cerimônias religiosas, acompanhado os cantos religiosos na igreja, na procissão do Círio e após as cerimônias religiosas, quando executavam s/dobrados, marchas, sambas, choros e outras músicas animadas, prenunciando os antigos folguedos de arraial, que transformavam uma festa religiosa c/muitos motivos profanos. Convém salientar que as festas de N. S. da Conceição, na antiga Igreja do Divino, foram realizadas até o ano de 1936, quando a nova igreja matriz já estava em construção.

Como a festa de N. S. da Conceição era a festa da padroeira do município de Abaeté, também nas casas começaram a se implantar o costume das refeições preparadas especialmente p/esse dia.
Nessa época os ribeirinhos de Abaeté começaram a afluir, vindos de s/localidades nas ilhas de Abaeté, em suas canoas à vela ou outros tipos de embarcações, p/também honrar N. S. da Conceição. Famílias inteiras vinham do interior do município e se hospedavam nas casas de s/parentes e amigos da cidade ou eles mesmos construíam casas para esse fim, como foi o caso dos ribeirinhos siriteuaras, que ajudaram a fundar as chamadas vilas Saracura e Sarará.
No arraial também se vendiam comidas e bebidas típicas do lugar, doces, brinquedos e se introduziram outros folguedos de arraial.

2) O 2º cemitério público da cidade de Abaeté, manteve o nome de Cemitério de N. S. da Conceição, transferido que foi para a R. Francisco Antonio da Costa/Rua do Cemitério. Algumas tumbas desse novo cemitério trazem inscrições de sepultamentos de falecidos que vieram do 1º Cemitério. E muitas tumbas antigas foram construídas c/muito esmero, como verdadeiras obras de arte, em material variado como mármore, granito, c/incrições em baixo relevo e muitas figuras de anjos e outros motivos católicos. Esse cemitério já devia estar tombado há muito tempo, pelo s/valor histórico e patrimonial que representa, que vai sendo dilapidado a cada ano.

3) De um simples culto, a veneração a N. S. da Conceição passa a ter conotação de uma grande festa, a Festa de N. Senhora da Conceição, a Padroeira do município de Abaeté, que ultrapassou em grandeza outras antigas festas de santos da cidade como a Festa do Divino Espírito Santo, a festa de S. Raimundo Nonato, a Festa de São Sebastião e outras festas.

4) Com os festejos dedicados a N. S. da Conceição veio o 1º Círio de N. S. da Conceição, que aconteceu em 1912.

5) A festividade de N. S. da Conceição foi realizada na igreja do Divino até o ano de 1936 e após esse ano passou a ser realizada na nova Igreja Matriz de Abaeté ou Igreja Matriz de N. S. da Conceição, que ainda estava em construção.


A 1ª CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS P/A CONSTRUÇÃO DA NOVA IGREJA MATRIZ DE ABAETÉ:

Durante as primeiras campanhas de arrecadação de fundos p/a construção da Igreja Matriz de Abaeté, a partir das primeiras décadas do Sec. 20, pessoas e entidades se envolveram diretamente nessas campanhas, como:

1) Irmandade de Nossa S. da Conceição, que deveria congregar todas as pessoas envolvidas nas campanhas de arrecadação de fundos, devotos e devotas de N. S. da Conceição, p/a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. S/grande mentor foi o Pe. Luiz Varella, que junto c/o rico comerciante/industrial e católico Francisco de Assunção dos Santos Rosado, que foi o 1º thesoureiro dessas campanhas.

Irmandade de N. S. da Conceição foi a irmandade criada para N. S. da Conceição, uma vez que a maioria dos santos, venerados na antiga Abaeté, tinham a sua irmandade. Essa irmandade com estatutos e tudo.

Seus diretores eram os mesmos que compunham a Grande Comissão para arrecadação de fundos c/aquela finalidade.

Citações de 1924: “Estatutos da irmandade de N. S. da Conceição, encarregada da construção da Igreja Matriz”. “O Senhor Francisco de Assunção dos Santos Rosado, dedicado tesoureiro da grande comissão encarregada da construção da nova igreja, com livro caixa e balancetes”.

2) Theatro Nossa S. da Conceição, foi o teatro montado no alpendre da Igreja do Divino, para se encenar peças, com fundo musical, cuja finalidade era a de arrecadar fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. Esse teatro se chamava de Teatro de N. S. da Conceição e as peças eram encenadas pelos componentes do Grupo Scênico de Abaeté, com o fundo musical feito pela Banda Paulino Chaves, grupo musical criado com a ajuda do Padre Luiz Varella.

3) Grupo Scênico de Abaeté, c/seus artistas amadores da cidade, constituído de rapazes, moças, senhoras e senhores para apresentar os espetáculos teatrais no chamado Theatro de N. S. da Conceição. Era tudo devidamente organizado, c/peças teatrais devidamente escolhidas e ensaiadas p/professor Alberto Costa e c/fundo musical da Banda Paulino Chaves.

4) A Banda Paulino Chaves, que fazia o fundo musical desses espetáculos e participava dos eventos e celebrações religiosas no tempo do Pe. Luiz Varella. Essa banda foi fundada pelo Mestre Gerônimo Guedes em 1919.

5) Olaria Nossa Senhora da Conceição, que foi doada p/Francisco de Assunção dos Santos Rosado à campanha de arrecadação de fundos N. S. da Conceição e que era gerenciada p/mesmo Sr. Rosado, cuja venda de s/produtos deveria reverter p/a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté.
Balanço da Olaria N. S. da Conceição, de que o Sr. Francisco Assunção dos Santos Rosado é superintendente. Valor da arrecadação: 72$000, que é um maravilhoso resultado.

6) A Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club, que era uma torcida organizada do Vera Cruz Sport Club, formada só p/mulheres, que nos dias de jogos do clube saíam pela cidade comandando passeatas, cantando os hinos do clube, acompanhada da Banda Paulino Chaves.


A 2ª CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO P/A IGREJA MATRIZ DE ABAETÉ:

Seguindo-se ao Pe. Luiz Varela, chega à Abaeté o controvertido Pe. Magalhães/Padre Ignácio Ramos de Magalhães, que assume a paróquia, de 1932 a 1936. Ele encontra a cidade em um contexto social e político injusto e passa a defender os oprimidos do município e começa a criticar os senhores de engenho, os grandes comerciantes e os políticos da época, que ele afirmava explorar e desonrar famílias e pessoas humildes da cidade.

Devido a essas acusações o Pe. Magalhães foi vítima de um ato de violência, em 1936, praticado pelas pessoas que ele criticava em seus sermões ou a mando destes, quando foi barbaramente espancado, quando se preparava para celebrar a missa das 5 horas da manhã daquele triste dia.
E devido a esse ato de violência, o Arcebispo de Belém, D. Antonio Lustosa/Antonio de Almeida Lustosa (1931-1941) determina o fechamento da Igreja Matriz de Abaeté, que estava ainda em construção. C/o fechamento da Matriz o povo de Abaeté não podia mais participar das missas e das outras funções religiosas. Esse foi o pior castigo imposto p/D. Antonio Lustosa a todo o povo de Abaeté, p/culpa de algumas pessoas.

Mas antes do s/espancamento o Pe. Magalhães não perde tempo constituindo uma 2ª comissão para os trabalhos da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté.

1) Em 1933 foi constituída uma 2ª comissão para a construção da Igreja matriz, presidida por Joaquim Mendes Contente, que recebeu o aval do Arcebispo de Belém, D. Antonio Lustosa, em 1933, para a construção da nova igreja. Foram lançadas campanhas para a arrecadação de materiais para a construção da igreja. A primeira campanha foi a “campanha das pedras”, onde os barcos que chegavam à cidade vinham carregados de pedras que lançavam às margens do rio da frente da cidade. Quando o sino tocava, a população católica saia para recolher as pedras.

2) O requerimento pedindo a autorização do Arcebispo de Belém D. Antonio Lustosa foi preparado no dia 7/5/1933 e assinado pelas seguintes pessoas da Comissão: Pe. Inácio Magalhães, Vigário; Bernardino Mendes da Costa, Raimundo Nonato Viégas, José Ferreira, Joaquim Mendes Contente, José Pinheiro Bahia, Raimundo Pauxis, Humberto Parente, Emiliano de Lima Pontes, Raimundo Nonato Ferreira, Oscar Solano de Albuquerque.

Esse mesmo grupo assinou outros documentos em prol da construção da Nova Igreja Matriz de Abaeté, conforme abaixo.

Convite:
A Comissão abaixo assinada, tem a grata satisfação de convidar todas as Autoridades, Federais, Estaduais e Municipais, bem como as Associações Religiosas e de Classes, o Corpo Comercial, Excelentíssimas Famílias e ao Generoso Povo Abaeteense, para a ‘Bênção do Cruzeiro’ que realizar-se-á no dia 27/5/1933, às 17:00 horas e no dia 28/5 realizar-se-á a Bênção da Primeira Pedra Para a Construção da Igreja Matriz e durante a Missa Campal que se realizará no mesmo local. Rogo a todos, de com sua presença, realçarem esse ato de fé cristã, bem como pedir uma contribuição material para a construção de tão importante Templo de Deus. Penhorados agradecem. Abaeté, 10 de maio de 1933.

Pela comissão: Padre Ignácio de Magalhães, vigário; Bernardino Mendes Costa, Raymundo Nonato Viégas, José Pinheiro Baía, José Ferreira, Joaquim Mendes Contente, Humberto Parente, Raymundo Pauxis, Oscar Solano de Albuquerque, Raymundo Nonato Ferreira, Emiliano Pontes.

3) A partir da autorização do Arcebispo de Belém, D. Antonio Lustosa, a comissão, tendo à frente o Pe. Magalhães, Joaquim Mendes Contente e os demais membros citados, iniciam o 2º momento de arrecadação de fundos e materiais e assim se inicia efetivamente a construção da tão sonhada Igreja Matriz de N. S. da Conceição.

4) É natural que o Pe. Luiz Varella e s/comissão tenham entregues a essa 2ª comissão o produto da 1ª arrecadação de fundos desenvolvidas no tempo em que esse padre esteve em Abaeté até o ano de 1932. A construção da nova matriz se iniciou em 1933, c/ a Bênção da Pedra Fundamental do templo a ser construído, feita pelo Pe. Magalhães.

5) Há um registro em um documento antigo de 1940 que diz o seguinte sobre o custo da grande obra: “As obras da igreja matriz já vão bastante adiantadas, na Praça Dr. Augusto Montenegro. Custo: mais de 80 contos de réis (80.949$280)”.



Abaetetuba/pa, 16/1/2010 - Prof. Ademir Rocha

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